Bíblia dos Contos Proibidos.

5 O Sótão do Silêncio


A casa era velha, mas a família de Pedro a havia herdado, e a promessa de um recomeço era forte demais para ser ignorada. Durante a mudança, o sótão, um espaço escuro e empoeirado, foi lacrado. Era o único lugar da casa que parecia resistir à nova vida. A cada vez que alguém chegava perto, uma sensação fria e uma pressão no ar forçavam o recuo. A família resolveu que seria melhor esquecê-lo.

O tempo passou e as crianças cresceram, mas o sótão permanecia um tabu. A curiosidade de Sofia, a filha mais velha, começou a crescer. Ela jurava ouvir sons vindos de lá, passos leves e um sussurro distante, que parecia chamar seu nome. Uma noite, ela decidiu investigar. Com uma lanterna fraca, subiu as escadas rangentes, com cada degrau gritando sob seu peso.

Ao chegar, a porta, antes lacrada, estava entreaberta. Uma leve brisa fria escapou de dentro, como um suspiro. Sofia entrou e o feixe de luz revelou o interior. Não havia nada, apenas pilhas de caixas cobertas por lençóis. Mas os sussurros continuavam, vindos de uma direção indefinida. Ela se concentrou e notou que a voz não vinha do ar, mas sim de sua cabeça.

Então, as luzes da lanterna começaram a piscar e a voz se tornou mais clara: "Estamos esperando você, Sofia". Ela soltou a lanterna e correu, mas a porta atrás dela bateu com um estrondo. Agora, o silêncio era total. Nenhuma voz, nenhum rangido. Apenas o som de sua própria respiração ofegante. Ela se virou para a porta, que estava aberta novamente, mas agora uma figura esguia se contorcia no batente.

Sofia fechou os olhos com força, esperando o pior, mas nada aconteceu. Abriu-os e a figura se foi, e a única coisa que restou foi a porta, agora totalmente fechada. Ela desceu as escadas correndo, desesperada, e ao chegar à sala de estar, encontrou seus pais na cozinha.

-O que foi, Sofia?- perguntou seu pai.

-O sótão... Eu fui lá, e eu... ouvi coisas.- ela respondeu.

-Não seja boba, querida.- disse a mãe,

-o que você viu?

-Não foi o que eu vi.- ela gaguejou. -foi o que eu ouvi. A voz me chamava.

-Ah, Sofia...- disse a mãe, com a voz suave. -você sabe que é uma casa antiga. O vento faz uns sons estranhos.

Sofia não disse nada. Mas ao olhar para a mesa, a família tinha acabado de comer. A comida estava fria e intocada. E no centro da mesa, havia uma fotografia. Era da casa, quando foi construída. E na janela do sótão, estava uma figura esguia. A mesma que ela tinha visto no batente.

O conto termina com Sofia percebendo que, na verdade, seus pais também não estavam lá. Ela estava sozinha. O terror não estava apenas no sótão, mas na própria casa, que a tinha engolido silenciosamente.










Notas finais
Oie! pessoal, tudo bem com vcs? Espero que vcs gostem. bjs🎃