Awkward
14 Encontro, passeio, ou seja lá o que for
Notas iniciais
Will havia preparado tudo. O lugar, a mesa, a vista pela janela... Absolutamente, tudo. Meu pai havia achado a história toda um pouco rápido demais. Para ele, as pessoas deveriam saber tudo uma sobre a outra para terem um encontro. Contei para ele que, basicamente, um encontro servia para que o casal se conhecesse melhor. Para que ele deixasse, tive que garantir que voltaríamos para casa assim que pagássemos a conta.
– Não demorem muito — disse ele, olhando fixamente nos olhos de Will — Cheguem ao máximo até as 22h00.
– 22h00? — Suzanne retrucou? — Por favor, querido, ainda são 21h14. Até eles chegarem e começarem a comer já serão 22h00. Demorem o tempo que quiserem. Quer dizer... Podem passar até pouco mais de 00h00.
Pela primeira vez, sorri para Suzanne. Bem lá no fundo, ela era uma pessoa legal. Meu pai apenas bufou alto, para que ficasse claro que ele não concordava com aquilo.
– O que quer ouvir? — Will perguntou, quando estávamos no carro do meu pai, que, surpreendentemente, ele havia emprestado para nós — Tenho algumas músicas legais no meu CD.
– Pode colocar qualquer coisa.
Ele sorriu e colocou Gravity, do John Mayer. Confesso que essa música era muito romântica. Não era o tipo de música para duas pessoas que estavam tendo um encontro sem nem ao menos dar um primeiro beijo entre ambas. Era um tanto... Esquisito. Costumo considerar essa música como tema de um jantar romântico, seguido por um primeiro beijo entre o casal.
O restaurante era grande, e estava cheio. Haviam casais, casais com filhos, e mais casais. O lugar era como um encontro de casais. Para que isso parecesse totalmente verdade, bastava que o nome fosse ‘encontro de casais’.
– Primeiro as damas – diz Will, abrindo a porta do carro para mim.
Entramos em uma pequena fila de espera, onde um casal que aparentavam ter quinze anos cada um se beijava loucamente, como se o fim do mundo estivesse próximo. Will também os encarava, e olhou para mim com uma expressão divertida. Nossa mesa ficava em um canto reservado. Mesa para dois. O cardápio tinha diversos pratos variados. Escolhi algo novo, que eu nunca havia comigo – nem ouvido falar.
– Então – disse Will, sorrindo – Essa noite é nossa.
– É, acho que sim – concordei, retribuindo seu sorriso – Como descobriu esse lugar se você vem aqui uma vez por ano?
– Pedi ajuda a Suzanne. Esse é o restaurante preferido dela.
Suzanne parecia estar querendo nos ajudar, e eu deveria agrade-la depois por isso.
– Acho que não temos tanto para conversar agora – disse eu – Já sabemos praticamente tudo um sobre o outro. Eu acho.
Ele sorriu, concordando com a cabeça.
– Porque você sorri tanto? – perguntei, mas me arrependi no mesmo instante.
– Porque gosto de estar feliz. Gosto de mostrar para as pessoas que elas também podem ser felizes.
E essa foi a minha vez de sorrir.
Conversamos um pouco mais sobre coisas que eu nunca havia pensado. Conversamos sobre como o aquecimento global estava acabando com o planeta; sobre os diversos tipos de maquiagem que garotas de doze anos usam para ir à escola; sobre o casal que aparentava ter quinze anos cada um e seu grande beijo de cinema. Até que uma música lenta começou a tocar.
– Home? – era uma musica do Philip Phillips. Ela não era muito dançante, mas valia o momento – Por favor, precisamos dançar essa musica.
– Não, não, não – disse Will, encolhendo-se na mesa – Não sei dançar.
– Por favor, Will!
Ele suspirou e se levantou. Nenhum casal dançava, mas eu não me importei. Eu queria apenas aproveitar o momento. Will se aproximou, colocando suas mãos em minha cintura. Coloquei meus braços em volta de seu pescoço e, sem medo ou vergonha, comecei a encará-lo, sorrindo. Esta era a primeira vez que eu olhava desse jeito para ele. Seu lábio formou um pequeno sorriso torto ao olhar para mim. E ele começou a se aproximar, olhando fixamente em meus olhos. Seus olhos castanhos pareciam estar brilhantes, perguntando-se se aquilo era seguro. Nossos lábios estavam muito próximos.
E então, a música acabou. Naquele momento, era como se tivéssemos voltado para a realidade, de uma hora para a outra. Algumas pessoas olhavam para nós, e o casal de quinze anos ainda se beijava, mas dessa vez, eles estavam na pista de dança.
Não conversamos durante o caminho de volta para casa. Chegamos 00h21. Papai nos esperava, assistindo a um programa na televisão sobre peixes. Ele estava dormindo, na verdade. Fui até seu quarto, peguei uma coberta e o enrolei. Alguns cabelos brancos estavam a mostra. Pois é, o tempo estava passando.
– Foi uma noite legal – disse Will, deitando-se em seu colchão – Podemos fazer isso mais vezes.
– É, podemos – mas ele iria embora na noite de ano – novo, e tudo aquilo podia acabar – Boa – noite.
E foi naquele momento que percebe que ele estava prestes a voltar para casa, e tudo aquilo acabaria em um simples ponto final.
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