BTSXAW Beat Soul
16 Capítulo Especial: Sementes
Notas iniciais

O dormitório da Angel Wings estava agitado como nunca. As meninas haviam chamado os meninos para uma maratona de séries, mas Laddy, Minna e Izzy acabaram achando muitas fotos e vídeos antigos.
Com os DVDs de The Good Doctor esquecidos num canto, os treze idols tentavam adivinhar quem era quem naquele monte de fotos e vídeos antigos.
—Não, cara! Essa só pode ser a Laddy! Olha só como ela tem esse ar de realeza! Deve ter sido daí que o nome artístico dela veio.
—Não, Jiminie! Eu já falei! Essa é a Summer! Olha só esses vocais, essa delicadeza!
Atualmente, eles estavam assistindo a uma garotinha de 14 anos, com um longo vestido branco cravejado com strass, cantando a música Think of me de O Fantasma da Opéra. Como a qualidade do vídeo não era muito boa, o rosto estava bem desfocado.
Laddy, Summer e Izzy riam, não, gargalhavam da discussão entre Jimin e J-Hope sobre a pequena soprano. As três já sabiam da verdade, mas não comentavam, apenas esperando para ver a surpresa que seria quando descobrissem.
Minna e Moon, não tinham muita certeza, mas suspeitavam de quem era a dona daquela voz.
Onix não sabia sobre a pequena maratona, já que estava enfunada no Yggdrasil trabalhando em uma música, já que as idéias novas para ela pareciam borbulhar na cabeça da cantora desde que acordara. Foi uma grande surpresa para si quando, assim que acabara a parte instrumental, decidira fazer uma pausa e ouve o familiar ária de Think of me enchendo o apartamento.
—Nossa, que nostalgia!
Exclama Hinata assim que senta-se no sofá, roubando algumas pipocas do balde da Moon e assustando Hoseok com sua chegada repentina. Ela sempre fora silenciosa ao andar e não parecia ter muita presença fora dos palcos, habilidade agora potencializada com o alto volume da teve e com a concentração que os idols tinham nas discussões e no vídeo.
Jin olha para a mais velha.
—Nostalgia?
Indaga confuso. Talvez elas já tenham visto aqueles vídeos antes...
—Sim.
Responde ela, com naturalidade enquanto pegava mais um pouco do lanche da Park.
Suga, de repente, arregala os olhos e vira-se para a Angel líder.
—Não! Não pode ser...
Alternando seu olhar entre a jovem delicada e feminina do vídeo e a roqueira, que vestia uma calça jeans preta com rasgos e uma camiseta do Power Wolf, sentada no sofá o rapper não conseguia acreditar no que passou pela sua cabeça.
RM parecia passar por um conflito parecido, mas em vez de olhar para as duas, ele apenas compara a voz da menina com a voz da mulher.
Nenhum dos dois queria acreditar.
Foi o líder de Bangtan que quebrou aquele impasse.
—Essa menina... É a Hinata-ssi, não é?
Izzy, Summer e Laddy concordaram em uníssono.
—Isso só pode ser pegadinha!
Jin não conseguia acreditar naquilo. Parece que os outros meninos também não.
—Sou eu mesma.
A japonesa confirma, aparentemente alheia a aura de descrença coletiva.
—Como? Por quê? O quê?
Os cérebros de Jimin e J-Hope pareceram entrar em curto.
Jungkook apenas passa a prestar mais atenção no vídeo.
Onix já foi uma soprano.
Isso explica muito sua fama como vocalista de ouro nos tempos de treinee.
—É a verdade, meninos. —Ela ainda estava calma, como sempre — Eu estudei para ser uma soprano dos 7 aos 15. Essa foi uma das minhas últimas apresentações...
Ela adquiriu um semblante nostálgico, que fez um maknae “suspirar” internamente com a beleza daquela expressão, e que pareceu chocar ainda mais os outros meninos.
Minna e Moon não sabiam muito dos detalhes, mas sabiam que sua uni já tinha uma técnica vocal absurda desde antes da BigHit, então não havia ficado muito surpresas com esta revelação.
—Agora a pergunta que todos estamos fazendo: mas que porra aconteceu pra você sair disso — Suga aponta para a televisão — pra isso —Aponta para a jovem no sofá —Eu não entender ou sequer imaginar!
Muitas pessoas achariam ofensiva a maneira como Suga falou, mas todos ali sabiam que era só o jeito dele mesmo. Sem contar que Onix era muito tranqüila para se irritar com isso.
—Bom —Ela começa — Não sei se puderam perceber, mas por melhor que tenha sido a minha técnica, eu não tinha paixão alguma.
Logo, ela se levanta, fuça os DVDs que ali estavam e troca a apresentação.
—Vocês acabaram de me ver com 15 anos. —Ela dá play — E agora me verão com 16.
Logo aparecia a mesma menina, desta vez com uniforme escolar e um violão nas mãos, cantando Reila do The GazzetE. Havia uma grande diferença entre as apresentações, não só no estilo musical e nas roupas, mas na emoção da vocalista.
Por mais que o vocal clássico fosse lindo, nada parecia valorizar a voz forte da japonesa do que a paixão com que ela colocava em cada nota.
— Isso foi num festival escolar no Ensino Médio, no primeiro ano.
Assim que aquela música acabou, várias outras apresentações com uma Onix mais jovem foram passando. O uniforme escolar foi sendo trocado por jeans e couro, as sapatilhas por coturnos, os gestos suaves pelo baixo. Mas ali havia uma paixão incrível, magnetizadora.
—Quando cantei rock no palco pela primeira vez, surpreendi a todos. Especialmente a mim mesma. Toda a emoção de cantar, a paixão e o amor pela música, pareciam ter se pagado quando eu era soprano... Mas com o Rock — Ela sorri e suspira — Tudo voltou para mim. Eu havia me reencontrado nos covers de The GazettE, Evanescence, Guns ‘n Roses, One Ok Rock...
A maioria dos presentes não fazia a mínima idéia de quem eram as bandas de que ela falava, mas tudo bem. Eles entenderam a mensagem.
—Estão vendo essas meninas? — Ela aponta para o pequeno grupo de meninas espalhadas pelo palco, todas tocando algum instrumento — Elas eram a minha banda: J3wls. Jade na guitarra e vocais, Esmeralda na guitarra principal, Safira na bateria, Rubi no teclado e eu, Onix, baixo e vocais. — Ela faz uma pausa — Foi nessa banda que eu criei minha idol persona. Foi dali que saiu meu nome artístico. E também foi por causa delas que eu fiz uma audição pra ser idol.
— Então a oka-chan é a mais experiente com palco do que nós?
A mais velha ri da pergunta da maknae. Só Yujin a chamava de “mãe” em japonês, a maioria preferia usar o termo coreano para isso.
—De certa forma. Para cantar em um palco, com toda a certez. Todavia, eu nunca havia dançado em um palco até a audição. No sentido de coreografias, a Moon, você e a Summer são bem mais experientes que eu.
Alguns minutos depois, o assunto morreu, abrindo uma deixa para outro vídeo ser posto na televisão.
Desta vez, ninguém teve dúvidas sobre quem era a jovem.
A Jiang Ha Yun de 15 anos transbordava graça e habilidade no pax de deux de O Corsário, depois ela mostrando toda a sua flexibilidade com 10 anos numa coreografia lírica de You raise me up. No final, havia um duo de uma Jiang meio gótica aos 15 anos com outra menina, igualmente gótica, que parecia ter a mesma idade.
—Cacete! Essa foi dois meses antes da tua audição, né?
Exclamara Laddy, se empanturrando dos biscoitos caseiros da amiga.
—Foi! Nossa! Parece que faz tanto tempo!
Summer sorriu alegre, se lembrando do antigo grupo de dança que participava... Eram bons tempos. Não tanto quanto o presente, mas ainda foram bons anos.
Park Jimin sentiu um pouco de nostalgia ao ver dança contemporânea, mas estava tão atento aos movimentos suaves da atual loira que nem conseguia pensar em muita coisa além disso.
Ele... Ele estava maravilhado com a técnica dela! É! A técnica!
Não com a beleza juvenil ou com a vontade crescente de querer dançar um duo ou pax de deux com ela... Nada disso...
Trocaram o vídeo. Aquele era um episódio de uma série de reportagens sobre grupos underground de dança e rap, cada um em uma cidade diferente. Este especificamente era sobre os três principais grupos de Suwon: Gamja Gamja, Meonji Crew e Dugeon Crew.
O primeiro era formado somente por meninos, o segundo por riquinhos mimados que queriam ser swag (olha as princesinhas aba reta...) e o último era conhecido como o grupo “sem preconceito”. Ali havia meninos, meninas e tudo o que existe entre os dois, não tinha distinção de idade e nem de nacionalidade.
Sério, tinha gente de tudo quanto era tipo ali... Todos unidos pelo amor ao hip-hop.
Três pessoas de cada grupo foram entrevistadas e duas chamaram a atenção dos idols telespectadores.
A primeira foi um rapaz alto, porte grande e forte, que exalava swag em todas as ações.
Seu nome? Só disse o artístico: K.
— Este é o líder da Dugeon Crew, K. Além de conduzir reuniões e encontros, este jovem é um excelente dançarino e já participou de mais de trinta batalhas de rap, sendo o vencedor em 29 delas! — A repórter tagarelava enquanto filmava o rosto completamente desinteressado do rapaz — E então, K-ssi, como é fazer parte de um dos maiores grupos de hip-hop underground da Coréia?
— Posso ser sincero? — Ele pergunta, ela assente — Posso ser absurdamente sincero? — Ela assente novamente — É do caralho. — A repórter arregala os olhos — Eu e minha irmãzinha criamos o Dugeon com o objetivo de fazer barulho e chamar a atenção pra causas do hip-hop de raiz: a desigualdade e a crueldade da sociedade. — Ele pausa, retomando o fôlego — E quando o pessoal foi chegando cada vez mais, o bagulho ficou tenso e começamos a chamar a atenção pra nossa mensagem. Isso é o que importa.
—E que mensagem é essa?
— Não tenha vergonha de ser quem é, porra. Seja foda, seja você. Fui!
O enorme grupo de crianças, pré-adolescentes, adolescentes e jovens adultos, todos usando bandanas, gritaram juntos quando o líder terminou sua entrevista.
—K!K!K!K!K!
—Gostei desse cara...
Suga comenta casualmente, pegando algumas pessoas de surpresa.
Mas ninguém teve muito tempo para pensar nisso já que a segunda entrevista interessante estava acabando de começar.
— Agora, aqui temos uma das principais rappers do Dugeon Crew : Yang!
Uma garota, de aparência jovem e intimidadora, com uma bandana cobrindo a parte inferior do rosto estava na tela. Ninguém conseguia adivinhar sua idade, mas acreditavam que seria uma adolescente perto de seus 16 anos por causa da altura.
—Parece que já era alta desde sempre, Yu-chan.
—Genética, oka-chan, genética.
Ali deu uma pequena pane na mente dos meninos. Aquela menina, com bandana no rosto e atitude ameaçadora, toda thug life, era a “maknae gente fina”, que dava “bom dia” sorrindo pra todo mundo? O que o tempo não faz com as pessoas...
—Peraí! Quer dizer que essa menina da reportagem só tinha uns treze anos?
—Doze.
Jimin quase se engasgou. Aquela menina alta só tinha 19 anos? Ela ainda ia crescer mais?
Bem... pelo menos Summer, Laddy e Onix estavam na média do 1,60m de altura. Se não, ele começaria a ser caçoado por elas também...
Jungkook teve um sentimento estranho ao ver a menina da reportagem, mas não fazia idéia do que era. Deu de ombros, provavelmente não era nada importante.
O próximo vídeo era caseiro, filmando uma festa de aniversário infantil. Só se podia ver crianças brincando de pega-pega ao redor de mesas abarrotadas de doces.
Uma das crianças, porém, se destacava por ser energética até demais. Ela pulava, gritava, corria e comia mais do que qualquer outra.
Apostas foram feitas sobre a identidade da criancinha encapetada e tudo fora resolvido depois de trocarem o DVD.
Este outro mostrava um compilado de powermoves do break dancing de uma academia de dança em Busan. Em alguns deles havia um rostinho conhecido.
—Essa é a Moon?
Os irmãos park assentem para o Jung, sorrindo. A mais nova sorria divertida ao ver a várias expressões surpresas na sala. Já o mais velho sorria orgulhoso de sua irmã ser uma dançarina tão incrível desde jovem.
—Já dançava pra caralho antes de vir treinar, hein?
Os presentes riem do comentário de Laddy, que por algum motivo misterioso deste universo, era a mesma frase que se passou na cabeça de Yoongi. Gente parecida pensa parecido...
Só havia mais um DVD para ser assistido, que mostrava um karaokê.
Lá estava uma jovem bem familiar, com longos cabelos platinados, soltando a voz com um cover de Fantastic Baby do BIGBANG, junto com outra menina de mesma idade.
Quando o câmera deu close nos rostos das duas, não houverem dúvidas.
Eram Laddy e Summer.
Laddy e Summer de uniforme escolar, cantando como se não houvesse amanhã.
Agora, RM pensou, eu já vi de tudo.
Depois, havia um grande número de fotos e... um photobook.
Afoitos para verem as fotos ali contidas, os idols quase estragam o objeto. Mas quando Onix e RM conseguem por “ordem na casa” como bons líderes fariam, os treze sentam-se em círculo no chão.
O pequeno álbum continha belíssimas fotos profissionais, usadas para fazer propaganda de uma loja de roupas em Busan. A modelo ali era ninguém mais, ninguém menos que Minna, ou Kim Soo Min, como constava nos créditos.
Era impossível não achar a garota linda, tanto nas fotos mais antigas quanto pessoalmente. E naquelas imagens, Soo Min parecia natural, como se todas as poses e olhares fossem espontâneos... Talento nato para ser modelo e visual.
Pena que não haviam muitos registros do talento musical da jovem antes das audições para a agencia.
E foi revirando o passado das Angels que os rapazes conheceram-nas melhor, descobrindo suas paixões e motivações para serem idols.
Tudo só intensificou alguns sentimentos entre os grupos, e também plantou o princípio para novos surgirem... Aquele álbum estava aproximando corações de um jeito que só Kami-sama poderia pensar...
Mas “quem um dia irá dizer que existe razão nas coisas feitas pelo coração?”
Talvez esse seja o maior mistério deste mundo.
Fale com o autor