Azul
1 Meu amor, ...
Notas iniciais
Meu amor, você sabe que as vezes a vida fica tão azul, as vezes eu choro ouvindo o último disco do the strokes, porque ele é tão suave e tocante, atingindo o lado mais sentimental do meu imenso azul do momento.
As vezes tenho medo do meu estado apático e me esforço para derrubar uma lágrima, para que essa lágrima me lembre que meu coração ainda está lá, ainda está vermelho, vivo e batendo.
Não sei direito o que foi, não deve ter sido por causa das nuvens carregadas e muito menos sua é a culpa, as vezes me sinto assim, azul, porque em parte eu sou azul. Não gosto de ser assim, azul, porque ser azul me dá medo, medo de nunca mais ser feliz, medo de nunca mais viver, medo de nunca mais beijar com emoção, medo de nunca mais chorar de tanto rir ou de tanto sorrir por amor...
Quando estou azul tudo me parece tão frágil, como se a solidão me machucasse e eu não sentisse dor, meu amor, isso me deixa desesperado, essa sensação está me levando ao limite, como se eu pudesse explodir a qualquer momento de pura aflição, de puro azul. Não quero ser apático, quero chorar quando sentir dor, e chorar quando amar, eu quero sorrir de graça, e sorrir de paixão, mas quando estou sozinho, sem ninguém, fico com medo que os nossos momentos tenham sido ilusões minhas, fico assim, azul.
Não deveria, mas tenho raiva de depender tanto dos outros para me sentir vivo, meu amor, é desesperador imaginar que se eu fosse um náufrago, numa ilha distante, me apaixonaria pelo oceano, porque talvez ele fosse tão azul quanto eu vivendo sozinho, numa ilha. Meu amor, eu ficaria tão azul, não me deixe sentir numa ilha, me ame, me ame tanto que eu esteja a um passo de explodir, afinal, explodir de amor, deve ser muito melhor que explodir, pelo desespero de sentir dor, e simplesmente estar azul demais para percebê-la.
Mundo, te peço que não fiques parado, me dê um tapa na cara, me dê tesão, me dê amor, me dê vermelho, desde que me arranque uma lágrima ou sorriso espontâneos, está suficiente, porque assim eu consigo provar para mim mesmo, que eu não sou assim, tão apático, tão azul...
Fale com o autor