Aventuras Solares
16 Capítulo 15 - A Missão de Arghoniel
Ano de 960 VM
O velho mago Arghoniel andava calmamente pela floresta, rastejando sua túnica pelo chão, ele vinha de uma montanha que ficava muito tempo dali, e desejou não ter vindo, para não ver a cena que estava presenciando. O lugar estava todo devastado, criaturas mortas, arvores destruídas, alguns pontos de incêndio, enfim, dava a impressão de a floresta estava morta. O mago deu um suspiro e pensou: Eu tenho que impedir mais desastres como esses, mas não sozinho
Ele sabia quem chamar, logo depois de pensar nos indicados para está nobre missão, massageou seus longos cabelos negros, que iam até metade das costas, girou os calcanhares e correu até o encontro com o mar. Ao ver um barco com o símbolo do Reino Solar sabia que tinha tirado a sorte grande, agora ele tinha algum meio de transporte até seus futuros comandados.
Ah! O Reino Solar, terra dos melhores guerreiros do mundo, talvez eu encontre três jovens capazes de enfrentar o dragão Barbarian. Emergido em seus pensamentos, sentou-se solitário na mesa mais isolada da taverna, onde poderia imaginar como persuadir Edward, Axel e Layla.
Enquanto isso, um humano pequeno, barbudo e de cabelos longos caminhava pelas ruas movimentadas no fim de tarde. Ao ver um amigo de longa data resolveu surpreendê-lo ao sentar ao seu lado na taverna onde estava o amigo.
— Então, Arghoniel, todos sabem que o que você quer é uma missão muito difícil, e muitos guerreiros enviados pelos reinos fracassaram. Estamos na beira de uma Guerra Divina, os reinos não querem perder seus melhores magos, guerreiros, arqueiros, paladinos em uma missão que não há garantias de sucesso.
— Se estamos à beira de uma guerra divina, então seria mais do que justo três solarianos salvarem o mundo controlando a Mãe Natureza.
— Por quê?
— O Reino Solar era um lugar totalmente vazio e sem-lei antigamente, então, desbravadores de todas as raças de todos os reinos tomaram um pedaço para si, porém, os humanos se sobressaíram perante as outras raças, guerreando em busca de mais território, e assim consolidou-se no reino que estamos hoje. Apesar dos solarianos queiram ser chamados de raça pura, vocês são miscigenados com outras raças, principalmente anões. Inclusive, os habitantes que são identificados como “Sangue Misturado” sofrem nas mãos dos “Puros”. Caso três de vocês, puderem salvar todas as pessoas do mundo em um gesto, obviamente que criarão um laço de união entre todos os reinos, e isso seria crucial nestes tempos de Guerra Divina.
— Agora me explique, por que você quer especificamente estes três?
— As Escrituras das Estrela Lew são claras, e citaram três jovens específicos, sua idade e até cor de cabelo. Eu logo percebi quem são por causa do combate épico no deserto de Haagen, aquela aranha gigante foi totalmente destruída pelo grupo, que estava sendo liderado pelo General Ladus.
— Ladus? Ah meu velho, você vai precisar de um bom argumento para tirar os três debaixo da asa dele.
— Ou...
— Mate-o.
— Talvez precise dos dois — Eles riram.
***
Edward Worlfric estava andando no jardim do castelo real, pensando no seu desejo de se tornar um dos Cavaleiros Solares. Nos seus dias de folga, sempre gostava de andar pela cidade, e parar no destino onde estava agora, pois era um dos seus poucos momentos para reflexão, pensar no futuro, nos seus amores, nas suas inimizades. Era um garoto bem imaturo, tinha seus 17 anos, viveu no orfanato na capital durante até o inicio da sua adolescência, onde foi pego por Lothar, um dos melhores ferreiros do mundo, quando foi desafiado por alguns colegas a roubar a sua loja, obviamente que não deu certo o ato, porém, o ferreiro impressionou-se com a habilidade e persistência do rapaz ao enfrentá-lo, então ofereceu como punição, trabalhar para ele durante uma semana, ao ver que suas perspectivas haviam se confirmado, chamou Edward para ser seu aprendiz, e assim foi por alguns anos, até ser convocado para fazer parte do exército do Reino Solar.
Emergido em seus pensamentos, não notou que um velho homem apareceu magicamente alguma distância atrás dele.
***
Arghoniel precisava encontrar Edward primeiro, era um adolescente convicto, podia ser facilmente maleável com os argumentos certos, por isso tinha que se impor perante ele para que entre à missão. O Velho Mago conhecia uma magia muito eficiente de tele-transporte, mas precisava de sorte para encontrá-lo entre tantos lugares na cidade, decidiu então obviamente começar pelo castelo e de lá pedir informações. Nem foi preciso pedir ajuda para alguém, pois já tinha visto uma figura muito familiar transitando pelo jardim.
***
— O quê?
— Exatamente, quero que você se junte a mim para uma aventura. Você e seus amigos serão considerados os maiores heróis do mundo, se você confiar em mim.
— Confiar em você? — Olhou incrédulo — Que aventura está se referindo? Você faz parte do alto escalão do exército?
Arghoniel deu uma gargalhada cordial.
— Não, meu amigo, sou um dos Wizards, e acredite, essa missão será mais importante do que qualquer um do alto escalão do exército poderia dar a você.
Dotado de uma lábia magistral, o “Wizard” convenceu o guerreiro em algum tempo de conversa. E se tele-portou junto com ele para o centro comercial da cidade onde, dizendo Edward, os seus outros amigos podiam estar. Como de costume, o lugar estava movimentado, crianças, adultos, idosos transitavam falantes, compravam verduras, frutos, ferramentas etc. Seria muito difícil encontrar Axel e Layla, porém, os mesmos acabaram encontrando Edward e Arghoniel. Após as apresentações, Axel e Layla aceitaram a aventura, inspirados pelas palavras encorajadoras de união entre povos em tempos pré-guerra divina.
— Vou preparar minha armadura — Disse Layla.
— Será empolgante participar de uma aventura com um Wizard — Axel falava animado.
— Meus jovens, encontrem-me no porto quando estiver mais escuro possível, preciso fazer os preparativos para a missão, e não esqueçam, não devem contar nada a ninguém.
***
Porto do Reino Solar. A Noite
— Foi mais fácil que eu pensei — Bebeu mais gole de rum.
— Isso é uma má notícia? — Falou seu amigo enquanto arrumava alguma coisa no navio.
— Eu sei que sou um ótimo em persuadir as pessoas, entendo que eles são jovens e tudo mais, porém, isso poderá ser um problema no futuro daquelas crianças.
— Inclusive se superestimarem eles caso a missão for um sucesso.
Arghoniel jogou a garrafa no chão e sentou no convés.
— Maldição, eu não acredito que são esses que foram os escolhidos por Lew.
— Talvez não sejam, você tem certeza? — Deu um riso.
— Claro que são, Warugar! — Gritou
“Ah é, nunca questione um dado de Arghoniel, O Poderoso Mago” Pensou.
— Vou ter que colocar a minha fé e guiá-los nessa aventura— Fez uma pausa — Espero que Lew esteja realmente certo...
— Você tem um pensamento muito descrente para um mago velho — Apareceu um grupo de anões liderados por um com armadura.
— Então vocês não fugiram como eu pensei — gargalhou.
— Não Arghoniel, nunca fugimos de nenhuma batalha.
— Tudo bem, entrem no barco, como tripulantes, acho melhor ajudar o meu amigo com os preparativos da viagem.
— Certo— Deu um riso — Vamos, seus anões, ao trabalho!
O grupo de dez ou quinze anões trabalhou rapidamente, pois como são ótimos trabalhadores, não seria difícil cuidar de um mísero navio. O líder deles sentou ao lado de Arghoniel, e começou a falar:
— Acha que estamos seguros aqui?
— Com certeza, não nos perceberão em um milhão de anos, enfeiticei os vigilantes de uma maneira bem fácil, aliás.
— O grande ego do Mago Arghoniel — riu.
— Temos que ter cuidado... Enquanto eu vinha para cá, com os navios do Reino Solar, quase fomos atacados por criaturas do mar, enormes, verdes e nojentos, você devia ver...
— Não se preocupe, vamos estilhaçar qualquer um que entre ao nosso caminho.
Apareceram Edward, o guerreiro, Axel, O Mago e Layla, A Arqueira.
— Olha só — O Anão se levantou e tomou a palavra — Chegaram os escolhidos de... — Arghoniel pegou o seu cajado e usou uma magia que o jogou para a esquerda de forma violenta.
— Eu falei para tomar cuidado com o chão molhado — Disse Arghoniel
Continuou falando, até gerarem dúvidas.
— Diga-me — Falou Axel — Não somos nem de longe os melhores do Reino Solar, por que enviar justamente a gente?
— Deixe de ser distraído, Axel! — Falou com certa rispidez— Lógico que essa missão não foi aceita por outros por que todo mundo está com medo da Guerra Divina. Não é?
— Exatamente — Abriu um sorriso.
— Bem, vou deixá-los com o capitão do navio, Warugar. Ele dará algumas instruções para vocês.
— Bem, meus amigos... — Disse simpaticamente, se aproximando dos três e deu suas instruções.
***
— Por que você veio daquele jeito? — Reclamou o Anão, já longe de Edward, Axel e Layla.
— Eles não devem saber que o destino os escolheu, os afobaria dessa forma, não terão mais o senso do dever, se sentiriam superiores... Eu não quero que eles se tornem como aqueles malditos do Reino Solar, Os Cavaleiros Solares.
— Você sabe — fez uma pausa — Que eles são os escolhidos para lutar, mas não foram os escolhidos para vencerem, ou seja, é bem provável que haja muitas mortes nesta batalha.
— Estou no fim da vida, tenho 180 anos, vi mortes que ninguém quis ver, aprendi junto ao meu mestre que devo “enfrentar os problemas mais gigantes do que eu encorajando a pessoas de almas valentes a darem suas vidas junto com a sua e lutá-las pelo dever” É isso o que eu fiz, aqueles garotos são o nosso maior passo para o futuro, e protegê-lo com unhas e dentes.
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