Avalanches
11 Recaída
Notas iniciais
Voltei a ter contado com Erwin, e em consequência disso, o último mês foi confuso.
As coisas entre mim e ele ficaram mornas, digo, a atração física ainda era intensa, mas depois de uma longa conversa sobre isso – e muitas outras coisas – resolvemos apenas manter nossos desejos abafados. Ficou claro que ainda sentia algo por ele, ele só não sabia o quê. Erwin disse que ainda me amava, e que mesmo que se um dia encontrasse alguém isso nunca iria mudar; sorrir para ele não foi a melhor coisa que pude fazer. Eu acho.
Ficava confuso perto dele. Ainda tinha muitas perguntas que queria fazer, e entender o que o que houve entre nós foi apenas uma faze ruim, bem ruim. Mas ainda não era o momento para isso. Fora o possível clima entre nós, Hanji queria saber se estava saindo com alguém. Na hora eu neguei firmemente, então ela apareceu com uma cueca de Eren nas mão; eu o xinguei até a décima geração naquela tarde. Não tive escolha a não ser mentir – omitir – sobre ele. Para Hanji Eren era um universitário que vinha pouco para o centro da cidade, por isso ela não o veria. Se dependesse de mim, nunca.
Na semana seguinte Erwin me ligou perguntando quem era Eren, a ligação veio no meio de uma aula de reforço, tivemos nosso primeira briga desde que nossa.... Amizade havia voltado.
Era uma merda.
Eu apenas lhe disse que não era nada demais, um casinho rápido por sexo, o que de fato não era mentira, o problema era que Eren continuava virgem e meu coração pareceu explodir quando Erwin disse:
–Se é só por sexo, porque não comigo? Já nos conhecemos muito bem Rivaille, eu sei do que você gosta.
Eu desliguei na cara dele e, ao voltar para sala, Eren me perguntou o porque de meu rosto estar vermelho. A verdade é que mesmo eu sabia o motivo. A única coisa que rondou meus pensamentos naquela tarde foi a real intensão de Erwin naquela ligação.
Porra Erwin!
No final daquele mesmo mês Hanji deu uma festa, e segundo ela “Erwin levaria a namoradinha”. A garota jurava que falava francês, podia até ser modelo mas francês ela não sabia. A tal garota conversou comigo, e talvez por que estivesse bêbado ou beirando a isso, ouvi cada palavra que sua voz aguda produzia. A verdade é que só me lembro de Erwin se aproximando e se metendo na conversa enquanto virava o copo de whisky goela abaixo para conseguir encarar o que vinha a seguir. Ela insistia que eu lhe desse um apelido em francês, algo bem parisiense e que combinasse com ela. Ela não viu, mas Erwin percebeu o sorriso torto que lhe lancei ao dizer fleurs de trottoirs, se ela realmente fosse francesa teria entendido o trocadilho; ela sorriu dizendo que era a coisa mais linda que já havia houvido alguém dizer e acrescentou um “depois da voz do Erwin, é claro!”. Era uma pena a garrafa de whisky ter acabado. Depois de um tempo, ela nos deixou e bruscamente Erwin me arrastou até o banheiro do andar de cima.
–Do que você a chamou? – perguntou ele me colocando entre seus braços e a parede.
–De nada que ela não seja.
–Rivaille.
–O quê?
–Me diga.
–De puta. – suspiro – Eu a chamei de puta. Satisfeito?
Ele não ficou satisfeito, ele começou uma ladainha sobre eu não ter o direito de julga-la desse jeito, que eu não a conhecia e blá blá blá. Pode ter sido o álcool, ou mesmo um estranho deseje de ser tomado por ele em qualquer lugar quando ele me puxou do sofá, mas enquanto ele falava algo que não ouvia mais eu só conseguia pensar no calor de suas mãos, o cheiro de seu perfume entrando por minhas narinas, a sensação de puxar aqueles fios loiros, deslizar as mãos pelos músculos definidos de suas costas, enfiar as mãos em suas calças, e pensar na sensação daquela barba roçando em meu pescoço, da língua em contado com a minha e imaginar qual seria o gosto dela misturado com o whisky que havia bebido.
–Que se foda o acordo.
–O que? – murmurou antes de cala-lo com um beijo.
O beijo fora intenso no inicio, mal sabíamos onde deixar as mãos e, quando finalmente decidimos isso, eu mantive as minhas em seu cabelo, puxando os fios de leve toda vez que ele chupava minha língua; e as mãos dele percorriam minhas costas e cintura, ousando descer um pouco, ele apertou minha bunda pouco antes de nos separarmos minimamente para respirar. Precisamos daquela momento, ver se ainda havia motivos o suficiente para seguirmos em frente, ver se aquela sensação morna podia ficar quente e finalmente queimar numa chama tão intensa quando as ritmadas batidas de nossos corações, eu tinha que saber. Ele tinha que sentir.
–Rivaille – gemeu beijando meu pescoço.
–Não fale.
Ele me virou, erguendo-me até que estivesse sentado sobre a pia e se aproximou, tocando meus lábios e sorrindo de leve. Por um momento tudo sumiu, não havia Eren, não havia aquela garota, não havia Mary, não havia nada; a única coisa que me importava eram os lábios dele juntos dos meus, sua língua em contado com a minha, as mãos em meu corpo. Os fios macios em torno de meus dedos, o cheiro de sua pele, sua respiração batendo de leve contra minhas bochechas, os suspiros que dávamos quando o ar nos faltava e simplesmente ignorávamos para voltar ao beijo. Meu coração batia tão alto que podia senti-lo pulsar, meu corpo respondia a cada minimo movimento que Erwin fazia, minhas mãos suavam, meus joelhos tremiam sob seu peso. As mãos dele desceram por meu pescoço, um arrepio morno percorre minha espinha e sou obrigado a me afastar, as mãos dele continuam o caminho, pousando em meu peito. Erwin me encara, os lábios entre abertos e os olhos brilhando. Olho a posição de suas mãos, querendo entender o porque daquela expressão; uma delas ainda sobre minha perna, e a outra sentindo as batidas descompassadas de meu coração. Meu rosto esquentou ao vê-lo tão próximo de novo, sorrindo e me beijando. Abraçando-me forte. Eu ainda o amava.
–Volta pra mim Rivaille, — disse ele pousando a cabeça em meu peito – pelo amor de Deus, volta pra mim.
–Me dê até o final da noite, – falei, meus olhos ardiam, tentando controlar o choro – eu só preciso disso, — suas mãos deixaram meu corpo, e os intensos olhos turquesa que eu tanto amava e encaram esperançosos – só mais um pouco Erwin, eu juro.
–Já disse que vou esperar o tempo que você precisar. Não precisa chorar. – ele limpou uma lágrima teimosa. – Eu esperei até agora, posso esperar mais um pouco.
–Obrigado.
–Tudo bem. – ele me abraçou, esfregando as mãos largas em minhas costas, passando o calor delas para mim enquanto me prendia em seu pescoço. – Eu espero.
Eu nunca esperei tanto para que a festa de Hanji acabar. Esperei por Erwin do lado de fora, não sabia que horas eram, mas sei que minhas mãos tremiam de frio e antecipação. Não precisei pensar muito na resposta que daria a ele, eu já sabia qual era. Há nove meses Erwin me pediu três coisas, e a última delas eu não consegui fazer; doía demais para dizer e o meu orgulho deixava. Mas se eu queria que isso realmente desse certo, eu tinha que baixar a guarda, me entregar e dar uma segunda chance.
Se tudo desse errado de novo eu não saberia mais o que fazer.
Vejo Erwin se despedir de Mike e Hanji, ele se vira na direção de seu carro e quando me vê parado na calçada o esperando acelera o passo, mas mãos apertavam os bolsos do casaco, ansioso.
–Oi.
–Oi.
Por que sempre começávamos a conversar desse jeito?
–E então?
Respiro fundo e dou um passo a frente, tentando não corar. Que merda eu tinha trinta anos e corava!
–Eu já tinha a resposta Erwin, mas eu não conseguia dizer pra você. E se vamos fazer isso, então vamos fazer direito. Você só terá uma chance, se falhar dessa vez... Eu nem sei o que vou fazer você sentir. Você vai terminar com aquela garota, e eu vou terminar um rolo que eu tenho. Vamos começar do zero, como se nada tivesse acontecido. Vamos esquecer o que houve e seguir em frente, juntos e fazendo o que não fizemos antes. Entendeu? – ele assentiu, contendo um sorriso – Ótimo.
–Não está esquecendo de nada? – perguntou com um olhar sugestivo – A resposta.
E lá estavam as bochechas coradas de novo... Me aproximo mais um passo de Erwin, passando os braços em sua cintura e pousando a cabeça em seu peito, ouvindo o pulsar acelerado de seu coração; respiro fundo, trazendo as lembranças boas que tive com ele, eu queria isso de volta.
–Eu te amo.
–Diga olhando para mim. – ele ergueu meu queixo.
–Eu te amo.
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–Erwin, você não devia... — a língua dele voltou a passar por meus lábios, pedindo passagem — me beijar desse jeito.
Foi inútil tentar me afastas, suas mãos me seguram junto ao seu corpo, provocando um arrepio por minha espinha, os braços quentes e carinhosos me abraçaram enquanto deixa-me levar pela sensação de te-lo junto a mim de novo. Seus lábios macios em torno dos meus, o gosto de sua língua, o cheio de sua pele. Os fios loiros em torno de meus dedos.
–Erwin... — digo entre os beijos.
–O que?
Seus olhos buscam os meus esperançosos. Eu queria Erwin, por inteiro e sem pausas. Aperto-me junto de seu peito, enterrando o rosto ali, respirando o aroma que tanto senti falta.
–Só estamos juntos há três horas, não precisa ter pressa. – Quem eu queria enganar?
–Eu esperei nove meses pra te ter de volta Rivaille, isso eu não consigo esperar.
Contenho um sorriso, sentido-o me segurar pela cintura e me deitar na cama, descendo os lábios por meu pescoço, subindo até minha orelha e mordiscando meu mamilo. As mãos cálidas seguiram por minhas coxas, apetando-as de leve me fazendo suspirar; eu queria mais.
Minha respiração saia pesada enquanto abrigava Erwin entre minhas pernas, sentia-o guiar meu membro até o fundo de sua garganta; ele abraçava minhas coxas e eu puxava seu cabelo, xingando-o ao sentir a ponta da língua em minha entrada.
–Está pingando Rivaille. – sussurrou.
Não tive tempo de responder, ele apenas ergueu meu quadril e iniciou o beijo-grego. Deus, como eu amava aquilo! A ponta fria de sua língua ai o mais fundo que conseguia, os tremores invadiam até meus ossos, queria ser tomado por aquelas mãos, sentir-se amado por ele novamente, sentir que aquela chama estava queimando novamente, intensa e firme. Queria ser protegido por aqueles braços, ser a causa de seu sorriso e o único pensamento que ele teria, era egoísta, mas que se foda. Erwin era meu de novo.
–Eu te amo. – sussurrou pouco antes de me penetrar, lentamente, sentindo prazerosamente cada músculo meu o esmagar. – Eu te amo Rivaille.
Minha respiração falhava constantemente a cada encostada, mas eu não ligava; a dor não me incomodava. Eu só o queria de volta, sentir tudo de novo e de jeito novo, melhor. Sem nada em meu caminho para me preocupar, nada para desconfiar. Só queria sentira aquele prazer que só ele sabia me dar.
Não me lembro de quantas vezes transamos, só me lembro de ve-lo caminhando nu pelo quarto, indo em direção ao banheiro. Busco por alguma peça de roupa e a visto, acendendo um dos seus cigarros caros e volta a me deitar. Eu ouvia o chiar do chuveiro, via a fumaça do cigarro flutuar entre meus dedos e encarava meu anelar. O fino aro de ouro havia voltado para mim, assim como aqueles turquesas.
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