BW's : A Caça ou Os Caçadores?
2 Capítulo II
Notas iniciais
Estou aqui de novo! Vejamos onde eu parei... Ah, minha visão aterrorizante... Só de pensar em descrever esse momento, meu estômago se revira e um calafrio percorre meu corpo, mas acho que posso suportar isso para descrever pra você.
Bem, fui “forçado” a ficar parado por dois preciosos segundos, eu estava em choque com a imagem da criatura, que não era humana, muito menos conhecida. Era uma espécie de mistura de Homem com escorpião e asas de morcego gigantes. A partir do quadril, a criatura tinha o corpo de escorpião, com o ferrão brilhando cintilante, enquanto o tronco e a cabeça eram comumente humanas, seu braço direito era uma presa super desenvolvida de escorpião, seus olhos eram negros e aterrorizantes, suas asas de morcego se situavam na divisão entre a parte escorpião e a parte homem. Eu não sabia o que era aquilo e muito menos se poderia sobreviver, apesar de que, após aquela aparição repentina havia me pego de surpresa e eu não conseguia me mexer.
O Tremor de terra cessou, porém a tontura ainda me afetava por completo e quando eu finalmente consigo endireitar o corpo para andar, o bicho avança em mim com suas presas afiadas e quase não tenho tempo de desviar quando a garra passa próximo ao meu cabelo enquanto permaneço abaixado. Eu estava sendo movimentado pelo pânico, não me restam duvidas, o golpe havia passado perto e eu não queria esperar pelo próximo, portanto rolei para a direita enquanto a criatura se posicionava para atacar novamente, uma fração de segundo se passou quando ele investiu, mas dessa vez eu havia conseguido chegar até a árvore, entretanto, uma boa parte dela se despedaçou com o golpe. Nesse ritmo eu não duraria muito tempo, foi ai que eu decidi tentar reagir, meu cérebro não estava raciocinando muito bem e em compensação, meu corpo agia por impulso do medo. Uma pedra foi tudo que consegui encontrar no segundo que tive, quando seguro a pedra com força e me preparo para virar, sinto o corte no braço esquerdo, o ferrão de escorpião dele não havia furado, mas fez um corte razoavelmente profundo em no meu braço direito e eu bufo de dor. A raiva se juntou ao medo e a dor quando virei e lancei a pedra entre os olhos do bicho, o golpe pareceu pegá-lo de surpresa e o fez cambalear, foi o tempo que tive para me levantar e tentar correr. Não deu muito certo, ele conseguiu me derrubar novamente com o rabo, mas dessa vez não tinha pedra, mas achei um pedaço de madeira que me substituiu no meio da garra dele. Decido que não durarei muito tempo se não atacar, então apoio meu pé na árvore e pego impulso para um chute giratório que acerta em cheio o rosto do bicho e o faz cambalear. Não tive tempo para comemorar quando o notei recuperando o equilíbrio e avançando, é a vez de correr atrás da árvore e o ferrão atravessa a madeira rígida, me colocando a poucos centímetros de distancia da morte, o que me fez reagir, usando um pedaço de madeira que a árvore soltara, acerto o ferrão, fazendo-o guinchar de dor. Aproveito para correr, mas ele é mais rápido e levanta um pequeno vôo rápido até mim, me derrubando, escuto o estalar de suas presas e rolo para o lado, tentando adiar minha morte, quando ele recua para tentar mais um golpe, é minha chance e parto novamente para o ataque enquanto suas garras tentam fisgar minha perna, uso-a como apoio para pular e chutar o queixo do bicho. Não sei de onde estou tirando força ou como aprendi esses movimentos, mas estou agindo com uma naturalidade fora do comum, quando caio no chão é que noto, estou ofegante e meu coração está acelerado, não tenho muita escolha de como reagir e tento correr, novamente sou alcançado e dessa vez ele me derruba, seu ferrão parecia ter sido restaurado e novo em folha. Girei meu corpo e tentei mais uma vez correr, não sabia mais para onde eu estava indo quando a ferroada atinge minha panturrilha e eu desabo, consigo me virar para tentar adiar a morte com as mãos, mas era tarde de mais e o bicho estava próximo de mais. Vejo-o preparar a garra e fecho os olhos, torcendo por um milagre, pode não ter sido um milagre, mas eu sobrevivi. Após dois segundos, abro os olhos e vejo que o homem escorpião-morcego ainda estava na mesma posição, mas dessa vez ele ganhara um adorno no meio do estômago, uma lança atravessada, respiro com força e meus sentidos vão se recobrando aos poucos, tudo parecia estar começando a parecer em ordem, quando a suposta dona da lança decidiu aparecer de sua caminhada até o local, ela era linda. Seu cabelo era claro e estava preso por um rabo de cavalo, sua pele era clara, seus olhos âmbar, o corpo era esguio, baixo e ossudo, parecia uma verdadeira guerreira. Não consegui ver muita coisa até a visão embaçar, mas consegui formular uma frase.
– Quem é você?
– Apenas descanse, vai precisar...
A voz rígida e doce ainda soava aos meus ouvidos quando eu desmaiei, ou melhor... Apaguei completamente.
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