Aventura Romântica
29 Lutando pelo Amor
Notas iniciais
Fábio
Estacionei meu carro perto no lugar de sempre e fiquei esperando ela sair do restaurante, Igor tenso ao meu lado.
–Ainda bem que são especialista em doces... Vão sair com espátulas na mão... Se fossem especialistas em carne sairiam com facas...
–Igor você está me deixando mais tenso!
–Vamos ser francos Fábio, eu falei não morra, mas agora vou te dizer não deixe ela te matar... Ou pior me matar!
–Cara, só estará a Lis e a Lia aqui, correríamos mais risco de morte se estivessem as outras.
–Fala isso porque não escutou a Lia falando outro dia quando terminou comigo! E lá vem ela...
Olhei para a mesma direção que ele e vi Lia se aproximando, com certeza havia nos visto. Sai do carro para conversar com ela.
–O que faz aqui?
–Lia, eu sei que está com raiva de mim...
–Muita raiva de vocês dois! – ela falou sem olhar para Igor que se colocou ao meu lado.
–Lia... Eu preciso falar com ela, pedir perdão...
–Qual é a sua em Fábio? Nós lemos todas as crônicas que escreveu como Telmo Siqueira... Como pode usar nossa amiga e pior usar nossas histórias? Debochando de tudo!
–Não era um deboche... São textos que vou escrevendo, não foi com a intenção de ridicularizar ninguém... Não coloquei o nome de ninguém.
–Nem precisava né?! Nós sabemos que as amigas loucas somos nós!
–Me desculpe Lia, durante muito tempo escrever foi muito difícil para mim, era uma ligação forte com meu passado, mas quando Lis chegou mudou tudo, era fácil colocar ideias no papel, tanto no humor quanto nas crônicas mais sérias, letras de músicas, textos românticos, não é só aquilo que leram entendeu, tem coisas verdadeiras e boas que escrevi. Mas acontece que esse tipo de coisa vendo mais fácil, é meu trabalho... mas em momento nenhum eu pensei em usar a Lis... No começo achei que seria só uma aventura, sexo aventura... Mas do nado ela foi se instalando no meu coração e um sentimento novo surgiu... Poxa, eu me arrependo de não ter mostrado as crônicas para ela, eu só queria dizer que eu não penso mais como o cara que escreveu a crônica da psicopata do café, e se ela ler minhas últimas crônicas vai perceber a mudança de um cara mundano para apaixonado...
–Você é engraçado Fábio! Quando ela estava se apaixonando e tentamos aquele fim de semana desastroso, fugiu do relacionamento como diabo foge da cruz, e agora que está livre vem nos perturbar.
–Eu não quero esse tipo de liberdade, eu quero a liberdade que sinto quando estou com ela... Liberdade de amar sem medo!
–Lia, o Fábio está arrependido de verdade...
Lia olhou finalmente para Igor e seus olhos tremeram um pouco mas voltou a focar em mim.
–Sabe, ela não veio trabalhar hoje pegou mais uma licença, está deprimida, como se não bastasse todos os problemas que tem, ainda acontece isso, seria tão mais fácil se você não tivesse aparecido na vida dela... Olha só some Fábio eu não vou cair na sua ladainha de novo e não quero minha amiga sofrendo por um cara que não a merece.
Ela virou e foi andando rápido no estacionamento.
–É agora não tem mais jeito cara... – Igor disse desanimado.
–Ué não foi você que disse para eu lutar? -sai correndo atrás dela.
Quando a alcancei segurei seu braço.
–Que isso está louco?
–Lia, me odeie, mas saiba que vou lutar pela Lis, pelo perdão dela e pela nossa felicidade... Você é a melhor amiga dela, sabe o que é melhor para ela, se quiser pode me impedir... Ou então me ajudar... Não importa, agora não menospreze os sentimentos do Igor, ele está gostando de verdade de você. Não perca a chance de viver um amor com ele por minha culpa. Eu já carrego muitas culpas, não quero carregar mais essa...
Ela ficou me olhando confusa, depois virou e seguiu me deixando ali no meio do estacionamento.
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–Fábio, Fábio, Fábio!!! -Igor pulava em cima da minha cama.
–Está louco cara! Que horas são?
–Quem quer saber que horas são? Acorda! A Lia me ligou!
–Ligou?
–Sim... E quer me ver!
–Bom, me acordou para isso, vai ver ela então!
–Eu vou já, ela vem me buscar!
–Nossa mudou de ideia rapidinho! -sentei na cama enquanto meu amigo andava de um lado para o outro feliz.
–Ela disse que pensou no que falou... E acha que eu não tenho culpa, afinal quem tem culpa de ter um amigo cretino!
–Começou com os elogios!
–Tem mais... Ela disse, que nunca viu a Lis sofrer por um cara como está sofrendo por você.
Meu coração apertou ao escutar isso.
–O Lucas era uma zona de conforto e ela sentiu o choque da separação, mas não como agora, ela te ama... Então a Lia disse assim: “Diga para teu amigo babaca, que dessa vez é sério se ele não mudar as coisas, vou matar ele, fazer picadinho mesmo e colocar em uma receita bem macabra... Se ele quer de verdade o perdão da Lis, só tem duas pessoas que podem ajudar ele a chegar direto no coração dela...”
–Tia Ana e a mãe! -eu mesmo conclui.
–Isso, tia Ana é a pessoa que ela mais tem carinho e é um pouco mãe dela... E a mãe é um elo com o passado dela, a confusão do presente e o mistério do futuro, a pessoa que ela mais amou e ama, a Lia disse que muitas vezes não é a mulher que não a reconhece como filha e sim a Lis que não a reconhece como mãe.
–Eu sei disso...
–Então vai a luta amigo! Que eu vou ver a minha Lia, e para seu governo é uma da manhã! Fui!
–Boa sorte!
Lia tinha razão, Lis não conseguia ver a mãe na mulher doente que ia visitar na clínica... Ele precisava ajudar a mudar isso, antes que fosse tarde para as duas e precisava recuperar a vida dele, a vida que ele tinha encontrado em Lis.
Algumas semanas depois
Lis
–Bom dia... Mãe?
–Cadê seu livro?
–Livro?
–Ah Lis, dona Regina, está participando do programa de leitura.
–Programa de leitura?
–Isso, jovens voluntários vem algumas vezes na semana adotam um paciente e passam algumas horas lendo para eles, ou escutando as histórias que eles tem para contar.
–Que legal mãe, está participando disso?
–Onde ele está?
–Ele não pode vim hoje, só amanhã!
–Ele? – fiquei confusa.
–O rapaz que adotou sua mãe, precisa ver que carinhoso, está vindo três vezes na semana e ainda no domingo.
–Domingo? E ela não fica agitada? -perguntei preocupada.
–Nada! Ela adora escutar poesias e até contos de romance.
–Nossa isso é maravilhoso! Estou muito feliz mãe.
Mamãe fixou o olhar no nada e ficou calada.
–Introspectiva como sempre a sua mãe...
–É verdade... Eu tenho que ir, hoje é um dia difícil na confeitaria.
–Vão vender?
–Sim... Achamos um comprador que assumirá as dividas.
–Não pode vender! – me assustei quando minha mãe levantou e me olhou aflita. – Não pode vender! Não pode... Não pode!
Ela começou a gritar mais alto e chorar ao mesmo tempo e nada a consolava.
–Se acalme dona Regina.
–Não pode vender, não pode, não pode, não pode...
Logo outro enfermeiro apareceu e a levaram me deixando arrasada como sempre após cada visita.
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–Como assim tia?
–Isso que está ouvindo! Pagaram todas as nossas dividas!
–Não pode ser! Quem fez isso?
–Não sei querida, simplesmente pagaram.
–Ninguém simplesmente paga um zilhão de dividas do nada...
–Também acho, mas pagaram.
–E o comprador?
–Ele desmarcou, só pode vim na semana que vem.
–Meu Deus tia... quem pagou nossas contas?
–Querida, pare de perguntar quem foi e comece a agradecer!
–Hoje mamãe teve uma crise... Não quer que venda a confeitaria.
–Talvez ela tenha razão...
–Tia, outro dia me disse que está com idade avançada e filho criado que o melhor era vender?!
–Mas se tivesse uma moça jovem que amasse esse lugar como eu ou como sua mãe, poderia muito bem cuidar disso tudo, ainda mais com as dividas pagas... É uma proposta de recomeço...
–Tia... Eu não posso largar minha carreira assim...
–Largar? Minha filha sua carreira é onde você estiver... O nome do restaurante não é o que lhe dá felicidade de trabalhar e sim o amor que tem pelos doces e pela arte de misturar sabores.
–Está falando como ela...
–Sim, para que você não esqueça que sua mãe nunca quis que você fosse famosa ou conhecida no mundo todo, ela sempre quis que você ficasse aqui e expandisse a confeitaria.
Fiquei pensativa a tia Ana tinha toda razão minha mãe queria que a confeitaria passasse de geração para geração. Se o menos tivesse capital para investir, poderia convidar Lia para ser sua sócia, mas sabia que nós duas não tínhamos uma grande quantia de dinheiro.
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–Um evento?
–Claro Lis, um evento beneficente! Arrecadaríamos dinheiro e poderíamos modernizar a confeitaria e investir em novos equipamentos.
–Não sei como fazer isso...
–Eu sei! Igor pode divulgar no jornal e no restaurante todo mundo vai querer participar, uma grande venda de doces e quem quiser ajudar doa uma quantia para a confeitaria, é um lugar que todo mundo ama Lis, tem cheiro de infância.
–Você e Igor estão bem?
–Sim... Conversamos e está tudo bem...
–Claro ele não tem culpa de nada.
–Sabe você deveria ler o jornal dessa semana, tem umas crônicas boas lá...
–Não quero ler nada! -fugi do assunto a mais de três semanas não sabia notícias de Fábio, as meninas evitavam falar dele, e mesmo Lia não comentava nada sobre Igor, era triste, mas era melhor assim, eu esqueceria rápido dele.
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