BEHIND HIS SMILE
1 Capítulo 1 - Um simples e inesperado começo.
A luz do sol esquentava meu corpo semi nu por baixo daqueles lençóis macios. Abri meus olhos preguiçosamente. Na sacada, estava ele. Suas costas largas e musculosas, um sorriso lindo de quem apreciava a paisagem lá fora. As pernas moderadamente peludas, também semi nu, com apenas uma sunga amarela, com um grande "PAPA!" em verde e azul atrás. Nunca cogitei que iríamos nos esbarrar um dia...
Domingo, 15h20.
Estava um clima muito gostoso. O hotel em que eu estava tinha sua própria praia particular, mas ninguém estava lá. Todos preferiam ficar na piscina. Uma coisa bem estranha, quando o mar é bem mais envolvente quanto um piscina feita pelo homem. Mas que bom que estava vazia, gente demais me chateia.
Estendi uma canga ali embaixo de uma das palmeiras mais perto da areia e levei apenas o que precisava: frutas, água e um bom livro. Tinha que manter a ótima forma que eu tinha pra continuar chamando atenção de mulheres e homens. Principalmente homens.
Enquanto lia e ficava mais conflito com a missão de Frodo de destruir o Um Anel (poupe-me se não gosta de Senhor dos Anéis), por mais que essa fosse a terceira vez que lia a trilogia, ainda ficava conflito, percebi um movimento na água, mas não liguei. Mas então eu vi uma silhueta máscula ao longe e baixei o livro para ver quem era. Ainda bem que baixei o livro, pois uma visão como aquela não era comum. Ele saía da água, o corpo musculoso molhado, e então pegou um pique e veio correndo calmamente na areia.
Na minha direção.
Fiquei observando ele, mas percebi que ele não tinha me visto até ele parar no meio do caminho e começar a fazer algumas flexões e alguns alongamentos. Tentei não prestar atenção, mas era impossível. Quando terminou, ele me viu. Ele se sentou, olhou por cima do ombro com um sorriso. Piscou pra mim e acenou como se prestasse continência pra mim. Eu dizia pra mim mesmo "coração, se acalma. Isso não é hora pra ficar pulando na minha caixa torácica, não!". Voltei a ler meu livro, tentando me acalmar um pouco. E funcionou. Meu coração se acalmou logo quando ficava mais uma vez confuso com Sméagol: sentia raiva dele ou pena?
- Droga, Sméagol — exclamei pra mim mesmo. — Essa sua bipolaridade me aflige.
- Realmente é aflitivo — uma voz veio do meu lado. — Mas no final sempre sinto pena dele.
Me virei para ver quem era. Nos curtos milésimos de segundos antes de virar a cabeça para ver, eu desejei que fossem todas as pessoas possíveis. Menos ele. Não porque não gostei dele, mas sim por ficar sem jeito. Ele estava olhando para a página que eu estava lendo, deitado de lado, sustentando a cabeça com um braço. Ele olhou pra mim e sorriu, se desculpando:
- Me perdoe chegar do nada — riu. Caramba, se eu fosse alguém muito desesperado, eu já estaria morto. Mas como não era, simplesmente o observei.
- Não tem problema — comentei, sorrindo — ,aliás, essa praia está deserta. Não sei como aquelas pessoas conseguem ficar na piscina com um dia lindo como esse e uma praia disponível.
- Concordo contigo — o português dele era uma graça. O sotaque dele era pesado, não tinha muita vivência na língua do Brasil.
- Espera aí, — digo em tom de dúvida — como sabe que sou brasileiro?
Encolheu os ombros.
- Me arrisquei — disse, rindo baixo. — Vi a estampa da... Qual o nome disso? — Apontava para a canga debaixo de mim.
- Canga.
- Isso — confirmou — , canga. Via a estampa da bandeira do Brasil e pensei que fosse brasileiro. Aliás, você tem o Brasil em você.
- Eu tenho o Brasil em mim? Como? — Pergunto, levantando uma sobrancelha.
- Na sua beleza. Gente linda como você só pode ter vindo do Brasil. — Disse sorrindo enquanto olhava em meus olhos. Fiquei com medo de ele perceber que eu enrusbecia. Virei o rosto levemente, sorrindo. — E isso só confirmou pra mim que você era brasileiro.
Eu estava tentando lidar de uma forma calma, mas o meu coração já havia virado um ginasta dando aquele complicados saltos durante um solo. Eu tinha recebido uma cantada de um cara maravilhoso. "Vai lá, aproveita", minha mente gritava. "Agradece!".
- Obrigado, — agradeci ainda enrusbecido.
Ele ainda estava deitado na areia e isso era falta de educação quando eu tinha bastante espaço na minha canga.
- Ah, droga. Você está deitado na areia esse tempo todo e nem ofereci um lugar aqui — digo me afastando para dar espaço para ele. — Me desculpa — rio um pouco.
Ele fez cara de que não precisava, mas eu insisti.
- O.k. — Ele se levantou, fazendo sombra com seu corpo. Sem comentários sobre a visão. Limpou a areia do corpo e se deitou do meu lado. — Posso fazer um comentário?
- Faça.
- Estamos sorrindo faz bastante tempo, não parece algo chateante pra você?
Apenas me virei e disse, sinceramente.
- É chateante quando tenho que sorrir por obrigação — Explico. — Mas meu sorriso agora é uma expressão do que sinto.
Minha vez de olhá-lo profundamente em seus olhos. Ele riu baixo e suas bochechas ficaram levemente rosadas.
- Ah — Exclamou rindo. — Depois dessa eu tenho que te levar pra sair.
- Eu aceito. — Digo espontaneamente.
- Mas eu nem disse pra onde.
- Não me importo. Desde que me confirme que vamos aproveitar.
Ele olhou em meus olhos, como se procurasse algo e depois simplesmente sorriu da forma mais doce possível.
- Então está combinado. — Ele disse se levantando. — Em quarto você está hospedado?
- 701.
- O.k. — Afirmou levantando uma sobrancelha e dando um sorriso com os lábios. — Passo lá as 21h30.
- Tão tarde? — Pergunto.
- Para o que vamos fazer? Não. Você ainda não me disse o seu nome... Posso saber?
Caio. Caio Fontes.
- Prazer, — disse, estendendo a mão. Apertei sua mão firme. — Meu nome é...
- Eliad Cohen? — digo, interrompendo-o. Ele sorriu e me olhou com uma expressão de "Como você me conhece?". — É, eu sei seu nome. Como eu sei? Já fui em uma das suas "PAPA! Party" no Brasil. Mas isso a gente conversa mais tarde.
- Você fica cada vez mais interessante, Caio. — Disse com um dos olhares mais sexys que já vi. — Mal posso espera por hoje à noite. Então, até mais. Disse sorrindo e acenando. Voltou correndo para o hotel. Tentei voltar a ler, mas eu estava fora de mim. Flutuando o mais alto que poderia ser possível. "Mal posso esperar por hoje à noite." A frase ecoa na minha mente com a voz dele. Sim, eu também mal posso esperar.
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