Awkward

5 Histórias, nossas histórias


Notas iniciais
Oieeeeeeeee! LEIAM AQUI, É MUITO IMPORTANTE! Enfim, eu não postei antes porque esse capítulo foi difícil de escrever. Eu queria que ele fosse mais especial. Espero ter conseguido fazer isso. E PS: Para quem nunca leu a culpa é das estrelas, do John Green, aqui nesse capítulo está contando um GRANDE, GRANDE spoiler, então pense bem antes de ler essa parte. Enfim, boa leitura ^^

Aparentemente, o mundo não é uma fábrica de realização de desejos. Você está certo, Augustos. O mundo realmente não é uma fábrica de realização de desejos. Caso fosse, eu não estaria aqui agora, em pé num aeroporto com muitas, muitas pessoas, esperando parentes desconhecidos de Suzanne, que passariam o Natal conosco.

Papai me obrigara a ir. Ele disse que eu precisava sair um pouco, afinal, desde que eu chegara no Arizona, eu não me divertia. Acho que isso era um tanto óbvio, afinal. Eu não conhecia ninguém ali, e a diversão se tornava um pouco difícil em uma situação daquelas. Nas semanas que se passaram, tentei conhecei gente nova, de verdade, mas eu não me sentia bem conversando com ninguém. A verdade é que as pessoas não se sentiam legais conversando comigo. O único bom lugar que eu realmente gostava de ir eram os Cultos na Igreja aos domingos.

– Ei, pai — sussurrei para ele — Posso comprar um sorvete?

– Agora não, Georgia — ele balançava a cabeça, parecendo procurar alguém — Eles já estão chegando. Espere mais alguns minutos até estarmos em casa, tudo bem?

Bufei. Eu estava impaciente de estar ali, no meio de milhares de rostos cansados e esgotados. Como seriam os parentes de Suzanne? Talvez eles fossem animados como ela. Não precisei esperar muito para saber. Algumas pessoas vieram sorrindo em nossa direção, e Suzanne correu para abraça-los. Não eram muitos, mas também não eram poucos. Primeiramente, Suzanne abraçou a um casal que se parecia muito com ela — provavelmente, seus pais. Haviam algumas crianças com a idade entre oito e doze anos. E havia um adolescente ali.

– Georgia — Suzanne começou a me apresentar seus familiares, até que chegou no garoto — E esse é Will. Ele é apenas um ano mais velho que você, então acho que se darão bem — Will sorriu.

Ele não parecia envergonhado de me encarar — algo que a maioria das pessoas ficaria. Ele apenas sorria. Will parecia ser um tipico garoto do Texas — apesar de que não saber o que eles fazem lá. Ele era um pouco mais alto que eu — embora isso não importasse muito. Seu cabelo estava arrumado em um pequeno topete, que dava um certo charme a ele. Seus olhos eram de um tom castanho claro, como o mel. Eram bonitos. Ele era bonito. Certo, o que eu estava falando?

– Georgia está muito feliz por conhecer vocês — disse meu pai, fazendo-me olhar para ele. Eu não conhecia ninguém ali. Não sabia o nome de nenhum deles, nem havia olhado para algum deles, a não ser Will — Alguns de vocês irão no carro conosco. Georgia acompanhará o resto no ônibus.

Ouvir aquilo havia sido como um tapa na cara. Não que eu não gostasse de andar de ônibus — na verdade, acho que ninguém gosta disso, mas o problema é que eu teria que ajudar aquelas pessoas com suas malas pesadas e chiliques passageiros, e eu não queria isso agora.

– Pai... — fechei os olhos para respirar fundo.

– Eu sei, eu devia ter avisado antes, mas... — ele colocou as mãos em meus ombros — É apenas uma pequena viagem de ônibus que durará quinze minutos.Nada demais.

– Nada demais? Pai, eu nem conheço essas pessoas. Não quero ir.

Mas ele me olhou com aquele olhar, e eu sabia que deveria obedece-lo. Pelo menos eu tinha um bom livro ali comigo. Eu apenas abriria o livro, colocaria os fones de ouvido e encostaria a cabeça na janela, imaginando que nada daquilo seria real. Mas aquilo parecia ser real. Eu havia ficado com os sobrinhos, e a maioria eram crianças que não sabiam ouvir não. Elas conversam alto demais, fazendo com que as pessoas olhassem para elas. Tentei ignorar isso, abrindo nas páginas de a culpa é das estrelas.

– Pelo visto, você ainda não sabe o que acontece no final — Will sentou ao meu lado, com o olhar focado no livro e um sorriso estampado pelo rosto — Talvez seja melhor você não saber. É triste demais.

– Você já leu esse livro? — olhei para ele, espantada.

– Sim, há algumas semanas — ele viu minha expressão, e riu — Não, eu não sou gay.

– Gay? Por que você seria gay?

– Muitas pessoas pensam que sou gay porque li um livro de romance. Sei lá, às vezes parece ser verdade pra elas.

– Não é. Por que você seria gay apenas porque leu um livro de romance? Não vejo sentido nisso. Acho que não deveria ligar para a opinião das pessoas, afinal, a vida é sua.

Ele olhou para mim, e sorriu.

– Sou Will. Tenho dezessete anos, estou no último ano do colegial e é isso que tenho para falar de mim no momento. E você?

– Bem, não tenho muitas coisas para falar sobre mim. Não sou um livro aberto — abracei o livro com força — Mas me chamo Georgia, tenho dezesseis anos e estou no segundo ano — não acrescentei colegial. Eu estudava em casa, afinal — E, bem, gosto de ler.

– Vai ser um prazer conversar com você sobre livros — sorrimos — Principalmente no final desse livro, na qual o Gus morre. Acho que estou em choque até agora e ... — ele havia percebido o que disse — Ops, acho que...

Ele havia me passado o maior spoiler da história toda. O Gus morre no final do livro, assim, do nada? Ele e Hazel não ficam juntos? Como isso pode acontecer? Acho que a vida não é assim, tão fácil.

– O Gus o quê?

– Desculpe, eu não deveria ter falado — ele abaixou a cabeça — Não consigo me controlar em relação a isso. Desculpe.

– Está... Tudo bem — se fosse em outra situação, aposto que eu teria socado a pessoa, mas eu não havia feito o mesmo com ele. Ele havia acabado de me falar algo completamente importante, e eu estava aqui, sentada ao seu lado, sorrindo e sentindo um pequeno nervoso diferente. Certo, essa não era eu, definitivamente.

Notas finais
Reviews? ;))