B.K, Game Over!

5 Amanhã é outro dia!


Notas iniciais
Depois de uma "pequena" espera...

A irmã do Eleventy tava na minha frente. Ai caramba.

– Eleventy… ele tá aqui..? — ela tava toda “chiii” olhando pra mim.

– ...está. Olha, presta MUITA atenção no que eu vou te falar agora. — sentei na cama, com as mãos no ombro dela em tom sério. — O teu irmão… me adoooora. Então, quando você se encontrar com ele, fala que tu foi pra… casa da Konayama, aqui do lado. Capice? — pedi.

– Tu é rápido no gatilho hein, taradão? — Oh meu deus, essa voz.

– CACETE, que susto! — Esses cabelos… esses olhos… agachada com esses pés na minha janela...

– ...tarado. — Konayama ninja. Tipo, quando ela apareceu ali? Eu nem ouvi… Ela entrou na casa. Levou as mãos à cintura. — Quem é essa?

– Uma… pessoa. Lá da minha quebrada. — tentei ser engraçado para ela não persistir em sua feroz tentativa de descobrir aquela que repousava em minha cama. Peguei os documentos para me garantir de alguma coisa.

– Ahhhh, me conta… — toda manhosa.

– Brie?! — essa voz, essa espada…

– CARALHAGADAS, HOJE É O DIA DE ME ASSUSTAR?! — gritei. Eleventy apareceu de repente, como da primeira vez. Só que dessa vez ele usou a porta.

– E aí… — ela estava exausta mesmo ou era lesada assim mesmo? Essa Brie é estranha. Espero que ela não tente me matar. Konayama passou por mim para sair do quarto.

– Voc-, pera, o que ELE tá fazendo aqui? — apontou pra mim, quase sacando a espada.

– ...é a minha casa… — sorri, quase chorando.

– Ah tá. Foi mal. — desistiu de me matar, de novo. Cadê a Konayama?

– Brie? Que nome esquisito. — Konayama, com a identidade que eu tanto tentei proteger, debaixo do arco da porta.

– Ah mano, quer saber? Vou tomar um refri. — desanimei. Minha casa não é mais minha… As pessoas entram quando quiser.

– Espera! — ela ia me seguir.

– Konayama… vamos conversar. Senta. — apontei pro sofá depois que descemos rapidamente. Ela obedeceu e eu sentei perto dela. — Eu tô passando por coisas novas na minha vida. Tô sentindo coisas que nunca senti antes.

– Eu sei…

– ...sabe? Ufa! — aliviei. Se bem que, vindo dela, ela provavelmente entendeu errado.

– ...os humanos chamam de “puberdade”. — disse feliz, mostrando o indicador como se fosse uma sabichona. Fiquei cabisbaixo e levei a mão ao meu rosto, porque ela REALMENTE entendeu errado.

– ...espadas… Foyoli… laranja… a gente tá falando da mesma coisa? — sussurrei para mim mesmo.

– Tô brincando, cara! — riu. — Acho que é tudo novo para você... humano. Com o tempo você deve acostumar.

– Não dá pra acostumar. — ri de volta. Depois de um tempo conversando e sem pegar o refri, subi para ver se ainda estavam lá ou se já tinham ido como ninjas, pela janela.

– Brie, tu pode ir pra casa do Eleventy? Conversar com ele lá e talz? É porque, de repente, fiquei com sono. — bocejei. Quando eu fiquei cansado assim? Eram umas 6, 7 horas e eu já tava com sono. Como tá calor...

– Ok… — ela era lesada. Não podia estar cansada. Encarei Eleventy, como se estivesse esperando alguma coisa.

– Vai, leva. — apontei para Brie, gesticulando para saírem. — Aliás, vocês nem parecem irmãos; ela tem cabelo laranja e você tem cabelo prateado. E eu quero saber porque ela tentou me matar também.

– Para de ser folgado. — se levantou e colocou as mãos nas costas e pernas dela, para carregá-la. — Depois eu apareço aqui e corto sua cabeça.

– ...não. Vou trancar as janelas também. — como se fosse adiantar alguma coisa. Saíram pela porta dessa vez. Acompanhei-os até a rua.

– Falou. — disse Eleventy, seco. — E obrigado, também. — disse meio tímido e sério.

– Obrigada… — ela agradeceu, tímida.

– Tá, tá, tá. Voa. — ordenei sem dar muita importância para o agradecimento dela. Virei e comecei meu retorno inseguro à minha residência. Depois de trancar a porta, não vi a Konayama no sofá. Deve ter ido pra casa. Fui tomar aquele refri que eu tanto queria. Ahh, refrescante. Subi para dormir porque eu tava com muito sono mesmo. Parei quando entrei no quarto.

– ...ah nãããããão… — facepalm.

– Qual é, tu não é macho? — quem ela pensa que é para me oprimir?

– Porque tu tá na minha- — bocejei. — ...casa?

– A cama é confortável. — deu uns tapas no colchão.

– E porque você só está de lingerie? — e os momentos eróticos da minha vida só se multiplicam… não que eu não goste, mas… não é errado?

– Porque tá quente. — cruzou os braços atrás da cabeça e tirou o cobertor de cima. Caraca, que corpo… e que tatuagens… mas que…

– ...gostosa… — boquiaberto, quase babando, com os olhos quase arregalados por completo.

– Hã? — ainda bem que não ouviu.

– Vá pra casa. — ela tava suando? Acho que ela tava suando. — Você mora a 8 metros daqui, no máximo. Não me venha com aquela de “oh, é tão longínqua minha humilde residência…” — imitei uma coitada.

– Tá booom. Cara chato. — começou a se vestir. E eu ali, observando tudo. Mas cara, era beleza autêntica. — Tira esse olho de mim.

– ...não. Kona, eu nunca tinha parado para observar, mas tu… é uma princesinha, hein? Essas tatus são bem sinistras também. — comentei ou elogiei, brincando. E ela nem se importou, pareceu-me que estava acostumada com flertes. Depois que ela terminou, ela foi para a sacada de casa e pulou para a dela. Subi novamente, pensando no dia todo como se fosse um flashback e deitei. Apaguei na cama, literalmente.

…

Vamos direto para segunda, porque esse domingo foi o mais monótono da minha vida. Literalmente, eu acordei tarde, almocei e fui jogar Battle of Duty. APENAS. Até ir tomar banho e dormir.

…

Segunda. O pior dia da semana. O que mais dura. Mas também é o único dia que fica mais longe da outra segunda. Tudo é questão de otimismo.

– Bom dia… — disse para Jeat e Skiy, que deviam estar na minha consciência. Fui ao banheiro e lavei o rosto. Me encarei por um tempo pensando nas coisas que aconteciam. Uma tarada, um assassino, a irmã do assassino, a mina que teleporta… Era tudo muito estranho. — Só pode ser crack. — ri. Eles não responderam, devem estar adormecidos.

Desço para fazer o café da manhã. Já estava pensando naquele misto quente com margarina e o achocolatado… Pela visão periférica, logo depois de descer as escadas, vejo uma mancha negra. Mas não me atrevo a ver. Ainda.

– Margarina, queijo, presunto…? — cadê o presunto? Aquela mancha negra das trevas infernais tinha uma relação com o presunto. Viro a cabeça devagar, apreciando cada momento de tortura. Não acreditei.

– Ois! — disse, alegre, ajoelhando-se e usando as mãos de apoio na frente. Porque ela tava com aquele casaco enorme sem usar, aparentemente, calça ou shorts?

– Nossa, eu esperava o mundo inteiro, menos você. — devolvi, espantado.

– É? — respondeu suavemente, alisando o sofá com um dedo.

– Claro que não, sua estúpida. — era a Konayama. Diferente. Deveria ter acordado recentemente, e a primeira coisa que fez foi ir para a minha casa, olha só!

– Não fala assim comigo. Eu sou tão lecal… — essa voz dela afinou só para falar “lecal”.

– Claro que é! — devolvi sarcasticamente. — Você é a mina que dá em cima dos outros sem nem ao menos conhecê-los e invade a casa deles e come todo o presunto deles!

Silêncio por uns segundos. Acho que fiz alguma coisa errada.

– ...desculpa. — senti uma tristeza nisso. Elsa se levantou e andou rapidamente em direção à sacada. Devo ter magoado-a.

– Não, espera, foi ma-

E pulou. Tarde demais. Ela não voltaria por um tempo — o que não era exatamente ruim — porém fiquei meio triste com isso. Fui um imbecil. Um idiota insensível.

– Com certeza. — Jeat, como um ninja.

– PORRA! Que susto! — quase caio de bunda no chão.

– Ei cara, nós temos que conversar sobre uma coisa. — disse seriamente.

– Sobre o quê, exatamente? — perguntei. O dia começou sério demais para o meu gosto.

– A Skiy está grávida.

– ...glaskpft… quê?! — o que eu senti nessa hora foi indescritivelmente estranho. Seria uma espécie de aneurisma com ataque epiléptico, ao mesmo tempo.

– É brincadeira! — retomou. — É sobre… hã... objetivos. Metas.

– Objetivos…? Como assim?.

– Não, objetivos não, seria algo como…sobreviver.

– Ao quê? — não entendia.

– São vários os caçadores de recompensa me procurando, sabe? Se eles conseguirem materializar minha essência, você morre. Se você morrer, eu escapo do seu corpo. E se eles me pegarem enquanto faço isso, o mundo está condenado. E essa joia ajudará e muito a saber que eu estou contigo... — esclareceu.

– Então não é questão de sobreviver. É questão de não morrer. — corrigi. O que, no final, era a mesma coisa.

– Tanto faz. Mas temos um problema. — continuou.

– O quê? — a coisa estava séria. Climão.

– Dois deles já chegaram aqui na Terra.

– Como assim? — não sei o motivo da pergunta. Acho que foi o hábito.

– Como assim “como assim”? Eles aterrissaram em superfície terrestre, ué. — confirmou o que pensei.

– E eles estão vindo pra cá, eu chuto. — voltei para a geladeira.

– E eles têm os diamantes escuros. — ratificou. — Então, o plano é esse, se nós cons-

– Ei cara, desculpa interromper. — sem querer interromper mas já fazendo isso. — Tem como tu fazer um presunto Sidia para mim? Quero fazer uns mistos quentes.

– ...não. Enfim, o esquema é anular a força bruta deles com velocidade. Os caras são grandes, então tu esquiva de algum golpe e dá uma rasteira. Tu já sabe o resto.

– Certo, certo. Mas tem como mesmo não? — insisti no presunto.

– Não. Se o casco deles atrapalhar, então estamos ferrados. — desenvolveu.

– E tem outra, tu lembra o que aconteceu quando eu usei aquele lance da velocidade na escola? Eu passei muito mal depois. Tossi sangue. — revelei.

– Sério? Putz… seu corpo não é resistente o suficiente, eu acho. — explicou.

– Tá me chamando de fraco? — franzi a testa, fechando a geladeira.

– Sim. Entendeu o que eu disse?

– É... Entendi. — não entendi não. Só quis achar algo comestível antes de tomar banho e sair para a aula. Não encontrei nada. "Só acho que preciso ir ao mercado", pensei. Espere... Dois caras aqui querendo me matar?!

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.