Avatar: A Lenda de Kay

7 Choque de Realidade


Ao chegar ao acampamento, Quen adentra a tenda de comando e vê dois homens colocados ao lado de sua cadeira, um loiro com expressões fortes, Mai. Seu sub-tenente.

– Cavalheiros – Ela coloca a mochila em cima da mesa, elas estavam com o tecido queimado mas os dois tinham muito medo de perguntar mais do que o necessário para atenente – O quê fazem aqui?

– Capitão Matt nos encarregou de sua segurança pessoal-

As costas de Quen começam a tremer suavemente, logo ela arqueia o corpo e começa a rir em um tom altíssimo, os soldados do lado de fora param sua marcha e olham desentendidos para a tenda.

– Vocês dois, meus seguranças?

– Madame! – Os dois colocam seus corpos eretos

– Eu tenho planos melhores para vocês... – Ela crava uma adaga em um sítio no litoral, um porto abandonado da nação do fogo – Ouvi reportes de que esse local foi atacado por uma divisão do exército do senhor do fogo, e eu vou lá para encontrar respostas...

– Mas quem vai-

– Você vai comandar, Mai! – Ela o olha com desprezo – Não me faça perguntas idiotas!

– Sim, Madame!

– Eu e Kay, este idiota aqui – Ela aponta uma adaga pra ele, Kay a olha com os olhos assustados – Iremos até lá e até que nós retornemos tentem não perder a guerra entendido?

– Sim, madame!

Kay e Quen saem carregando duas mochilas de tecido leve levando alguns suprimentos pra os dias de caminhada, a tenente dá as últimas ordens e coloca um pelotão protegendo um perímetro em forma de defesa, aquela divisão estava imobilizada até ela retornar.

Ao se afastarem do acampamento, as dunas rochosas brilham com uma luz melancólica. Kay encara Quen como um enigma, por um segundo, pensa em mil coisas que queria perguntar mas ela parecia querer pouca conversa com ele, o achava um “idiota”.

– Então, o seu pai está finalmente movendo as peças contra o reino da terra?

– Nah... – Ela respondera friamente, continuando a caminhar

– E quem derrotou aquele batalhão de trinta homens do general Shu Li no litoral?

– Eu – Ela olha para o horizonte apática — Chega de perguntas idiotas e marche!

*10 horas depois*

O sol escaldante começava a crescer no alto. Kay não sabia mais por qual estrada estavam cruzando, já havia perdido há muito tempo a direção e a cartografia mental que tinha dos mapas do exército. Caminhava com dificuldades levando consigo amarrado em suas costas a bagagem dele e de Quen.

– Tenente, por favor, podemos parar um pouco? — dizia o jovem ensopado de suor.

– Isso faz parte de seu treinamento, idiota, força física e resistência ao calor são atributos básicos de um Dominador do Fogo, não se esqueça disso.

Depois de dar mais alguns passos, Kay simplesmente caiu no chão. Quen o fitava indignada.

– Tudo bem então, vamos parar aqui por alguns minutos.

Tirou uma panela, um bule de porcelana e um pequeno copo de barro de uma das trouxas às costas do Avatar, que estava exaurido e de bruços no chão. Sentou-se em uma pedra e estalou os dedos. Uma chama se materializou na sua frente. Ajustou a panela jorrando um pouco de água do seu cantil e quando começou a ferver verteu no bule mesclando com algumas ervas.

– Você está louca? Tomar chá no meio desse inferno escaldante? Estou começando a achar que Rahan tinha mesmo razão, você é um dragão humano...

– Não seja estúpido — disse entendiada tomando um gole de chá.

– Eu creio que me perdi, nós estávamos indo pra um porto da Nação do Fogo ou o que?

– Eu apontei aleatoriamente a adaga para o mapa, aquilo foi só um pretexto para cairmos fora dali.

– O quê?? Por que você não me disse antes?!

– Nós temos que partir dessa toca de lobos o quanto antes. Quanto mais distante você fique do Reino da Terra, melhor.

– Como assim?! Nós vamos sair do continente?!

– Claro garoto. Você tem que terminar de aperfeiçoar sua Dominação de Terra e dominar com maestria Fogo, Ar e Água, nessa sequência. Para isso que estou te levando para o esconderijo da Lótus — disse na sua máxima postura de irritada e entendiada ao mesmo tempo.

Kay se levantou do chão, deu dois passos para o lado e cochichou cabisbaixo.

– Eu não posso... Você não entende.

– COMO NÃO PODE?? VOCÊ É O AVATAR. VOCÊ TEM RESPONSABILIDADES COM O MUNDO. VOCÊ NÃO VÊ QUE ESTÃO TODOS LOUCOS E QUE O MUNDO SE DERRETE EM CAOS???!!

Mas Kay só ficou silencioso e cabisbaixo. Quen rolou os olhos e suspirou. Descansou o copo de chá na pedra e foi até o lado de Kay, com uma posição dura e séria.

– Então... Qual é a de você e Matt?

Kay tremeu, olhou assustado para a Tenente e engoliu em seco.

– Nós somos bons amigos — e deu um sorriso falso.

– Me poupe.

Uma certa melancolia tomou o coração de Kay, era difícil assumir o que estava acontecendo entre ele e Matt para outra pessoa. Ele se agachou e começou a fazer círculos na areia com o seu dedo.

– Como você descobriu?

– Não adianta o Matt gritar mil vezes reclamando do soldado estúpido que você é na minha frente ou na frente dos outros superiores. Os seus olhos não mentem. Na reunião com o General pude perceber que algo o inquietava, isso logo depois de vocês saírem da floresta. Depois da reunião ele diz para mim que quer vê-lo... Nenhum mistério, vocês dois pombinhos estão realmente bem amarrados .

– Por isso que nós temos que avisá-lo. Não posso seguir sem ele...

Quen se virou e voltou a se sentar na pedra.

– Ele com certeza irá entender e vai nos acompanhar...

– Será? — disse Quen servindo mais um copo de chá.

– Absolutamente...

– Ouça garoto, eu fui chefe de Matt por um tempo. Um bom garoto, mas muito ambicioso e leal ao exército. Tem uma grande determinação de mostrar sua capacidade e se redimir pelos feitos do pai. Sei que vocês tem alguma história por trás mas acho que ele que vai tentar convencê-lo a ficar do lado deles...

– Matt não compactua com a elite do exército. Para isso entramos, para mudar as estruturas e ajudar as pessoas. Matt é uma pessoa boa e corajosa.

– Posso até acreditar nisso. Mas você não esteve na reunião com o general onde discutimos a situação da volta do Avatar. As ordens foram claras. Se o avatar é uma criança, o mandamento é que ele seja educado como cidadão do Reino da Terra e no seu tempo entre no exército, o que quer dizer mais claramente que o avatar deve ser adestrado por um bando de psicopatas. Por outro lado, se o avatar tiver mais de 10 anos... — Quen suspirava séria.

– O quê? — Kay perguntou assustado.

– Os anciãos alertaram que seria perigoso, porque o avatar já começaria a despertar seus anseios por paz, justiça e igualdade, o que não seria bom para o reino de qualquer forma. As ordens são para sequestrá-lo e aprisioná-lo em uma fortaleza impenetrável. Em situações extremas, a ordem é executá-lo.

– Você só pode estar brincando... — disse Kay levantando as mãos a cabeça.

– Não vi nenhuma objeção da parte de Matt na reunião. Muito pelo contrário, Matt se voluntariou a líder da caça ao avatar. Por isso foi chamado a Omashu.

– Você está mentindo — disse apontando o dedo para a tenente — pare de mentir!

– Você é apenas um soldado que entrou agora. Você não sabe como funciona bem as engrenagens do exército real. Eles lavam sua cabeça, Kay. Com o prestígio das patentes, a competição interna, as pessoas começam a perder o senso da realidade. Tenho certeza que Matt entrou no exército com boas intenções, mas ele e General Sun Li estão...

– PARE!

As pedras ao redor de Kay saltitaram e uma rachadura circular na terra se projetou ao redor dele exalando uma boa quantidade de poeira. Kay então se desfez das bagagens em suas costas, deu um salto e subiu em um rolo de terra que avançava descendo o monte íngreme da estrada onde estavam. Quen deixou o seu copo de chá cair e saiu correndo atrás dele.

– Volte aqui garoto!