Aventuras Solares

9 Capítulo 8 - Capitão Retcrow


— Acha mesmo que quer se livrar de mim tão cedo? — Ela deu um riso enquanto arrumava sua mochila.

Bryan fechou os olhos e riu.

— Com certeza não vai durar muitos anos de treinamento, dependendo da saúde daquele homem.

— Você treinou por quantos anos?

— Treino magia desde os oito anos de idade, tenho que aprender muito mais ainda.

— Ah, então vai demorar muito — Suspirou, em tom de rejeição.

— Talvez não dure tanto— Tentou animá-la— Mas, você me disse que buscava prazer na vida, tenho certeza que deve ter amado a sensação que a aura fez em você.

Ela arregalou os olhos.

— É verdade! Foi uma sensação melhor do que quando você me satisfez naquele dia.

Ele corou.

— Por favor, não lembra aquele dia.

— Me diga, por que ficou tão irritado com o Nicholas, que nem agradeceu quando ele te entregou o jornal, nem o olhava direito para ele.

Bryan mostrou uma cara de desaprovação.

— Aquele maldito me interferiu quando eu dominava pacificamente o dragão, eu estava com a situação sob controle e ele se aproveitou da distração da criatura e o matou.

— Nossa!

— Aquele dragão foi um dos responsáveis pela vitória de Wolfric contra Dragnovit, mesmo sendo inimigo da nação do antigo Rei do Sol, tenho uma admiração pela sua história.

— Maldito Nick.

Enquanto isso, no Mar Krebby:

— Acha mesmo que essa porcaria vai aguentar a chuva — deu uma gargalhada cordial.

— Claro, Dryke Wenwaru, essa belezinha vai aguentar bem quando formos fazer o que fazemos de melhor.

Na proa de um imenso navio pirata, com bandeiras de cor azul-marinho e losangos brancos no centro, estavam dois homens, Wenwaru, um homem negro com músculos bem trabalhados, deixando a aparência de ser um monstro, mas ao contrario do que aparenta, é um homem bem humorado e de bem com a vida. Era o braço-direito do capitão Garniel Retcrow, que estava ao seu lado, lendo um documento. O capitão era branco, usava um chapéu preto com detalhes listrados nas pontas, seus cabelos eram grisalhos e longos, sua idade estava para casa dos 40, sua jaqueta azul tinha uma capa que cobria até as canelas. Sempre levava a vida com muita astúcia e humor, pois achava que ser temido era a graça da sua vida e assustar as pessoas era um dom.

— Se bem que restam ainda algumas horas para escurecer, que tal se aproveitarmos que estamos aportados nesta ilha e tomar rum junto com o resto da tripulação?

O capitão franziu o cenho, enrolou o papel e colocou em um dos bolsos.

— Tudo bem se descansarmos de vez em quando, não é?

Dryke riu, e os dois seguiram à taverna. Era um lugar repugnante e animado. Eram visíveis prostitutas cedendo seus corpos sem nenhum tipo de disfarce, homens bêbados se esmurrando, casais bailando, e uma banda no palco ao fundo tocando clássicos da era passada. Logo na entrada, um casal se agarrava sem roupa alguma nos degraus da escada que levava às mesas. Eles ignoraram a cena, mentira, Wenwaru deu uma olhadela para a moça e deu uma piscada, o seu amigo lhe deu uma cotovelada para que seguissem até as mesas onde estava toda a tripulação.

— Pessoal! É o capitão Retcrow! — Um homenzinho alertou.

Toda a tripulação se levantou.

Toda a tripulação estava sentada em duas mesas redondas que haviam juntado, colocaram nas mesas vários copos com rum e garrafas com o mesmo líquido. O seu líder junto ao seu subordinado se aproximou, olhou aquilo com uma expressão furiosa, fechou os olhos e abriu um sorriso.

— Tripulação! Em três dias eu quero todos vocês prontos para mais uma missão. Aqueles porcos corruptos que chamamos de Bluegardianos enviarão um navio em direção a uma ilha de mineração descoberta há pouco tempo. Ela fica não muito longe daqui, senhores. Por isso iremos fazer o que fazemos de melhor, e não quero nenhuma desculpa. Entendidos?

Um homem levantou a mão.

— Diga marujo.

— Vamos esperar o navio tirar todas as jóias para nós e atacaremos?

— Não, nossa recompensa será um pouco mais tarde, quando atacarmos a ilha que eles mantêm, não quero me contaminar com os germes deles. Bem, todos nós conhecemos aqueles navios modernos e poderosos dos bluegardianos, mas eu acho, não será nosso pior problema.

— E quem é este problema, capitão?

Suspirou antes de responder.

— Bryan Armstrong, um dos magos que tem conseguido uma grande fama ultimamente. Ele não é comparável aos Wizards nem aos Mestres da Feitiçaria, mas, com certeza causará muitos problemas, por isso quero que se preparem o melhor possível, assim como eu — Fez uma pausa— Agora eu quero uma garrafa de rum, já! — Gritou com um garçom, que se atrapalhou ao correr, tropeçou e caiu sobre uma mesa que tinha alguns bárbaros sentados, como os mesmos não são muito gentis, espancaram o coitado.

A tripulação caiu nas gargalhadas, o capitão sentou-se junto com ela e começaram a beber.

...

— Piratas?

— Sim, piratas.

— Não está falando do Cruz de Fogo, está?

— Como conseguiu adivinhar?

— Está brincando.

— Não, Pandora. Esse é um dos motivos que tenho que ir com você nesta viagem, mas eu quero que não se preocupe muito.

Ela o olhou furiosamente.

— Acha que devo estar tranquila enquanto corro risco de um bando de piratas desgraçados me estuprem ou coisa pior?

— Não lembra que eu salvei você de piratas? Além do mais, eu sou um dos melhores magos em atividade em Bluegarden, eles me temem, e muito, por sinal. Eu irei protegê-la e o meu povo custe o que custar.

— Acredito em você, mas... Depois daquele episódio sinto um temor por piratas, ainda sinto aquele cheiro escroto deles.

— Entendo seu temor, mas não se sinta muito ruim, tenho certeza que eles não serão páreos para mim.

“Ele está muito estranho, sua expressão está totalmente alterada, fria, até no seu jeito de falar... O que será que está acontecendo?”

— Você pode me contar como são estes piratas?

— Bem... Eles possuem um barco amaldiçoado da metade da era passada, formado de uma madeira obtida da única árvore que floresce no Reino das Sombras. Odeiam todos nós que evoluímos aos barcos modernos, dizendo que nós “acabamos com a graça” de velejar. Os membros do Cruz de Fogo atacam embarcações há 30 anos, são o maior perigo de todos os mares, atacam silenciosamente, deixando uma névoa cercar a sua presa, eles posicionam seu navio estrategicamente, eis então que surgem formas fantasmagóricas de todos os lados, tiros de canhão, tripulantes saqueadores... Um caos total, poucos sobrevivem aos seus ataques, e muito menos vêem o seu rosto, como eu.

Ela estava aflita com as palavras, os olhos arregalados de Bryan não mentiam que ele tem memórias terríveis de seu passado.

—Quem é este maldito homem?

Ele se aproximou dela, com sua expressão séria.

—Uma das maiores lendas da história dos marinheiros, considerado o maior pirata da história, conhecido como Olhos de Águia, Garniel Retcrow! — Seus olhos brilhavam, parecia determinado a matar a pessoa a quem se referia, suas palavras mostravam ódio e senso de vingança contra o Pirata em questão, será que a recusa em seu coração é tanto assim?