Notas iniciais
"Até parece que eu conseguiria te olhar e não te querer." *Fábio não sabe ao certo o que quer... Só tem certeza que não pode perder de vista essa garota, logo, trama uma proposta a qual Lis tem total poder para aceitar ou não... Boa leitura!

Lis

No bar ele escolheu uma mesa afastada, tinha música ao vivo, mas pelo horário já estava bem mais sossegada apenas uma sinfonia calma preenchia o ambiente com poucas pessoas bebendo e conversando. Eu resolvi pedir um suco e ele me acompanhou. E então era isso estávamos ali naquele lugar e uma curiosidade sem tamanho tomou conta de mim, o que afinal ele queria, eu não estava tão assustada quanto Lia, mas estava bem confusa. O mesmo cara que fugiu quando viu uma simples mesa de café, agora me procura no meu trabalho para me ver, alguma coisa estava acontecendo e ela precisava descobrir o que era.

—Então me fala você estava me procurando?

Ele me olhou risonho.

—Sim...

—Uau isso é um tanto quanto curioso não acha?

—É verdade... Mas você sumiu, não foi mais ao bar.

—Eu andei meio enrolada esses dias...

—Bom imagino que uma chef famosa deve ter vários compromissos.

—Não, nem tão famosa assim, só fui lá no programa graças a um querido professor da faculdade só isso. Mas sim tenho vários compromissos. -desconversei.

—Aquele dia que saiu cedo sem nem me contar onde ia, já era um desses compromissos?

Ah não eu não queria pensar nos meus compromissos das sextas de manhã.

—Pode se dizer que sim... Então Fábio, agora você já sabe mais coisas de mim do que a maioria das pessoas que me conhecem sabem.. Já sabe onde moro, onde escondo minha chave, sabe minha profissão, onde trabalho, e sabe que canto mal... eu não sei nada a não ser que não gosta muito de cafés da manhãs surpresas e que vem num restaurante pedir sobremesa só para me encontrar... – falei divertida.

Ele deu uma gargalhada gostosa.

—Só escutei verdades... Espero que tenha mesmo mudado o esconderijo da sua chave.

—Não mudei, mas assim que chegar em casa vou fazer isso. -Dei um gole no meu suco sem tirar os olhos dele além de estranha essa noite estava cada vez mais interessante.

—Bom acho justo, mas você já sabe mais coisas do que isso do café e o detalhe do restaurante... Sabe que eu tenho um hobby de cantor, sabe que me chamo Fábio e provavelmente sabe que gosto de dormir do lado esquerdo da cama.

—Opa, essa conversa já está mudando de rumo... – Me senti um tanto envergonhada, mas bem menos que outras vezes acho que estava mais solta, segundo Nanda isso se deve ao fato de não estar sempre pensando em relacionamento quando estou com um homem, isso seria uma das maiores vantagens do sexo aventura, ser mais desinibida e confiante.

—Tudo bem o que quer saber?

—O que você faz?

—Sou jornalista freelancer. Mas atualmente estou escrevendo crônicas para diversos jornais e até algumas revistas.

—Crônicas? Não acredito. Eu tenho uma tia, a tia Ana, ela coleciona crônicas é hobby dela meio entediante eu acho, mas as vezes eu leio algumas boas.

Notei que ele ficou um pouco desconfortável.

—É um hobby interessante.

—É ela coloca tudo numa pasta separando por tema. Sobre o que você escreve?

—Sobre tudo e sobre nada... coisas que acontecem comigo ou com amigos, as vezes num tom de humor, outras de critica, as vezes num tom informativo.

—Deve ser interessante, quando for lá na minha tia vou ver se acho algo teu.

—Bom, chega de falar de mim...

—Como assim mal começamos. Onde você mora?

—Moro numa kitnet com um amigo.

—E seus pais?

—Moram no interior, vou lá as vezes visitar.

—Que bom poder ir visitas os pais assim. -de repente me senti solitária.

—E os seus pais?

—Meu pai é falecido há muitos anos e minha mãe... bom minha mãe é uma pessoa maravilhosa. -Foi tudo que consegui dizer sobre minha mãe sem começar a chorar. – Bom mas não vamos falar de mães né, estaríamos infligindo uma das regras do sexo aventura.

Na mesma hora que falei isso para desvincilhar a conversa sobre minha mãe, me arrependi o sorriso de satisfação no rosto dele demostrava que sexo aventura era tudo que ele queria escutar.

—Porque não criamos nossas próprias regras.

—Nossas próprias regras do que?

—Desse termo “sexo aventura”.

—Segundo a Lia isso aqui já não se enquadra mais nessa categoria, afinal sexo aventura é uma noite e tchau. — imitei minhas amigas.

—Então vamos achar uma nova categoria...

—Uma que não inclui cafés da manhã?

Ele me olhou como se buscando sinal de que eu iria embora dependendo do que ele falasse. Abriu um sorriso incerto e começou a falar.

—Lis, não que eu não ache interessante manter uma relação séria, mas não é o que eu estou procurando.

—O que você está procurando?

—Uma... Amizade?

—Uma amizade? – indaguei. – Que tipo de amizade estamos falando aqui?

Ele puxou a cadeira vencendo a distância que estávamos e sentou com o rosto quase colado no meu, de um jeito que eu podia ver cada expressão como se estivesse num filme em 3D bem como sentir o hálito quente dele a poucos metros do meu rosto.

—Do tipo de amizade que podemos confiar um no outro.

—Tipo confidentes?

—É pode ser também, acredito que ser confidentes é uma coisa importante na amizade, além do respeito claro, e da troca.

—Eu não tenho muitos amigos, tenho as meninas, e um amigo da infância que vez ou outra aparece, meu primo que é um bom amigo. Mas acho que é só.

—Então vai ganhar um novo amigo.

—Esse meu novo amigo... – também cheguei meu rosto mais perto dele, estava claro que fosse o que fosse eu queria ter ele perto de mim. – É tipo um amigo querido e fofo... que só quer o meu bem?

—Esse seu novo amigo, quer o seu bem sim... Mas não precisa ser do gênero querido e fofo.

—Não?

—Não... Esse seu novo amigo pode aliar amizade pura e verdadeira sei lá... com sexo aventura por exemplo. -Ele sorriu maroto.

—Ah, então chegamos no centro do universo que nos uni.

Ele riu, a língua passando nos lábios para umedecê-los e os olhos focados no meu rosto.

—Uma amizade-colorida. Onde tanto eu quanto você saímos ganhando, a gente se deu bem desde nossa primeira vez, e a segunda foi melhor ainda... Porque não continuamos?

Era estranho como falávamos sobre isso tudo de uma forma tão tranquila, eu não estava me reconhecendo, e o tempo todo lembrava que minha mãe sempre dizia que na vida devemos aproveitar o momento para não nos arrependermos depois.

—Então nessa nova categoria da nossa relação, somos amigos que dormem juntos toda a noite?

—Não... podemos estabelecer alguns dias fixos, ou sei lá quando alguém estiver a fim...

—E quando for um dia fixo e alguém não tiver a fim.

—Respeito em primeiro lugar, respeito à vontade do outro.

—Essa é a primeira regra?

—Sim.

—Sem cafés da manhã?

—Sem compromissos íntimos demais vamos dizer assim.

—Sem encontros românticos.

—Sem...

—Sem passeio de mãos dadas?

—Sem...

—Sem telefonemas tipo “onde você está?”

—Acho que amigos podem se ligar, mas sem muita pressão.

—O que mais?

—Eu acho que o importante é não se iludir e não se magoar.

—Ou seja, Lis é só sexo aventura com um cara fixo!?

Eu não acredito que estou discutindo isso com esse cara que mal conheço num bar que está quase vazio, com o nariz dele quase roçando no meu.

—É... De uma forma meio torta é isso mesmo, mas não quero que pareça leviano, é uma equação obvia, nos damos bem e queremos continuar assim.

—E tem algo contra sairmos com outras pessoas?

—Lis... eu não quero sair com outras pessoas, pelo menos não agora... Se você quiser isso, não terá uma regra, só quando não quisermos mais, vamos falar abertamente e deixar só a amizade.

—Se eu perceber que isso não vai dar certo para mim, podemos ficar só amigos? Isso?

—Sim, claro. A hora que você quiser paramos.

A cerca de uma semana minha tia tinha me dado uma péssima notícia, e eu pensei que nada na minha vida tinha mais sentido primeiro minha mãe... depois o Lucas, e a confeitaria da minha família que representava tudo de mais sagrado quando se tratava da minha infância, tudo tinha desmoronado. Minhas amigas tinham razão eu precisava de uma válvula de escape e por mais que na primeira vez eu tenha me decepcionado, depois da segunda noite tudo foi mais tranquilo, não fiquei com vontade de ligar nem nada, simplesmente aceitei o fato que nunca mais veria aquele cara, e agora ele estava ali me propondo uma amizade com benefícios que podia ou não aceitar, havia uma escolha que poderia ser certa ou errada.

— Se eu não aceitar podemos ser só amigos desde agora?

—Sim... — ele mordeu os lábios apreensivo.

—Acho que preciso pensar bem... Afinal é tudo meio confuso...

—Concordo, precisa analisar toda a situação, mas confesso que vou ficar bem feliz se você aceitar.

—Feliz quanto?

—Muito mesmo, você nem faz ideia! -ele era sexy de um jeito fofo, se Lia estivesse aqui, faria uma enorme reflexão de que no fim eu iria me dar mal com certeza... Afinal que mulher aceita ter esse tipo de relação com um homem que é ao mesmo tempo sexy e fofo? O que eu devia fazer... Bom, uma coisa era certa eu não tinha muito a perder, eu estava sem namorado, e continuaria sem... Talvez a minha sanidade... Mas eu tinha uma experiência concreta que a sanidade era uma coisa muito sutil e perde-lá era mais fácil do que poderia se imaginar.

***

Fábio

Eu podia sentir o cheiro leve de laranja misturado a outros cheiros como maçã e canela mas o perfume dela eu já sabia distinguir no meio daqueles aromas diversos, os olhos me encarando cheios de dúvida, no entanto, muito mais maduros que no dia em que toda medrosa foi comigo ao palco. Quando sai de casa com o endereço do restaurante num papel que havia arrancado de algum dos meus cadernos de anotação, eu não sabia bem o que faria, por um lado tinha em mente que de alguma forma estranha essa menina estava trazendo muitos benefícios ao meu lado profissional e um certo desalinho ao meu emocional, por outro tinha certeza que não poderia ter um relacionamento sério, não depois de tudo que passei a cerca de dois anos com minha ex... Não eu não estava preparado para viver um envolvimento amoroso com promessas e planos... Eu já sabia que não me dava bem com essas coisas. No entanto no restaurante enquanto a via voltando para dentro da cozinha algo me fez processar essa proposta um tanto quanto maluca, eu já tinha visto isso num filme, mas jamais imaginei que eu poderia sequer sugerir isso a alguém, meu lance era curtir, e só, mas essa garota me tirava do eixo de um jeito que eu não compreendia.

E ali estava eu numa expectativa quase que alucinante com o rosto perfeito dela quase que tocando no meu. Com um medo imenso que ela fosse embora e nunca mais me desse uma chance de me aproximar. E quando sua boca se encaminhou até meu ouvido senti meu corpo se render, o nariz dela passando no meu rosto delicadamente.

—Isso pode ser a coisa mais maluca que eu já fiz na minha vida... E provavelmente minhas amigas vão surtar... Mas... Eu quero ser sua amiga... Quero viver essa aventura com você.

Ela sussurrou me deixando louco. Não aguentei puxei o rosto dela e a beijei, nossas línguas estabelecendo uma gostosa sintonia, as suas mãos procurando meu rosto e eu me envolvendo completamente.

Notas finais
Eita... Só sei sentir! Que proposta foi essa Brasil?! Beijos =*