Aventureira Solitária

5 A existência do Éter


— Melody... Melody... Acorda. – Era a voz da minha irmã mais velha. Olho pela janela, já escureceu. Sento na cama, com minha irmã a minha frente.

— Cadê o Rony? – Pergunto ao notar sua ausência.

— Ele foi embora quando cheguei da faculdade, ele disse que você apagou e não queria te deixar sozinha.

— Chris, que horas são?

— Sete e meia. Vou esquentar comida enquanto os outros não chegam, vai querer comer algo?

Estou sem fome e sem vontade de sair da cama, apenas balanço a cabeça negativamente, ela sai do quarto e eu me deito novamente olhando pro teto. Observo os planetas pendurados, balançando por causa do vento da noite. Max, o estranho, havia dito que esteve em todos esses planetas e mais outros. Ele mentiu, mas como seria bom viajar para cada um desses planetas. Sinceramente, queria fazer um intercâmbio para outro planeta, fosse Saturno, Urano, Júpiter ou Marte, não importa, só queria passar um tempo em outro planeta, longe de toda essa loucura do mundo, longe do dia de hoje, se possível. Sonhei várias vezes em pessoas vindas do futuro, que me levavam para conhecer Sócrates, Kennedy, Dom Pedro II. Mas obviamente é impossível, por mais que eu fantasie máquinas do tempo movidas à energia de buraco-negro, que abrem um buraco de minhoca grande o bastante para as pessoas passarem, eu sei que é impossível. Não sou uma cientista maluca que acha que vai revolucionar a ciência moderna, eu apenas exercito minha mente neste hobbie.

Levanto-me, ando sem rumo pelo quarto. Não quero mais ficar deitada, nem andar. Pego uns cadernos na escrivaninha, aqueles de estudos extras, está na hora de ocupar a mente com estudos. Escuto algo cair. Não enxergo de imediato, tateio o chão até encontrá-lo. Era o retângulo de vidro que aquele maldito deixou aqui. No momento em que o pego, letras verdes começam a surgir, como se fossem digitadas naquele exato momento. “MAX II, AGENTE DA PBET/TEL. UNIVERSAL: 4592-1293”.

— Telefone Universal? – Falo sozinha. Viro o cartão, as letras somem e aparecem novamente.

Parece uma tecnologia diferente de tudo que já vi. Um cartão de vidro? Com letras que surgem e somem? Isso não existe. Não há circuitos, chip, nada! É apenas vidro.

Um impulso louco estava tentando controlar meu corpo. O impulso de ligar para aquele "Telefone Universal" só para perguntar como aquele maldito pedaço de vidro funciona. Pego meu celular, a primeira coisa que vejo são notificações de mensagens do Rony.

"Eeei ruivinha, quando acordar me avisa..."

"Fiquei preocupado com vc hoje. Se quiser que eu vá aí é só me avisar"

"Ah, acabei de lembrar, acho que a nossa conversa, antes de tudo, não ficou muito clara. Espero que nada tenha mudado entre a gnt"

Posso não compreender o que são as emoções, posso não saber expressá-las, mas entendi o que essa última mensagem significa. Apenas respondi "Acordei, mas vou ver filme agora, então não vou responder mais. Até amanhã". Joguei o cartão de vidro na minha escrivaninha bagunçada, liguei a televisão e pus num filme.

Eu quero me encolher até caber no vapor cósmico, talvez mergulhar num buraco de minhoca, ir para qualquer lugar no tempo e espaço. Ver como o mundo vai acabar, ou ver como a vida começou. Quem sabe, sair em busca de planetas com vida, pode ser vida microscópica, só para ter certeza de que, mesmo daqui a milhões de anos, uma vida inteligente vai existir em outro lugar que não seja a terra. E rezar que naquele tal planeta, aqueles tais seres alienígenas não estraguem seu lar, como o fizemos aqui na Terra.

Minha mente voa mais uma vez pelo Universo. Mas desta vez ela voltou à Terra. Voltou para Rony. Acreditar que ele sentiria algo por mim, ou que talvez eu tivesse capacidade para um relacionamento, era como voltar a acreditar que a luz é transportada pelo éter. Éter seria uma substância na qual os cientistas acreditavam preencher todo o espaço, e que transportava a luz. Einstein descartou a existência do Éter, por que gerava muitas complicações em discussões físicas. E hoje, nenhum cientista sequer acredita na existência do Éter. Um suposto namoro com Rony, seria esse Éter, e hoje, eu sei que não pode existir.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.