Aventuras Solares

10 Capítulo 9 - O Ataque Fantasma


Tocaram os sinos no porto, tripulantes do navio deveriam se apressar em entrar na moderna embarcação que estava de partida. Pandora vestia uma camiseta feminina preta colada ao corpo, uma calça jeans azul. Bryan vestia uma túnica azul-celeste, cobrindo todo o corpo, e segurava um cajado de madeira que vinha de presente pelo seu mestre há um ano. Os dois se situavam na proa do convés, enquanto conversavam sobre o mago que iriam visitar, o último sino tocou e o barco começou a se movimentar, era o início de uma viagem de quatro longos dias.

— Então Camaradas — Colocou um papel na mesa — Nosso navio virá por aqui — Apontou para uma marcação — E meu plano seria... — Bebeu mais um gole de rum

— Chefe— Uma voz grossa de um homem gordo interrompeu — Todos sabemos que você quer ataca-los a noite, com a “Tática Fantasma”.

Ele ergueu os olhos e o fuzilou com os olhos.

— Não esteja tão certo! Temos dezenas de táticas em nosso perfeito arsenal, não é mesmo?

— Bem, mas senhor não tem praticado muito as outras formações, como é que iriamos atacar uma navegação de tão moderna?

— Eu concordo — Alguns marujos se intrometeram.

— Bem, então eu proponho criarmos uma tática em 3 dias, e testarmos contra eles.

— Tá maluco Haha — Um homem tão gordo como o primeiro que se intrometeu disse.

O capitão riu, abaixou a cabeça, suspirou e levantou novamente.

— Senhores, faz muito tempo que não tentamos alguma nova tática de ataque. Eu sugiro que criemos algo novo, pois, quem sabe, já saibam como nos contra-atacar. E assim a ultima maior força pirata acabará caindo em um episódio catastrófico, onde os Porcos Bluegardianos serão considerados a força que acabou com a era dos piratas — Fez uma pausa para reflexão — Vocês querem isso? Bem, nosso único possível problema é o Bryan Armstrong, acho que podemos dar um ultimo ataque com a nossa boa e velha tática, e logo após planejarmos uma nova. E antes que vocês perguntem, nós iremos testá-la na ilha de mineração. Entendido?

***

Bryan e Pandora estavam sentados na mesa onde haviam algumas bebidas.

— Por acaso, qual é o nome verdadeiro do Rei mesmo? Eu ainda não consegui entender como é ele, poderia me falar um pouco da sua história.

— Bem eu conheço toda a história do nosso Rei, portanto não vai ser difícil te contar. Ele tinha um nome comum, Danian, foi recebido por uma mulher que vivia solitariamente na Ilha Kulak, adquiriu força física naturalmente, pois nesta ilha onde ficam muitos monstros, ou seja, ele precisava usar a força física para impor respeito e status sobre os monstros, assim ele aprendeu a criar sua própria filosofia política, baseando que a força física, inteligência, esperteza e persuasão eram as chaves para a dominação de qualquer sociedade. Quando ficou adulto, entrou clandestinamente em um navio que ia até Bluegarden, dedicou-se alguns anos aos estudos sobre política e magia, depois, se aliou aos Revolucionários, como você deve conhecer, foi uma sociedade que conseguiu destronar o atual Rei, pois ele estava impondo a proibição da magia no reino, algo semelhante com que o Reino Solar está fazendo agora, eles estão começando a proibir o uso da magia, em prol da tecnologia que cada dia avança mais. Danian foi o ultimo homem que o antigo rei viu na sua vida, e por conta disso, por aclamação do povo, se tornou Renhart, O Magnífico. Desde então, nosso Rei vem propondo medidas que cada vez me fazem ter orgulho de ser Bluegardiano, eu sinto que Renhart é um homem que usa a força física de maneira impressionante, ele é conservador dos velhos tempos, é fato, mas conseguiu juntar as novas tecnologias com a mentalidade de guerra da era passada — Ergueu a cabeça — Olhe aquilo— Aquilo é a mais nova ferramenta aérea do nosso exército, é uma nave totalmente silenciosa, imperceptíel a radares do mundo todo, tem ideia o quanto de Neons foram precisos para investir nesta tecnologia? Nele, serão transportados soldados empunhados das novas armas, aquelas que atacam à distância. Mas não significa que os guerreiros com espadas em punho serão esquecidos, Nicholas é um exemplo disso. Com Renhart no comando, eu acredito que Bluegarden prosperará e se tornará a nação mais poderosa do mundo — Sua voz era realmente inspiradora, achou Pandora, será que era o prazer que a fez se juntar aos Bluegardianos, pensou.

— Alô, Vladus — Atendeu seu celular.

— Bryan, eu preciso que tome bastante cuidado nessa viagem, pois temos missões muito importantes para você, mesmo que você seja atacado por piratas, por favor, espero que se poupe o máximo possível.

— Tudo bem.

— Eu conto com você.

Desligou

— O que ele queria?

— Curiosa — Deu um riso.

Ela fez uma careta.

— Era apenas para tomar cuidado nessa missão, você está me tratando como se fosse minha mulher.

Ela repetiu a expressão de ironia.

***

Passou finalmente o tempo que os piratas estavam esperando, chegou o dia do ataque. Durante este período, aproveitaram o que a ilha que a ilha dava a eles: muita munição. Conversaram com alguns amigos piratas, que deram algumas ideias do que poderiam fazer durante o ataque, mas também aproveitaram para dar suporte e auxilio para os marujos que não eram tão conhecidos, aquela ilha era para isso, piratas do mundo todo se encontravam, debatiam questões que lhe interessavam, aproveitavam as mulheres do local e bebiam. Aquele lugar jamais tinha sido atacado antes, pois era envolvido em uma ilusão mágica, que porventura estava perdendo sua força, e os piratas deveriam sair dali o mais rápido possível, talvez o Cruz de Fogo esteja aportando pela ultima vez na Zona Pirata, como era conhecida.

O Capitão Retcrow estava nos seus aposentos, colocando seu chapéu e saindo do local, indo para o convés. Estava quase na hora de partir, até avistar um navio que não reconheceu. Ele achou muito estranho, correu para a proa e pediu a luneta.

“Inacreditável!”

Era um navio com o símbolo do Reino Solar, o pior de tudo é que era uma versão que jamais vira na vida, aquele design, velas, madeira, não havia dúvidas que era a versão do navio da era passada!

“Como podem ter chegado a este local?! O poder ainda não está fraco o suficiente a ponto de atravessarem.”

Na proa do navio estava um jovem, de expressão triunfante, vendo uma ilha toda se reunir e ver a sua chegada. Depois que o barco foi posicionado lado a lado com o Cruz de Fogo, apontaram seus canhões para o mesmo, para os piratas, aquilo era sinal que era hora de ouvir, e não fazer nada.

— Capitão, Retcrow.

“Que estranho, jamais vi aquele homem antes na minha vida.”

Ele olhou atentamente para todo o local, as pessoas estavam realmente assustadas e com raiva.

— Não se assustem, não sou tão poderoso a ponto de deter aquela força mágica, mas, sou esperto o suficiente a ponto de saber que os únicos piratas que existem tem barcos com design da era passada, então não foi difícil matar a charada.

— Então, senhor — Garniel tomou a palavra — Fale o que você quer de nós.

— Quero entrar logo no assunto, muito bem, eu simplesmente quero que vocês se unam conosco, contra o Reino Bluegarden. Eu descobri que nós temos muitos interesses em comum, e um deles é o ataque contra este lixo de reino.

— E o que nós ganharíamos com tal aliança?

— Achava que já soubesse — Zombou — Nós temos uma frota inteira de navios que podem ajudá-los neste projeto. Ou podem ser um enorme problema a vocês quando descobrirem que sei o segredo de vocês. Além disso, caso colaborem comigo, eu prometo que faço um mago que não é do meu reino, reforçar a magia que protege este chiqueiro. Antes que se pronunciem, eu não tenho vontade de extorqui-los, eu apenas quero que vocês se unem conosco em prol de destruição a Bluegarden, se vocês querem alguma garantia, eu posso fazer com que criem um selo que protege este lugar de invasores indesejáveis. Então, estamos de acordo?

— Então você quer que ajudemos vocês a destruírem Bluegarden, e em troca nós manteríamos o nosso segredinho? Temos alguma escolha?

O homem deu um riso de resposta e falou:

— Bem, espero que tenhamos uma ótima parceria.

Pulou esplendidamente do convés do seu navio para o vizinho e ofereceu a mão para Garniel. Ele apertou sua mão de volta, e os marinheiros do navio do Reino Solar aplaudiram, e logo depois o seu capitão pulou de volta.

— Posso saber o seu nome pelo menos?

Ele virou as costas, e disse:

— Yuan Alkoor, caso você não desobedeça nossa aliança, talvez você nunca me veja mais.

“É o que mais quero”

Ninguém falou nada, até o navio do Reino Solar tomar certa distância da ilha. Depois disso, começou um buchicho enorme no porto da ilha. Dryke, com uma expressão bem preocupante, se aproximou.

— Acha mesmo que devemos seguir o que esse corsário diz?

— Não temos escolha, não é mesmo? Porém, eu acho que tem mais coisa envolvida do que um simples ataque.

— Está certo, então vamos ver isso daqui pra frente.

— VAMOS! Vocês já sabem o que fazer, vamos por essa belezinha no ponto estratégico ao fim da tarde!

Dryke ficou olhando Garniel cabisbaixo e de olhos fechados, fez uma expressão de preocupação e foi até a tripulação arrumar os preparativos para a viagem.

***

— Estamos na sua ultima noite de viagem, Pandora.

— Que bom! Já não aguento mais o mar, muito tedioso.

— É bom aproveitar, pois sua vida não vai ser tão entediante, vai ter muitas coisas a fazer.

— O que quer dizer com isso?!

Bryan soltou uma risada.

— Você verá.

— Acho bom não se nenhuma pegadinha comigo, querido.

— Você vai ser tratada como um simples troféu no início, mas você se acostuma.

— Como é?!

— O que? Você não sabia? Geralmente seus pupilos inicialmente só servem para agradar os olhos do meu antigo mestre, fazer coisas banais, como limpar a casa, passar espanador de pó em seus grossos livros, etc.

— E VOCÊ VAI ME MANDAR PARA ISSO?

— Como você é manipulável — Gargalhou.

— Como ousa!

— Vi você com adorável livro, qual era mesmo?

— Curioso — Murmurou.

— Não pude deixar de notar o autor do mesmo, eu achei maravilhosamente irônico — Riu.

— Acredito que soube que o meu livro é apenas para o público feminino...

— Não, claro que “50 Maneiras de Observar os Homens” é um livro para o público masculino. É triste ver você lendo isto, pelo menos não vai ter tempo para gastar com besteiras no seu treinamento.

— Pode ser besteira para você...

Repentinamente, um nevoeiro altamente denso e escuro surgiu do nada, interrompendo o diálogo dos dois, colocando em alerta todos os presentes, Bryan correu para o outro lado do navio, onde deixou o seu cajado pendurado. Pegou o objeto, gritou para Pandora ir para a cabine. Ela obedeceu, foi junto com os outros trabalhadores no navio, só restaram Bryan mais cinco soldados com armas futurísticas em mãos. Logo surgiram clarões de luz verde, na verdade, algo mais parecido com formas totalmente indescritíveis, semelhantes a fantasmas, ou algo do gênero, em forma de relâmpago. Armstrong conhecia muito bem essa cena, o ataque do Cruz de Fogo está começando. Para não cometer o mesmo erro duas vezes, não esperou os piratas começarem o seu joguinho, concentrou toda sua aura e criou uma redoma escura que circundava todo o navio, que numa batida do cajado no chão, se expandiu, em uma imensa explosão, lançando todo o nevoeiro para os lados. Uma bala de canhão atingiu o navio, fazendo-o tremer, então, desesperados, os soldados começaram a atirar para todos os lados, então surgiram novos clarões de fantasmas verdes, então foram para eles que seguiram os tiros.

— PAREM! É ISSO O QUE ELES QUEREM! NÃO PERCAM A CALMA, IDIOTAS!

Era tarde demais, os piratas surgiram de todos os lados, em meio aos clarões. Os soldados começaram a atirar em todos, um banho de sangue se formou. Porém, os homens que foram metralhados simplesmente evaporaram com o ar. Assustando mais ainda os atiradores, que davam cobertura para o Mago das Sombras. O mesmo segurou o cajado com as duas mãos e ergueu ao céu, e de repente, um ciclone o circundou.

— Recebam os Ventos da Fúria!

O golpe varreu qualquer vestígio de pirata ou névoa que pudesse estar ali. O problema foi que em mais um clarão verde, todos os homens que cercavam Bryan caíram misteriosamente. Ele não poderia verificar se estavam vivos ou não, pois o alerta era máximo, parecia que estava entrando em contato com a fronteira da morte. Ouviram-se passos, alguém andava no convés a frente de Bryan,

— Parece que você foi o único homem que sobreviveu ao ataque — Fez uma pausa — Acho que você já me conhece, meu nome é Garniel Retcrow... Um pirata.

— Conheço você á muito tempo, é a segunda vez que vejo seu rosto.

— Por isso que estou mostrando novamente agora— Deu um riso — Você é famoso, Bryan, suas magias amedrontadoras e suas destrezas incomuns aos magos dão origem a essa sua fama.

— Parece que você nos atacou na hora errada. Não temos uma joia sequer para vocês saquearam.

— Meu amigo, a origem desse ataque não são joias nem os Neons. É pelo simples fato que odeio a sua gente.

— Como é?

— Exatamente. Um sistema político sujo, que pisa nos outros e por meio de várias injustiças conseguem o que quer. Vocês tentam por bem ou por mal, sem olhar a quem, não interessa o que destrói... Tentam ser a maior potência mundial... Hahahahahahahaha. Somos piratas, somos ambiciosos, queremos fama, dinheiro, e ser temidos... — Ergueu a cabeça levantou os braços ao céu — Mas antes de tudo, queremos que os Porcos Bluegardianos liderados por Renhart sejam destruídos! Que o seu reino se torne amaldiçoado pelos deuses! MALDITOS SEJAM OS BLUEGARDIANOS!

Duas auras incrivelmente fortes e densas surgiram ao mesmo tempo, Bryan largou o cajado e ambos lançaram rajadas de energia um no outro, que ficaram equilibradas.

— BRYAN! POR QUE DEFENDE COM UNHAS E DENTES O REINO DE BLUEGARDEN?! EXPLIQUE!

— EU LUTO POR AQUILO QUE ACREDITO, E NÃO VAI SER VOCÊ QUE VAI ME IMPEDIR DE PELOS MEUS IDEAIS!

No meio do equilíbrio das forças, criou-se uma esfera de energia, que se expandia cada vez que lançavam energia para empurrar o inimigo para trás, depois de um pequeno instante, ocorreu uma imensa e destrutiva explosão que lançou os dois para trás. Bryan bateu as costas dolorosamente num poste, e caiu de bruços. Garniel ficou em pé, mas foi um pouco arrastado para trás. Percebeu que perdera todas as suas forças, foi até a extremidade do convés, pediu uma corda e seguiu direto para o seu navio.

— Então, senhor, quais são as ordens?

— Atirem mais uma bala de canhão para eles, eu quero poupar nosso arsenal.

— Sim capitão!

Os atiradores se posicionaram, miraram para o navio semidestruído e atiraram contra ele. Garniel olhava a destruição do barco com um riso no rosto, depois fechou a cara e mandou a tripulação colocar o barco para seguirem no curso norte.

— Que os deuses tenham pena do que eu farei com os Bluegardianos — Murmurou.