Avatar: A Lenda de Kay

18 De Fire Lord a Fire Lady


Fazia uma semana que Kay e Quen haviam chegado na Capital da Nação do Fogo. Desde a travessia da Bahía, a visão da capital até a entrada no Palacio real, Kay não pôde deixar de detectar as diferenças culturais e ambientais com o reino da terra. A Nação do Fogo era formada por um conjunto de dezenas de ilhas conectadas por navios de carga, passageiros e soldados que fluíam todo tempo indo e chegando na Capital. Esta era uma grande cidade construída dentro e nos arredores de um vulcão inativo gigantesco.

Ao chegar Kay pôde observar uma abundância de coqueiros que cobriam todo o litoral. Dentro da cidade, as casas tinham telhados vermelho escuro adornados nas extremidades com tinta dourada, as árvores frutíferas que brotavam dos jardins eram nutridas pelo solo vulcânico extremamente fértil. O Palácio Real parecia um monumento divino. Sua frondosa fachada lembrava a proa de um majestoso navio. Quando Kay e Quen chegaram era a hora do crepúsculo e o lugar ganhava tintes ainda mais mágicos pois em frente ao palácio centenas de soldados do exército fizeram uma bela cerimônia onde ajoelhados erguiam uma chama nas duas mãos erguidas, como uma homenagem ao retorno da princesa herdeira.

O avatar, até o momento só tinha tido uma única oportunidade de treinar Dominação de Fogo com Quen. Era bastante complicado encontrar a mestra desocupada e a chefe de serviçais era particularmente severa com funcionarios que perambulavam pelos corredores ao meio da noite. Seu treinamento com Quen se resumiu a manter uma chama acesa com as duas mãos, o que para Kay foi bastante decepcionante.

— Mantenha sua postura! — berrou Quen quando viu o balançar frenético do pé esquerdo de Kay enquanto estava segurando a chama.

— Desculpe, esse exercício me deixa impaciente. Podemos tentar outro?

— Não há espaço para impacientes entre os dominadores de fogo, idiota!

— Olha quem fala...

Durante esses dias Kay não parava de se perguntar como estava Matt. Ele estava ferido e semi-consciente na última vez que se viram, o que será que havia acontecido depois disso? Teria Matt seguido sua missão de busca do Avatar ou teria seguido seu encalço e o de Quen? De qualquer maneira o que lhe confortava era que os seus destinos estavam definitivamente propensos a se cruzarem outra vez.

No Palácio, a principal preocupação de Kay é que descobrissem o seu amiguinho topeira-texugo, Lucky. Era o único elo perdido na elaborada história feita por Quen. O animal claramente não pertencia a Nação do Fogo, portanto lhe cabia ficar oculto pelo tempo necessário. Por sorte o quarto de servos era forrado por piso e paredes de madeira. Assim, o pequeno Lucky não poderia escavar nenhum buraco para escapar. Kay comunicou sua preocupação a Quen que disse:

— Apenas diga que é uma capivara-esquilo das ilhas ember que ninguém notará a diferença — disse a mestra — só trate de manter a criatura sob controle.

Quen na mesma noite que chegou foi visitar o quarto de seu pai enfermo. O velho senhor do fogo Linus estava bastante debilitado e exibia uma face cansada e emagrecida. Seu corpo estava encolhido debaixo dos lençóis de cetim escarlates iluminados pela crepitante luz da lareira, a única fonte de luz do local.

— Quenéver...

— Pai — retrucou Quen séria.

— Onde está o Avatar? — perguntou o Senhor do Fogo com um sorriso irônico.

— Eu não sei do que você está falando pai — respondeu Quen de maneira inflexível enquanto enchia um copo de água em uma mesa de cabeceira.

— Você só voltaria do Reino da Terra por uma única razão. Você encontrou o avatar não encontrou?

— Eu não sei do que você está falando, velho. Eu vim porque esse país claramente precisa de um líder. Perdão por não haver cumprido a façanha prometida. O Reino da Terra é muito grande para ser conquistado por uma única mulher — desdenhou Quen.

— Eu conheço os seus motivos desde que você partiu, minha filha. Aquela Dominadora de Água... Sua lealdade com ela supera qualquer sentimento de dever que você tenha com sua própria nação.

Quen sorriu, se aproximou do pai, ofereceu-lhe o copo de água e tocou sua testa.

— Não se preocupe, Quen, eu estou muito velho agora. Como você vê pela situação política do país, já não tenho mais vigor pra seguir as ambições de antes. Não ficarei no seu caminho. Só mande meus saludos ao Avatar. Confesso que tenho curiosidade de conhecê-lo, um Avatar do Reino da Terra era o único que me faltava conhecer.

— Você não tem mais o vigor para seguir suas ambições mas há quem esteja disposto a continuá-las, Pai. Pelo que eu escutei o plano de destruir o Reino da Terra está prosperando com bastante eficiência.

— Dao Ming...

— O que se escuta pelas ilhas é que o chefe das Indústrias Ming é o Senhor do Fogo de fato — provocou Quen, seu pai pigarreou irritado.

— Fire Lord Linus... Como você chegou a esse ponto de tanta fraqueza? — perguntou Quen com um olhar mais tenro acariciando seus cabelos brancos.

— O que posso lhe dizer, filha. Os pulmões não me respondem mais segundo os curandeiros. Esgotaram-se com tantos suspiros de fogo e tragos de fumo. Sou como um dragão velho. haha

— Eu me pergunto se uma determinada curandeira não seria capaz de curá-lo. Uma curandeira que se tivesse recebido seu apoio possivelmente teria evitado seu próprio destino trágico e estaria viva para salvá-lo.

— Não seja cruel. Acredite que eu ainda fui muito gentil em exilar a Dominadora de Água, meus generais tinham planos de trancafiá-la aqui eternamente para usá-la como arma.

— Gostaria de vê-los tentar. A mestra já era um avatar completo nessa época, ela só continuou no palácio durante todo aquele tempo para cuidar de mim — disse a princesa parecendo estar agora um pouco irritada.

— É... Suponho que você esteja correta.

— Bom, eu tenho que ir. Há muito o que fazer lá fora — disse Quen dando uma leve carícia na mão do pai.

— Quenéver, espere! — berrou Linus segurando o braço da filha com toda a força que pôde reunir — Eu renuncio o título de comandante da Nação do Fogo em seu favor — Quen pela primeira vez o olhou surpreendida.

— Isso não é necessário, pai. Eu sou legalmente a princesa herdeira e já estou assumindo o cargo como regente enquanto você está doente.

— Isso não é suficiente. Eu penso que você é a única que pode pôr esse país nos eixos depois de todo o meu desleixo. Como princesa regente você pode ser mais facilmente contestada pelos generais. Só em cima do meu cadáver que permitirei que um Fire Lord seja sabotado por um general não dominador! Mande falcões às 7 ilhas. Amanhã assinarei o anúncio oficial. Quenéver, Lady Dragão, a primeira Fire Lady dessa nação!


Senhora do Fogo Quenéver