Aventuras Solares

17 Capítulo 16 - Superação!


Passado: Ano de 960 VM

Os três jovens se impressionaram com a arquitetura do navio. Era todo feito de madeira encontrada no território élfico, não sabiam como obtiveram o material, pois as criaturas que cercam o local geralmente não são tão amigáveis com homens ou anões. Possuía três grandes mastros, sendo a do meio a mais imponente, pois ostentava uma bandeira branca com um símbolo preto que os garotos não identificaram. Na proa, uma enorme gárgula demoníaca chegaram a assustar os garotos quando aportaram em terra firme.

— Pois bem — Disse Edward com animação — Vamos lá!

— Acalme-se, cavaleiro — Arghoniel abriu um leve sorriso — Vamos partir para o topo da montanha em breve, mas antes eu devo dizer que devemos nos separar.

— O que? — Os jovens disseram juntos.

— A Mãe Natureza, ou melhor, o espírito maligno que a tomou está presa no dragão que está no topo desta montanha, e ela consegue perceber se um grupo de pessoas está vindo em sua direção. Não consigo explicar muito bem, então, é necessário que partamos separadamente e em intervalos diferentes.

Enquanto isso em um ponto mais distante da colina, um homem vestido de armadura puramente preta, com detalhes de cor púrpura, tirou seu grande elmo fazendo seus longos cabelos azuis balançarem ao vento e exibindo um longo sorriso em seus lábios “Como eu tenho sorte, agora eu não precisarei mais ir a sua procura, Arghoniel” Eis então que recolocou o elmo e em um piscar de olhos desapareceu nas sombras.

Edward tinha sido o ultimo a partir, porém estava no caminho mais curto para chegar ao topo, estratégia simples para que a equipe chegue junta ao cume da famosa Ilha dos Monstros, que poderia ser chamada de Ilha dos Mortos, de tão devastada que foi nos últimos dias, pela mãe natureza, criaturas de ambas as espécies sofreram por tempestades de raios, tsunamis, enchentes e outras mazelas, “Arghoniel está certo, devemos impedi-la urgentemente, se não isso vai alastrar para todo o mundo”. Eis então que uma energia escura se materializou por toda parte, deixando Edward confuso. Um som de passos de armadura vinha da direção oposta.

— Seja bem vindo, jovem guerreiro, meu nome é Avendhor, um dos sete cavaleiros mais poderosos a serviço do Senhor das Sombras, espero que se arme para o nosso combate, que quem sabe será o ultimo de sua vida — A calma em suas palavras era impressionante, como se essas palavras já fizessem parte de sua rotina.

Assim como seu inimigo orientou, Edward desembainhou sua espada se pondo em guarda para enfrentar a imponência que seu adversário tinha. Então esperou que Avendhor tomasse a iniciativa, e assim o fez, o golpe foi tão rápido que foi imperceptível aos olhos de Edward, que apenas viu, do chão a mão nua de seu inimigo em sua direção, ou seja, apenas sofreu um leve empurrão que fez cair de maneira tão fácil.

— Realmente, parece que eu estou certo, meu caro.

Ele se levantou com certa dificuldade, não estava a fim de entregar essa vitória tão fácil.

— Avendhor, se arme! Teremos uma batalha justa!

Ele deu um riso antes de responder

— Tudo bem, se quer assim — desembainhou a sua espada.

Dessa vez foi Edward que investiu, gerando um duelo de espadas, porém, no sexto golpe, Avendhor conseguiu jogar sua espada para longe de sua mão, o deixando indefeso, então aplicou uma cotovelada em seu rosto, fazendo-o cair.

— Vamos lá — Disse enquanto o circundava — Pegue sua espada — Deu um chute e seu tronco.

Com seu rosto sangrando, a adrenalina não permitiu sentir a dor, Edward pegou a espada e o atacou com a parte pontiaguda, porém seu inimigo desviou facilmente, aplicando uma cotovelada em sua nuca, que fez o cair automaticamente.

— É você que veio derrotar o dragão? — Deu uma longa gargalhada.

— Sim, é ele mesmo que veio para detê-lo — Arghoniel apareceu triunfalmente.

— Finalmente você apareceu — Deu um riso.

Os dois oponentes ficaram calados apenas se encarando durante alguns momentos, mesmo sem dizer uma palavra, a tensão já estava no ar. Arghoniel conhecia a pessoa que estava a sua frente: era o homem que vendeu sua alma para o Senhor das Trevas há vinte anos, não parecia por que sua fisionomia não era de alguém de quarenta e sim de vinte ou menos. Avendhor servia para o Reino Elemental, como Paladino, foi o líder do famoso Ataque dos Espectros, evento que o Reino das Sombras invadiu o campeonato de gladiadores, desafiando todos os reis do mundo, porém Arghoniel não sucumbiu às ambições do Senhor das Trevas e liderou o contra ataque enfrentando Avendhor, e o vencendo juntamente com seu exército de Cavaleiros das Sombras, sempre acreditou que eles jamais aceitariam a derrota e cedo ou tarde deflagrariam uma revanche.

— Parece que você já pretende se vingar da sua patética tentativa de dominação — Disse calmamente suas palavras mal percebendo que Edward se levantou.

Avendhor sorriu com ironia.

— Não diria que estamos em um ataque, acredito que mais em um teste para vocês, deixarei o cavaleiro passar por mim e seguir o seu caminho pelas ruínas da escadaria até chegar ao dragão, mas você fica.

Edward parou de cambalear e se pôs em postura firme, ao ouvir tais palavras a fúria tomou seu corpo.

— Quem você acha que...

— Wolfric, vá! — Interrompeu.

— Mas... Arghoniel!

— Sua missão principal é impedir que a Mãe Natureza causa mais destruição para o nosso mundo, eu cuido deste infeliz.

— Hm... Certo, te encontro no topo!

Edward correu, atravessou o corpo imóvel de Avendhor e seguiu seu caminho.

— Então meu amigo Avendhor... Vamos jogar.

— Se assim que você quer — guardou sua espada.

Duas rajadas de energia de cores antagônicas se chocaram violentamente, a batalha começou em um ritmo frenético. Avendhor tomou vantagem sobre seu oponente fazendo-o recuar à força.

“Esse maldito está me arrastando” Pensou Arghoniel

O núcleo da colisão das duas massas de energia simplesmente explode gerando uma luz ofuscante, que atrapalha a visão de ambos interrompendo o combate.

— Vamos continuar? — Avendhor deu um riso.

— Quando você quiser

A aura mágica de cada um começou a ficar mais visível, as cores dourada e roxa estavam ocupando cada vez mais espaço.

— Aqui vai: Locus Plante!

Imediatamente, não aconteceu nada, o que durante alguns instantes gerou bastante desconfiança em Arghoniel, porém o mesmo deixou isso de lado dando um sorriso e na hora que foi se mexer para um golpe direto, mas por incrível que pareça, ele não conseguiu se mover, e depois perceber que as arvores que estavam ao seus lados criaram fortes ramificações que prenderam seus braços e pernas e começavam a erguê-lo para cima ao movimento da mão direita de Avendhor.

— Mas que mer... — Lutava para se libertar.

— É inútil, Argh, essa é a contenção mais eficaz que você já viu na sua vida... Agora tome isto!

Uma esfera de cor crepuscular seguiu em direção ao peito do aprisionado, que lutava para vencer as correntes improvisadas que o prendiam, mas seu esforço não foi suficiente e a esfera o jogou para trás, mas como as ramificações eram tão fortes que balançou no ar, enquanto seu peito ardia.

“Vai ser duro aguentar por mais tempo essa surra”

— Vamos lá, Arghoniel, levante sua cabeça, pois vai sofrer mais duas dessas esferas flamejantes! Na terceira quase ninguém suportou a dor, as pessoas pediram clemência ou morreram no combate. Estou curioso para saber qual será o seu destino! Lá vai a segunda!

E assim o fez. A esfera atravessou o seu corpo, e queimou parte de seu manto, seu peito começava a jorrar sangue, não o suficiente para desacorda-lo, mas a dor era bastante intensa para deixar a sua mente enlouquecida. Precisava de uma maneira urgente de sair dessa situação, decidiu que não deve pedir clemência e que precisava derrotar Avendhor, pois o líder dele que deve estar atrás dessa fúria da Mãe Natureza.

— Agora o terceiro e provavelmente o ultimo.

A esfera atingiu Arghoniel, soltando um enorme grito que afastou alguns pássaros do local, porém, para a surpresa do seu rival, conseguiu se livrar das ramificações que o prendiam. E ao cair inerte no chão, Avendhor ergueu as sobrancelhas e golpeou o chão com a mão direita.

— Mas como esse infeliz conseguiu se livrar do Locus Plante! Ainda bem que ele morreu se não eu o levaria ao fundo do reino das sombras e sofra após da morte! — esbravejou.

— E... Eu não estou...

Ali Arghoniel estava, de pé, em posição de combate como um verdadeiro paladino, e não um simples mago de seu tempo. Era um homem que tinha a magia dos Wizards e a determinação dos soldados que empunhavam espadas.

— Ah, Por favor! — Lançou outra esfera flamejante que o jogou para trás.

Arghoniel ficou quase desacordado, precisava tirar forças do além para vencê-lo, mas se essa era a missão, ele ia fazê-lo, então deu um riso e tentou puxar as suas forças do além, e ergueu-se novamente. O seu oponente percebeu sua determinação em seus olhos ardentes, na atitude de mesmo em seu fim da vida, levantar-se dos seus golpes mais poderosos. A situação dele era deplorável, todo sujo de sangue e lama.

— QUE MINHA MAGIA SUPERE!

Todo o céu e a terra simplesmente se transformaram no espaço sideral, repleto de estrelas, a sua magia chegou ao extremo.

— Então essa é a sua “famosa” Cortina das Estrelas? — Deu um riso — QUERO VER O QUANTO É GRANDE O PODER QUE VOCÊ ESCONDE!

— A Cortina de Estrelas é o menor de seus problemas...

Ao fundo, uma esfera flamejante de cor amarelo puro, semelhante ao sol, crescia atrás de Arghoniel. “O que ele está fazendo é loucura! Não acredito que ele usou sua Cortina de Estrelas como uma distração e armadilha para a maldita Lumina Solarium!”

Então Avendhor viu as trevas novamente.

E Arghoniel olhou para trás com dificuldade, encontrando o único Cavaleiro Solar que confiava e estava esperando, Adamoth.