Ayesha Loveless

11 Capítulo 10 Pergunta para o panda em seu sutiã


Notas iniciais
OI!
*aceno*

Sem camisa. Abraço. Eu. Sun.

Senti algo passar na minha perna.

Ra-to.

- Raaaaaaaaaaaaaaaato!!!!!!!!!!!!! — gritei já dando um salto mortal pra entrada da caverna.

- O que foi? — um Sun completamente assustado gritou levantando aos pulos.

- Um rato. Passou. Minha perna. — disse entre arfadas, completando logo em seguida vendo que ao lado do Sun, bem perto de onde eu estava tinha uma poça amarelada. Xixi de rato? — Argh!

Perto da poça havia um amontoadinho de tecido. Não era da cor da minha camisa que... Aí me lembrei.

O Sun ficava me encarando. Não exatamente na cara, mas um pouco mais embaixo. Não posso dizer que ele olhava com olhar malicioso, por que nem seios eu tenho, mas... Aquele olhar era de quê?

Tentando decifrar o olhar me veio de novo a cabeça: Sem camisa. E não era mais noite.

Sentei no chão rapidamente e abracei minhas próprias pernas.

- Sem camisa. Sem camisa. Sem... — comecei a falar inconscientemente sussurrando parecendo uma lunática.

- Calma... — disse Sun voltando de sei lá onde ele estava. — Toma aqui sua... — ele pegou minha camiseta e jogou de novo no chão. — Acho que você não vai mais querer usa-la.

- Sem camisa. Sem camisa. Sem... O que? Por que não? — indaguei com uma cara de "Duh" abrindo meus braços, o que fez ele visitar aquele lugar desconhecido de novo, me fazendo me tocar (de novo): — Sem camisa. Sem camisa. Sem camisa. — eu parecia um bebê assustado que acabou de descobrir que aquela boneca de cera/robô do museu não era uma boneca de cera/robô. Era uma mulher que trabalhava no museu com soluços. Acredite, eu sei do que to falando.

Ele balançou a cabeça voltando a terra e avisou:

- Sua camisa não é mais uma... uh, camisa. — ele chutou com a pontinha do tênis surrado mostrando o ninho de rato que se formara em minha camiseta.

- Que budega! Minha camisa preferida! — gritei me levantando xingando mentalmente os ratos malditos.

E o Sun foi até a Lua novamente.

- Cara, se você continuar a ir até a Lua, vou fazer você conhecer Mercúrio!! — gritei balançando os braços. Tava furiosa demais com os ratos para ter traumas de "sem camisa".

Juro que dessa vez, vi um rápido sorriso malicioso. O que tem em Mercúrio além de muito calor e ferveção? Ah. Agora entendi.

- Certo, vamos ter que achar um outro caminho para voltarmos até o pessoal. E não pode ser o mesmo. Não vou aguentar sua banha naquele riacho novamente. — disse Sun com um sorriso brincando nos lábios.

Mostrei minha linda lingua pra ele e disse:

- Então vamos. — já estava saindo da caverna quando ele me interrompe.

- Assim?

- Assim o que? — perguntei já torrando minha paciência.

- Você vai... Hã... assim? Aí fora?

- Quer que eu vá como? Não tenho culpa de estar sem camisa. — disse.

- Na verdade tem sim. Você que quis tirar sua camiseta. — ele disse com uma cara de brincalhão.

- Sério? — sorri. — Mas você também está sem camisa! — ele argumentou que ele era menino, e eu, como menina, não podia exibir meu sutiã preto com um panda no seio esquerdo. — Você já viu o panda, que mal faz os outros verem?

- Ma-mas... Eu... Você não pode sair assim! — ele estava vermelho? De raiva? Por causa de um panda? Mas pandas são gordos!!

- Você pode ver e os outros não? — indaguei com uma sobrancelha arqueada.

Como fui a vencedora do debate " Exposição de pandas" — apesar de não estar expondo bem um panda, mas ok — ele abaixou a cabeça e me seguiu para fora da caverna.

- Para onde vamos agora? — perguntei olhando para todas as direções.

- Pergunta para o panda em seu seio esquerdo. — Cara, nessas horas um tapa é bem vindo. — AI! — ele gritou quando houve o impacto de minha mão direita no lado esquerdo de sua face. — O que foi isso?

- Minha mão direita foi conhecer sua face esquerda. Para de besteira e esquece esse panda que está no lado es... — olhei para baixo e conferir. Realmente era no lado esquerdo. — Pra que você foi reparar em que lado o panda tá? Se não gosta tanto assim para de olhar para ele! — indignada sai andando a passos pesados sem rumo.

- Pera, calma! Desculpa! — ele correu e ficou em minha frente. Cruzei os braços esperando ele dizer algo. — É que o panda é bonitinho. — ele sorriu timidamente. Cara, esse foi o algo que esperei? Dei meia volta e me afastei dele ainda indignada. Ele me alcançou e ficou em minha frente de novo. — Certo. Foi mal. Só me desculpa e vamos parar de falar sobre seu panda, pelo amor da minha pura vergonha que estou sentindo.

Soltei uma risada abafada e um "tanto faz". Ele suspirou

- Certo. Aonde estava aquele riacho assassino, o culpado de ter feito você conhecer meu panda mais cedo? — perguntei.

Ele sorriu.

- Mais cedo? Eu ia ser apresentado ao panda algum dia? — vi outro sorriso malicioso em seu rosto.

- Hã... — eu tinha falado mais cedo? — Cadê o riacho?

Ele sorriu novamente e disse:

- Me siga.

Fomos contornando alguns troncos e poços de lama e enfim chegamos até o culpado de tudo.

- Riacho maldito. — sussurrei. — Bem, e agora?

- Vamos tentar seguir o lado do riacho. Quem sabe conseguimos voltar ao outro lado e voltarmos para a civilizações.

- As civilizações onde meu panda não é questionado. — sussurrei, mas acho que ele ouviu pois soutou uma risada.

- As civilizações vão questionar mais do que eu, acredite.

- Tá, né.

E começamos a seguir pela beirada do riacho até que eu não aguentava mais dar um passo.

- Urf. Urf. O... panda... não... con-se-gue... se-guir... em... frente. — soltei entre arfadas me jogando ao chão..

- Sei. O panda. — o Sun sorrindo sentou ao meu lado. Ele pegou um pouco da aguá e bebeu. — Quer um pouco? — ofereceu a mão em forma de concha com água dentro.

Enfiei a cara no riacho como resposta, desesperadamente.

Sun gargalhava do meu desespero até que parei de ouvir suas risadas. Levantei a cabeça da água e encarei a pessoa do outro lado do riacho que nos encarava.

- Nossa, Ayesha. Amei o look. — disse o safado do Potter, me deixando completamente vermelha.

- Vai se lascar. — disse Sun asperamente.

- Achei eles! — ele gritou para alguém atrás de si. — Pensava que estavam se matando. Não se odiavam?

- Não. — Sun disse ao mesmo tempo que eu respondi:

- Sim.

Acho que deixei Sun chocado, mas não tão chocado quanto o Daniels e o Franck que me viram assim que chegaram.

- Ayesha. Sem. Cami... — o Franck desmaiou? Baitola. Por causa de um panda que nem 'recheio' tinha?

Daniels só ficou vermelho.

- Aff. — revirei os olhos juntamente com o Sun.

Então chegou minha avó com... a diretora?!

- Ayesha e Sun. O que está acontecendo aqui?! — gritou a diretora que atrás de si tinha todos os alunos da nossa sala. Todos cochichando e alguns com sorrisos maliciosos na cara e apontando pro meu panda. Tirando outras que me xingavam com nojo. Ignorei, ninguém da turma gostava mais de mim mesmo. Só três pessoas não cochichavam: Reddon e Danry, apenas me olhavam com um olhar incessavel, e havia o Leandro mais conhecido como Potter. Ele sorria vitorioso para ninguém em especial. — Eu perguntei o que está acontecendo aqui?!! — ela já estava vermelha.

- Pergunta pro panda que está no sutiã dela. — Sun disse seco.