"O cheiro era de terra molhada. Uma relva macia e imensa, mais parecia um tapete de verde. As árvores ao longe eram imensas, quase tocando o céu. Era possivel ver montanhas, e a névoa sobre elas. O campo onde Vanessa estava era magnífico. Com certeza não estava no Rio.

-Lirali? Papai? Alguém?!- Ela gritou. Nenhuma resposta.

-Você cresceu muito bonita. — Ela ouviu uma voz falar atrás de si. — Justo como eu vi na minha previsão.

Vanessa se virou, e viu, bem na beira do lago, uma mulher alta, com um imenso vestido roxo com preto, cabelos negros bem longos, quase tocando o chão, e olhos negros profundos como o céu noturno. A mulher se aproximou de Vanessa, lentamente, como se ela flutuasse.

Ela sorriu preguiçosamente. Vanessa nunca vira tanta perfeição. A estrutura óssea, os fios capilares, a pele branca, quase pálida... Quem era aquela mulher?

-Vanessa, Fada das Nuvens...

Ela sentiu um arrepio percorrer por seu corpo.

-Você está pronta. Sua vida de fada começa.... Ago..."

-DESLIGA LOGO ESSA COISA, GAROTAA!!-

Vanessa acordou de supetão, assustada pelo grito de Lirali. O despertador em forma de cabeça de gatinho miava bem alto, pretendendo acordá-la cedo. Vanessa olhou para os lados, e constatou que tudo não passara de sonho.

-Bom dia, Lirali. — Vanessa falou, se espreguiçando e ajeitando os cabelos.

-Bom dia é uma ova! Meu sono de beleza virou sono de horror, só de ouvir essa miarada toda! Que ideia mais idiota de ter um despertador de gato, por favor! E ainda mais que quartinho mais mixuruca, vou te contar...

Enquanto sua pixie resmungava sem parar, Vanessa seguiu até o banheiro de seu quarto e escovou os dentes e entrou no box. Enquanto deixava a água limpar seu corpo e lavar seu sono, ela se lembrara do que tinha acontecido no dia anterior. Ah, claro: Conhecera uma pixie mal humorada mas muito fofinha, tivera uma ligação mágica com ela, depois descobrira que era uma fada e lutou com o que parecia ser um lobisomem de quase três metros de altura. Nada demais.

Seguiu até o guarda roupa, pronta para pegar a farda que tanto odiava, quando sorriu ao lembrar-se que...

-Ah, hoje é sabado!

Ela disse, caindo de costas na cama e cobrindo Lirali com seu cabelo molhado.

-Ai, pelo amor de Deus, tenha dó! Eu sou pequena mas não sou invisivel! — Ela resmungou, se levantando e flutuando no ar.

-Então, já que tenho hoje e amanhã de folga, que tal nós sairmos pra dar uma volta? — Vanessa perguntou.

-Eu tô com cara de cachorro, pra você pôr coleira e me levar pra passear? Me poupe! — Lirali falou.

-Ah, vamos! Vai ser legal pra você. Eu conheço um parque onde quase ninguém vai, ai você pode voar a vontade. Vamos?

Lirali revirou os olhos, mas acenou com a cabeça. Vanessa pôs um vestidinho confortável e saiu. Pegou um iogurt na geladeira e tomou num copo de plástico.

-Bom dia, flor do dia! — Ela ouviu seu pai falar, da sala.

-Bom dia papai.- Ela disse, indo dar-lhe um beijo na bochecha.

-Tá arrumada assim pra quê? Arrumou um namorado e não me contou nada? — Ele perguntou, abaixando os olhos.

-Ah, fala sério pai. Claro que não, se tivesse eu diria. — "Eu acho", ela pensou após ter dito aquilo.

-E vai levar a sua nova bonequinha?

Vanessa olhou para o ombro esquerdo, e lá estava Lirali, com o olhar distante, totalmente dura, os cabelinhos cacheados cor de rosa desarrumados e o vestidinho preto amarrotado.

-Sim, acho que ela precisa de ar fresco.

Vanessa fez seu pai rir.

-Ok, vá meu amor. Se divirta. Mas não volte tarde.

Vanessa desceu as escadas do seu condomínio, e saiu pelo portão.

-Já posso me mover? — Lirali perguntou, com o maxilar trincado.

Vanessa riu.

-Pode, bebê.

Lirali relaxou a boca e os ombros.

-Ah, maravilha. E bebê é a avó, tá ouvindo? — Ela falou.

Vanessa seguiu até um parque duas ruas depois de sua casa, haviam algumas crianças e pais fazendo pique niques, mas nenhum se atrevia a entrar na trilha que dava numa imensa floresta.

Ela seguiu pela trilha, entrando cada vez mais.

-Pode voar agora, se quiser.

Lirali abriu as asinhas e começou a flutuar ao lado de Vanessa.

As duas seguiram em silêncio, passando pela trilha e sentindo o cheiro da natureza, que deixava Vanessa tão mais a vontade do que a fumaça da cidade e barulho do tráfego.

-Lirali? — Ela indagou.

-Ai, o silêncio estava tão bom, mas já que quer falar... Manda. — A pixie falou.

-Como você veio parar aqui, na terra? Tipo... Você nasceu aqui? Existem outras pixies como você aqui?

-Humm... Não. Eu nasci em Pixieville, uma cidadezinha só de pixies, na Dimensão mágica.

-Uau, Dimensão mágica! Como é lá?

-Bom... Igualzinho à terra. Tirando que aqui vocês tem medo de quase tudo. Lá em Magix ver uma menina se transformar numa fada é a coisa mais normal do mundo.

-Magix? O que é isso, uma cidae?

-Exatamente. — Disse Lirali. — A capital do reino da magia. Você devia visitar um dia. Aliás, você TEM que visitar. Se quiser aprender a ser uma fada de verdade, vai ter que frequentar Alfea, a escola de fadas da Dimensão mágica.

-Alfea...- Vanessa repetiu. O nome parecia tão diferente, tão... Mágico.

Então, as duas pararam. Ouviram um barulho estranho vindo de longe. Não era um rugido ou rosnado como no dia anterior, mas sim o que parecia ser alguém choramingando.

-Ah, vai me dizer que tem alma penada nesse buraco? — Lirali perguntou.

-Essa barulho tá vindo dali. — Vanessa disse, seguindo o barulho.

-Epa! Não, garota, não vai por ai! Quer morrer tão jovem? — Lirali perguntou. Vanessa a ignorou e seguiu. A pixie sentou em seu ombro. -ótimo. Vai lá, siga o som da morte, encontre o fantasma que vai te levar pro além.

Vanessa encontrou algo, mas não parecia um fantasma.

Uma menina de pele branca como a lua, cabelos prateados como uma pérola e vestido alvo como uma nuvem estava sentada à beira do corrego que passava por ali. Ela olhava para o pé esquerdo, que parecia estar ferido.

-Ei... Você está bem? — Vanessa perguntou.

A menina virou-se e abriu um sorriso lindo e imenso.

-Prima Vanessa! É mesmo você?!

-HÃn?

CONTINUA....