Notas iniciais
Sou nova por aqui e, fiz essa fic em homenagem a uma linda amiguinha que fez aniversário a muito tempo atrás e eu enrolei muito, muitão pra presentear ela com essa história e agora que ficou pronta, não sei como ficou além de pronta, espero que esteja aceitável, ao menos.

“Era uma e única vez em um continente muito distante, isolado pelo mundo e por todas as criaturas, onde vivia uma menina, uma bela menina, uma linda menina, ela tinha olhos azuis que refletiam as águas de todo universo, lábios tingidos de vermelho simbolizando todo fogo universal, pele branca transparecendo todo ar do universo e cabelos castanhos avermelhados abençoando toda a terra de todo o universo. Quando ela aparecia, aconteciam milagres, só com a sua presença o mundo seguia um ciclo de paz e as pessoas começaram a chama-la de Kami. Porém, ela tinha uma irmã gêmea e todo o amor que Kami plantava, ela vinha e destruía plantando o ódio, a irmã por sua vez tinha os olhos e cabelos negros, já sua pele era tão branca que seus lábios eram arroxeados e as pessoas começaram a chama-la de Akuma. Kami e Akuma nunca se encontraram, assim como o Sol e a Lua, e assim como tais nunca souberam que existiam, uma a outra, porém um dia o ciclo se quebrou: Kami estava ensinando uma menininha órfã a pular corda, quando de repente o céu tingiu de vermelho, o Sol que tanto brilhava começou a ser sucumbido pela Lua e elas se encontraram... foi uma catástrofe, houve guerra e consequentemente a extinção total do continente e daquele dia em dia a dia adiante a união das gêmeas ficou conhecida como uma lenda chamada Eclipse, o dia em que a lua sangrou mas popularmente dita como Lua vermelha.”

Eria fechou o livrou, cruzou as pernas e disse:

- Enquanto pra todos é uma lenda, pra mim foi o pior dia de toda a minha vida, mas não foi tão ruim assim, deu pra sentir um calafrio na bunda. HA HA HA HA HA! – Enquanto ria vigorosamente, Reila que estava deitada na cama apenas observando toda aquela encenação louca e totalmente desajeitada, virou a cabeça para o lado de Eria, entortou seus lábios levemente pro lado e com um biquinho reclamou baixinho:

- Oba-san, você não deveria brincar com a sua vida ela é muito importante pra mim e você deveria valorizar mais a sua bunda. – Mas, logo depois sua expressão desfez e com um rosto de tristeza disse: — Eu gostaria de estar lá, eu gostaria de estar em todas as lendas que você me conta, eu queria sair daqui todos os dias e correr descalça, eu queria poder fazer todos os tipos de brincadeiras, eu queria levar broncas e irritar todos da vila, eu queria só poder me aventurar, mas dizer isso dá um nó na garganta que me faz querer chorar, porque afinal hoje é meu aniversário e tudo o que eu vou fazer é derramar mais lágrimas nessas pinturas de aventuras, sonhando um dia em voar pra longe, bem longe daqui, mesmo que minhas asas sejam doentes, eu só queria me aventurar.

Eria, fazendo de conta não ouvir por observar os campos da janela enquanto Reila dizia, de repente virou para a menina e disse:

- Não se preocupe anão de jardim, eu vou te proteger com a minha vida, mas pra isso você não pode sair daqui, você tem que ficar até um dia estar saudável pra pisar com seus pézinhos descalças fora daqui, agora é perigoso. — Em seguida levantou, espreguiçou e com o livro ainda um pouco empoeirado, bateu na cabeça da pequena e reclamou: — E não me chame de Oba-san, entendeu pirralinha? – E quando estava colocando o livro na prateleira, Reila se levantou e arriscou uma pergunta:

- Posso sair, só hoje?- Tentando convencer Eria indaga: — Hoje é o dia do festival e o dia do meu aniversário, me deixe sair.

Eria responde, com a mão na maçaneta da porta: — Reila, sabe que dia é hoje? Exatamente, hoje é dia das crianças, por isso você vai ficar deitadinha e quietinha ai, eu vou resolver um probleminha e já volto. Não saia daí, eu já volto e quando voltar, nós conversamos.

Reila chateada acaba gritando: — Eu não quero, só quero uma aventura, me deixe sair daqui, por favor.

Eria vira seu queixo contra o ombro, encara a menina, fecha a porta e sai.

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Dante termina de enxugar um copo, coloca sobre o balcão, preenche com bebida alcoólica, fica a olhar para a amada, mas acaba dizendo:

- Como ela está? – Eria, após beber tudo em um só gole, coloca o copo no balcão e diz: — Mais um. – Mudando de rumo para o mesmo assunto, começa a desabafar: — Você acha que o dia está próximo? Será que a profecia vai ser em breve? Será que vou me arrepender por ter tirado suas asas e sedado sua saúde?

Dante que após preencher o copo, vai guardar a garrafa no armário e acaba dizendo mesmo de costas a Eria: — Eria, você está dando as costas para o seu propósito imortal, porque você acha que é o último elemento? É porque nós temos o direito de te proteger e tudo o que tentarmos proteger e não conseguirmos, você tem a obrigação de conseguir, inclusive você mesma. – Eria, segurando o copo, sentindo escorrer lentamente gotículas de água gelada pelos seus dedos, olha para Dante e diz:

- Meu coração ultimamente está doendo muito, tenho medo da profecia ser hoje por coincidir com o aniversário da minha pequena e com o festival, aliás eu tenho certeza que é hoje mas estou com medo de perder ela. – Dante, se vira, apoia seu cotovelo no balcão, olha para Eria, que agora estava olhando fixamente o gelo do seu copo dar pequenas cambalhotas em meio ao líquido, e diz:

- Você sabe que pra todos o festival é somente pra comemorar, já que está com tanto medo porque não pensa como todo mundo então? Eu não posso largar meu dever para cobrir o seu, só pra fazer jus ao seu medinho, eu não sinto dó por você, eu sinto amor. – Dante se aproxima de Eria e continua: — O festival é pra nós, os quatro pilares, uma forma de atrasar a profecia e fortalecer a barreira, mas já foi tempo demais você não acha? Está na hora de aceitar e provar que os imortais não morrem no final. – Eria fecha os olhos e com medo diz: — Mas e se e- Nesse instante, ela é interrompida por Dante que fala mais alto: — Eu confio em você, eu sou um tarado, mas você é a única que eu vou amar por toda minha eterna vida. – Se aproxima mais de Eria, fica nariz a nariz e encerra o consolo em forma de um beijo caloroso e gentil em sua testa, mas acaba com o clima e diz: — Aliás, você está muito corada, acho que você gostou do meu beijo, agora me deixe apertar sua bunda, pra eu me preparar melhor e ver se você gosta também?

Eria se levanta empurrando a cadeira pra trás, olha para Dante, fecha sua cara com uma expressão de irritação e em meio às despreocupadas gargalhadas diz: — É a bebida seu tarado medíocre e você nunca vai me ter porque eu sou apenas da minha Reila. HO HO HO HO HO! – Enquanto a risada se esvaia no meio do caminho para a saída do boteco, Dante que agora continuava limpando os copos, grita o lembrete para Eria: — Cuidado pra não esquecer o kimono pro festival! – Eria que já tinha aberto a porta, apenas olha para a direção aonde estava Dante e antes de fechar a porta diz: — Eu não danço mais, hoje é o dia de uma nova era, a era das crianças.

Eria estava voltando pra casa, onde Reila estava, em meio a passos preocupados, cada passo era uma preocupação, um arrependimento, uma dor, uma tristeza que apontava como memória ou como pequenos flashbacks em ordem aleatória, fazendo Eria duvidar de seu potencial e dever acabando a entrar em conflitos sentimentais com os racionais.

Conforme andava pela estrada de pedras balançando sua armadura e espada , percebeu um vento, que não era para balançar as folhas das árvores e nem fazer rodopia-las, mas sim para alertar a todos que um perigo estava prestes a aparecer. Assim que aquele vento: gelado, desesperado, sem rumo, tocou os cabelos da guerreira, ela se virou em posição de batalha e arremessou sua espada pra trás contra a primeira árvore e ao mesmo instante o vento em alerta que bagunçava seus cabelos, cessou, e tudo que Eria viu foi uma criatura deformada sem rosto, com forma semelhante a humana, mas não tinha coração, não tinha alma, somente vontade de matar, ao instante que Eria fez contato visual, se arremessou contra a criatura hostil, apoiou suas mãos na espada que estava fincada no pescoço do ser, rodopiou em formato 360º e com os seus dois pés entre o suposto pescoço da criatura, tentou torcer, mas tudo que Eria escutou foi um estalo porém era do tronco da árvore, ao mesmo instante ela puxou sua espada e correu em disparada ao encontro de Reila, eclodindo no caminho impulsos mágicos e deixando para trás apenas três palavras: Não...é..humano!

Eria correu magicamente em instantes até o encontro da moradia, quando chegou, encontrou Reila, sendo levada sufocada por nuvens negras para o céu e quanto mais Eria corria, mais as nuvens se distanciavam, até o momento que Eria fechou seus olhos, inspirou o imenso ar que colidia intensamente em seu rosto e levantou voo. A guerreira voava com determinação de proteger seu propósito, mas acabou voando longe demais e ficando submersa a toda aquela névoa negra, desesperada ela apenas gritava o nome da aniversariante, mas tudo que ela encontrava era sua própria dúvida, suas memórias e tristezas, Eria que se perdeu por dentro agora acabara de se perder por fora e aquele anjo que voava, agora caia...

Eria lembrava de tristeza, lembrava de sangue, lembrava de guerra e lembrava que aquilo era eterno, porque ela era imortal. Eria estava se sucumbindo com dor, a dor de um anjo caído.

E em meio à escalonável dor quando chamou baixinho ajuda bateu imediatamente em algo duro, o impacto a fez lembrar de Reila, de Dante, de Hana, de Rei, da vila, dos campos, das eras passadas e de uma frase, que Kami antes de partir disse: “Sabe que dia é hoje? Hoje é o dia das crianças, hoje é o dia da esperança, hoje é dia dos futuros reis pararem a guerra e distribuir a todos os corações e reinos perdidos em desespero, a esperança. Faça da minha filha uma criança eterna e a rainha da esperança, eu confio em você, porque agora você é...” E Eria acordou.

Viu uma criatura com a combinação de todas as cores e com asas cintilantes, era um dragão celestial, era seu dragão celestial, era sua espada. Viu Dante, Hana e Rei que olhavam para o céu que se escurecia cada vez mais, sentiu o vento e sem calcular qualquer fracasso, tomou a conclusão de que iria morrer mais uma vez para salvar aquilo que ela nasceu pra proteger.

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Hana, Rei, Dante e Eria sentados em cima do dragão estavam de mãos dadas, cantando amuletos de proteção, os quatros guardiões estavam reunidos e só se reuniam quando um perigo que ameaçava colocar a ordem do universo em decadência estava em auge. Hana, a escolhida da terra, Rei a escolhida da água, Dante o escolhido do fogo e Eria a escolhida do ar, juntos eram chamados de quatro pilares, quatro reis, quatro elementos, quatro cantos, juntos faziam o impossível.

O silêncio estava predominante, as mãos ainda entrelaçadas e as cantigas cessadas.

Hana e Rei abrem os olhos e dizem juntas: — A barreira foi quebrada!

Dante abre os olhos e diz: — Os continentes já foram protegidos!

Eria abre os olhos, com um mortal pra trás abre suas asas e diz no ar: — O festival vai começar!

Em jus ao que Eria acabara de dizer, começa a aparecer várias criaturas, sem forma, sem vida, sem coração, somente com a vontade de matar, mas Hana irritada, grita: — Sua retardada mental desce aqui, eu não vim do sul só pra ver você ficar de mimimi, ai, como pode ainda existir anjos que não são um anjo de pessoa. Desce aqui senão te corto essas asas com as minhas unhas, sua idiota.

Eria com uma expressão de pavor desentendido, desce e diz: — O que a falta de um homem não faz, em? HA HA HA HA HA! – Em seguida Hana retribui tentando começar uma discussão, mas é interrompida por Rei que diz: — Precisamos nos apressar, por favor pessoal, eles estão chegando, rápido! – Eria mudou completamente sua expressão e em forma séria disse: — Olhem! A barreira está desaparecendo, quer dizer que ele conseguiu, eu preciso me apressar, o mundo não pode esperar nem mais um segundo. – Ao momento que a guardiã ia pular, seu braço foi agarrado pela mão de Dante que antes de soltar diz: — Não se preocupe com esses daqui, estamos aqui pra isso, apenas vá e quebre as correntes que você mesma colocou nela, liberte-a e conte tudo, estaremos esperando você resolver isso, é só um problema de família, não dê o luxo de morrer para um demônio. – Hana aproveita e complementa: — Pedaço de chatice que voa, não esquece que ainda temos um festival pra ir, não vai morrer, senão eu te ressuscito pra te matar de volta, engraçadinha. – E por fim Rei diz: — Iremos ajudar assim que acabarmos aqui, por favor tome cuidado, one-san.

Eria se vira com um sorriso de agradecimento, liberta seu dragão e levanta voo, cortando os ares, abrindo caminho para o continente abandonado e deixando pra trás os três amigos que juntos batalhavam para impedir que aquelas criaturas chegassem a outros continentes e derramassem sangue inocente.

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Eria que estava ofegante, com seus pés nus, sua armadura quebrada, sua roupa rasgada, vários ferimentos, ainda batia suas asas e levantava voo contra aquele homem que nos braços tinha Reila desmaiada, aquele homem que um dia amou, aquele homem que tinha nos braços sua filha, aquele homem que um dia foi chamado de Akuma.

Eria, levantava sua espada e desesperada tentava achar alguma abertura para tirar Reila dos braços do demônio, mas ele era muito forte e ela não vinha outra alternativa senão a de despertar no momento crítico, seus poderes elementais...

E assim prosseguiu a luta, Eria apenas tentava acertar Akuma com seus ataques básicos, preservando toda sua magia ela continuava insistir em abrir apenas um arranhão naquela horrenda criatura, mas mesmo sendo imortal ela ainda era humana e como todo, ela se cansou, foi vítima daquele horrível ser que aprisionou seu pescoço em suas garras e a jogou contra o chão, fazendo a dor se estender, ele começou a pressionar suas garras contra seu pescoço que aos poucos começavam a entrar em sua pele, Eria não aguentou e começou a gritar, ela não estava aguentando, mas foi nesse momento que ela percebeu as duas mãos ocupadas daquele monstro e decidiu que aquele seria o momento... em meio aquela gritaria, fechou seus olhos, perfurou seu próprio coração com a sua própria espada e conjurou:

{Ar, ares, de todo universo, eu, Eria como rainha elemental, invoco meu poder e ordeno a todos os ventos: revivam ao meu favor.}

Ao mesmo instante, Eria se transformou: suas asas tornaram afinadas e reluzentes, sua armadura e roupas caíram em terra, todo aquele vento em sua volta deu origem a ruínas de um vestido de seda, todas suas feridas secaram e um enorme redemoinho se formou e o demônio que tinha suas garras cravadas em seu pescoço teve de retira-las para que sua mão não fosse cortada em meio aquele vento traiçoeiro e nesse exato momento Eria puxou Reila pra perto de si e rolou com a pequena pra fora de todo aquele perigo.

Enquanto o demônio tentava dispersar todo aquele vento encantado, Eria balançava desesperadamente Reila que estava pálida e com os lábios arroxeados, mas ela além de não dar sinal de vida estava começando a ficar fria e assim como seu último recurso desesperador: firmou sua testa com a da pequena, desenhou com sangue em seu peito o símbolo do equilíbrio e em sua boca conjurou:

{Ying-yang, liberte-se}

Reila começou a voltar a recuperar seus sinais vitais, mas nesse instante Akuma se desprendeu de todos aqueles ventos cortantes, abriu suas asas violentamente e em alto e grave tom, uivou.

Eria que estava segurando Reila, agora a abraçava fortemente contra seu peito e ficava a encarar aquele ser que despertava por inteira sua imensa fúria. Porém de repente ele parou de uivar e tudo o que se escutou foram os ventos clamando por socorro sacudindo ferozmente todas as ruínas do continente, Eria fechou os olhos, escutou os passos da criatura se aproximando e apertou Reila forte, quando ela abriu seus olhos viu o que um dia queria esquecer: os olhos de um demônio, que dizia: — Hora de dizer tchau.

Eria assustada, como ato reflexo fechou novamente seus olhos, com Reila nos braços levantou um voo deficiente e ficou a debater suas asas em cima da criatura, tentando prevenir algo. Mas o demônio olhou para ela novamente e disse: — Desce, está na hora de contar uma pequena historinha pra minha filhinha antes de colocar ela pra dormir eternamente. – Mas Eria, apenas encarava Akuma e continuava a sofrer em voo. Akuma irritado levanta sua mão e ao descê-la, altera a gravidade, fazendo Eria e Reila cair, acabando propositalmente a dizer: — Eu mandei descer. – Eria quase desmaiando, estende suas asas e cobre Reila, que agora acordada, estava traumatizada com tamanha criatura que só existia em seus livros e pinturas. Desesperada vira para Eria que diz: — Pequena, me perdoa, é hora de saber a verdade da boca de seu pai.

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E assim Akuma começa a revelar o que deveria ser uma lenda... “Há muito, muito, muito tempo atrás houve uma guerra, onde os demônios aniquilaram a raça angelical e assim permaneceu a acreditar, até que começou a surgir boatos no inferno de que na guerra santa uma híbrida foi criada: uma mulher com poderes e imortalidade de um anjo, mas com a fraqueza e poderes de reprodução de um humano, e essa híbrida foi enviada a este continente para cuidar dos humanos que aqui estavam, porque uma hora eles iriam despertar como anjos e dar sequência a espécie que acreditavam estar extinta, mas por hora era somente boatos, e me mandaram aqui para confirmar, e aqui eu fiquei vagando pelo continente, sem ser percebido e visto. Mas um dia eu fui percebido e fui visto, pela mulher que eu me apaixonei: por Kami. Nesse dia não aconteceu nada de sol e nem de lua, eu apenas vi Kami e Kami apenas me viu, e Eria que era órfã estava pulando corda junto de Kami, apenas isso. O tempo passou, e eu descobri que Kami era realmente uma anja híbrida e que todos os boatos estavam corretos, e ela descobriu sobre a minha identidade, quem eu realmente era e que eu vim aqui em segredo vigiar, ver se os boatos eram verdades ou falsidades. O tempo se passou novamente, e eu fiquei aqui e não voltei mais pra casa com medo de eles descobrirem a minha traição. Então Kami ficou grávida, mas no dia do parto, quando Kami estava em gritos de dor, eles invadiram, minha tribo invadiu o continente e tirou Kami de mim, eu desesperado fui atrás de Kami, mas eu não podia matar, porque um demônio se parece com um humano até o momento em que ele começa a matar, desse momento adiante ele se transfigura, recebe poderes e toda a sua memória ‘humana’ é perdida dando jus ao nome da horrível criatura que se origina: um demônio. Mas eu matei, e não só matei como gostei de matar, comi as vísceras e me banhei com o sangue de demônios e de anjos e quando cheguei aqui aonde eu estou, vi Kami quase morrendo, um bebê em suas mãos e Eria, vi Kami dando o bebê a Eria, transferindo todos os seus poderes pra essa humana medíocre e as teleportando pra longe. Naquele momento toda minha consciência humana foi levada, mas eu tentei me conter e fui até Kami, cheguei perto da minha amada, coloquei minhas mãos ensanguentadas em sua nuca e ela me perguntou se eu matei e eu fiz que sim com a cabeça, ela me disse que iria conseguir contar essa história porque eu não iria perder totalmente minha memória mas eu não entendi, e quando ela foi dizer que me amava, eu arranquei seu coração e me alimentei dele, mas o coração estava amaldiçoado, ela tinha trocado sua imortalidade por uma maldição, uma maldição que me fez ficar com o seu e o meu humano coração. E assim eu me tornei um demônio com dois corações, aprisionado no lugar aonde minha mulher deu a luz a filha que eu passei todos esses séculos tentando matar pra finalmente assim esquecer minha consciência humana.”

Akuma finaliza: — Festival nenhum poderia fortalecer a barreira, isso não existe, seus imbecis. E agora que eu consegui enfraquecer o coração dela, tudo vai ser possível, porque eu vou te matar, e dar início ao meu festival da lua sangrenta.

Reila, ainda virada para Eria apenas consegue dizer: — Mas.. porque? Porque Oba-san? Porque você escondeu tudo isso de mim? – E Eria antes de expelir um pouco de sangue diz: — Eu apenas mantive você em segredo, selei seus poderes, reduzi sua saúde, cortei suas asas, pra tentar te proteger, eu fiz você viver uma mentira e agora você deve me odiar.

Reila retira as asas da guardiã de cima dela e fica de joelhos dobrados a observar atordoada suas mãos trêmulas.

Akuma percebe a vulnerabilidade de Reila e parte pra ataca-la, nesse mesmo instante Eria que já havia se recuperado um pouco, vai ao encontro de Akuma e começa a trocar golpes, mas não demora muito: Eria é ferida gravemente e é obrigada a lutar forçadamente, se jogando de um lado para o outro, sentindo suas asas pesadas, percebendo sua visão ser tampada pelo intenso sangue que escorria pelo seu rosto, ela acaba tropeçando em sua própria espada e caindo ao chão. Totalmente exposta a qualquer tipo de golpe final, Akuma não hesita e avança com suas lâminas rumo ao coração de Eria e assim quando as suas garras estavam prestes a tocar a pele de Eria, Reila enfinca a espada de Eria contra as garras do demônio e diz de costas a Eria: — Oba-san, sabe que dia é hoje? Exatamente, hoje é dia das crianças, por isso você vai ficar deitadinha e quietinha ai, eu vou resolver um probleminha e já volto.

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Reila que antes era uma criança fraca e doente, agora lutava de igual pra igual com aquele monstro que um dia foi o seu amado pai...

Seu pequeno vestido branco já estava rasgado por suas asas recém-despertadas, estas por sua vez refletiam o equilíbrio, tornando uma branca como a luz e outra tão escura quanto as trevas, seus pés descalças se cobriam com sangue e suas pequenas mãos ocupavam enormes garras e orbes mágicas que atacavam o antagonista sem intervalo, de longe Eria olhava e pedia perdão pelo que tinha acabado de concluir: pareciam dois monstros lutando, de igual pra igual.

A luta estava se estendendo ao favor de.. ninguém, quando Akuma percebeu isso começou a provocar Reila em meio a luta: — Eria foi muito esperta, quando percebeu que eu tinha envenenado você, ela despertou seus poderes e agora você está sabendo como usar direitinho, mas, meu querido anjo defeituoso, você nem anjo e nem demônio é, o que uma criatura como você vai fazer contra eu? Você não pode me matar sabia? Porque se você fizer, você se torna um demônio por completo, vai esquecer de tudo e de todos e vai se juntar a mim, mas eu não quero companhia, eu só quero te matar. E então como vai querer? Ser obediente e aceitar a morte ou vai me dizer que está na adolescência e bancar a rebelde? – Reila sentindo irritada, o prende em uma de suas orbes e com uma de suas garras pressionada contra o pescoço do ser, diz: — Eu quero escutar meu pai e não você. E você acabou de dizer que eu não posso matar, mas não disse que eu não posso cortar, acho que acabou cavando sua própria cova, bobalhão.

E a luta continuou, enquanto Akuma abria um ferimento em Reila, ela arrancava um braço, uma mão, uma perna, e assim se prosseguiu: Reila esquartejando o demônio e ele se regenerando, cada vez mais rápido. Até que Reila teve uma ideia e tornou-a realidade: Em meio a tanto esquartejamento talvez desnecessário, Reila propositalmente arranca suas asas e as joga pra fora do continente, o monstro desequilibrado e sem tempo para alterar a gravidade cai, em meio a sua queda, Reila abre voo e começa a abrir o peitoral daquela criatura que quando se colide ao chão estava com a sua vergonha e fraqueza expostas: dois corações.

A criatura sentindo dor e medo, encara Reila e diz: — E agora pirralha, o que vai fazer? Não pode me matar e eu posso me regenerar a qualquer instante e te matar. – Reila que estava sobrevoando em cima daquela horrível cena, inspira fortemente e começa a ir de encontro com os corações, com seus olhos fechados impulsiona sua queda, deixa desaparecer todo aquele poder ofensivo em meio aos ventos do declínio, e quando ambos estavam totalmente vulneráveis, Reila colidi seus lábios na metade dos dois corações, sela tudo com um beijo e diz: — Papai, Mamãe, eu cheguei em casa.

Naquele instante o demônio começou a gritar desesperadamente e a se debater contra o chão, Reila apenas sentou ao lado e ficou observando a criatura hostil sendo fragmentada em poeira negra e ser levada pelo vento: começou pela cabeça e pelos pés, cada segundo a mais ele ia se transformando mais rápido em pó, Reila apenas queria acreditar que fez a coisa certa, pois a única forma de conhecer seus pais estava se esvaindo e nunca mais iria voltar, tudo que ela queria era que aquilo fosse mais uma história contada por Eria e ao entardecer voltasse pra casa, onde a chaminé soltava uma fumaça branca, onde sua mãe gritava da janela que a comida já tinha ficado pronta, onde sua mãe se irritava e gritava mais alto pra ela entrar que já estava escuro, onde ela entrava e com os pés sujos levava bronca, onde ela depois de um banho quentinho, jantava com pessoas que podiam chamar de família, onde depois de um dia cansativo podia ter pesadelos e perguntar se podia dormir junto com eles, um lugar onde poderia chamar de lar.

Mas aquilo estava longe demais pra ser verdade, e quando a pequena Reila se entristeceu, o monstro que estava quase sumindo, deixou dois corações, dois corações que começaram a sumir lentamente em fragmentos branquinhos, parecendo neve, e a formar duas figuras naquele por de sol, era sua mãe e seu pai que diziam: — Vem vinda de volta, filha.

Reila, encheu seus pequenos olhos de lágrimas e deixando lágrimas como rastro, correu pra abraça-los, mas eles foram levados pelo vento e tudo que sobrou pra Reila, foi um tropeção, onde ela caiu bem em cima de Eria que olhava para a pequena com um sorriso orgulhoso e dizia: — Feliz aniversário, minha rainha da esperança. E agora o que vai fazer?

E em meio a gritaria de Dante, Hana e Rei, que vinham correndo na frente daquele por de sol, dizendo que estavam atrasados pro festival, Reila disse: — Vou partir pra outra aventura!

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Notas finais
Obrigadinha por lerem, qualquer coisinha me avisem, por favor. Apenas peço mil desculpinhas pra Vamp, porque demorou muito e ela teve muuuita paciência. E Amy: muito obrigadinha por ser essa pessoa maravilhosa que você sempre foi e está sendo na minha vidinha.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.