Notas iniciais
é uma história antiga minha, que eu decidi voltar a escrever, então vou postando aqui aos poucos, espero que gostem ^-^

Muitas pessoas se sentem solitárias quando tem quinze anos e todos os seus amigos estão namorando menos ela. Aproximadamente 80%. E, como sempre, eu faço parte da minoria.

Vejo as garotas da minha idade desesperadas para ter um namorado, como se isso fosse mais importante que qualquer coisa.

Acho que eu sou a única que pensa racionalmente. Acho que além de comida, oxigênio e água, as coisas mais importantes são: bons livros, música boa e alta, internet e piscina. Essas são coisas que não podem faltar para você ter uma vida boa e feliz, não um namorado.

Mas enfim, voltando às pessoas dependentes de outras. Elas me irritam. Pronto, era só isso que faltava eu falar.

Meu nome é Débora, sou a filha do meio, tenho quinze anos. Tenho um irmão mais velho chamado Lucas, de dezessete anos e uma irmã mais nova, a Thaís, de oito anos.

Eu sou albina, a única albina em uma família de loiros arruivados. Meu irmão é alto, olhos verdes, cabelo quase ruivo claro — ele é lindo. Minha irmã é perfeita. Pequena, delicada, olhos verdes, sardas no rosto, cabelo entre o liso e o encaracolado, num tom de loiro claro. Meu pai é loiro igual ao meu irmão. E minha mãe, igual a minha irmã, só que com o cabelo loiro escuro.

Eu odeio ser albina. Minha pele é tão pálida e sem graça. Meus olhos são cinza, e meu cabelo, assim como meu cilho e minhas sobrancelhas, é branco. Tenho um metro e sessenta, e nem sou tão magra assim. Peso cinquenta e seis. Preciso emagrecer, mas tenho um amor platônico pela comida.

Meus irmãos, além de lindos, são inteligentes. Enquanto eu estudo em um colégio normal, eles estudam em um internato para pequenos gênios, e eu só os vejo nos finais de semana.

Mas, parando de falar de mim e voltando a realidade. Eu só tenho uma coisa a dizer. EU ODEIO MATEMÁTICA.

— Você está de castigo, Rebecca! — minha mãe berra, logo após ter visto a minha nota de matemática.

Veja bem, eu sei que um nove é muito melhor que um sete, mas porra, um sete é maravilhoso comparado à nota que eu pensei que ia tirar, que era zero!

— Você está sem computador até eu ver um nove e meio em matemática no seu boletim!

Eu, como sempre vejo brechas nos castigos que ela dá, pego um boletim antigo e mostro o nove e meio em matemática. Ela não gostou muito, quase me manda tomar no cu. Minha mãe é muito meiga. Só que não.

Passo o mês todo escutando música, comendo, indo para a escola dormir, e nadando na academia por quase três horas e dormindo em casa o resto do dia. Mas, como sou muito sortuda, minha melhor amiga é nerd. Na semana antes dos testes, ela me ensina tudo, tipo, tudo mesmo.

Hoje é o dia do teste de matemática. Os nerds, como sempre, estão ansiosos e não param de se comparar vendo quem estudou mais horas. Os burros estão tentando ver quem escreve mais nos braços, e tentando disfarçar o suor, porque hoje, para nossa sorte, o ar condicionado está quebrado. E os normais, como eu, estão sentados, esperando a tortura começar.

Sento na penúltima cadeira do canto esquerdo, ao lado da janela. Minha melhor amiga senta na minha frente, e atrás de mim tem o guri mais implicante do universo — mais conhecido como Gustavo, um americano negro, com olhos pretos, cabelo preto, tudo preto, menos os dentes, os dentes dele são brancos e brilhantes.

Ele vive implicando comigo, chamando-me de branquela, pó de giz, e essas coisas. Eu o chamo de carvão, carne tostada e coisas assim.

Ele não para de bater o pé na minha cadeira.

— Dá pra parar? Parece que tá tendo um ataque epilético!

— Ou eu tenho mal de Parkinson. — ele implica, batendo o pé ainda mais rapidamente.

— Dá pra parar? — reclamo, aumentando o volume da voz. Ele dá um sorrisinho irritante.

— Ui, a fantasma ficou irritadinha.

Reviro os olhos. Ele não para.

Abaixo a mão e desamarro seus tênis e, sem ele perceber, amarro-os juntos. Tenho mão leve.

A prova começa e ele não percebe os cadarços. A prova está relativamente fácil. E como é matemática, tenho quase certeza que errei a maioria da prova. Uma hora e quarenta minutos de duração, e então o sinal toca. Só quem não entrega são aqueles burros que não conseguiram colar e nem responder. Saio com a Marina, minha melhor amiga, aquela nerd. O Gustavo sai logo depois, com o tênis desamarrado.

Ele olha para mim e dá um meio sorriso.

— Tem um negócio no seu cabelo, branquela. — ele sussurra, contendo o riso. Passo a mão e sinto algo duro.

— O que é isso? — quase berro.

— Acho que, sem querer, meu chiclete ficou preso no seu cabelo.

A Marina entende meu olhar de "vou te matar" direcionado a ele e me puxa para o banheiro.

Escuto a risada alta do guri e aceleramos o passo. Enquanto a Marina tranca a porta do banheiro, eu vou tentando tirar aquela merda do meu cabelo. Merda. Isso não vai sair tão cedo.

— Mari, seu casaco tem capuz?

— Não, eu esqueci o casaco em casa. Mas liga pra sua mãe que ela busca você. E eu.

Sorrio.

— Vai me ajudar a tirar esse chiclete?

— Claro.

— E a bolar uma vingança?

— Obvio.

Ligo para a minha mãe. Dez minutos depois ela me busca, e busca a Mari também. Chegando em casa, eu corro para o banheiro enquanto a doida fica procurando no Google "como trollar um garoto".

Merda, o chiclete não quer sair!

— Mari, eu preciso de você! — berro, desesperando-me.

Ela também não consegue tirar. Então eu corto meu cabelo. Antes, o cabelo estava no meio das costas. Agora ele está picotado, e curto. Tipo, na altura do ombro. Sorte minha que o meu cabelo não é volumoso, senão ficaria uma merda. Até que ficou bonito.

Aproveito que o cabelo está curto e faço uma hidratação. A Mari fica pintando as unhas. A música alta tocando Nickelback e o meu armário aberto. Ela adora ficar usando minhas roupas, porque uma grande parte foi modificada por mim, e ficaram bem melhor do que as peças originais.

Quando minha mãe entra no quarto, leva um susto com o meu cabelo. Eu finjo que fiz só por fazer, o que a deixa mais irritada ainda, mas é melhor isso do que contar que a culpa foi daquele guri. Meus pais conseguem fazer um alvoroço por qualquer coisa, e isso me irrita muito.

— Tchau, Mari. Até amanha. E não se esquece de levar a Amoeba rosa amanhã.

— Pode deixar, Debs. Beijos!

Nada melhor do que Amoeba rosa para manchar roupas de garotos.

Durmo pensando em como será amanhã. Mal vejo a hora da minha vingança.