Aventuras Solares

13 Capítulo 12 - A Despedida


— Bryan, você fez muito bem em trazer esta jovem para mim, eu vou transformá-la em uma grande feiticeira.

— Eu não vi outra escolha, mas fiquei com certo medo de senhor pressioná-la demais. Acredite, ela é uma garota totalmente normal e bem atual, o senhor vai precisar se adaptar aos novos tempos.

Todos gargalharam.

— Bem, já está bem tarde, na verdade, nossa conversa madrugou. Por que não dormem, e amanhã nós treinaremos combates, Bryan? Você realmente está precisando disso.

Ele fez uma cara irônica.

— Certo.

Amanheceu na ilha, os dois magos estavam frente a frente, a certa distância. Pandora estava no meio dos dois, e gritou:

— Prontos? — Se afastou do meio — Já!

Krisaor, com o cajado em mãos, ergueu-o e criou uma redoma azul, que o cercava totalmente. Bryan se agachou um pouco, apontou o cajado para frente e quatro turbilhões de energia escura acertaram a redoma azul, que ficou intacta. O Mestre riu, bateu o cajado no chão, criando uma barreira gigantesca de areia.

— Há! Se preocupe menos comigo, e mais com os meus amiguinhos, Bryan!

Várias criaturinhas de areia surgiram por todos os lados no lado de Bryan, não foram problemas para ele, que usou a força física, batendo-os com o seu cajado. Era notável que cada vez que aplicava um golpe forte em um deles, desmontavam em apenas areia comum.

— Acho melhorar na sua técnica — Gritou.

— Obrigado pela dica, vamos aumentar a dificuldade.

No lado do Mago das Sombras, começaram a crescer uma floresta em uma rapidez estrondosa. A diferença é que não eram árvores comuns, eram seres animados, que usavam raízes e galhos como chicotes. Bryan se esquivou de três ataques, um quarto passou raspando, porém, não evitou o quinto, um golpe certeiro em seu peito, que o jogou para o caule de outra árvore. Ele ficou preso a fortes e grossos galhos, que o imobilizaram totalmente, dando liberdade para outra arvore o chicotear dolorosamente. Pandora ouvia os gritos de dor, mas não sabia o que se passava. Ela notou Krisaor, que por mais que seus cabelos e barba longos, completamente brancos, sua túnica cinza, mostrava ter um olhar totalmente jovem, destemido, um olhar que nunca viu antes.

Então o Mago das Sombras focou sua aura ao extremo, e uma explosão enorme aconteceu no seu lado da barreira, que, aliás, foi destruída junta com as arvores. Galhos e folhas circulavam ao vento. Ele tentou unir forças para um golpe direto ao seu mestre, mas não tinha, e ficou ajoelhado, buscando no seu interior qualquer força que lhe restara.

Krisaor riu, começou a andar calmamente, até se aproximar de Bryan e apontar seu cajado.

— A batalha termina aqui. Bryan, você tem que respeitar seus limites, você sabia muito bem que não poderia suprir forças para combater a mim e ao meu golpe. Por isso, use sua cabeça, crie soluções em sua mente, assim você será um bom mago. Você! — Olhou para Pandora — Essa é uma lição para você também — Ele riu — Agora, Bryan, vá tomar um banho, leia algum livro, ou mexa em suas tralhas tecnológicas, e amanhã o deixarei partir— Ele virou as costas e seguiu para sua casa.

Pandora se aproximou.

— E então...

— É... Ele pode ser rude às vezes, mas esse maldito tem muita razão no que diz — Tentou se levantar, cambaleante, recebeu a ajuda de Pandora.

Krisaor estava na janela, observando alguma de suas criaturas de estimação, enquanto Bryan mexia no Y-PC, um computador portátil que recebera antes da viagem, por Vladus, nele ele poderia analisar dados e gráficos sobre missões. Lembrou-se da ligação que recebeu no navio, e foi direto para o menu de missões, e viu uma endereçada a ele, conferiu e era a caça ao mapa. Ele e Zephiron foram convocados para ela, o que era interessante, mais do que Nicholas pelo menos, pensou.

— Eu venho ultimamente lendo minhas anotações da época que viajava, percebi que nossa existência nunca teve paz... Na geração antiga, na era passada e na nossa, nunca tivemos com o que comemorar. Guerras, sangue para todo lado, sempre desperdiçando o dom da magia, que os deuses nos deram. O meu sonho é fazer minha ultima viagem pelo tempo, para a antiguidade, a ultima era dos deuses.

— Eu sei que existe até hoje, um paraíso onde apenas os deuses ficam, você tem poder suficiente para ir para lá?

— Não, Pandora, infelizmente, mas preciso fazer mais cálculos e medir forças para ir até a ultima era dos deuses, lá eu conseguirei a vida eterna e viverei num mundo melhor, onde há paz.

— Isso não alteraria no curso do tempo?

— Não sou um mago do tempo comum, minha cara, se eu não fizer nada que coloque o tempo-espaço em colapso, não haveria problema, mas temo a minha recepção para com os deuses. Eu li em algum lugar que apenas os homens eleitos pelos deuses são capazes de ir, talvez eu seja um deles...

No dia seguinte, uma nave altamente futurística esperava Bryan se despedir de seu mestre e de sua subordinada. Os três estavam na praia da ilha, conversando.

— Bem, muito obrigado pelos seus novos ensinamentos, Mestre.

— Espero que use-as bem.

— Pandora, adeus.

— Não diga isso.

Ela se aproximou dele e o beijou longamente.

— Obrigado, Bryan.

Ele se assustou com o beijo, abraçou-a e virou os calcanhares e seguiu para o navio.