B.K, Game Over!
4 Calma, acontece.
Notas iniciais
O Sol já está se pondo… está tão tarde assim? Por quanto tempo conversei com Jeat?
– Ei, o que você tá fazendo? — Konayama estava me observando, debruçada na janela da casa dela. Qual a razão, pergunto.
– O Sol tá se pondo fera, eu gosto de ver isso. — respondi, dando um salto até o teto (tinha que aproveitar meus poderes, aliás, não é todo dia que se obtém algo desse naipe).
Me sentei no teto triangular de casa, e comecei a observar aquela imagem amarelo-alaranjado que me fascinava.
– Engraçado você não estar surpresa depois de ver isso. — acho que eu estava me gabando.
– Eu não tenho razão nenhuma para me surpreender. — ela falava de um jeito tão sádico que me dava até medo. — Você sabe que eu posso fazer igual.
Senti uma presença ao lado. Era ela, que acabava de demonstrar o seu “posso fazer igual”. Aproveitei a chance pra sanar uma dúvida.
– Ei, Kona… quais são seus poderes? — não tirei o olho do pôr do sol, ao horizonte.
– São umas coisas físicas… acho que são força, agilidade e impulsão. São os que eu percebi até agora. — sentou-se.
– Hm… — cruzei as pernas. Acho que vou tentar conhecê-la melhor. A base de uma amizade é o conhecimento e a confiança de um pelo outro, então não é bom perder oportunidades.
– Hã… quantos anos você tem? — relaxei, me apoiando com os braços atrás das costas.
– Aqui na Terra? Deve dar uns… pera, 5-6…? Uns 15 anos e meio. Porque? — A Saraya tem 16, então…
– ...e seus pais? — acho que ela morava com eles.
– Meus pais? Que tem eles? — ela espreguiçou-se.
– No que eles trabalham? O que eles fazem em geral? — virei pra ela, em dúvida.
– Sei lá. — acho que os pais dela também eram aqueles que são famosos e por isso vivem fora. “Clichê…”, pensei contrariado.
– Já tentou descobrir? — o que eu não pedi pra Saraya fazer.
– ...não dá pra descobrir. — cada vez mais enigmática/estranha.
– Ah é? Porque? — anoiteceu. Os postes foram ligados, e ficou escuro onde estávamos.
– ...porque… — olhou pra baixo. Um gesto de tristeza reconhecível. — ...eles estão mortos.
Cara… isso machucou até os meus sentimentos. Ouvir de uma pessoa que os pais dela estão mortos com toda essa calma e frieza… até assustou também. — Mas tá tudo bem. — sorriu.
– TUDO BEM!? — fiquei de pé, encarando-a com raiva. — ...seus pais estão mortos e tá tudo bem? — acalmei, depois que ela me viu de relance.
– Aham, tudo bem… porque eu já achei o cara que matou eles. — quê?
– ...sério? — pokerface. Ela se levantou, e ficou de costas pra mim, encarando o horizonte, enquanto colocava os braços juntos pra trás. — Quando?
– Foi recentemente… — esclareceu.
– E o que tu vai fazer? Polícia intergalática? Se é que existe isso. — eu não sei o que dizer. Mas sugeri uma coisa óbvia.
– ...vou me vingar. Olho por olho, dente por dente. — citou o código de Hamurábi.
– ...até que todos estejam cegos e banguelos. — complementei.
– E também porque eu meio que estou sendo forçada a isso… — ouvi, mas ela não disse pra eu ouvir. Ela pensou baixo, pelo que eu entendi. Fingi que não ouvi porque isso me deixou em dúvida, aliás, o que ela quis dizer com isso? — Tô indo pra casa. Boa noite. — desceu, caindo na grama do quintal.
– Boa… — não consegui completar. Tinha uns sentimentos confusos, que não sei explicar exatamente, mas era algo como incerteza e tristeza ao mesmo tempo. Vi ela subir pela janela dando um salto até lá, e, depois de estar lá dentro, fechar a janela e a cortina.
– Estranho… — eu continuava em pé, lá em cima.
– ...ei, idiota. — eu falando comigo mesmo. Olha, podemos até conversar mas aparecer de repente é foda, viu?
– QUE SUSTO, PORRA. — quase caí porque eu me assustei comigo mesmo. Isso faz sentido? — Jeat?
– Não… sou o Skiy. — a outra essência... — Aliás, não se pronuncia “Skáie” e sim ‘Skiyi”.
– Eu tenho umas perguntas pra tu…
– Não interessa. — seco, frio e áspero. — Vamos fazer um acordo.
Ele me passava aquela imagem de gêniozinho babaca e arrogante. Como detesto isso.
– …o que seria? — peguei o celular, querendo saber se o cabelo estava cinza/prateado, sei lá.
– Eu nunca mais quero falar contigo. — decretou. — Vamos apenas conviver em harmonia.
– ...porque? Se vamos conviver juntos, é melhor eu conhecê-lo. Senão não iremos nos entender. — informei.
– Cara, eu ainda não entendi porque você não foi roubar um banco, sei lá. Ficar milionário. O que te impede? Absolutamente nada. Você, o Jeat e a Foyoli têm o poder infinito. Faça o que nunca pôde fazer. — ele estava certo, mas estava errado.
Ele me irrita. Como ele pode ser tão covarde assim?
– Vá se foder, covarde do caralho. — retruquei, com ódio. — Quem você pensa que eu sou? Um babaca que se aproveita da fraqueza dos outros? Pra conseguir o que quero eu batalho cara. — nossa, como sou nobre. — Mas aí chegaram você e o Jeat e facilitaram ainda mais as coisas. — ri, zoando a situação. Melhor ir pra dentro, tá ficando frio.
Fui ao banheiro, queria ver o Skiy. Fiquei de frente ao espelho, estava com o olho esquerdo violeta, mas o cabelo estava preto. “Eu sou o físico, enquanto ele é o mental”, Jeat falou uma vez. Mas porquê o olho estava na cor violeta?
Me concentrei…fechei os olhos e imaginei…
– ...yo.
– Jeat! Velho… Esse Skiy é um babaca mano! — e como. Me apoiei com os braços no granito, na frente do espelho.
– ...porquê? — acho que ele não tinha ouvido.
– Ele tava querendo que eu roubasse e começasse a fazer uma caralhada de coisa errada. — expliquei. Tomara que ele me entenda… tomara.
Ele ficou quieto, em silêncio… acho que causei discórdia entre os dois. Se for o caso, apenas o Jeat prevalecerá, afinal eu que mando nessa porra.
– ...não disse? Ele é foda.
– Hã… não tô entendendo. — o que estava acontecendo?
– Ele disse que você tinha alma nobre. Eu queria saber se isso era verdade. — esses dois são esquisitos.
– ...um teste? — era a única resposta para o INCRÍVEL enigma. Não sei qual, porque eu apenas não entendia bulhufas da situação.
– ..isso aí. — Jeat era tão relaxado.
– Ou Jeat, se eu e você quisermos falar ao mesmo tempo, o que acontece? Afinal, nós três temos uma boca só que é a minha. — nossa, que coisa estranha de se falar: 3 homens têm uma boca só.
– Você prevalece sobre nós dois porque é 34%. — explicou. É, faz sentido.
– Seria estranho se eu quisesse falar uma coisa e tu falasse ao mesmo tempo. — fiquei aliviado.
– Hã, tem uma coisa que eu quero dizer… — Skiy estava meio constrangido.
– ...o quê? Adendo pro teste? CONDIÇÃO? — apressei.
– ...eu sou uma garota. — …
– …
– … — até o Jeat.
– ...quê? — isso aí. Revelações assombrosas e totalmente inesperadas estão sendo reveladas, um por um, como morrer de forma dolorosa e devagar.
– É sério isso? PUTA QUE PARIU. — cadê a relevância disso? Totalmente fora de contexto…
– ...eu não precisava ficar sabendo disso. — Jeat disse.
– Essa foi a coisa mais estranha que ouvi hoje. — complementei. E era mesmo. Pra quê falar disso agora, e não em um momento oportuno?
– ...foi mal, mas eu não queria me revelar, mas a Foyoli… é tão… intensa… — ela não diz frases como um todo. Ela separa em partes.
– ...depois dessa bizarrice vou tomar um goró. — eu precisava, precisava MESMO. Tem uma garota dentro de mim, e eu NÃO ESTOU GRÁVIDO. Que porra é essa!? Fui rapidamente até o “Depósito” e peguei um bom, velho e saudável Golden. Servi no primeiro copo que vi, só um gole.
– Vai arder. Só avisando. — nem deu tempo d’eles ouvirem, já tinha virado.
– ...ah... agora sim.. — me senti bem. Senti que meus problemas tivessem sido resolvidos. Só que essa não era a realidade, já que na realidade havia uma garota dentro de mim. E nem o Jeat sabia disso.
– Ah, eu queria saber uma coisa… — a pergunta de 1 milhão de dólares. Por favor, que seja uma resposta que me agrade. Nem precisa fazer sentido, só precisa me agradar.
– Fale. — Jeat, espero.
– ...tem como vocês ficarem físicos? Tipo, aqui na minha frente. Eu queria ver vocês dois. — digam sim, digam sim, digam sim.
– ...mais ou menos. Sem ânsia cara. Não é tão fácil. — mais ou menos? É uma pergunta de “SIM” ou “NÃO”. Não existe meio termo nisso.
– ...dá pra você ver a gente aqui dentro.
– Como assim? Explica. — eu tenho uma ideia do que ele está falando. Mas não tenho certeza.
– O que ele quis dizer foi: somos essências, e só sairemos de você quando tu morrer. Mas… tem como você ver a gente vindo pra cá. — opa, claro.
– IR AONDE? — eu interpretei como “Vindo pra cá, pro seu cérebro”.
– ...tu vai apagar aí no mundo real. Então recomendo fazer isso quando for dormir. — Jeat recomendou. É, se eu fosse apagar, que fosse deitado na minha cama.
– Então é melhor eu esperar, né? Ainda quero jogar Battle of Duty hoje. — concluí. — Falous.
Caí. Desta vez não teve jeito, eu tenho que acostumar com o que parece com, sei lá, uma extrema fraqueza repentina.
…
Nesta noite nem jantei. Fui dormir tarde pra ter mais sono, porque aí eu aprofundava mais na “dormida” e ficava um tempo a mais com eles. Meu sonho foi esquisito, porque eu me sentia lá dentro, tinha até tato e eu ouvia as pessoas da multidão passando por mim. Estava parado em uma calçada de rodovia e do lado havia um café.
– Já que existe tato aqui, vou tomar um cafézim… — pra mim mesmo depois que enfiei a mão nos bolsos e tinha dinheiro.
Estava calmo lá dentro. Parecia um café bem comum, porém com uma coisa meio chique, sei lá o quê. Estava bem limpo.
– Hoooy! — ouvi. Era o Jeat! E uma outra pessoa de cabelo branco. Skiy…
– E aí manolo. — cumprimentei ele. Nossa, ele era tipo, foda. Até a aparência do cara era foda, porque ele tinha um cabelo pretão, meio puxado pra cima e olhos vermelhos que davam nele um ar de cara do mau.
...aí eu me virei. E vi.
A perfeição. Se existisse algo perfeito, seria ela. Foi moldada por alguma divindade, Skiy era… FODA. Fiquei atônito quando vi.
– ...que foi? — perguntou.
– Caralho, tu é linda. Te amo. — zoei.
– Nossa… eu… nem te conheço. — Skiy me desmereceu...
Ela tinha um cabelo branco grande, bem meio cacheado e liso, olhos amarelos (é absurdo, mas já acostumei com absurdos na minha vida colegial), e era calma. O Jeat era pilhadão e feliz, ela era meio calma e calculista, na minha teoria.
– Senta aê. — Jeat disse relaxado.
– ...só tem dois assentos. — era uma daquelas mesas que tu fica meio alto quando senta, apenas pra duas pessoas.
– Cara, esse é teu sonho, esqueceu? É só imaginar… — me lembrou.
Sentei.
– Então fera, pra que tu queria ver a gente?
– É porque eu tenho uma teoria. Ela será benéfica a todos nós, e mesmo que tenha algum malefício, será apenas pra mim. — respondi, com os braços cruzados em cima da mesa.
– Seria…? — a bela, maravilhosa Skiy, com sua voz perfeita e calma.
– ...caralho… — quase que eu tenho um orgasmo. — ...hã!? AH! PERA! Ok… — fiquei meio esquisito, enquanto vi ela dizer aquilo pra mim. — ...então, eu cheguei à conclusão de que vocês não podem ser físicos no mundo real porque já são parte de mim. São como órgãos vitais, e sem vocês eu morro.
– Hm… acho que sim… — Jeat confirmou, acho. Parece que confirmou.
– ...então eu tenho o poder de materializar coisas… certo? — continuei.
– Acho que entendi o que você quer dizer… — disse Skiy, a bela.
– ÓTIMO! — alegrei.
– ...só que não dá. — Jeat, às vezes, era bem frio.
Nossa, isso pareceu uma facada no meu coração.
– Como você disse, órgãos vitais. Não temos órgãos vitais, somos essências. — ratificou Skiy.
– Mas eu não posso fazer os órgãos não? — tentei.
– Não… não se faz vida… lamento. A ideia foi boa, tenho que admitir. — Jeat me confortou.
– Bosta. — fiquei bem desanimado depois dessa. Fiquei com 1% de depressão, me fazendo afundar a cabeça dentro de meus braços cruzados.
– Mas pra quê você quis fazer isso? — Skiy… você é tão perfeita e inocente…
– Sei lá, me sinto culpado por… aprisionar vocês no meu corpo, acho.
Riram.
– Relaxa cara. Tu é um bom hóspede… — afirmou Jeat. — Ei.
– Fala.
– Olha aqui. — pediu.
Foi só levantar a cabeça que-
PÉN PÉN PÉN PÉN PÉN PÉN-
– AAAAAH PORRA! — gritei em fúria. Despertador desgraçado, porque está tocando em um SÁBADO?!Desativei-o. “Era só um sonho”, lembrei.
– Sonho… — sentei na cama e levei a mão à testa, coçando-a.
Eu tinha tato no meu sonho, então acreditei que não aconteceria lapso temporal.
Saco, hoje é sábado. Esqueci de desligar a merda do despertador.
– Sábado… o que eu farei no meu primeiro sábado depois deste “Freak Show”... — peraí, sábado…? Ah, vou ver TV, porque meu dia vai ser um saco, aposto.
…
2 da tarde. Pedi uma pizza pra almoçar, e achei incrível entregarem pizza em horário de almoço. Agora é só deitar, relaxar, deixar a TV ligada porque grana não é problema pra mim e tirar uma siesta…
Tocaram na campainha. Deve ser o Mika.
– Peraí. — disse bem baixinho, quando ia abrir a porta. — O Mika tem a chave de casa.
Se não é o Mika, só pode ser a Saraya ou o Dan, já que a Konayama me chamaria pela janela. Mas… — Nunca eles me chamariam 7 hor- BAM! Me afastei, dando um pulo de reflexo.
– HÃ!? — arrombaram a porta! — Que… peraí, oi?
Tinha uma mina na minha frente, de cabelo laranja, com um capacete estranho e uma armadura toda branca bem sexy, onde as partes duras da armadura cobriam apenas os ombros e parte dos braços, deixando o resto visível e usando uma espada negra brilhante. Fiquei sabendo que os assaltantes estavam sendo mais inteligentes em métodos de abordarem suas vítimas, mas essa aí faltou nessa aula.
– ...QUE PORRA É ESSA? — gritei.
– Bounty hunter manolo! — Jeat me surpreendeu aparecendo do nada. Vi pelo reflexo da armadura que o cabelo estava cinza e meus olhos haviam mudado de cor.
– Cacete! Então ela vai tentar me matar pela joia? — palpitei. — Melhor sair daqui.
Abri a janela e fui pra rua.
– Tu tá fugindo?! — Jeat acusou.
– QUÊ? Ela tava com uma ESPADA, e outra; minha casa é nova, velho! — respondi. A mina de armadura loucona me seguiu, ficando na minha frente. Apontou a espada em direção à minha cabeça.
– Joia. — assim, simples e ameaçador pra caralho.
– ...ou, essa espada negra aí… é diamante escuro? — perguntei com uma certeza de meio que já saber a resposta para Jeat.
– É. Cuidado cara. — avisou.
Ela se moveu. Acho que estava preparando um ataque, então me preparei pra desviar.
Tensão. Ela começou a se abaixar, como se fosse tomar impulso.
– Sabia. — é cara, agora eu prevejo os movimentos inimigos. E,desviando em último segundo do ataque vertical dela, onde ela meio que deslizou no chão por causa da velocidade, deu pra ver que ela é bem gostosa.
– Wow… — soltei, enquanto via a espada dela afundar o asfalto. Ela rapidamente levantou a espada novamente como se fosse cortar minha cabeça fora, e quase não deu tempo de desviar, porque senti que a espada cortou alguns fios de cabelo da minha cabeça. CARACA, de novo, ela vindo com outro vertical. Morte certa.
– RASTEIRA! — berrou Jeat.
Obedeci, dando uma rasteira nela antes dela concretizar o pior pensamento que eu tinha.
Me afastei enquanto via ela cair de costas no chão. Só que não, porque ela se apoiou no braço direito fazendo uma pose de ninja em um último instante.
– Hora da análise. — disse Skiy.
– Hã? Análise? — perguntei encabulado. — ...dela?
– Exato. — confirmou.
– Eu diria que ela faz meu tipo. Ela é bem gostosa, sabe? — brinquei.
– Ela é rápida pela impulsão e usa armadura. Se ela usa armadura eu acho que ela não se preocupa muito com defesa porque o diamante escuro dela deve fazer o trabalho tod-
– Já sei como vencê-la. — interrompi.
– É? — Skiy duvidou.
– Se ela é direta e usa a velocidade em seu favor, então é ser mais rápida que ela. Ou parar o tempo, não concorda?
– É aí que você está errado.
Porra Jeat, deixa eu ter certeza de que vou vencer…ela começou a avançar sem parar novamente. Ficamos um tempo lutando, comigo tentando perfurar a defesa dela, que diferentemente do que Skiy disse, ela se preocupava bastante. Toda vez que tentava bater nela, modificando as minhas mãos com os poderes que eu tinha, doía. Fiz luvas de diamante, espadas, facas, e até uma shuriken. Falhei em todas.
– ...eu não absorvo o diamante escuro porque ele anula meus poderes. Pra eu absorver matérias como lava, fogo, eletricidade, eu precisava de uma resistência surreal pra aguentar o trampo todo. Eu tava querendo dizer isso! — esclareceu Jeat.
CARAMBA! Como não pensei nisso antes?! Tive uma ideia genial!
– Ah é? Então é só fazer isso aqui ó.
Hora de aplicar minha teoria. Sentei no chão, de braços cruzados.
– Que merda você tá fazendo?! — Jeat perguntou abismado. A mina da armadura se pôs de pé, e me encaraou. Não dava pra ver o rosto dela, tinha alguma coisa branca na frente, tipo uma placa, que fazia parte da armadura.
– Olha só, vencê-la vai ser mais fácil do que parece. — eu estava tendo certeza na vitória, minha teoria era infalível. — Deixa ela me atacar pelo chão, com velocidade, que eu te mostro como é fácil bater em gente que só se preocupa com um, quando deveria se preocupar com dois.
– Você tá contando com o ovo antes da galinha ter botado ele… — nossa, o Jeat é ancião citando provérbios.
– Relaxa. Se eu estiver certo, é certeza de vitória. — garanti.
Vi ela tomar impulso.
– Presta atenção. — pedi.
A inimiga avançou com tudo, preparando um corte horizontal. “Tão fácil…”, pensei, enquanto fechei o punho direito e levei até as costas preparando um soco.
O asfalto na minha frente subiu um pouco, até a altura do tornozelo. Ela caiu na minha armadilha, tropeçando e vindo de encontro ao meu punho. Acertei em cheio o estômago dela, fazendo-a cuspir sangue. Acho que ela desmaiou.
– Engraçado não ter ninguém vendo isso tudo. — analisou Jeat.
Neste golpe, ela ficou apoiada no meu braço. Eu meio que tava equilibrando ela com meu punho. Soltei ela no chão, de costas, ao meu lado.
Observei o capacete.
– Ei, Jeat. — chamei observando o capacete. — Aprendeu como se faz?
– É… tenho que reconhecer… belo trabalho e lógica.
– Se o inimigo vem até a mim na base da velocidade, é só parar a velocidade. O resto é coisa que até criança entende.
Prestei atenção na espada.
– Ah, Jeat, eu tenho algum poder de cura? Tipo, remediar outras pessoas e etc.? — perguntei.
– Pra quê? — perguntou. Não é óbvio?
– Vou deixar ela viva, cara. Não tem sentido ela morrer.
Peguei a espada e coloquei na bainha dela. O processo doeu muito, como Jeat já tinha dito antes. Acho que era uma alergia dele; é a explicação que melhor encaixa, na minha opinião.
Entrei em casa, e deixei ela em cima da minha cama. Não algemei e nem a amarrei, recusando a proposta de Skiy e Jeat. Eu tinha motivos pra isso. Retirei as partes duras da armadura e deixei em um canto do quarto. Usei um dos poderes que ele me disse e deixei ela descansar. Fiquei sentado esperando ela se recuperar por algumas horas, até que, depois que escureceu, ela acordou. As luzes estavam acesas.
– ...hm…? — murmurou. — Onde que eu tô…?
– Na minha casa. — respondi depois de bocejar.
Se virou. Viu meu rosto, com os olhos bem cerrados.
– Quanto eu devo… — hã? Deve? — ...doutor.
– ...nada… do que você tá falando? — perguntei confuso.
– ...hospital… eu… — tentou formar uma frase, sem sucesso, devido à fraqueza.
– Nah, você tá na casa do cara que tu tentou matar sem razão alguma. — interferi.
– Quê… — abriu os olhos. — Eu não… morta…
– Não, não morreu. Não poderia te deixar morrer. — expliquei.
Ela se levantou fraca. Foi aí que, pelo que parece, se lembrou de tudo.
– Porquê você não me matou… não me deixou morrer…? — disse, devagar.
– Porque não quero ver ninguém morto. — continuei. — E também porque achei você bonitinha. — fiquei meio vermelho.
– Obrig-
– Agora, quem é você? — perguntei.
Ela apontou para a armadura. Peguei a ombreira e entreguei à ela, onde ela me mostrou uma espécie de cartão. Não… era uma identidade. E terráquea. Vi algumas coisas, como nome: Brie, que é um queijo, idade: 16, afiliações...
– O quê… — a identidade caiu de minhas mãos. O que vi naquele documento…- como assim…
– O que foi? — perguntou surpresa, olhando pra mim.
Levei ambas as mãos até a testa, apoiando os cotovelos nas pernas. Não conseguia processar a informação… era inacreditável o que eu tinha visto ali...
– …tu…- aguenta cara. Na sua vida colegial isso é só a ponta do iceberg, esqueceu? — ...tu é... é a...
Me encostei na cadeira. Respirei e a encarei, expirando o ar. Tomei mais algum fôlego. — ...você... você é... — ajoelhou, tem que rezar. Não deixe ela na dúvida.
– … a irmã do Eleventy...
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