Azar
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Azar não tocou no papel por alguns meses, na verdade, a pobre besta amedrontada não fez nada, parou de trabalhar nas barras de ferro de sua cela, não falava, não comia e mal respirava, ele só pensava no velho de aparência estranha e morta e nas questões que ele colocou sobre Azar. E sem continuar entender os próprios pensamento e visões, Azar a besta amedrontada foi dormir sobre questionamentos e com a imagem do velho de aparência estranha e morta em sua mente. O tempo passa e Azar parado em pé no mesmo lugar que estava começou a ver e admirar a sua bela construção, a sua cela, uma obra de uma vida que trouxe um lugar de segurança, com barra tão forte e grosas que nada poderia passar – que bela construção – pensou orgulhosamente Azar – Como?! – exclamou ao perceber algo de estranho em sua cela – Não estava assim, quem mudou a minha obra? – gritou com raiva para toda Nome A. da Mente, um grito em vão, pois ninguém escutou. Rapidamente ao perceber que a cela estava menor Azar começou a reforçar mais uma vez a sua obra – Pronto! – falou em voz alta e com um ar de orgulho – Agora quero ver alguém... – Azar ficou sem palavras ao se deparar com um homem dentro da sua prisão. Desespero era o que Azar sentia ao ver um homem careca com uma barba por fazer, uma pele pálida fúnebre e usando terno cinza claro, que sentado olhava para o chão e com uma voz fina cantarolava inaudivelmente uma canção de ninar que ressoava melancolicamente pelas barras da cela. Azar aos poucos foi se recompondo e disse tremendo de ansiedade apontando o dedo para o invasor – Você! Como você entrou aqui? Não me importar! Mas você vai sair daqui agora! Saia! Você não pertence a esse lugar! – Azar sem pensar muito avançou com o martelo em sua mão esquerda para cima do homem careca, e com a mão livre puxou o homem careca de pele pálida fúnebre pelo pescoço já preparando o golpe que o deixaria em paz, mas quando iria acerta o homem careca de pele pálida e fúnebre o Azar parou. Instantaneamente Azar jogou o corpo para traz chocando se contra as barras da cela, pois seu corpo tomado pelo medo primitivo de fuga não conseguiu se conter ao ver que o invasor da sua aconchegante cela não possuía olhos, só dois poços negros como petróleo que pareciam estar absorvendo toda a luz da cela. Lagrimas negras escorriam pelo rosto e desciam ate o pescoço do homem careca de pele pálida fúnebre, que em contraste com a pele pálida e fúnebre do homem careca criavam um rosto cheio de rachaduras, um rosto rachado e depressivo. E agora aquele rosto estava encarando a pobre besta amedrontada, que estava acuada contra as barras da cela, fazendo com que a besta desejasse pela primeira vez estar fora da magnifica construção que ele mesmo construiu. E com um sussurro agonizante o homem de rosto rachado falou – Azar besta medíocre – o homem levantou lentamente e começou a caminha em direção do Azar – finalmente te encontrei, mesmo tendo me abandonado há muito tempo, você não achou que trancado aqui ficaria longe de mim, sendo que foi graças a mim, o desespero, que você fez essa cela maldita – e o homem careca de pele pálida e fúnebre agachou na frente da besta amedrontada e o cheiro que exalava dos dois poços negros fez com que o nariz da besta adormecesse, e o homem careca continuo – e dessa vez, besta medíocre, não vai ter prisão que ira manter você longe desse pesadelo – E desesperado Azar acordou, olhando freneticamente para todos os lados procurando o homem careca de pele pálida fúnebre, não encontrando nada além de escuridão dentro da cela. Azar levantou do chão e começou a andar em círculos por toda a cela, pensando em tudo que estava passando ali dentro e revendo que agora dentro da Nome A. da Mente ele não estava mais seguro. Em um desespero profundo Azar começou a falar consigo mesmo, mas em forma de sussurros – Não, não, não e não. Aqui... Aqui é seguro sim, muito seguro e não tem por que sair daqui de dentro Azar – sussurrou Azar tentando ter um pouco de razão ele completou seu pensamento – Você construiu esta prisão Azar, você sabe que não tem ninguém aqui, só você... Só você – Azar sem entender nada, começou a escutar pequenas risadas vindas de todos os cantos da cela, formando um turbilhão de pequenas gargalhas deixando-o tonto e o fazendo cair de joelhos no chão emitindo um grito – SAIAM! – um soco de raiva foi desferido contra o chão – SAIAM! – e mais outro soco foi dado contra o chão, e essa sequencia se seguiu, um grito de raiva desesperada e um soco. Horas se passaram e com elas as risadas. E nesse tempo suor se tornou sangue, pele se tornou carne e o chão acinzentado da cela se tornou rubro. Então Azar, entorpecido de dor de tanto esmurrar o chão, não acreditando que a sua vida se manteria presa naquela fantasmagórica prisão e finalmente entendendo que ali, na Nome A. da Mente, ele não estava sozinho e abandonado como ansiava desde o primeiro momento que ele começou a construi-la. Algo mais estava lá espreitando cada movimento dele e rindo. Lagrimas vieram aos olhos de Azar, não negras como as do homem careca de pele pálida fúnebre que apareceu em seu sonho, mas sim lagrimas de desespero, frias e sem gosto. A pobre besta amedrontada se deitou no chão coberto por cima da fina camada de sangue que cobria o chão da cela. O choro de Azar correu pelos corredores da prisão, um som abafado e continuo de soluços atrás de soluços, o choro continuava, criando um som fantasmagórico de pigarros que ecoava por toda a prisão e, por um momento, o desespero de Azar criou vida na prisão. Horas se passaram e Azar continuou lá chorando e sem fazer nenhum movimento, parecendo uma grande besta que acabou de ser abatida, depois de ficar dias fugindo para salvar a própria vida de um incansável caçador.
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