Reita\'s P.O.V.

— Rei? Tem certeza de que está tudo bem?

Grunhi em resposta. Nem sequer havia saído da cama. Segundo dia de folga, e só a simples idéia de sair da cama me dava preguiça. E eu também não queria chegar na sala e ver se a correspondência já havia sido entregue. Muito provavelmente eu iria dar de cara com mais um envelope vermelho.

— Hey, preguiçoso...

Ruki fez menção de ir me sacudir, mas fui mais rápido, puxando-o de volta pra cama, abraçando e fechando os meus olhos.

— Pronto, já posso dormir de novo.

O menor riu, negando com a cabeça.

— O que é isso? Vai ficando velho e a energia vai acabando?

Grunhi de novo, afundando meu rosto no seu pescoço.

— Eu só queria ficar assim mais tempo. Depois dessa folga vamos entrar em turnê.

Mesmo que eu não pudesse ver, eu sabia que ele sorria. Começou a mexer no meu cabelo, desistindo de me tirar da cama. E eu agradecia que ele tivesse se convencido de que eu não iria sair dali.

Ruki me arrastava pra cozinha, pra comermos alguma coisa. Tínhamos ficado na cama até depois da hora do almoço e tanto o meu estômago quanto o dele estavam reclamando. Assim que passamos pela sala eu avistei, por debaixo da porta, outro envelope vermelho.

— Ruki, some com aquilo da minha frente.

— Hm?

— Aquilo.

Apontei pro envelope, e ele riu.

— Já faz um tempo que você vem recebendo cartas naquele envelope, não é?

— Já.

— E... eu sei que eu nunca perguntei, mas... o que tem escrito?

Fiquei olhando pra ele, um sorriso largo se espalhando no meu rosto, ao ver aquela ponta de ciúmes controlado de Ruki. Ah, ele era controlado pra esse tipo de coisa, mas eu já havia aprendido a identificar aquele olhar.

— Abre.

Ele franziu o cenho, e depois foi pegar o envelope fechado debaixo da porta, me encostei no sofá, vendo-o se aproximar e apoiar as costas no meu peito. Enlacei sua cintura, apoiando o queixo no seu ombro, vendo-o abrir o envelope e tirar o papel de lá.

"Velas estão queimando, você escuta minha voz

Esta é a noite onde nós sonhamos

Eu quero passar através da porta de seu desejo

Eu estou me movendo com cuidado para sua cama, você está lá,

Eu posso ver que você está queimando — nós começamos para o prazer

Minhas mãos estão tocando em sua pele morna,

Minha língua estão deslizando seu corpo

Vai assim profundamente assim delicado entre suas pernas

Eu estou mergulhando em seu oceano

Venha e me leve alto, faço tudo que você quer

Eu serei seu — eu sou sua paixão.¹"

Embaixo havia um endereço, de um café, com uma data, horário e o número de uma mesa. E era impressão minha ou aquela era mais pervertida que as outras? Ruki não havia dito nada. Me virei para olhá-lo, deparando com seus olhos arregalados, o rosto vermelho. Colocou a carta no envelope.

— Okkay, depois dessa eu me considero inocente e puro.

Eu ri, apertando-o nos braços.

— Você vai? — ele me perguntou, a voz estranha.

Fiquei quieto, pensando. Aquele tom de voz... Ele estava inseguro. Beijei sua bochecha, e mesmo que não devesse, eu sorria. Idiota eu, não? mas realmente parecia fazer muito tempo que o menor não demonstrava algo do tipo.

— Eu não sei, Taka. O que você acha?

Ele ficou quieto, pensando.

— Eu acho que você deveria ir, mesmo que a idéia não me agrade.

— Não agrada?

— Claro que não. Vai que é uma fangirl gostosona...

Eu ri, negando com a cabeça.

— Acha mesmo que depois de todo esse tempo juntos eu te trocaria por uma qualquer de mente pervertida?

— Vai saber, pervertidos se entendem.

— Ruki!

— E não é?

— Mas não precisa jogar na cara que eu sou pervertido.

— Pelo menos você admite, ne?

— Eu não sou... — o olhar dele me fez calar.

— Que bom que concorda.

Ficamos um minuto quietos, apenas ali, parados. Até que os dois estômagos resolveram fazer barulhos ao mesmo tempo. E no fim das contas, pedimos uma pizza mesmo. E ficamos lá, jogados no sofá o resto do dia. Depois eu pensaria no que fazer. Se bem que a minha curiosidade era maior do que qualquer coisa.

Continua...

Notas finais
¹ Tradução da música Dsire, do BlutEngel