Notas iniciais
O primeiro capítulo completamente me zoou com a diagramação. Acho que eu vou ter voltar a usar x(o)x(ota) novamente, my old friend. Então, eu estou usando músicas no capítulo, dessa vez traduzidas por que sou inconsistente - quem leu Crooked levanta os braços - mas eu não sei se elas combinam completamente com o shipp, tipo, é um canon compliant (ou uma reclamação de plot, como eu gosto de falar) eu não sei o que eu tenho que seguir aqui HUASHUAS. Então me assistam enquanto eu faço tudo muito gay e OOC.

Você está transbordando onde todos podem ver.
Seu coração é muito grande para seu corpo,
é onde seus sentimentos se escondem.
– Crybaby — Melanie Martinez

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Di Angelo havia caído no chão, provavelmente machucado por não ter nenhuma resistência, e Leo fingiu não ficar meio travado por isso. Fingiu não querer checá-lo, mesmo que rapidamente. Ele tinha coisas mais sérias para resolver, disse para si mesmo enquanto ia atrás dos anões-macacos-ladrões, e Hazel era a irmã dele afinal das contas. Nico era problema dela.

Mais tarde, quando ele estava criando suas bombas caseiras, prestes a subir na torre onde os macacos-ladrões-anões estavam, Nico passou em sua mente por um instante. Não tinham lhe roubado nada, certo? De qualquer forma Leo iria devolver. Como ele devolveria para qualque pessoa. Não iria entregar pessoalmente por algum motivo especial.

Certo, mas para isso Leo precisava recuperar e, pensando assim, seus dedos ficaram mais frenéticos enquanto trabalhava.

xx

Leo e Jason tiveram certeza que os macacos-ladrões-anões iam atrás dos romanos em New York antes de saírem. A sensação de alívio de resolver um dos enormes problemas que eles tinham era inebriante. Mesmo assim Leo não estava aproveitando muito bem com Jason o observando enquanto eles andavam, como se ele estivesse tentando ler o filho de Herfesto.

Leo abriu um dos seus sorrisos de costume e disse:

– Eu fico super sexy com a luz da Europa, não fico? — e mexeu no cabelo sujo e armado. Jason sorriu, finalmente.

– Quer uma resposta honesta?

– Só concorde. É seu dever, Jas. — Leo lhe deu uma cotovelada de leve.

Jason riu.

– Mas você está diferente, só duvido que seja pela luz da Europa. — ele comentou. Leo arqueou as sobrancelhas.

– Huh, sério? Quer dizer... Meu cabelo está um ninho de rato, mas um ninho de rato cool, então parece que eu fiquei mais alto.

Jason riu de novo.

– Não estou falando da sua cara, Leo.

– Então… Acha que eu estou mais… Uh…

"Útil? Hunf, Valdez, não se ache."

Leo realmente ficou sem jeito. Não sabia se era por que os dois estavam tendo uma daquelas conversas de amigos íntimos, em um momento que ele não tinha mais com o quê se preocupar já que eles não estavam correndo perigo ou coisa parecida. Ou por que Jason estava notando algo que Leo jurava que ninguem ligava. Ele era mesmo um bom amigo.

– Você sempre foi útil, Leo. — okay, agora ler seus pensamentos também não era legal. — Comete erros por que não é um herói. Nenhum de nós somos.

– Cara, você é totalmente um Supermen loiro.

Jason revirou os olhos.

– Okay, Leo. Mas ainda assim, você mudou e isso é indiscutível. Eu só preciso descobrir como.

Foi a vez de Leo revirar os olhos e balançar a cabeça negativamente, com um sorriso mais sincero no rosto.

xx

Leo foi falar com Hazel quando ela estava ao lado de Nico, tentando não transparecer como estava satisfeito por achar os dois juntos. Ficar sozinho com o filho de Hades não era uma situação que ele queria que acontecesse tão cedo. E ultimamente Leo andava tendo pensamentos estranhos quando olhava para Nico. Do tipo: “O que ele está pensando?” e “O que ele acha de mim?”

Era meio assustador. Sério.

– Então, eu achei esse livro. — Leo contou para Hazel, entregando-o. — os macacos disseram que era de um Deus Menor em Veneza. Como Veneza é o lugar que Hécate está nos despachando, eu juntei um mais um.

Os dedos de Hazel passavam pelo livro, seus olhos dourados brilhando com esperança. Era refrescante vê-la assim. Num instinto natural Leo procurou por Frank, esperando ver sua expressão de bebê descontente com o latino admirando a sua namorada.

– Leo. — Nico Di Angelo o chamou de volta para a realidade. Leo notou que aquela era a segunda vez que ele o chamava pelo o primeiro nome em dias. Hazel olhava entre os dois, um sorriso rapidamente formando nos lábios.

– Obrigado. — ela disse para Leo. — Você devia descansar um pouco. Deve ter sido especialmente difícil sem o seu cinto de ferramentas.

– Ah eu só tive que gastar todo o dinheiro que eu não tinha para fazer bombas caseiras, então subir uma torre de sei lá quantas escadas, trocar um salgadinho que eu queria muito para o cara me deixar passar e ai aguentar os macacos extremamente irritantes rirem da minha cara por que sim. Mas, bem, quem ri por último ri melhor, não é assim?

Hazel tentou controlar o riso, mas Leo fez um gesto para que ela abrisse a boca. Ela deu um tapinha no seu ombro enquanto ria, mostrando que a risada era mais forte que si mesma e que respeitava seu esforço. Meio impossível não gostar de Hazel assim.

Mas o que chamou sua atenção de verdade foi o sorriso de Nico. Pequeno, e nada forçado. Era quase… Bonito. Só um levantar de lábios. E ele tinha covinhas.

– Eu entendo como é. — Nico murmurou.

– Oh, exato! — Hazel exclamou. — Nico tem algumas histórias do tipo nas missões que o nosso pai deu pra ele.

– Jura? Os mortos também são divertidos?

Hazel semicerrou os olhos com o comentário. Leo jurava que ia levar um tapa e que havia estragado tudo, porém Nico não se alterou. Era definitivo: Nico era o único que não se irritava ou se incomodava com as suas piadas.

– Já ouviu falar de humor negro?

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A primeira pessoa que Leo viu de manhã foi Nico. Não de propósito. Ele esqueceu que seu quarto era ao lado de Nico, o antigo de Percy. Sim, Leo não havia cogitado a ideia de mais alguém aparecer no navio. Então não fizera a estadia de Nico muito boa. Nico se recusara no começo, mas ele acabou tendo que lidar com o quarto de qualquer jeito.

Leo estava indo até seu quarto de manhã para pelo menos fingir que dormiu ali em vez de ter ficado semi acordado na sala de máquinas quando encontrou Nico no corredor. Os dois quase se esbarraram se Nico não tivesse segurado seu ombro. Seus dedos magros e frios causaram um choque no corpo normalmente quente de Leo, acordando-o por um instante.

Claro que Nico poderia dar um passo para o lado para que Leo passasse, porém isso o deixaria cair. Leo estava fraco e zonzo de sono, mas não queria que ninguém visse, por que não podia ser outro problema.

Nico realmente era dois centímetros mais baixo. Ele estava próximo. Tinha hálito de menta e olhos escuros o bastante para serem assustadores, porém a preocupação honesta neles no momento os fez parecer como grandes olhos de cachorrinho.

– Você está quase desmaiando.

Aquela não era uma afirmação calma. Nico havia cerrado os dentes. Com mais juízo, Leo teria sentido medo.

– Não… Eu… Estou perfeitamente bem.

E Leo caiu para frente. Nico era muito frio, mas quando Leo tentou se afastar, não achou forças. Sentiu um suspiro na nuca e se arrepiou, encolhendo-se. Logo também sentiu um afago hesitante nos cabelos cacheados, e foi como um tranquilizante. Notou que o cheiro de Nico era agradável. Se enterrou ali e obedeceu o que o corpo pedia: Dormiu.

Pela primeira vez em dias não teve pesadelos.

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Leo acordou assustado, suando. Não estava na sala de maquinas e assim seu corpo achou que isso representava em perigo. Ele estava procurando algo para se defender em seu cinto de ferramentas quando percebeu como o quarto realmente era. Nenhum cativeiro tinha uma cama confortável e era iluminado.

Leo grunhiu, sentindo-se patético. Deixou a cabeça cair no travesseiro de novo. Mesmo que estivesse em perigo ele não ia conseguir fazer nada. Era só o tonto com as ferramentas.

– Leo.

Terceira vez. Não que Leo estivesse contando. Ele olhou entre os cachos que caíram no rosto na direção do som, vendo Nico Di Angelo sem o seu casaco de aviador acabando de fechar a porta.

– Nico. — Leo respondeu de forma automática, um pouco mais aliviado por vê-lo. Lembrou-se dos seus olhos dilatados de preocupação, e foi agradável vê-los nesse mesmo estado se aproximando de si.

– Hey. Eu acabei de trocar de turno com a Piper.

– Turnos? — Leo enrugou a testa. Então ele grunhiu. Estavam cuidando de si, não estavam? — O que diabos eu estou fazendo numa cama?

– Dormindo? — Nico arqueou as sobrancelhas. Sentou-se na beirada da cama. — Acho que todas as pessoas dormem.

– Você não parece. — Leo ergueu o braço e fez como se fosse tocar a pele debaixo dos seus olhos, mas seus dedos não se esticaram o suficiente e Leo não tinha forças.

– Eu só pude dormir preso numa jarra. Estou dando um tempo.

– Não consigo me ver numa jarra.

– É, você nunca imagina até acontecer. — Nico deu uma risada amarga.

Leo se encontrava grogue. Provavelmente havia ficado doente de exaustão. Era a única causa lógica de estar tendo uma conversa inútil com o semideus mais assustador que já conhecera, depois de Percy com raiva. Talvez aquele fosse o famoso estado febril que Leo vira outras crianças nos abrigos passarem.

Por qualquer que fosse o motivo, sua mão chegou na fria de Nico.

– Eu morreria antes.

Nico arregalou os olhos. Leo não esperava vê-lo tão surpreso. Na verdade, não sabia o que devia ou não devia esperar no momento. Seus pensamentos pareciam letrinhas flutuando numa sopa. Nico tentou ser discreto, mas Leo ainda sentiu uma grosseria quando ele afastou a mão.

– Bem… Er… É por que não se cuida. — Nico desviou o rosto. — Tente descansar mais. Nós temos um dia de viagem até Veneza. Dá pra cuidar de você e do navio facilmente. Eu… Acabei com essa tarefa mais que os outros, assim que não sei fazer muitas coisas.

Que coisas, Leo se questionou antes de cair no mundo dos sonhos, que coisas um semideus doce como você não ia saber fazer? O coração de Nico parecia enorme.