BPM - Batidas pelo Multiverso
4 Os poderes de cada um
Notas iniciais
O lugar era bem iluminado, lâmpadas de luz branca estavam bem posicionadas no teto e nas paredes. Havia um pequeno barulho constante no ar, parte pelas diversas máquinas ali presentes, parte pela entrada de ventilação. No fundo da sala, algumas cadeiras e almofadas rodeavam uma pequena mesa de madeira. Sentados nas pequenas cadeiras estofadas, o grupo parecia cabisbaixo e abatido.
— Eu nunca mais vou ver meus pais, que legal! – disse Luciano.
Quero dizer... Quase todos do grupo.
— Luciano, eu ainda vou te matar. – completou Carla.
Pedro estava de pé, virado de costas para o restante, enquanto escrevia em um quadro branco. Seus cabelos pretos bagunçados, combinados com o jaleco claro, faziam com que ele tivesse uma aparência de cientista louco.
— Ah, devo ter me esquecido de mencionar, – disse fazendo cálculos. – vocês não irão ficar aqui sem sair para sempre.
Ingrid arregalou os olhos e levantou da cadeira
— E só agora você diz isso, seu miserável?! – gritou.
Assustando-se com o súbito aumento no tom de voz, Pedro deixou cair o canetão de tinta azul.
— Calma... – disse, de certa forma, para Ingrid e para ele mesmo.
Ainda sentado, Eric semicerrou os olhos enquanto olhava para Pedro.
— É melhor que você me deixe ver minha família, ou eu... Ai! Meus cílios grudaram! – ele se desesperou. – Estou cego!
Carla passou o polegar em seus cílios volumosos, fazendo-os se desenroscarem.
—Ufa, não estou cego.
Luciano suspirou.
— Nós vamos sair pra quê? – disse ele. – Não está super perigoso lá fora?
— Vocês terão algumas missões. Salvar o mundo, talvez.
— Não poderia ser destruir o mundo? – sorriu. – Hein?
Carla chutou-o na canela.
—Ai!
Ingrid olhou repreendendo os dois.
— Steeven vai ser o local de esconderijo de vocês, – disse Pedro. – para sempre. Não poderão ver seus pais ou família, eles sempre vão pensar que vocês foram sequestrados.
— Ainda bem, não aguentava mais aqueles irmãos. – disse Luciano.
— Chega! – gritou Carla.
Ela deu um soco na mesa de carvalho avermelhado, acabando por partir a mesa ao meio.
— Er... – disse sem jeito. – Foi muito cara?
— Pra falar a verdade, não. – Pedro sorriu. – E não se preocupe, eu tenho uma máquina para consertar mesas partidas ao meio.
— Carla... – disse Luciano meio assustado. – De onde saiu essa força toda?
— Eu não sei... Isso foi surreal.
Ingrid agradeceu mentalmente por Carla ter quebrado a mesa somente depois de ela ter se levantado, caso contrário, a mesa cairia bem nos pés da morena.
— Tenho explicações, -disse Pedro- Carla tem a força de um Ali3n, que é tipo a força da Tsunade. Vocês assistiram Naruto, não é?
Todos assentiram com as cabeças.
— Em momentos de raiva, ela pode fazer... Ahn... Digamos... Um pequeno estrago.
Afastaram-se um pouco dela, com medo que quebrasse mais alguma coisa.
— Eu também tenho força sobre-humana ou algo do tipo? – perguntou Luciano.
— Você tem a força da Demência de nove caudas e também a pele muito dura como a de uma pedra. Caso alguém tente lhe ferir, vai ser muito difícil, já que sua pele é bem sólida.
A visão de Ingrid começou a embaçar, fazendo a mesma se sentar na cadeira novamente.
— Estou com um pouco de dor de cabeça...
— Hum... Vejamos... – disse Pedro.
Ele foi se aproximando até chegar ao lado da cadeira que estava Ingrid, a mesma olhou para cima nos olhos dele. Pedro se inclinou, apropinquando seu rosto do dela, sempre mantendo o olhar fixo nos olhos. Enquanto sorria com o canto dos lábios, ele continuou a se aproximar até restar um palmo de distância entre seu nariz e o dela.
— O que você está fazendo, seu panguá?! – disse ela o empurrando.
A força em suas mãos foi tamanha que o fez sair do chão voando, devido ao impacto, até a parede do outro lado da sala. O corpo de Pedro afundou um pouco na parede, fazendo-o permanecer grudado.
— Ai... Calma... Eu só estava vendo se você precisava usar óculos... – caiu de cara no chão, mostrando a grande rachadura que havia surgido na parede.
— Ah, bom... – disse Ingrid. – Nesse caso... Pode vir então...
Dessa vez até Carla se afastou de Ingrid.
— Incrível como concentrou sua força tão bem em mim! – dizia levantando sua cabeça do chão.
Após se encontrar de pé, Pedro andou de novo até Ingrid, observando minuciosamente seus olhos de pálpebras ligeiramente fechadas.
— E então? – disse entediada. – Esse teste demora muito?
— Na verdade, eu já acabei faz tempo. – sorriu. – Só estou admirando o quão lindo fica o tom de mel nos seus olhos.
— O quê?!
— Calma, não me bate...
Ela bufou, respirando lentamente para se acalmar.
— Qual é o resultado?
— Precisa usar óculos para descanso.
Pedro foi até a cômoda que se encontrava do lado do quadro, abriu uma das gavetas e pegou uma caixa com embrulho de presente.
— Já que estamos no meio de dezembro, considere como presente de Natal!
Ela pegou a caixa, admirando o belo laço verde que havia em cima dela.
— Ok... Obrigada. Mas parece que você já sabia que eu precisava usar óculos.
— Ora, é porque eu observo muito você!
Todos o olharam arregalando os olhos.
— Q-quero dizer... Vocês! Eu observo todos vocês.
— Não melhorou muito sua situação. – disse Eric.
Ingrid abriu a tampa da caixa, com cuidado para não desfazer o laço, já que ela olharia depois para refazê-lo em suas gambiarras.
— Eu gostei.
— Adaptei para ele ter várias funções! Entre elas: visão noturna, visão de Raio X e detector de metais! Claro que eu poderia citar as outras inúmeras qualidades, mas não temos tempo. – olhou para o lado. – Steeven, preparar a comida.
Caso Pedro não tivesse dito esse comando, o grupo nem teria lembrado que a aula tinha acabado meio-dia, ou seja, já estava passando da hora do almoço
— Dessa vez vocês saíram da rotina, mas nos próximos dias o cronograma será seguido. A não ser que haja pequenos imprevistos... – ele coçou o cabelo.
— Cronograma?! Saí do inferno de casa pra uma espécie de internato? – bufou Luciano.
— Ora, precisamos de ordem nesse local! Oh, obrigado. – pegou um prato de comida que uma máquina lhe deu.
Os outros também foram recebendo seus pratos.
— Todas as suas refeições são feitas pensando na quantidade certa de nutrientes que vocês devem ingerir.
— E por que esses nutrientes não podiam estar todos no purê de batata em vez da salada? – reclamou Eric.
Os pais de Carla sempre a acostumaram comer verduras, então não teve problemas. Já seus amigos estavam separando as verduras em um canto do prato.
— Ei, estou vendo o que estão fazendo! – Pedro exclamou. – Podem comer tudo! Aqui tem que ingerir tudo o que for colocado no prato.
— E se eu não comer? – Luciano desafiou.
— Eu mato vocês. – sorriu gentilmente.
O silêncio predominou novamente. Após todos comerem tudo por livre e espontânea vontade – ou não. – a salada, um robô recolheu a louça.
Pedro fez mais alguns cálculos no quadro. Enquanto isso, Ingrid ficou testando as utilidades dos óculos, que, por sinal, não eram do tamanho certo e ficavam caindo. Eric estava sentado em uma cadeira perto da mesa partida, admirado com a inteligência de Pedro. Luciano estava fazendo gracinha com as mãos, simulando uma morte, Carla deu um peteleco na testa dele, não machucou, mas o fez voar para longe.
— Vocês ainda vão quebrar tudo aqui. – disse Pedro segurando uma máquina. – Irei consertar a mesa.
Ele apertou alguns botões, regulou a potência e voilà! Como se fosse mágica, a mesa ficou novinha em folha.
— Simplesmente fantástico! – disse Carla. – Arrependo-me de ter feito você tão demente na Saga, você é tão maduro e responsável na vida real.
— Ora, não é nada, apenas faço minhas obrigações.
— Pedro, – disse Eric – por que você às vezes age como um demente?
— Eu não ajo como um demente, sempre sou normal... Aquilo ali é uma barata?
Eric procurou com seus olhos atentos pelo inseto, enquanto o restante se concentrava em subir nas cadeiras.
— Uma barata?! – gritou Luciano. – Mata! Mata!
— Não se preocupe! – disse Pedro com um tom heroico.
Ele pegou seu sabre de Luz e começou a lutar com a barata que estava dando golpes ninjas. Após muito tempo, – 30 segundos. – um vencedor é anunciado. A barata rouba o sabre de luz, pega o elevador e sai do prédio subterrâneo.
— Eu acho que retiro completamente o que eu disse. – falou Carla.
— Ela era muito forte... – justificou Pedro. – Mas enfim, vamos continuar a explicação do cronograma. – jogou um papel em formato de pergaminho para Eric.
Ele pegou o papel no ar, abriu-o e leu em voz alta.
“Horários do Steeven
07h00min – Acordar.
08h00min – Café da manhã.
08h30min – Livre.
09h00min – Treinamento.
10h00min – Descanso.
11h00min – Treinamento II.
11h40min – Descanso.
12h00min – Almoço.
12h30min – Livre.
16h30min – Café da tarde.
17h00min – Livre.
20h30min – Jantar.
21h00min – Livre.”
Ele voltou a enrolar o papel.
— “Só”?
— Só isso enquanto estiverem de férias!
— Se isso são férias, não quero nem saber o que é trabalho pra ele. – disse Luciano.
— Vai ser moleza pra vocês agora que suas forças despertaram.
— É o que eu ia perguntar agora, – disse Eric. – como a Carla e a Ingrid só demonstraram essa força depois de tanto tempo?
— Bem, o chip que vocês tinham quando vieram para cá, foi destruído. Nele, além das informações, continha algo para ativar o inconsciente de vocês.
— Mas isso não explica como conseguimos ativar agora! – retrucou Carla.
— Ano passado, dei um jeito de vocês virem aqui. Consegui implantar algo que ativasse suas habilidades, mas demoraria um ano para surtir efeito. Então esperei um ano passar! Por isso trouxe vocês só agora.
— E agora, além das habilidades, tenho esses óculos! – disse Ingrid. – E esse relógio? Faz alguma coisa?
Ingrid se referia ao relógio que usava desde a infância.
— Sim, ele pode fazer o tempo parar por alguns minutos, mas você só pode usar essa função uma vez por dia.
— E eu? – perguntou Eric. – O que eu tenho de poder especial?
— Você tem a força e intelectualidade de um Al1en, juntamente com o poder de controlar insetos.
Pedro foi em direção a uma porta.
— Não se preocupem, irei dar a vocês vários apetrechos. Agora é melhor vocês irem para os seus quartos, não é bom andar sozinho nos corredores do Steeven.
— Como nós vamos encontrar nossos quartos? – perguntou Eric.
— Fiquem com esse GPS. Luciano e Eric, vocês dormem no mesmo quarto, em camas separadas, óbvio... Há bastante espaço para duas pessoas. Ingrid e Carla, vocês dormem juntas em outro quarto.
Ele deu um GPS para cada dupla e todos foram para seus quartos. Exaustos por tentarem digerir tudo o que havia acontecido, acabaram adormecendo e dormiram pelo resto do dia, pensando em tudo o que tinha acontecido.
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