Aventura Em Alto Mar - O Colar Perdido
6 Capítulo 5 - História Parte I
Notas iniciais
Não dava mais! Jude estava me fazendo de escrava. Ele expulsou todas as empregadas da casa só para me ver sofrendo. Agora, com isso, eu não tinha mais tempo para cuidar da minha filha, Lucy. Não sei como tive a coragem de ter um filho com ele, mas a criança não tem culpa.
Fui obrigada a me casar com apenas 15 anos, por causa da minha mãe. Ela sempre dizia que era bom se casar cedo. O que ela queria mesmo era se livrar da filha. Odiava-me só porque eu sou bonita, e, a maioria dos homens, queriam viver o resto da vida comigo. Procurou logo um homem e fez o casamento forçado.
No começo, até que nós dois nos amávamos, mas mesmo assim ainda duvidava do amor dele. Passaram-se sete anos de casados e aí sim começou. Jude começou a falar com um homem estranho sempre escondido no escritório. Mais alguns meses e comecei a observar a conversa deles; falavam sobre joias e outras coisas que não conseguia ouvir.
Até que um dia ele percebeu e me mandou fazer todo o trabalho das empregadas, que já tinham ido embora. Nunca tinha lavado uma casa, pratos e roupas. Estava pesado! Mais alguns meses e consegui engravidar. Finalmente saí daquele inferno, Jude contratou empregadas e eu pude ficar em paz.
Durante a gravidez nada aconteceu, nenhum susto, nenhum trabalho ou dores nas costas. Estava tudo normal, até ali. Quando Lucy, minha filha, tinha dois anos, escutei uma conversa de Jude e o homem de cabelos negros:
— Tem certeza que é aquele? – Pela voz, com certeza, era meu marido. Mas do que eles estão falando?
— Tenho. – Falou confiante o homem. – E você deve pegá-lo, não temos tempo a perder. Aquilo vale ouro, muito dinheiro, mais do que já temos. – Será que eles estão falando das minhas joias, que são as mais preciosas que existe em Hargeon.
— Não é melhor esperar mais, tenho uma criança aqui em casa. – Olhei para Lucy que estava em meu colo dormindo serenamente.
— Não, já disse que não temos tempo.
Aquilo já era o bastante para mim, com certeza, iriam fazer alguma coisa contra minha pequena. Corri para o quarto e fechei a porta. Abri o closet e peguei um pequeno vestido. Enrolei Lucy em um manto e dentro, coloquei a roupa e um colar muito precioso para mim, pois foi o presente que minha vó falecida me deu.
Desci as escadas rapidamente, mas silenciosamente para não assustar ninguém. Corri pelas as ruas sem ninguém, pois por essa hora do almoço, não ficava ninguém nas ruas. Só tinha um lugar que eu poderia deixar minha pequena; no porto.
Era esse o lugar. Quando cheguei ao local, vi que alguns barcos se preparavam para sair, então aproveitei. Coloquei, cuidadosamente, Lucy perto de um dos navios enormes. Dei um beijo na sua testa e percebi que algumas lágrimas queriam sair. Andei de volta para casa, olhando sempre para trás. Eu me culpo se ela não for feliz, só queria protegê-la.
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