Azul de Liberté
1 Azul de Liberté
Notas iniciais
Correr. Era a única coisa que Samantha poderia fazer naquele fim de tarde nublado. As árvores do bosque próximo a sua casa estavam balançando por conta do vento forte que anunciava a tempestade que estava para chegar.
Odiava tomar chuva, pois sua imunidade conseguia ultrapassar a terra de tão baixa. Só estava fora de casa por um pedido de sua mãe, então, caso ficasse doente, a culpa não seria dela.
Aos dezessete anos, Samantha nunca havia se interessado por um homem. Já havia beijado um rapaz que fazia aula de piano com ela, mas nada além disso. Por conta da imposição da sociedade por um casamento, e por sua mãe também exercer a mesma função, ela fazia questão de negar a ideia. Não se casaria com quem não gostasse.
Assim que chegou em sua casa, as primeiras gotas pesadas de chuva começaram a cair. Suspirou aliviada quando fechou a porta, agradecendo pela paciência da natureza por esperar que ela chegasse em casa.
A postura que tinha nas ruas desmontava quando estava em casa; a feição ficava um pouco mais serena, os ombros menos rígidos e os fios de cabelo loiros soltos. Ela parecia com uma jovem quando estava em casa, diferentemente da imagem de mulher madura que passava quando estava no centro da pacata cidade de Conwy.
— Sam? — a mãe da garota perguntou quando o trinco da porta foi fechado.
— Sou eu, mãe! — respondeu aliviada.
— Venha cá, por favor!
A garota obedeceu e foi até a sala de jantar, andando em passos preguiçosos. Quando chegou à enorme mesa de madeira, deu de cara com pessoas desconhecidas.
— Essa é minha filha, Sra. Flaubert — sorriu, ansiosa para ouvir o que a francesa teria para falar sobre sua pequena Sam.
— Muito prazer, senhorita… Woolf? — Emma Flaubert fez o possível para ter uma pronúncia o mais inglesa possível, uma vez que seu sotaque francês era predominante. Também não sabia como se dirigir à garota, então optou pela forma mais formal possível. — Este é meu filho, Adam.
Se aquele fosse mais uma tentativa de sua mãe tentar um casamento por conveniência, Samantha jurou que negaria. Como nada sobre casamento havia sido dito ainda, ponderou suas negações e agiu de acordo com a educação que recebeu.
— O prazer é todo meu, Sra. Flaubert — sorriu seu sorriso doce que sua mãe tanto implorava para que fizesse na frente dos outros. — Muito prazer também, Sr. Flaubert — cumprimentou o rapaz sentado ao lado da mulher.
— Pode me chamar de Adam, senhorita Woolf.
Samantha sorriu como se concordasse com ele, mas havia ficado bem desconfortável. Não tinha costume de chamar os mais velhos pelos seus respectivos nomes, apenas pelo sobrenome, então aquilo havia sido uma afronta e tanto. Tudo bem, ele não aparentava ser tão mais velho que ela, mas ainda sim era um desconhecido. Ela ficou em pé na mesma posição por quase um minuto, procurando formas de responder.
Emma Flaubert felizmente interrompeu o conflito interno de Sam, indo diretamente ao ponto sobre o que desejava.
— Nós já conversamos com sua mãe, então apenas queremos saber se você aceitará nossa proposta.
Como se não bastasse as confusões causadas por conta dos casamentos arranjados entre ingleses, agora era a vez dos franceses, pensou Samantha. Dessa vez estava decidida a não permitir que a história se prolongasse, afinal estava muito cansada dessa palhaçada toda.
Assim que abriu a boca para negar, Adam preencheu o ambiente com sua voz rouca que surpreendeu Sam.
— Eu gostaria de ir ao baile de gala de Conwy com a senhorita.
Sam não entendeu. Sério que esse era o convite?
— Sei que parece um exagero fazer um convite para isso tão formalmente, mas estamos dispostos a pagá-la se necessário — A mãe de Adam reforçou o pedido do filho, batendo os dedos das mãos na mesa de madeira.
Adam aparentava ser um pouco… arrogante. Bom, pelo menos era essa a conclusão que Samantha teve quando ele disse a ela que podia chamá-lo pelo nome próprio. Tudo bem que já não era mais tão comum nas metrópoles esse tipo de tratamento, mas ele precisava entender que eles estavam numa cidade pequena do País de Gales. Sam nunca chamou sua mãe pelo nome, pois sempre ouvira que era falta de respeito, imagina só em se tratando de um estranho.
A sra. Flaubert já tinha um ar um pouco mais elegante e educado, o qual mostrava a educação de alta classe. Ela possuía cabelos loiros, que estavam presos num penteado alto, e olhos castanhos claros. Gostava de usar tons vermelhos nos lábios, dos quais destacavam quando um sorriso surgia com os dentes alinhados e grandes. Emma era a mulher perfeita de acordo com os padrões de beleza, Sam não podia negar.
Já Adam… Bom, ela era muito bonito, Samantha também achava isso, mas tinha algo nele que a deixava super irritada. Talvez o jeito vaidoso que ajeitava os fios de cabelo castanho o tempo todo? Ou simplesmente o fato dele não tirar os olhos dela? Ela não sabia dizer, mas tinha certeza que falaria algumas coisas para que ele parasse com aquele olhar.
Antes que você ache, ele não a encarava com aquele olhar predador, se é que ficou claro. Digamos que era repleto de curiosidade, e ela conseguia sentir, só não conseguia ter consciência disso.
Ela ponderou o pedido e, de certa forma, ficou contente, pois era a primeira vez que alguém pedia a opinião dela sobre algo que envolve um homem. Normalmente era sua mãe quem decidia sem nem ao menos perguntá-la se queria ou não. Tendo isso em mente, tomou uma decisão, e garanto que isso mudou completamente os próximos dias na vida de Sam.
— Está tudo bem, eu aceito — respondeu simplesmente, demonstrando que era por livre e espontânea vontade. — E sobre pagamento, não se incomode, farei por terem considerado meu desejo acima de tudo.
A mãe de Sam ficou extremamente abismada, pois nunca viu a filha aceitar algo de tão bom grado. Já a sra. Flaubert soltaria fogos se estivesse com eles em mãos. Adam, por sua vez, sorria serenamente, tornando a olhar de relance para a mais nova dentro da sala.
***
Já passava das onze na noite quando Sam rodopiava em sua cama a procura de calma. Por que havia aceitado aquele convite? Ela nem ao menos sabia o motivo de ter sido a escolhida para tal função, meu Deus! O que poderiam fazer com ela? Qual era o motivo de sua mãe aceitar tão facilmente?
Aquela felicidade momentânea de quererem sua opinião fez um carinho tão gostoso em sua auto estima que aceitou sem nem ao menos pensar direito… droga!
Viver numa sociedade que pouco pensava sobre seus sentimentos já era normal para ela, mas não diminuía o fato de que ainda a machucava. Quando começou a ser tratada como mulher, até mesmo a roupa que optava por usar era motivo de ser questionada caso fosse decotada ou um pouco mais apertada que o usual. Não era nem seria fácil conseguir fazer suas escolhas sociais, mas Sam sabia perfeitamente que só pioraria por não ter o desejo de se casar tão cedo.
Ela tinha o desejo de estar com alguém que gostasse de verdade, que a apoiasse em seus objetivos e desse o poder de escolha a ela. Era fascinante a imagem de não ser tratada como propriedade de alguém, então, enquanto não encontrasse isso, não aceitaria alguém assim como marido.
Adam Flaubert... Sam não sabia se o convite feito por Emma foi de escolha dela ou de seu filho, mas havia se sentido feliz. Imaginou que havia algo de diferente nele, mas não conseguia colocar em palavras. Embora visse esse lado positivo, lembrava-se perfeitamente de um detalhe oposto: ele era rico e tentou comprá-la. Homens ricos se sentiam os donos do mundo, ela pensou. Até mesmo acreditavam que conseguiam comprar todas as pessoas que quisessem.
Sam adormeceu enquanto pensava sobre Adam: sobre sua idade, o que diabos tinha na cabeça por querer uma garota do País de Gales para ser seu par num baile extremamente formal da realeza em Conwy e, acima de tudo, por que diabos era encarada daquela forma.
Quando acordou, levantou rapidamente para conversar com a mãe sobre o acontecimento. Como morava apenas com a mãe, saiu do quarto com a camiseta velha preta desbotada e o shortinho cinza que havia dormido. Assim que chegou na sala de estar, sentiu vontade de sumir de vez da face da terra.
A risada de Adam saiu bem disfarçadamente entre seus dedos, os quais seguravam sua boca para que não gargalhasse. Ele adorou ver o rosto dela vermelho de vergonha e raiva por não ser avisada sobre o visitante.
— Acredito que teria sido melhor eu vir um pouco mais tarde ou ter avisado a ela que eu estava aqui — confessou, analisando Sam para que ela se sentisse ainda mais desconfortável com a situação. Essa provocação dele estava piorando muito a impressão que ela tinha dele.
Isso não vai ficar assim, pensou Sam, retornando até o quarto para se preparar para um banho.
***
— Nós temos algumas coisas para conversar, sr. Flaubert — declarou enquanto sentava na cadeira de frente para a dele na mesa.
— O que a senhorita quer saber? Inclusive, torno a repetir que prefiro ser chamado de Adam — sorriu simpaticamente.
— Primeiramente quero saber quem é você, senhor Adam Flaubert.
Logo que os lábios de Adam se moveram para permitir a passagem das palavras, a mãe de Sam interrompeu pedindo para que os dois fossem dar um passeio pela cidade, uma vez que ele gostaria de conhecer a cidade.
Samantha pensou em dizer que não era preciso, mas havia coisas que ela não se sentiria muito a vontade de perguntar com a mãe por perto. Aceitou de bom grado, convidando-o para seguir seus passos.
O começo do tour foi bem pacífico, uma vez que nenhum dos dois ousou abrir a boca para falar alguma coisa. Sam por vergonha, mas Adam por puro e simples divertimento. Ele sabia que a garota estava super constrangida por conta da segunda vez que se viram, mas não conseguia evitar continuar trazendo essa sensação para ela. Era divertido demais, pois conseguia enxergar nos olhos dela como estava irritada.
— Quem é você? — Sam finalmente decidiu falar. — Está certo que já aceitei o convite, mas há muita coisa mal contada que eu preciso saber.
Por mais incomodada e irritada que ela estivesse, seu tom de voz era firme. Queria saber sobre ele, mas para isso também precisava manter a calma.
— Antes de tudo, peço desculpas pela forma que estava agindo com você, mas é simplesmente meu jeito de mostrar que gostaria de conhecer uma pessoa. Enfim, sou filho de John e Emma Flaubert. O sobrenome do meu pai é desconhecido por mim, pois isso foi apagado de minhas memórias desde muito novo — contava Adam, analisando os detalhes da paisagem diante de seus olhos. — Tenho vinte anos, antes que você declare que sou muito mais velho que você, e fui convidado para participar do baile de gala de Conwy para representar minha família.
Sam pensou em falar alguma coisa para que ele não agisse mais daquela forma, todavia decidiu ignorar. Ele agir como um idiota não era tão ruim assim, pois ajudou com que ela quisesse, de alguma forma, conversar com ele.
Eles estavam na área para pedestres de uma ponte sob um rio. Era possível ver o castelo de Conwy de lá, assim como o pôr do sol quando o horário chegava. A brisa que acariciava o rosto dos dois estava gelado e barulhento durante a manhã, trazendo consigo um leve aroma de erva doce das redondezas.
Enquanto Adam falava, Sam analisava os detalhes dele nas partes que as roupas não cobriam. Suas mãos eram grandes com unhas compridas e bem cortadas. Seu maxilar marcado acompanhava o par de lábios finos e os dentes bem desenhados, como os de sua mãe. Os olhos castanhos possuíam cílios enormes, os quais ela considerava bem bonitos.
— Qual o motivo de você ser convidado para cá? Você não é francês? — perguntou ela quando foi forçada a sair de sua transe. Os olhos de Adam aprofundaram-se nos seus de repente, parando imediatamente a ação sorrateira dela.
Sam também estava adorando ouvir o sotaque francês dele para falar inglês.
— Pelo o que sei, meu pai era inglês. O sobrenome que carrego é o da minha mãe, porém ela, mesmo francesa, ficou encarregada de responder ao que diz respeito ao meu pai até que eu tenha idade o suficiente para ser o responsável.
O que eles conversaram depois disso foi basicamente sobre a vida na França e em Conwy. Ela tinha muitas mais inúmeras perguntas que os envolvia, porém, sinceramente falando, ela preferiu deixar de lado. A impressão que teve dele num primeiro momento foi quebrada quando pode descobrir uma pequena parcela de sua vida, e, como isso não importaria pelo fato daquela ser possivelmente a primeira e última semana que teriam uma relação, estava tudo bem.
Durante as vezes que Sam falou, Adam também quis admirá-la. Os olhos azuis dela eram tão… felizes. Ele arriscaria dizer que aquele azul ficaria muito melhor sendo o de Liberté, afinal era essa a sensação que ele sentia sempre que encontrava os olhos dela.
De certa forma, Sam estava confortável ao lado dele. Não era como confiar plenamente, mas como se não tivesse motivo para desconfiar. Ele não era tão arrogante quanto imaginou, apenas adorava tirar a paciência das pessoas com seus sorrisos e olhares cheios de malícia.
Eles se encontraram outras vezes e saíram para passear pela cidade. Os breves passeios sempre resultavam no desejo de conhecer um ao outro, aumentando a atração que Sam não sabia que sentia por ele, e alimentando a curiosidade dele por ela.
***
Os dias passaram depressa e logo o dia do baile de Conwy chegou. Adam aguardava Sam chegar enquanto arrumava sua gravata freneticamente, afinal passou a semana inteira esperando o dia chegar. Sam e ele haviam se tornado muito íntimos: compartilharam muitas histórias e saberes, sem contar como os dois tentavam procurar algum meio para avançar na relação.
Samantha chegou assim que o relógio marcou dez horas da noite, hora a qual seria a de início do baile. Teria sido tão melhor se tivesse chegado mais cedo, pensou ela enquanto corria para atravessar a rua e entrar no Salão Real em Conwy. Sentiu que conseguiu respirar melhor, por mais apertado que seu espartilho estivesse, quando chegou ao outro lado da rua e conseguiu encontrar com Adam.
Eles não se falaram, apenas pegaram um na mão do outro e seguiram rapidamente para dentro do salão.
Samantha estava com um vestido azul bem claro e com o cabelo num coque alto. Adam sabia que o vestido ficaria lindo nela, afinal escolheu pensando em seus olhos. Era o azul da cor do céu desta vez, e, caso houvesse próxima, gostaria que fosse como o mar. Azul combinava extremamente com ela, era surreal. Entretanto, ela não precisava saber disso tudo, pelo menos não naquele momento.
O toque das mãos desnudas, por não quererem usar luvas, surtiu como uma corrente elétrica no corpo de Sam. Todos os dias de conversa caíram por terra, pois nenhuma sensação conseguiria superar a de ser tocada por ele. As observações feitas de todas as partes possíveis do corpo de Adam só atiçaram ainda mais a imaginação dela, uma vez que ela nunca havia feito tantas análises de uma pessoa só num curto período de tempo.
Seu sorriso possuía um dente torto, o qual estimulava a simpatia quando sorria de forma sincera, seu nariz era minimamente torto para a direita, e sua sobrancelha esquerda era falhada bem na parte arqueada, com vários fios arrepiados. O homem em sua frente foi transformado pelos detalhes tão observados, sem nem precisar responder tantas respostas.
Ele a tratava como mulher capaz de falar e ser ouvida; ele a ouvia e pedia para que ela repetisse. Sam não sabia como deveria reagir a todas as sensações que Adam causava nela, pois tudo era uma novidade, mas de uma coisa era certo: ela nunca, nunca mesmo, seria capaz de esquecê-lo.
Foi então que Adam decidiu permitir-se. Não em sua totalidade, mas deixou sua curiosidade, já cheia de respostas, guiarem seus desejos de se aproximar de Sam.
Assim que chegaram à salão, a música começou a tocar. Era Valse-ballet do Erik Satie. Ambos sorriram, os corpos se juntaram e começaram a dançar. A melodia era alegre, então foi divertido num primeiro momento. A diversão ficou de lado quando a seguinte tinha uma pegada completamente diferente.
Os olhos castanhos decidiram que estava na hora de pedir permissão para os azuis. Permissão para que a dança não terminasse naquele salão. Sam conseguiu sentir o pedido, mas se sentiu ansiosa por compreender que ambos queriam o mesmo. Por um instante, era como se os dois estivessem conectados e nada mais importasse naquele salão.
Os violinos dançavam juntos com os cinco casais, no entanto havia uma atenção especial em um único. Não é preciso dizer qual, pois estava óbvio para todos. Não se tratava apenas de uma dança, mas dos primeiros toques de dois recém conhecidos descobrindo o que era se interessar sinceramente por alguém.
Os dedos longos e finos de Adam caminharam pelo tecido que separava o toque de chegar às costas de Sam, fazendo-a segurar o suspiro que possivelmente entregaria sua situação de vulnerabilidade. Ela queria a sensação de ter a pele tocada por ele naquele exato momento.
Por quê? Sam se perguntava. Por que o desejava tanto? O que ele tinha de tão especial que havia se tornado tão necessário em sua existência naquele momento? Não queria que alguém que sua mãe escolhesse fosse quem causaria tantas sensações diferentes em seu corpo. Estava tudo tão quente. Adam a tinha nas palmas da mão e ela não conseguia disfarçar mais.
— Ei, Adam… — Sam sussurrou em seu ouvido — Por que você aceitou que eu fosse sua companheira?
Por mais que não houvesse perguntado, essa pergunta estava martelando sua cabeça desde o primeiro dia de suas conversas.
— Gostaria de saber mesmo? — murmurou de volta, soltando um leve riso por ter sido chamado de Adam. Pensou em falar algo engraçado, mas aparentemente já havia passado da hora de contar a verdade.
Samantha olhou para ele implorando pela verdade.
— Minha doce Sam, fui eu quem te escolhi — respondeu em seu ouvido no exato momento que a última música acabou. — E também consegui fazer com que você me escolhesse, estou certo, caipira?
Ele a chamou de caipira durante uma de suas conversas e deixou Sam completamente possessa, pois Conwy não era interior a este ponto. Entretanto dessa vez o efeito foi ao contrário. Sam o abraçou fortemente para esconder seu rosto, pois estava muito envergonhada.
— Sim… eu também te escolhi, Adam.
Os aplausos pela dança de todos encerrou o baile de gala, mas, dentro da mente dos dois, ainda teriam muita dança pela frente.
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