Aways be here for you - FINALIZADA
14 Capítulo - 14 Nobody said it was easy
Notas iniciais
Stefan
Damon e os outros chegaram nos contando que seu plano mirabolante contra os viajantes tinha dado certo. Markos estava morto e sua orla de seguidores não fariam nada sem seu líder. Respirei aliviado por isso, não precisaria mas fugir, pelo menos era o que todos nos desejávamos. Elena correu até Damon o abraçando, mas ele não a abraçou. Não tinha ideia do que tinha acontecido entre os dois, mas fiquei imensamente feliz ao me dar conta que aquilo não tinha a menor relevância, não mais. Voltei meus olhos para ela. Caroline mantinha seus olhos presos ao chão, com braços cruzados, brincando com uma pedra no chão com seu sapato.
— Então nossa aventura de fuga acabou — ela se assustou quando me notou ao lado dela, me deu um sorriso tímido, voltando seus olhos para pedra no chão.
— Parece que sim — ela respondeu parecendo triste, no fundo eu também estava. Não ficaríamos mas tanto tempos juntos.
Ela voltaria para universidade agora, provavelmente ficaria focada em uma maneira de trazer Tyler de volta, e por mais que eu tentasse separar as coisas, eu não conseguia, não depois de beijá-la. O simples pensamento de vê-la com Tyler outra vez, fez meu sangue ferver. Olhei pra trás buscando Julian que coincidentemente havia sumido. Caroline me olhou disfarçadamente e quando notou que estava observando-a, ela ficou cabisbaixa com leve rubor no rosto. Me recordei do que fizemos naquele vagão. Ainda não tinha certeza do porque fiz aquilo, se foi apenas um impulso, ou um medo terrível de perdê-la que me levou a beijá-la daquela forma. Era o que eu repetia a todo momento, mesmo levando a contatação que era o contrário.
Era tudo tão confuso, se tudo aquilo desse errado, se eu a puxa-se naquele momento e beija-se como queria, porque ansiava por sentir o gosto dos seus lábios, o calor do seu corpo no meu novamente. Mas e se ela recua-se, se ela estivesse arrependida? Se ela apenas me quisesse como amigo… Por que nada na minha vida podia ser simples… Simples e maravilhoso como aqueles dias com ela.
— Caroline — ela ergue a cabeça, mas seus olhos não permaneciam me encarando muito tempo. Ela logo desviava.
— O que foi?
— Caroline, eu queria conversar sobre…
— Eu tenho que ir a Bonnie me chamou… Eu acho — ela mentiu, saiu quase correndo na direção de Bonnie, acabei rindo nervosamente, mesmo frustrado por saber que ela teria essa reação, mas não impediu meu estômago doer, com vazio ameaçando me engolir por inteiro a cada passo que ela dava para longe de mim.
Bonnie
Todos estavam feliz por poder voltar pra casa, inclusive eu. Mas Jeremy e sua preocupação com Liv jogava toda minha felicidade pelo ralo. Eu expliquei a ele que não havia um jeito de trazer Luke de volta, e que ele até tinha aceitado esse fato. Ele me lançou um olhar derrotado e me disse com simplicidade que explicaria a Liv. Eu sugeri que Seth conta-se mas ele… Bem ele fazia questão.
Olhei em volta e pelo visto não era apenas eu que estava desanimada com a vida. Elena estava sendo confortada por Alaric que eu não tinha ideia de como ainda estava entre nos. O motivo eu não demorei a descobrir. Damon estava do outro lado, encostado numa árvore, perto do irmão que olhava para Caroline que estava bem afastada, a mesma mantinha os olhos no chão.
Pelo visto os conflitos nunca acabariam.
Voltamos naquele dia pra Mystic Falls. Todos na casa dos Salvatore ainda discutimos o que faríamos com restantes dos viajantes, Enzo com toda sua sutileza se ofereceu para esfaqueá-los ele mesmo. Mas todos estávamos cansados demais para tomar qualquer decisão agora. Eu fiquei ali esperando Jeremy voltar, mas ele não voltou.
Eu nem queria pensar no que ele estaria fazendo agora. Fiquei do lado de fora, esperando e esperando por ele. Damon saiu de repente, parecendo irritado. Ele ficou parado olhando para o nada. Fiquei em dúvida se deveria ou não perguntar se estava tudo bem, mas, na verdade, eu não me importava muito se ele estava mal ou não.
— Seu namoradinho ainda não voltou? — perguntou depois de um longo período de silêncio, mas estranhei que ele estava sem seu tom de ironia habitual, era mais um tom desanimado.
— Não. Ele deve ter algo muito importante pra fazer com a Liv — respondi com amargura o mesmo suspirou e depois de outra longa pausa.
— Ele não deve estar te traído, se o que pensa.
— Ah não?
— Já passou pela sua cabeça que ele pode estar ajudando a enterrar o irmão dela?
Fiquei calada pensando nisso, aquele pensamento me encheu de remorso por pensar tão mau do Jeremy, dei um sorriso franco em agradecimento a Damon.
— É você é Elena se acertaram? — perguntei sei rodeios, tentando tirar o foco da conversa sobre meu relacionamento conturbado. Ele suspirou, voltando com aquele olhar vazio, não respondendo o que eu já esperava da parte dele — Seja lá o que for, pare Okay!
Ele se virou pra mim com a testa franzida abriu a boca, provavelmente para me insultar ou algo do tipo, mas o cortei sem paciência para mais dramas na minha vida ou para ouvir seus insultos.
— Se vocês se amam… Então a perdoe — ele riu com os olhos agora presos a chão — Qual é o problema, o que aconteceu de tão grave que não pode perdoa-la dessa vez?
— Aconteceu que eu acho… Que a Elena estava certa em terminar comigo — fiquei boquiaberta por algum tempo, ele maneou a cabeça revirando os olhos pela minha reação. Engoli seco tentando me recuperar do choque.
— Por que chegou a essa conclusão? — tentei não parecer tão surpresa, mas falhei miseravelmente, como assim Damon Salvatore estava pensando seriamente em terminar com Elena? Depois de tudo que esse idiota causou para estar com ela.
— Porque ela meio que me apunhalou pelo meu irmão.
Minha boca se escancarou mais ainda. Ele deu um meio sorriso, acenando com cabeça como se concorda-se com pensamentos que se passavam na minha cabeça que eram basicamente descrença total. Elena nunca seria capaz de algo assim…. Pelo menos ela nunca faria isso antigamente. Não tive resposta para aquilo, caímos novamente num silêncio constrangedor.
— Ela deve ter tido seus motivos pra fazer isso – tentei remediar, mas estava chocada por dentro. O que tinha passado pela cabeça de Elena para fazer aquilo?
— Sim ela teve, meu irmão.
Fiquei olhando para Damon, para ombros tensos feitos pedra e punho fechado. Olhei em seus olhos procurando ódio, raiva um vislumbre do contra ataque maluco que estaria por vir, mas enxerguei algo diferente nele, uma coisa que eu nunca tinha visto antes. Eu vi tristeza, derrota.
Foi por um momento apenas, mas senti pena de Damon Salvatore. E constatei que o inferno devia ter congelado, porque por um breve momento eu senti empatia com dor nós olhos azuis-celestes de Damon Salvatore.
O momento de piedade por ele logo passou quando Jeremy apareceu logo em seguida com as mão enfiadas no bolso de sua causa jeans, cabisbaixo. Prendi a respiração me preparando mentalmente tudo que ensaiei durante aquele dia. O barulho da porta se batendo atrás de mim me despertou, Damon tinha nós deixado a sós, foi no minimo educado da parte dele não fazer nenhum comentário sarcástico sobre minhas duvidas sobre Jeremy que tinham sido respondidas pela terra em seus sapatos, calça jeans suja de terra.
Depois de um minuto que parecia durar uma eternidade nós encarando sem dizer nada, o peso no meu peito parecia piorar.
— Oi
— Oi — ele beijou minha testa com sorriso terno.
— Onde você estava?
— Com a Liv, ajudei a enterrar o Luke, porque o namorado dele entrou em crise quando soube que não tinha como trazê-lo de volta — ele ficou em silêncio por um tempo — Ela não aceitou nada bem, eu não ter cumprido a promessa.
— Não foi sua culpa, alias ninguém teve culpa.
— Sim eu tive, eu menti Bonnie, eu prometi que traria o irmão dela de volta se ela me ajuda-se — ele se lamentou visivelmente perturbado.
— Você não tinha como saber Jer, eu também disse a ela que traria Luke, mesmo tendo quase certeza que era uma promessa impossível de ser cumprida, na verdade ate o Luke sabia disso.
Toquei seu ombro tentando consolá-lo, mas não surtiu efeito, ele suspirou pesadamente se afastando mais ainda de mim. Meus medos e inseguranças pareciam ter se alimentado com aquela distância entre nós. Talvez lá no fundo ele me acha-se mesmo inútil, eu era uma ex bruxa que não tinha função alguma naquele grupo de seres sobrenaturais. Me sentia deslocada como se não tivesse mais espaço para mim naquele grupo que um dia foram meus melhores amigos, mas o pior de tudo era perceber que eu tinha perdido espaço no coração dele. Tentei esconder as lágrimas que se formavam, mordi as bochechas tentando conter o soluço que ameaçava escapar dos meus lábios, antes de quebrar a distância tocando seu ombro, forçando-o a virar-se para me encarar, eu queria dizer olho no olho de uma vez por todas.
— Jeremy eu pensei muito antes de tomar essa decisão… Eu quero terminar.
Ele demorou a entender o que eu disse, ele se aproximou de mim balançando a cabeça incrédulo. Ele tomou meu rosto nas mãos rindo.
— O que disse?
— Eu disse que quero… Terminar — repeti tentando parecer convincente
— O que, por que? Por que está dizendo isso, esta brincando não é? — me esquivei dele rispidamente. Mas cedo ou mais tarde ele se daria conta que não me amava do mesmo jeito, ficaria com Liv. Notei por seu olhar desolado por ela, eu não esperaria isso acontecer. Eu tinha visto muito bem sofrimento de Stefan, Elena e Damon e assim como Stefan eu sairia machucada daquele triângulo, eu não queria fazer parte de nada assim.
— Bonnie, não! Por que disso agora? — ele me puxou me forçando a olhá-lo
— Porque eu…
— Se for pela Liv, eu juro que não à nada entre nos…
— Não é por ela, e por mim. Eu acho que já não te amo do mesmo jeito — minha voz saiu falhada. Jeremy me soltou, seus olhos agora estavam marejados e tive que fazer força para não chorar também
— Por que está dizendo tanta… Mentira Bonnie? Eu sei que você me ama — ele me puxou me beijando, mas não correspondi, estava decidida. Não ficaria mas com aquele medo de que um dia ele me dissesse que acabou, o afastei bruscamente.
— Jeremy respeita minha decisão — ele fez menção de me puxar novamente, mas ele recuou, desconcertado e saiu correndo.
Fiquei parada abraçada a mim mesma chorando silenciosamente vendo-o correr para longe de mim. Caroline e Elena saíram de dentro sendo atraídas pelos meus soluços que não conseguia mais conter
— Bonnie o que ouve?
— Nos terminamos… Eu terminei com ele — Caroline foi a primeira a me abraçar. Elena olhou confusa na direção que o irmão corria
— Eu vou atrás dele — Alaric se ofereceu e o correu na direção de Jeremy. Elena e Caroline me abraçaram, eu não consegui parar de chorar.
Caroline
Duas semanas tinha se passado agora. Tudo começava aos poucos voltar ao normal. Quer dizer, não tão normal assim. Elena e Damon ainda não tinham voltado, ele ficava quase todo tempo com Enzo e Alaric no bar era o novo trio de bêbados solitários de Mystic Falls.
Bonnie terminou com Jeremy e ela estava tentando se fazer de forte, mas todas as noites a escuto chorando por ele, tentei de tudo para animá-la mas nada surtia efeito, ela estava desolada.
Bonnie me contou que tinha certeza que Jeremy sentia algo por Liv, por isso resolveu terminar com ele antes que ele a deixasse por ela. Eu tentei conter minha língua e meu gênio, porque a vontade que tinha era de sacudi-la até que seu juízo voltasse. Era obvio que Jeremy amava, mas nada conseguia convencê-la do contrário, principalmente porque ela os flagrou juntos três dias depois no Grill, com sorriso ternos e toques sem jeito de mão, sempre com iniciativa dela.
Tentei convencê-la que eles era apenas bons amigos, ela estava apenas consolando ele… O que soava estranho se levado em conta que a ela deveria estar de luto pelo irmão gêmeo morto. Mas é claro que eu não disse nada disso a Bonnie, na verdade eu não precisava... Afinal ela podia estar com pouco de razão sobre eles.
Eu por outro lado tentava seguir vida normalmente. Mas nada era como antes. Não depois de tudo que aconteceu entre mim e… Stefan. Tentei ignorá-lo o máximo que podia, nunca ficando mais que um minuto sozinha com ele. Porque sabia que aquela questão sugeria e não estava pronta para ouvir que aquilo era um erro, que nós tínhamos confundindo tudo. Não estava pronta para ser rejeitada mais uma vez por Stefan, eu nunca disse a ele ou a ninguém mas aquele dia na fogueira nunca saiu da minha cabeça. Era uma cicatriz profunda que ameaçava se abrir a qualquer momento. Então fiz o meu melhor para ocupar minha mente ajudando minha mãe, me empenhando em recuperar as aulas perdidas e claro… Sendo ouvinte de Elena, que estava desesperada pela nova postura de Damon.
Contrariando as expectativas dela, ele não estava mais correndo atrás dela como sempre. É agora era apenas uma questão de tempo até Elena correr para os braços de Stefan em busca de consolo. É eu não suportaria vê-los juntos e nem conseguiria escutar Elena dizer que eu estava certa o tempo todo. Eles sempre amariam um ao outro.
E eu nunca me arrependi tanto de repetir aquilo pra ela.
Mas o pior de tudo era a saudade que sentia dele. Naqueles últimos tempos ele era meu único apoio, ele prometeu estar sempre ao meu lado. É cumpriu essa promessa, era inevitável me lembrar de todas as conversas em frente a sua lareira, ou do seu sorriso, daquele olhos verdes sempre melancólicos.
Me joguei na cama afundando o rosto no travesseiro, meu celular vibrou em cima da cômoda estiquei o braço para pegá-lo e mais uma vez era ele. Fiquei olhando sua foto sem coragem de atender
— Vai ignorá-lo de novo? — Bonnie questionou encostada no umbral da porta com braços cruzados e seu olhar indagador habitual, bufei desanima.
— Não estou ignorando, apenas estou ocupada retomando minha antiga vida — menti — Alias já olhou pra esse quarto? Esta uma bagunça, vou fazer uma bela faxina nesse fim de semana
— Sabe que não vai conseguir ignorá-lo para sempre.
Ela parou de falar o celular tocou novamente. Mordi os lábios fechando os olhos desejando que ele desistisse logo de uma vez. Depois de alguns minutos ele desistiu. Me joguei na cama e Bonnie se juntou a mim, nós duas fitando o teto como se fosse a coisa mas interessante do mundo.
— Quando vai me contar o que aconteceu entre vocês dois?
— Eu já disse que não aconteceu nada.
— E eu já disse que não acreditei em uma só palavra — ela se virou a cabeça para me olhar — Caroline você fez faxina nesse quarto todos os dias, fica olhando o celular tocar quase chorando. É eu tive que inventar desculpas esfarrapas para o Stefan pela terceira vez essa semana…
— Amigos são pra isso — retruquei rindo
— Sim são, e pra contar a verdade também — suspirei derrotada mordendo a bochecha tentando quebrar o contato visual com olhar magoado de Bonnie por fim, não consegui mais esconder. A verdade era que precisava desabafar, tirar aquilo do peito antes que enlouquecesse
— Okay... Eu e ele nós beijamos... Mas não significou nada! Nós estávamos confusos e achávamos que iriamos morrer, acho até que ele só queria beijar alguém antes de morrer e por acaso eu estava lá... Então, ele me beijou.
Falei de uma vez. Bonnie que estava até um segundo atrás boquiaberta começou a rir da minha cara
— Você realmente achou graça disso? — Bonnie assentiu veemente com cabeça.
— Caroline, ele pensou que morreria e beijou você?
— Sim — ela suspirou se sentando
— É você ainda está aqui por que?— me levantei aturdida.
— Porque… Por que somos amigos, alias melhores amigos, eu sou a nova Lexi dele, o que significa que somos “amigos.” É ele ama a Elena e sempre vai amá-la…
— Care, eu não conheci a Lexi e a dinâmica dos dois, mas duvido muito que ele já tenha beijado ela.
— Mas tem a Elena, eles são almas gêmeas. Ele ainda a ama, eu sei disso!
— Então porque ele não está ligando pra Elena todos os dias? Por que ele não aproveitou que Damon e ela se separam e está lá com ela? Eu vou te dizer porque — Bonnie se levantou indo até mim apertando meu ombro — Porque ele não a ama mais.
Acabei sorrindo, ao pensar nisso. O celular tocou novamente, fiquei paralisada, sem saber o que fazer a seguir. Bonnie suspirou balançando a cabeça foi em direção a cômoda pegando meu celular sem cerimonia.
— Não faça isso Bonnie Bennett — implorei mas ela ignorou-me atendendo a chamada com belo sorriso de satisfação no rosto.
— Aló… Não Stefan não a Caroline e a Bonnie. Sim ela está… Agora... ela está no banho— mentiu Bonnie fez uma pausa ouvindo Stefan, eu fiquei fazendo sinais para que ela mentisse por mim, ou desliga-se.
— Claro no Grill, a gente vai sim. Até mas tarde Stefan, tchau.
— Bonnie Bennett o que você fez?
— Eu eu ajudei você, me agradeça depois — ela veio até mim me arrastando até banheiro — Agora tome um bom banho, fique linda — ela me olhou de cima baixo — Tire esse moletom e esse cheiro de produto de limpeza por que nos vamos no Grill hoje.
— Não, eu não vou!
— Sim você vai! Por sua causa eu vou sair pela primeira vez desde…
Bonnie não conseguiu completar a frase, seus olhos castanhos se inundaram novamente. Sabia que metade daquilo era chantagem, mas não consegui simplesmente dizer não a ela.
— Tá legal, mas eu vou continuar ignorando ele.
Damon
Meu celular vibrou no bolso, mais uma vez era ela Elena. Ignorei sua ligação pela quinta vez naquela noite. Elena não conseguia entender o motivo do meu afastamento… E para ser sincero nem eu entendia. Alaric tentou fazer-me mudar de ideia, contanto o quanto a mesma estava sofrendo por mim… Eu não soube o que responder, não tinha resposta pra aquilo. Porque eu amava aquela mulher loucamente, talvez esse fosse o grande problema.
Estava sozinho no bar quando notei meu irmão sentando numa mesa mexendo em um copo vazio olhando fixamente para porta.
— Irmão, você por aqui — não esperei convite me sentei com ele que me deu um sorriso fraco
— Por que a surpresa, eu veio aqui… De vez em quando — justificou ele que parecia inquieto demais aquela noite, volta e meia seus olhos vagavam para porta — Está esperando alguém?
— O que? — questionou distraído, acabei rindo
— O que tá pegando? — Stefan não respondeu e por um momento me veio o pensamento… Ele e Elena juntos, era ela quem ele esperava — Você está esperando por ela não está?
— Sim, ela disse que viria, mas não tenho certeza se ela disse a verdade. — respondeu com simplicidade, ainda distraído demais para me encarar.
Respirei fundo tentando controlar a raiva borbulhando dentro de mim. Ela iria se encontrar com ele, e ficava me ligando… Provavelmente para dizer que tinha voltado com ele.
— Pelo visto não demorou muito você e ela — ele franziu a testa confuso — Quer dizer, eu já imaginava isso, acho até que demorou.
— Você acha?
— Sim eu acho — afirmei secamente — Quando vocês ficaram juntos? — inquiri irritado, principalmente por ele estar tão distraído e não parecer haver remorso nenhum da parte dela ou dele.
— Nos não estamos juntos, eu nem sei se ficaremos, ela tem me ignorado — ele confessou. Um sorriso se formou nos meus lábios automaticamente. Ela não tinha me esquecido, pelo menos não completamente, era ele que estava atrás dela.
— Então você tomou iniciativa, você está correndo atrás dela agora? É todo aquele papo de que era…
— Errado — ele completou — Completamente confuso… Eu sei que é, mas eu não consigo esquecer o que aconteceu. Eu não consigo mas esperar pra saber o que ela sente.
— É você me diz isso assim? — Stefan voltou seus olhos pra mim confuso
— O que eu disse demais? Você é que perguntou.
— Mas não queria saber — ele franziu a testa e maneou a cabeça em seguida.
— Então dá próxima vez não pergunte — retrucou irritado
— Claro que não! Eu não vou querer detalhes da sua volta com a Elena — ele ficou calado, mas depois virou pra mim franzindo a testa — Alias eu quero que vocês dois se da…
— Espera, o que você disse? O que tem a Elena a ver com isso?
— Como assim o que tem a ver, você não estava falando dela?
— Não!
— Então de quem? — ele não respondeu minha pergunta e na verdade nem precisou. Olhei na direção em que ele olhava com olhos meio esbugalhados e com um sorriso nervoso
Caroline e Bonnie adentraram pela porta. Bonnie arrastava Caroline para dentro, a mesma ficou paralisada quando seus olhos se encontraram com os de Stefan. De repente tudo fez sentido. Comecei a rir, Stefan, Caroline e Bonnie me olharam confusos
— Oi Stefan — Bonnie disse cordialmente e apertou o braço de Caroline levemente empurrando-a na direção do meu irmão.
— Oi Stefan, tudo bem… — ela disse indo em direção ao bar. Bonnie suspirou pesadamente, lançou um olhar solidário a Stefan que acenou com cabeça seguindo até o balcão quase correndo
— Dá pra parar de rir, esta deixando ela ainda mais nervosa — Bonnie reprendeu-me lançando seus olhos curiosos para casal sem jeito a nossa frente
— Caroline e Stefan juntos? — questionei incrédulo, olhando para ambos afastados no bar.
— Sim, o que tem demais nisso? — Bonnie olhou para os dois, sorrindo — Fazem um belo casal na minha opinião.
Parei de rir para concordar com ela. Meu irmão estava olhando para Caroline que olhava para todo canto menos para ele. A tensão entre eles era palpável, podia ser cortada com uma faca, quem poderia imaginar que aconteceria tão rápido.
— É eu achando que ele estava com Elena — murmurei baixo
— Com Elena? — Bonnie riu — Não seja idiota, ele não é você.
— Não entendi se isso foi uma ofensa ou elogio…
— Ofensa, é claro! — afirmou ela, apoiando os cotovelos na mesa — O Stefan, não correria atrás da Elena, mesmo se ainda a amasse muito, duas semanas depois do término com o irmão dele…
— Touché — respondi rindo — Tem razão, ele não faria.
— Então, já que sabe que Stefan, possivelmente está em outra, o que te impedi de correr pra Elena?
— Não sei, mas é você por que mesmo não está com little Gilbert? – Bonnie ficou seria e suspirou, olhando para o nada agora — Não, é sério por que terminaram?
— Porque ele se apaixonou por outra.
— Tem certeza disso?
— Tenho!
— Não tem nada, você só está sendo neurótica, mais do que já era — Bonnie revirou os olhos
— Você pode não acreditar nisso, mas uma mulher sempre sabe essas coisas.
— Sabe nada, você nem é mais uma bruxa — desdenhei ela revirou os olhos.
— Que seja, eu não pedi sua opinião — retrucou mal-humorada.
— Agora sim a boa e velha Bonnie que eu conheço — ela forçou um sorriso torto antes de se levantar, mas antes inclinou-se ate meu ouvido
— Por que não vai fazer algo melhor do que me atazanar, vai atrás da Elena antes que ela se de conta que fez um péssimo negocio se apaixonando por você — sussurrou ao pé do meu ouvido, deu um tapinha na minha costa, antes de sair de fininho para que Caroline não notasse sua fuga.
Eu acabei rindo, mas fiquei realmente pensativo, peguei meu celular vendo as chamadas perdidas… É decidir ir até ela, Bonnie tinha toda a razão. O que diabos estava me impedindo de estar com a mulher que eu amo afinal?
Stefan
Fazia uma semana que desde que vi Caroline pela última vez, fui até o campus chamando-a para tomar um café mas ela inventou mil desculpa e saiu quase correndo pelo corredor deixando-me frustrado em frente a sua porta. Desde então ela ignorava minhas ligações, fugia assim sempre que me encontrava.
Tentei agir com calma e ignorar minha inquietação sempre que beijo surgia em minha mente. Tentei ser paciente e esperar que ela digerisse o que ouve entre nós. Dar espaço as pessoas sempre foi fácil para mim, mas descobri naquela longas semanas de ligações ignoradas que nesse caso simplesmente não suportava não falar com ela. Queria esclarecer tudo de uma vez. Dizer a ela que o beijo não foi uma coisa de momento, como provavelmente ela estaria pensando. Ele queria apenas uma chance com ela, para poder olhar em seus olhos amendoados e dizer ela que ele deveria estar apavorado como ela, que eles deveriam escolher o caminho mais fácil e ignorar a fagulha que aquele beijo transformou em fogueira dentro dele. Ele deveria escolher sua amizade, pois sabia que não podia viver sem ela. Mas todas as noites, deitado em sua cama. A memoria daquele beijo destruía seus receios e medo. Quando a sensação dos lábios sobre dela sobre os dele surgia, tudo que conseguia pensar era que necessitava prova-los novamente.
Liguei pra ela, pela terceira vez aquela noite e como sempre ela ignorou-me. Tinha certeza que a ela fitava o celular naquele momento, pensando se deveria ou não atender. Mas na quarta tentativa aquela noite, em frente a minha lareira sozinho, com segundo o quinto copo de uísque ela finalmente atendeu.
Na verdade Bonnie atendeu em seu lugar prometendo levar Caroline ao Grill. Eu fui quase que no mesmo momento pra lá. Eu parecia um adolescente, ansioso para primeiro encontro. Damon se sentou ao meu lado, mas eu quase não prestei atenção em nossa pré-discussão sobre Elena. Porque Caroline chegou, com vestido azul e uma jaqueta jeans velha com seus cabelos cacheados soltos. E bastou apenas olhar para seus olhos azuis, para que mergulha-se de cabeça neles e mundo a minha volta pareceu se dissolver.
Ela e Bonnie estavam de braços dados, ela ficou paralisada quando me viu. Bonnie precisou encorajá-la empurrando a minha direção.
— Hey — cumprimentou ela com aceno tímido de cabeça e antes que pudesse responde-la ela fugiu parar bar. Bonnie suspirou maneando a cabeça e sorriu para mim acenado com cabeça para que eu seguisse e foi que fiz.
Ela estava sentada no balcão com olhando para lados, provavelmente a procura de Matt, qualquer pessoa conhecida que nós impedisse de conversar. Sentei-me ao seu lado em silêncio, com meus olhos nunca deixando os dela.
— Ele não está hoje é a noite de folga dele — ela assentiu com a cabeça
— O que vai querer? — Gary perguntou
— Qualquer coisa, desde que seja forte e… Duplo — ela respondeu suspirando quando olhando-me de esguelha. Ficamos em silêncio, por alguns instantes até que Gary voltou e serviu nos dois, ela deu sorriso nervoso antes de entornar em só gole.
— Caroline — toquei sua mão, imediatamente senti o choque percorrer meu corpo com minha mão sobre dela. Ela ergueu a cabeça e quando nossos se encontraram pode ver o desejo e confusão em seus olhos, ela desviou o olhar como quem sabe que poderia facilmente lê-los.
— Isso... Foi uma péssima ideia – ela forçou um sorriso e sem dizer mais nada se levantou e saiu quase correndo dali. Corri até ela e agarrei seu braço forçando a parar de fugir de mim. Ela fechou os olhos e prendeu a respiração por alguns segundos
— Stefan… Por favor — suplicou aflita
— Okay, eu solto você, mas tem que prometer que não fugir de novo — ela assentiu relutante com a cabeça e quando a soltei ela desviou os olhos para chão coçando a nuca — Agora podemos conversar?
— Sim — concordou relutante.
Começamos a caminhas em silêncio pela rua.A luz da lua iluminava tudo ao nosso redor e assim como na noite da cabana, ela parecia reluzir como anjo com a luz da lua sobre ela. Chegamos na praça e nos sentamos. Caroline não ergueu a cabeça uma só vez. Seus olhos inquietos percorriam toda praça enquanto ela torcia as mão. O que apenas serviu para deixar-me ainda mais nervoso. Não consegui resistir o impulso por mais tempo estendi minha mão e segurei a dela.
— Isso é meio irritante eu sei, mas ou é isso…
— Ou faxinas intermináveis no seu quarto — completei ela riu, automaticamente eu ri também. Foi apenas uma semana sem vê-la, mas parecia ser muito mais.
— Me desculpe por ter ignorado você essa semana — ela suspirou inclinando a cabeça para olhar para o céu — Mas em minha defesa, meu quarto estava mesmo uma bagunça.
— Não tem problema, eu insistiria até que você cedesse — Caroline voltou seus olhos para mim, com misto de surpresa e descrença em seus olhos cristalinos, ela era tão transparente que me fez rir um pouco.
— Stefan…
— Caroline, eu sei que tudo isso é confuso…
— Não é confuso Stefan, o que aconteceu é que nos pensamos que iriamos morrer. Nos estávamos com medo e confusos e por isso…
— É acha que foi apenas isso que me fez beijar você? — ela assentiu veemente com a cabeça. Me aproximei dela acariciando seu rosto, ela fechou os olhos com meu gesto.
— Sim eu acho — ela murmurou tirando minha mão de seu rosto — Foi apenas uma coisa de momento.
— Então não sentiu nada quando te beijei? — ela parou mas não se virou, senti um bolo se formar em minha garganta, com cada segundo que a ela não respondia. Ela se virou depois de um tempo, respirou fundo antes de responder
— Não, eu não… Ela tentou responder mais sua voz falhou. Me aproximei dela tomando seu rosto nas mãos
— Caroline Forbes, você mente muito mau. É esqueceu algo muito importante.
— O que?
— Eu sou e sempre serei seu melhor amigo, não pode mentir pra mim
Não esperei por sua resposta, selei meus lábios nos dela, que não se moveu logo de incio, mas depois de ela se entregou como eu. Lentamente sua boca se abriu sobre minha permitindo que minha linguá adentrasse sua boca. E naquele momento, o mundo parou novamente. Tudo que mais desejei aquela semana, beijá-la novamente, provar seu gosto doce novamente estava acontecendo. Enredei meus dedos em seus cachos sedosos, ela gemeu sobre minha boca quando com a outra mão agarrei sua cintura puxando-a mais para mim. Podia sentir seu corpo tremendo, seu coração batendo o mesmo ritmo que o meu. Enquanto nossas linguás dançavam todas as duvidas, receios e medos se dissolveram com seus lábios nós meus. Naquele momento a única certeza que tinha e que queria passar a eternidade colado a ela, provando seus lábios fazendo a minha.
Mas ela empurrou-me com força dando passos para trás quando tentava agarra-la mais uma vez.
— Eu não senti nada! — teimou — Eu só vejo você como amigo Stefan, apenas isso! — agarrei sua mão e puxei para mim, temendo que ela fugisse de mim e mesmo sabendo que era mentira, não doeu menos por causa disso. Queria que assim como eu, ela deixasse os medos para trás. Que enfrentássemos todos eles juntos, que descobríssemos juntos o que era aquele novo sentimento que rugia dentro de mim.
— Por favor Stefan — suplicou, seus olhos estavam marejados, ela desviou os olhos para chão, tentando controlar a si mesma. Relutante soltei seus braços, ela saiu correndo, me deixando ali parado no meio da rua sentindo aquele vazio desesperador voltando com força.
Caroline
Minhas pernas tremiam, eu não conseguia nem pensar em olhá-lo. Mas Bonnie me arrastou até ali. Eu sabia que era má ideia. Sabia que não estava suficientemente pronta para mentir pra ele. É sabia que ele saberia se mentisse, ele era meu melhor amigo afinal, pelo menos era até pouco tempo.
É não estava errada. Fugi dele, corri o máximo que podia, porque mais uma vez ele havia me beijado. É eu havia deixado, eu queria tanto aquilo, mas era errado. Elena ainda tinha sentimentos por ele… É logo ele descobriria. Não podia colocar meu coração em fogo cruzado. Não podia me arriscar e confiar meu coração a ele, porque o dele nunca seria meu.
Caminhei até em casa e sem coragem de entrar e enfrentar minha mãe por mais que ideia de colo naquele momento fosse tentadora, não suportaria as perguntas que me fariam lembrar dele. Fiquei sentada na escada olhando para céu abarrotado de estrelas, olhando para lua cheia que dias antes olhei fazendo pedido silencioso que meu amor fosse correspondido. Naquela noite não tinha menor fé que isso aconteceria. Para mim nós sempre seriamos apenas amigos. A barreira invisível que construí envolta de mim permaneceria firme e intacta. Ele permaneceria ao meu lado sendo meu companheiro e confidente e sua amizade já bastaria.
Solucei com lembrança de seus olhos verdes tão próximos do meu, da sua respiração dançando contra meu lábios antes do primeiro beijo.
Acabei sorrindo com amargura, constatando que realizar os desejos mais profundos da alma nem sempre era algo bom. Aquele beijo destruiu nossa amizade, destruiu meu porto-seguro por que depois dessa noite nada seria como antes.
Fiquei ali sentada sem consegui conter as lágrimas sentindo-me confusa e perdida. Escutando nitidamente sua voz rouca e atormentada chamando por mim. Estava tão entorpecida com tudo que não notei que tinha alguém ao meu lado até erguer a cabeça. Antes de vira-la porem a pessoa tocou-me no ombro e meu coração parecia que iria explodir sorri pensando que era ela, que ele tinha mesmo ignorado meu pedido e vindo atrás de mim.
— Stefan — disse com sorriso que se desmanchou na mesma rapidez que veio quando me deparei com Tyler ou Julian eu não tinha ideia —Você…
— Sim eu, mas pelo visto não era bem quem você esperava?
— Tyler... É você mesmo?
— Sim, eu mesmo — me levantei receosa olhando-o atentamente, quando meus olhos se encontram com os dele, ele deu sorriso tímido, então minhas dúvidas se dissiparam me joguei em seus braços, o abraçando com força, respirando aliviada por ele estar bem.
— Meu deus, eu pensei que nunca mais veria você de novo
— Eu também Care, eu também.
Depois de um longo tempo nós abraçando me afastei dele erguendo a cabeça para encará-lo. Ele sorriu novamente suspirei quando ele colocou uma mecha do meu cabelo atrás da orelha, me lançando aquele olhar que eu conhecia tão bem, sentei na escada de casa esfregando as mãos tentando dissipar aquela tensão, quando ele me tocou, me olhou daquela maneira que costumava fazer… Pareceu errado.
Fechei os olhos e tentei me lembrar de como era sensação de ser tocada por ele, quando ele era meu mundo. Olhei para ele desconcertada, querendo sentir aquela corrente elétrica percorrer meu corpo, arrepios dos pés a cabeça. Estar apaixonada por ele era familiar, era fácil.
— Como você… Está de volta?— Inquiri tentando dissipar aquelas dúvidas
— Eu não sei. A última coisa que me lembro de ser apunhalado pelas costas de repente... Eu era eu de novo.
— Enzo — murmurei
— Enzo?
— Sim, ele disse que ia ele mesmo expulsar os viajantes.
— Bem, ele conseguiu — apertei a mão de Tyler que sorriu e me encarou sério — Bem então pela primeira vez em muito tempo. Está tudo em paz?
— É eu acho que sim — respondi distraída. Tyler suspirou
— Você está triste por ele não esta? — demorei a responder tentei negar temendo a reação dele, mas Tyler sorriu. Não era o seu sorriso, nervoso. Era aquele que sentia falta, seu sorriso sincero compreensivo do homem que um dia me apoiei, que um dia foi meu amigo.
— Eu…
— Não precisa se explicar pra mim Care, esqueceu que eu fui primeiro a saber.
— Não Tyler, você está enganado. Nos somos amigos, apenas isso… Amigos.
— Eu sei que são, ele é seu melhor amigo e vise versa. Mas agora vocês não são apenas isso. Ele e o cara que você ama agora.
Senti meus olhos arderem novamente aquela vontade de chorar ao me lembrar dele. Tyler foi o primeiro a dizer o que eu tentava esconder as setes chaves, procurando não pensar nele o tempo inteiro, sem coragem de dizer em voz alta com medo que se admitisse não tivesse mais volta. Tyler sorriu quando constatou que tinha razão, mas uma vez estremeci temendo que ele me julga-se ou tivesse guardado rancor de mim, mas ele passou seu braço envolta do meu ombro me trazendo para ele, apoiei minha cabeça em seu peito, não conseguindo mais conter as lágrimas.
— Me desculpa Tyler
— Hein — ele segurou meu queixo me fazendo encará-lo — Não tem que se desculpar comigo. Eu fui um idiota, fui eu que te deixei diversas vezes, sofrendo sozinha. Você não tem culpa por ter seguindo em frente… Eu queria culpá-la por tudo, com medo de admitir que único culpado fui eu. Eu deixei você em busca de vingança idiota…. A dura verdade é que eu não mereço você.
—Ty...
— Não como ele te merece — engoli seco desviei meus olhos para chão, não querendo mais ouvi-lo.
— Tyler por favor pare.
— Não Caroline, não. Eu não estou mentindo, estou? Ele esteve ao seu lado quando eu não estive, eu confesso que tinha medo disso.
— Medo do que?
— De que um dia vocês percebessem que não era apenas amizade. Sempre me irritou a relação de vocês, como ele sempre era seu herói…
— Ele me salvou Tyler — me apressei em explicar-me
— Eu sei. Mas não era por isso Caroline. A maneira como você o admirava era leal a ele, se preocupava com ele me deixava com medo. E depois de um tempo, quando ele terminou com Elena eu sabia que era questão de tempo.
— Tempo para que Tyler? Ele ama a Elena sempre vai amá-la
— Tempo para perceber que vocês são feitos um para um outro — manei a cabeça rindo da ideia — Você pode fingir, teimar em acreditar que ele ama Elena, que sempre será Elena. Você pode fingir não notar a maneira que ele olha você.
— Ele não olha para mim dessa maneira, não como olha pra ela — teimei — Tyler, porque esta dizendo tudo isso… Você deveria dizer o contrário, você não me ama mais?
Ele riu da ideia tomando meu rosto entre as mãos e beijando minha testa com carinhos
— Eu te amo, sempre vou te amar… E justamente por isso Caroline. Porque eu sei que ele pode dar a você a vida que não poderia, ele pode fazer feliz como eu nunca vou poder. Eu fiquei furioso quando me dei conta disso, mas depois de quase morrer, acho que criei outra maneira de ver o mundo… Mas eu quero que saiba que eu não me arrependo de nada, que independente de quem seja… Eu quero que seja feliz.
Ele me aninhou em seus braços, solucei enquanto ele beijava o topo de minha cabeça tentando me consolar
— Eu queria que não doesse tanto, que fosse mais....
— Fácil — ele completou, dando ombros — Ninguém disse que seria fácil... O fim nunca é.
Depois que os soluços cessaram, ergui a cabeça olhando para céu. Lembrando das promessas e desejos não ditos. É mesmos sendo estranho, e confuso tudo aquilo. Ouvir aquilo que eu tanto tentava ignorar na voz de Tyler me confortou, mesmo que apavorada deixei as a declaração do meu ex amor confortar e calar todas as vozes na minha cabeça.
Damon
Eu segui os conselhos de Bonnie, fui atrás de Elena. Estava decidido, esqueceria todas aquelas bobagens que martelavam em minha cabeça. Porque não havia mas nada entre nos. O jeito que meu irmão olhou para Caroline assim que a mesma entrou me mostrou que finalmente Elena era passado para ele. Ele me disse isso, mas eu nunca acreditava, pois achava impossível esquecê-la. Mas naquele noite, nada mais importava. Entrei em silêncio e ouvi sua voz e de Alaric…
— Ele não te atendeu?
— Não, nem acho que vá. Damon não vai me perdoar pelo que eu fiz.
— É uma questão de tempo Elena, eu conheço Damon e a única certeza que tenho e que ele te ama.
— Eu sei. Mas as vezes eu acho que fizemos muito mau um ao outro, sofremos juntos e separados. Amar o Damon e…
— Difícil — Alaric meteu as mãos no bolso sem saber o que dizer a Elena que fitava o celular com uma expressão de exaustão — Mas idai que difícil Elena, amar nunca e fácil.
— Sim eu sei. Mas não deveria. Se isso é mesmo amor… Tinha que ser fácil como era…
— Quando estava com Stefan? — Alaric completou mais uma vez, Elena assentiu sem pestanejar. Um bolo se formou em minha garganta automaticamente pela certeza em seus olhos — Foi por isso que fez o que fez?
— Eu não podia deixá-lo pra trás Alaric, não depois de todo mau que eu causei a ele.
— Eu entendo.
— Mas o Damon… Ele nunca vai entender algo assim. Ele simplesmente acha que eu deveria ter fugido e deixado Stefan
— Elena…
— Eu não me arrependo — ela se levantou suspirando — Isso é o que antiga Elena faria, voltaria por Stefan ou por qualquer um dos meus amigos. Eu não me arrependo do que fiz.
— É ótimo ouvir isso Elena — ela se virou na minha direção assutada.
— Damon, há quanto tempo…
— Tempo suficiente.
— Damon me deixar explicar — ela veio ate mim tocando em meu rosto, mas segurei seus pulsos impedindo-a de continuar com seu teatro, sem delicadeza soltei suas mão me afastando dela — Damon por favor me escuta.
— Eu escutei cada palavra Elena.
— Damon eu sinto muito pelo que eu fiz, mas…
— Você não se arrepende, porque fez por Stefan, porque faria por “todos os seus amigos” eu entendi Elena. Entendi na cabana também quando você me disse que eu era tóxico.
— Damon por favor se acalme — Alaric disse tentando remediar a situação
— Não se mete nisso Alaric, não se preocupe não vai haver briga alguma aqui. Eu cansei! — Elena me encarou aturdida, com lágrimas rolando em seu rosto — Você está certa Elena, isso… O que gente pensa que amor, o que sentimos um pelo outro e doentio. Nos fazemos mau um para outro.
— Não Damon, não diga isso… Nós estamos confusos, de cabeça quente — declarou enxugando o rosto, forçando um sorriso otimista.
— Foi você que disse primeiro Elena. Mas eu não queria admitir, não queria enxergar nada disso. Mas se quer saber, não fui eu que mudei você. Você pode jurar e dizer que não, mas essa parte que você tanto odeia em si mesma já estava ai, em algum lugar. Essa Elena fria e egoísta já estava ai, muito antes que eu aparecesse em sua vida. Você pode jogar a culpa em mim, como eu joguei a culpa na Katherine por todos esses anos.
— Eu não era assim Damon — ela esbravejou irritada — Eu não era essa pessoa vazia, fria que não liga pra nada. Eu me tornei assim, eu tive que mudar pra me encaixar nesse teu jeito torto de encarar a vida. Eu tive que fechar os olhos para todas as coisas horríveis que você fez, para conseguir ficar com você, eu fiz tudo isso por amor. Porque eu te amo.
— Pode repetir isso o quanto quiser, pode me culpar. Nada vai mudar, parte de ser um vampiro e intensificar tudo, nossos sentimentos e quem a somos de verdade. Eu não escondo quem eu sou. Eu sou egoísta, inescrupuloso mas você também é! Nos somos iguais Elena, por isso que você está certa, e por isso que nos nunca daríamos certo. Porque a Elena que tentou me mudar para um cara melhor, morreu naquela ponte. Assim como o Damon que seria capaz de mudar morreu há cento e setenta anos.
Elena irrompeu em lágrimas, ela gritou por mim tentou me alcançar mais Alaric a impediu, puxando-a para abraço me lançando um olhar triste solidário que ignorei. Sai de casa sem olhar para trás, não sentindo nada, nem raiva ou tristeza apena um vazio enorme. O mesmo vazio que me acompanhou a vida inteira, um vazio que achei que apenas ela fosse capaz de acabar. Porque acreditei que diferente de Katherine, ela me amava. Que ela tinha me escolhido por amor… Mas estava enganado. Aquilo não era amor, era uma doença.
Então depois de andar sem rumo deitei no meio da estrada esperando uma boa alma solidaria. Uma que me daria a única coisa capaz de preencher o buraco enorme dentro de mim. Eu não mudaria por Elena nem por ninguém. Fechei os olhos e escutei passos, mas não me lembrei de ouvir nenhum carro chegando.
— Acho que esta meio sem sorte hoje — abri os olhos e Stefan estava em pé com as mãos no bolso e sorriso de diversão nós lábios.
— Se manda Stefan, eu estou tentando atrair alguma alma caridosa de preferência uma que tenha muito sangue correndo nas veias…. Sem ofensa!
Esperei um discurso de como matar pessoas não me ajudaria, mas ele riu e para minha surpresa total deitou-se ao meu lado com braços abertos.
— O que está fazendo?
— Esperando sua vítima com você — explicou displicentemente com olhos fechados.
— O que… Por que?
— Porque somos irmãos, — franzi a testa incrédulo e Stefan riu novamente sem abrir os olhos — Ou simplesmente, porque não tenho nada melhor pra fazer.
Aquela afirmação parecia mais aceitável. Suspirei dando ombros seguindo seu exemplo que agora olhava para céu em silêncio. Ficamos em silêncio olhando aquele céu estúpido cheio de estrelas brilhantes que me lembravam ela, aquele brilho que Elena que eu amava costumava ter.
— Por que mesmo está aqui Stefan? Resolveu relembrar o tempo…
— Em que eramos irmãos e amigos — ele assentiu ainda olhando para o céu — Sim eu estou.
Fiquei calado me lembrando disso. Do tempo em que eramos amigos, não apenas irmãos amaldiçoando a existência um do outro, remoendo rancor e magoas prometendo vingança… Bem eu prometi tornar sua vida um inferno, ele nunca revidou, pelo contrário sempre sendo o perfeito herói. Sacrificando-se por mim e tudo que dei em troca foi roubar sua namorada… Eu era sem dúvida, o pior irmão do mundo. Olhei para Stefan que mantinha seus olhos na lua, com aquele seu velho olhar melancólico de sempre. Mas dessa vez o motivo não era o mesmo que eu, não era Elena. Respirei fundo voltando-me para céu antes de tentar ser o irmão que ele merecia ter.
— Seu encontro com a Barbie deve ter sido realmente ruim, pra apelar pra minha companhia — Stefan não sorriu, continuou olhando para lua sem piscar, como se estivesse em outro mundo — Foi mesmo tão horrível assim?
— Não foi ruim… Foi péssimo. Ela não me quer – desabafou em tom amargurado. Fiquei calado até absorver qual estúpido era sua afirmação sobre ela, comecei a rir. Stefan virou a cabeça para me encarar com maxilar trincado raivoso — E bom saber que minhas decepções amorosas ainda te divertem depois de cem anos Damon.
— Desculpe mas e inevitável, ou você e muito estúpido ou lento… Na verdade tenho certeza que e as duas coisas
— É talvez eu seja, mas acho que ainda falta alguns níveis pra eu te alcançar
— Isso eu tenho que concordar, mas eu não estou falando por isso.
— Então pelo que?
— Porque Caroline Forbes e louca por você, e convenhamos desde que pois os olhos em você, você era o único tolo a não perceber isso.
— Eu sei que sou estúpido, não precisa me lembrar disso… Mas quer saber, tanto faz — ele deu ombros desanimados — Ela não me quer mais, eu percebi muito tarde.
— Calado! — ordenei ele riu — Eu sou seu irmão mais velho tenho mais experiências do que você. É você e Mystic Falls inteira sabe que aquela chata, maníaca por controle só tem olhos pra você.
— Eu espero que esteja certo Damon — ele fez uma pausa e olhou pra mim sério — Porque se não estiver, se ela não me amar. Eu não terei nem um motivo pra ficar aqui.
— O que? Como assim… E nossa promessa de estragar a vida um do outro como fica? — zombei, ele riu balançando a cabeça
— Tenho certeza que você vai superar minha perda e arruma outra pessoa para odiar.
— Então basicamente, você está admitindo que só ficou nessa droga de cidade por ela?
— Eu prometi uma vez ela, quando você tentou matá-la, que eu a protegeria que ficaria a seu lado. É sinto que mesmo sendo o melhor amigo dela agora, eu não vou conseguir permanecer ao lado dela e fingir que nada aconteceu — Revirei os olhos impaciente com todo aquele monologo depressivo.
— Deus você e tão dramático, ninguém mandou entrar na friendzone irmão — Stefan riu — Para de fazer tanto drama… Você gosta mesmo da Barbie?
Ele assentiu veemente com fantasma de sorriso em eu rosto.
— Então lute por ela, ganhe a garota!
— Ela não é nenhum prêmio Damon — censurou ele irritado, bufei entediado.
— Você entendeu o que eu quis dizer, lute pela sua garota… Você merece isso.
— Mereço o que exatamente?
— Ser feliz — Stefan arqueou a sobrancelha olhando-me com misto de curiosidade e incredulidade. Fechei os olhos querendo ignorá-lo, mesmo de olhos fechados, eu sabia que ele sorria agora.
— Você está errado em uma coisa, não é apenas eu que mereço ser feliz — ele se levantou e me estendeu a mão — Nos dois merecemos, agora levanta dai
— Para que? — olhei pra estrada impaciente com falta de trafego naquela área — Ainda estou esperando minha refeição andante
— Vamos fazer o que irmãos normais fazem em situações como essa.
— O que sugeri então, ir para uma boate e “jantar” belas garotas?
— Não — ele revirou os olhos — Vamos encher a cara e rir disso… Daqui há uns anos
Ele estendeu a mão para mim com sorriso esperançoso e não sei porque raios, mas aceitei. Fomos andando até o Grill, e mesmo sendo aquele o momento que eu deveria mandá-lo pastar e procurar alguém para descontar minha raiva, percebi que não senti essa necessidade ou raiva do mundo, dele ou Elena.
Olhei para meu irmão mais novos com as mãos no bolso chutando pedras no caminho, como se fosse realmente um adolescente sofrendo a primeira desilusão amorosa, me peguei me perguntando se não era assim que seriamos se o fator “Petrova” não tivesse acontecido em nossas vidas?
Apertei o passo para alcançá-lo constatando a única certeza que sempre tinha na vida… Sempre seria nós dois no final. Os irmãos Salvatore contra o mundo. Sorri constatando que não era mesmo um final tão ruim assim.
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