Awkward
23 Acontecimentos
Notas iniciais
Alguma coisa estava acontecendo ali. Um casamento, talvez? Não, ninguém tinha motivos para se casar tão repentinamente. Mas e se Will e Chloe estivessem prestes a se casar? Isso também não seria possível. Os dois tinham apenas dezessete anos, uma vida inteira pela frente. Porque se casariam agora?
Eu mesma queria tirar minhas próprias conclusões. Marchei em direção ao quarto de Will, e fiquei parada em frente a porta, tentando arrumar pelo menos um pingo de coragem para falar com ele. Antes que eu pudesse realmente bater, ele abriu a porta e deu um passo para trás, se assustando comigo parada ali, sem reação.
– Oi... – sussurrei.
– O que você está fazendo aqui? – perguntou ele, grosso.
– Preciso saber.
– Saber o quê? – obviamente, eu não estava facilitando as coisas. – Eu é que preciso saber. Falando sério, qual é a sua?
Aquele palavreado era novo para ele. Eu nunca o vira falar daquele jeito antes.
– Porque todo esse alvoroço? – perguntei, finalmente. – Porque todos estão na maior correria?
– Porque quer saber?
– Porque eu quero saber, simplesmente isso – respondi. – Apenas você pode saber das coisas agora?
Ele suspirou.
– Estamos indo ao NOSSO baile de formatura. Chloe e eu. Como um casal.
Aquilo foi como um soco na barriga. Ele falou de um jeito tão duro que tive que ficar quieta. Era como se ele quisesse que eu soubesse que eles eram um casal e eu não era nada. Apenas um nada.
– Eu... – tentei dizer algo. Não consegui. Apenas virei em direção ao meu quarto com passos firmes.
Eu não queria ficar sozinha trancada no quarto por mais três horas. Eu queria conversar com alguém. Eu queria desabafar sobre tudo o que estava acontecendo, e meu pai era a pessoa ideal para isso.
Bati na porta de seu quarto. Ninguém atendeu. Bati novamente. Nada. Bati mais uma vez. Dessa vez, ouvi passos dentro do quarto.
Quando ele abriu a porta, chegou a cair para trás.
– Georgia? – disse ele
Eu o abracei rapidamente, pulando em seu pescoço. Ele não teve nenhuma reação. Apenas ficou ali, parado, esperando alguma coisa vinda de mim.
– Preciso de você, pai. Preciso mesmo. Tudo está dando errado na minha vida. E é tudo culpa minha. Fui eu quem causou tudo isso – falei, ainda agarrada em seu pescoço. – Eu sinto muito por tudo o que disse ontem. Não foi por intenção. Eu apenas falei. Coloquei para fora tudo o que sentia em relação a tudo, principalmente a você.
Ele finalmente me abraçou.
– Não quero que as coisas continuem assim. Quero poder sorrir novamente, poder contar para você tudo o que fiz no meu dia, assim como eu fazia quando tinha sete anos. Quero que me conte histórias para dormir, me dê um beijo de boa noite e que, nos dias mais chuvosos, você se deite ao meu lado e me abrace o mais forte que conseguir. Eu só quero meu bom e velho pai de volta novamente.
Ele me abraçou o mais forte que pôde, demonstrando que era isso que queria ser. Meu bom e velho pai, que me levava até a escola, lia histórias de princesas antes de dormir e dançava comigo pela sala, deixando minha mãe furiosa com a bagunça que fazíamos no tapete.
– Sinto muito – sussurrou ele e, para mim, essas duas pequenas palavras bastaram para que meu dia ficasse completo.
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