Azul Meia-noite
3 Whisper
Notas iniciais
–Você não está morta, mas também não está viva. Você é uma garota gelada, Lia-Lia, presa entre dois mundos. Você é um fantasma com um coração que bate. Logo você vai cruzar a fronteira e ficar comigo.
Cassie.
Ela sorri, me estende a mão. Eu a seguro com força. Ou com o que restava dela.
Por um único instante eu consegui me enganar. Mas eu sabia que Cassie esperava por mim. Sempre soube.
Minha amiga-morta, minha morta-amiga, sorria em frente a mim.
Como se enfim me perdoasse por nunca ter atendido sua ligação.
–Dói? — Consegui dizer, quando de repente minha visão se encheu de pontinhos pretos e eu enfim fechei os olhos.
–Não se preocupe — A voz dela me guiava agora — Eu estou com você.
Estou num caixão de vidro. Faz frio e tudo que eu vejo é um azul; um azul-vidro, um azul-nevasca, um azul meia-noite. Aquilo era estranho. E o fim estava demorando demais.
–Lia...?!!
Bem ao longe... um sussurro que tentava alcançar meu caixão, uma voz me chamava.
–Cassie, ouviu isso? — perguntei, ainda de olhos fechados e segurando a mão dela.
–Ignore, estamos quase lá.
Havia fúria e desespero em sua voz.
–Tem alguém me chamando. — Não consegui ficar sem dizer.
–São coisas da sua cabeça.
Ela era coisa da minha cabeça.
Respirei fundo e tossi.
–Posso me sentar, me deitar? Estou cansada, Cassie... — Num sopro de voz minhas palavras sairam.
–Claro. Eu fiz isso também.
E, então, tudo começou a mudar. Pouco a pouco, o cansaço parava meu coração. Era uma sensação tão cálida, tão leve...
A leveza que tantou procurei...
Eu enfim a alcancei.
–Lia, Lia?! Onde você está?!
Era a voz de novo. Mas eu a ignorei.
–Não abra os olhos, não abra os olhos, Lia. — Cassie implora.
(...)
Quando meu coração parou, um minuto tarde demais a porta se abriu. O chão fez barulho e alguém tocou no meu caixão de vidro, tocou em mim.
Gritaram meu nome.
Mas já era tarde demais.
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