Ayesha Loveless
3 Capítulo 2 Welcome to the family
Notas iniciais
Na primeira vez, minha mãe tira o computador de mim antes de eu salvar essa história! Aí eu tive que escrever o capítulo DENOVO!
Na segunda, uma bibliotecaria/vaca da minha escola me expulsou porque o que eu estava fazendo "não era trabalho escolar"... Nhé.
Bem, ai está o capítulo e espero que gostem, pois como vocês viram: deu trabalho.
Estava comendo meu segundo cone de Pringgles de creme de cebola. O carro fedia ao maravilhoso cheiro das minhas batatinhas preferidas.
Assim que sai do portão, o local onde conhecera meu mais novo colega Solzinho, fui até o carro de minha avó. Logo depois ela chegou e perguntou:
– Isso é um sim para a minha carona?
– Isso é minha vontade por batatinhas.
Ela sorriu e mandou-me entrar no carro. Na ida até minha casa, paramos no supermercado e compramos três cones de Pringgles, meus preferidos.
No meio do caminho, havia em algum momento mencionado a minha mãe – nem me lembro mais o porque – e me arrependi. Minha avó parou o carro de repente e falou gritando:
– Não fale dela!
Não sabia o que fazer. Eu tentava ao máximo não tocar no assunto proibido com qualquer um, mas de vez em quando saia sem aviso prévio. Olhei para ela com um olhar pedindo desculpas. Eu odiava pedir desculpas em voz alta. E minha avó sabia disso.
– Welcome to the family, my girl. – minha avó disse sua forma de “tudo bem”. Sim, nossa família não sabia muito bem agir com civilidade. Nesse momento, o mp3 de minha avó começou a tocar Welcome To The Family do Avenged Sevenfold. Sim, minha avó ouve A7X, problem?
O resto do caminho seguiu-se em silêncio.
Morávamos longe da cidade. Era num entorno mais no interior, algo estranho para um legítimo empresário como meu pai, mas a casa era a única coisa que meu pai aceitou de lembrança da minha mãe. Era um grande terreno com três casas, a maior a minha, a média a da minha avó e a pequena, bem, não sabia ao certo. O terreno foi comprado pelo meu avô que nunca conheci e fez a casa maior para ele, a média para a minha avó – a qual ele nunca se casou – e a menor para os futuros filhos. Por esse motivo, minha avó rompeu tudo, ficando com o terreno e a filha que surgiu logo depois.
Minha avó estacionou o carro e foi junto comigo até a casa onde naquele momento meu pai estaria trabalhando. Entramos na casa e encontramos meu pai na cozinha. Notebook aberto e papelada por toda a mesa. Sem surpresas. Minha avó fingiu uma tosse forçando os olhos de meu pai saírem da tela do pequeno computador móvel.
– Olá, Sra. Schulz. Ayesha.
Percebendo o clima pesado na cozinha, minha avó se despede e nos deixa sozinhos. Meu pai volta os olhos para o notebook. E aquilo me fez ter fúria. Peguei uma maçã na cesta no meio dos papéis em cima da mesa. Mordi um pedaço e falei:
– Hoje foi meu primeiro dia de aula.
– Pois é, minha filha. – seus olhos não se movimentaram. Apenas seus dedos continuaram digitando. Mordi mais um pedaço.
– Eu nem participei das aulas. Fui barrada em todas elas.
– Que divertido, filha.
– Vandalizei a escola não usando o uniforme e nem levei a mochila.
– Bastante legal.
Mordi outro pedaço, dessa vez mais furiosa que já estava e rugi:
– Sabe da novidade, paizinho? – silêncio. Minha fúria subia. Continuei: — Eu estou grávida, sabia?
Ele moveu os olhos da tela até minha direção. Pensei que finalmente tinha chamado sua atenção. Estava errada. Ele apenas pegou um bloco de papel e começou a observar cada folha.
– Interessante... – não poderia dizer se era sobre meu comentário mentiroso de repente ou sobre a papelada que ele observava.
– Sabe quem me comeu? Um drogado que me fez usar a tal droga e me estuprou. – fui ignorada. Acrescentei mais fatos a minha história fictícia: — E ontem, por vingança, eu matei o cara.
– Muito legal, filha.
Aquilo foi o cumulo. Joguei a maçã na pia fazendo um grande estrondo do impacto contra o alumínio que a revestia. Meu pai virou o rosto até a pia e logo depois voltou para seu querido trabalho. Bufei, enraivecida.
– Achou por acaso outra esposa e uma filha nova no meio desses papéis, meu pai? – disse sombria. Talvez ele nem tenha ouvido. Dei meia volta e subi as escadas até meu quarto que era o sótão, pulando a cada dois degraus.
Tirei os coturnos, soltei meu cabelo e fui tomar um banho. Fiquei bastante tempo esperando a água que escorria pelo meu corpo levasse junto toda a minha tensão. Foi em vão. Lavei meus cabelos que quando soltos e molhados chegavam até o meu peito. Sai do banho e fui até meu guarda-roupa. Olhei pelas minhas roupas e peguei um short verde claro e uma blusa azul de estrelas. Coloquei por cima uma blusa xadrez amarelo e preto aberta. Me olhei no espelho. Comecei a pensar: qual seria o meu estilo?
Poderia ser funky, afinal minhas blusas todas tinham todo tipo de estampa (menos estampa de animais. Eca.) e cores ou eram completamente pretas. Partes de baixo que não fossem coloridas só tinha três: duas saias pretas e um jeans caso a parte de cima ficasse colorida até demais.
Mas poderia ser rock. Só vivia de coturnos nos pés e sabia maneirar entre o colorido e preto. Se alguém me chamasse de Restart levaria um belo de um soco na boca.
Enquanto tentava achar um nome para o estilo estranho que tenho e amarrava meu cabelo de lado, meu telefone tocava. Eu ignorava, só podia ser a Danry. Eu ligaria para ela depois, minha mente estava muito concentrada entre qual nome dar ao meu estilo: funck ou roky? Ou fuck ou ronky? O meu celular continuava a apitar. Assim que decidi chamar de funky’n’roll style – melhor que as outras opções, não é? – fui procurar meu celular. Sabe onde estava? De baixo da cama.
Olhei a tela. Não era Danry. Era Daniels. Atendi sem muita emoção:
– Diga, manolo.
– E aí, Ayesha? Sentimos sua falta na aula. Eu e Franck colocamos chiclete no cabelo daquela menina que você odeia, a Sophie, foi hilário. E também teve um que o novato deu ideia, foi muito engr-
– Que novato? – atrapalhei o afobado de Daniels. O senhor gringo do Sol fazendo pegadinhas com o MEU grupo de amigos nerds/bagunceiros? Isso já era demais.
– Ah. É o Leandro. Ele parece muito com a gente, digo, os meninos. Acho que você vai gostar. Mas isso, vamos descobrir hoje. – aliviei-me ao saber que não havia qualquer sol no meio. Mas me impressionei com a ultima palavra dita.
– Hoje? – perguntei mostrando meu embabascamento.
– Estamos aqui em frente, manola.
Olhei pela janela do meu quarto/sótão. Lá estava eles: Daniels e Franck – meus melhores amigos – e junto Guto, Nicholas, Jonathan e um outro ser baixinho, louro e de óculos estilo Harry Potter. Deveria ser o tal de Leandro.
Desci até as escadas e fui falar com eles em frente de casa.
– E aí, povo?
– Fala, Ayesha. – disse todos em coro, menos o tal Leandro.
– Esse é o tal Leandro?
– Sou sim. Prazer te conhecer, Ayesha. Todos falaram muito bem de você. – ele disse de cabeça baixa e educadamente. Os outros seguravam o riso. Ele estaria com medo de mim?
– Calma, Potter. Eu lato, mas não mordo. – rio. – Posso te chamar de Potter, não posso? Seus óculos...
– Pode sim. – disse ele dando de ombros, mais calmo. – Viemos te chamar para um lugar que vamos. Você pode, não pode? Ou tem que pedir para sua mamãe?
Era para ser brincadeira, mas ele fez a brincadeira errada. Os outros prenderam a respiração. Olhei para meus pés nus e sussurrei alto o bastante para ele ouvir, com voz sombria:
– Eu não tenho mãe.
Silêncio. Levanto a cabeça e vejo um Leandro sem reações, tentando – sem sucesso – pedir desculpas. Sorrio e digo, da mesma forma que a minha avó.
– Welcome to the family, my new friend. – Leandro sorriu com a última palavra.
Chamei eles para dentro de casa e fui até o sótão. Coloquei meus coturnos e desci até a cozinha, onde estava todos os outros daquela casa. Meu pai digitando e meus amigos desconfortavelmente silenciosos.
– Pai, estou... – pensei por um tempo na desculpa. – Estou indo fazer um trabalho. Volto lá pras...
– Meia-noite? – sugere Potter.
–Meia-noite. – afirmo. Sei que é uma desculpa horrível dizer que vou fazer um trabalho em primeiro dia de aula, mas meu pai nem ligou mesmo.
– Certo, filha. Papai está trabalhando. – olhei para os meus amigos que se encontravam embasbacados com a cena. Sim, meu pai estava nem aí para onde eu ia ou quando voltava.
Andei até eles e sussurrei no meio de todos, para que todos pudessem ouvir:
– Welcome to my family...
Com essas ultimas palavras, fomos todos nós para um carro branco e pequeno para as seis pessoas ali presentes. Então foi aí que me toquei:
– Quem vai dirigir? Para onde vamos? – éramos apenas garotos de 16 anos do segundo ano do ensino médio no interior de São Paulo saindo de carro e voltaríamos provavelmente só meia-noite! Certo, eu tava nem aí sobre isso. Só queria saber mesmo.
Potter levanta as chaves e as balança como resposta.
– Mas para onde vamos, você só descobrirá quando chegarmos.
Notas finais
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Pai legal o da Ayesha, não? ¬¬
O que estão achando?
Agora quero que me respondam: Para onde vocês acham que eles vão? Quem/o que eles vão achar lá? O que farão lá?
Deixem seus reviews, please, preciso saber se tá bom ou se tá uma merda virtual e devo emfiar minha cabeça no chão e apagar a fic!
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