Notas iniciais
O-Oi gente! Demorei um pouquinho não é? Só que não! Já fez dois meses. Desculpa gente, sério. E desculpa também por voltar com um capítulo tão triste, mas isso tinha que acontecer. Boa leitura

Não soltou a mão da sua amiga, iriam juntas nisso até o final. Adentraram no navio que era bastante velho. Poucas pessoas estavam ali, então seria menos barulhento. Um homem já de idade levou todas as crianças para o porão do barco e as trancou ali.

— A gente poderia ganhar mais conforto de ter trabalhado pra vocês todos esse tempo! – Gritou Sherria à frente a porta fechada segundos atrás. Suspirou e sentou-se junto a Wendy, enquanto os outros se acostumavam com o lugar que cheirava a chiqueiro. – Aqui fede demais. – Reclamou a garota colocando suas mãos à frente ao nariz tentando não sentir mais aquilo, mas não adiantou. – O que foi Wendy? – Percebeu que sua amiga estava encolhida ao seu lado desde que se sentou ali.

— É só que... A última vez, que eu me lembre, que estava em um navio minha amiga ela... – Se encolheu ainda mais se lembrando do acontecido.

— Fica tranquila Wendy, estou aqui com você, nada de ruim vai acontecer. – E abraçou tentando confortar a pequena. O problema era que Sherria estava completamente errada.

Duas horas depois, as crianças ouviram o barulho da porta se abrindo e rapidamente se levantaram, mas era apenas o mesmo senhor que as deixou ali que havia voltado para deixar um pouco de comida.

— O chefe mandou isso pra vocês. Não é muita coisa então dividam entre si. – Fechou a porta e trancou novamente.

— Dividir entre si não é mesmo? – Um dos garotos pegou o prato onde estava um pouco de alimento e começou a comer. – Isso aqui não dá nem pra um. – Disse após engolir.

— Ei! – Sherria levantou-se e puxou o prato das mãos do menino e notou que não havia mais nada. – Olha o que você fez! – Mostrou o objeto para o outro e depois atirou na parede assustando todos ali. – Ficou com a comida toda pra você seu... – Iria dar um soco na cara do garoto, mas os dois acabaram se desequilibrando com um balançado do navio. – Droga! – Reclamou ao dar de cara com o chão.

— O que foi... – Wendy levantou-se e iniciou a pergunta, mas foi interrompida por um som de canhão vindo do andar de cima. As crianças mais novas do que os três ali, ficaram encolhidas em um canto com medo.

E novamente o navio se balançou fazendo a pequena cair também. Todos ficaram em silêncio ouvindo barulhos de espadas se chocando uma com as outras nos andares mais de cima. E mais uma vez ele balançou, só que dessa vez mais forte, fazendo os três rolarem. Wendy bateu a cabeça fortemente na parede. Ela sentiu sua visão escurecer um pouco, mas não havia desmaiado. Tocou a nuca sentindo alguma coisa escorrendo por ali e se assustou imediatamente: era sangue.

— Wendy! – Gritou Sherria tentando se arrastar até a menina de cabelos azulados, já que não podia se levantar, pois havia machucado sua perna. Antes de poder juntar a mão com a da sua amiga uma bomba atravessou o porão quase a atingindo-as formando um buraco enorme na parede e o garoto que estava junto a elas deslizou para esse buraco e foi levado pelo vento que estava forte.

Os outros tentaram se segurar em algum lugar, mas o vento estava muito mais forte e o mar estava agitado. Wendy ainda se lembrava daquela noite, a noite que se separou de sua amiga e logo olhou para Sherria com os olhos desesperados. Ela não estava conseguindo se segurar em um dos ferros que tinha no porão. A água estava já entrava no lugar e logo iria afundar.

— Sherria! – Gritou a pequena garotinha de cabelos azuis com algumas lágrimas já nos olhos. – Continua segurando nesse ferro, por favor! – Notou que a outra sorriu e havia colocado a mão em cima da sua, isso fez com que as lágrimas rolassem pelo seu rosto.

— Seja forte, Wendy! Não desista nunca, não desista de encontrar sua amiga, sua melhor amiga. Sonhe alto com o dia que vocês se encontrarem, você merece tudo isso. Eu não mereço ser salva, fiz muitas coisas erradas antes de trabalhar para aqueles caras. Eu nunca contei pra você, mas... Quem sabe um dia não é mesmo? – A pequena viu que a mais velha soltava seus dedos do ferro lentamente e desesperou-se, negando com a cabeça. – Adeus Wendy, minha amiga! – E soltou por completo os dedos.

— Não! – A outra gritou enquanto via sua companheira sendo levada pelo vento, lembrou-se primeiro de Lucy, depois de todos os momentos com Sherria. Por que todos estão me abandonando? Esse era seu pensamento enquanto se desmanchava em lágrimas.

A água já estava no seu queixo e Wendy já estava desesperada por não respirar muito bem. Viu as outras crianças sendo levada pela correnteza, mas ela ainda segurava fortemente o ferro. Homens com espadas nas mãos apareceram ali e tiraram a pequena dali. Essa era a segunda vez que isso acontecia. Era segunda vez que estava se afogando e tiravam ela dali. Não queria ser salva, não tinha mais forças pra nada. Só para relembrar uma promessa que uma loira havia lhe feito.

“Uma criança e uma adolescente brincavam em um dos quartos do navio Dangerous. Haviam terminado o trabalho mais cedo e estavam livres para brincarem, mas sem fazer barulho nenhum.

— Lucy! – Chamou a pequena que tinha cabelos azulados olhando fixamente para a mais alta que era loira.

— Sim, pode falar.

— Me promete uma coisa? – A mais nova levantou-se do chão indicando que o assunto era sério o que fez a outra levantar.

— Claro meu anjo. – A loira passou a mão pelos cabelos curtos da outra.

— Promete que nunca vai me deixar e vai me levar pra onde você for? – Perguntou com a cabeça abaixada brincando com seus dedos, com medo da resposta que viria.

— Oh meu amor! – Lucy abaixou-se para ficar na altura da outra e levantou o rosto para ficarem com os olhares conectados. – Pra que essa pergunta logo agora? É claro que prometo que nunca vou te deixar e irei levar pra onde eu for Wendy!”.

Notas finais
Triste? Foi mal kkkk. Até o próximo!!!