Avalanches
9 Encontro I
Notas iniciais
Acordei cedo naquele sexta-feira, e por cedo não quero dizer 6h da manhã e sim as 2h. Não foi por que eu quis, mas foi Eren se mexendo na cama. Ele tinha o péssimo habito de pular sobre o colchão ao invés de simplesmente girar sobre ele. Ele resmungava e apertava os travesseiros, por Deus Eren, durma. Abro os olhos enquanto ele tentava encontrar uma posição para dormir, me mantendo quieto sob os cobertores olho o relógio sobre o criado mudo, 01h45. Estava frio e não estava muito afim de saber a causa do problema de Eren.
–Droga. – sussurra fazendo barulho nos cobertores, ele devia tê-los erguido até o nível de sua cabeça pois minhas costas tremeram com a mudança de temperatura.
–Eren – chamo baixo, fazendo-o se assustar – o que houve?
–Er, nada de mais. Só não consigo dormir — Me viro para ele, os olhos pareciam culpados por alguma coisa que havia feito, não olhavam diretamente nos meus como costumava a fazer.
–Certeza?
–Hum. – Eren se deita novamente, se ajeitando de modo confortável. – Desculpe por acordar você.
Busco pelas mãos e Eren e aperto levemente a primeira que encontro, fechando os olhos novamente, deixando o sono voltar.
Não demorou muito para os ranger da cama voltar. Abro os olhos e vejo Eren apertar as mãos contra os olhos, rangendo os dentes. O que ele tinha? Viro na cama apenas o suficiente para ver as horas.
Fala sério Eren.
–Rivaille – chamou ele – Rivaille?
Não me dei o trabalho de responder, eram duas da manhã. Uma das coisa que disse a Eren na primeira vez que dormiu aqui foi para não me acordar durante a noite. Qualquer que fosse o problema que ele revolvesse sozinho.
–Rivaille?
–O que?
–Eu... Eu estou com um problema. – falou, parecia constrangido em dizer aquilo.
–Que tipo de problema?
–Bom... Eu estou... Quer dizer...
–Eren, se não me falar o que é, não posso ajudá-lo.
–Bom... – ele puxa minha mão e a leva para dentro dos cobertores.
Abro os olhos ao sentir sua ereção na ponta de meus dedos, a bermuda de seu pijama estava úmida naquela região.
–Ah, isso. – falei me sentando na cama. – E o que quer que eu faça?
Eren fica vermelho, abre a boca para tentar dizer algo mas falha; aperta os lábios e me encara com os olhos brilhando.
–Tem uma revista no banheiro, — zombei – você quer?
–Rivaille...! – disse se encolhendo.
–Estou brincando. – me curvei sobre Eren, buscando seus lábios. O beijo de leve, os lábios se abriam devagar ao receber minha língua. Mantinha a mão sobre sua virilha, friccionando a palma contra o volume que só parecia ficar maior. Ele envolve seus braços em meus ombros e separa as pernas, um pedido silencioso para que pudesse me enviar ali. – Você não me disse o quer que eu faça, Eren. – sussurro contra seus lábios.
Desço a língua por seu pescoço, subindo a barra de sua blusa enquanto o ouvia dizer qualquer coisa com a voz tremida. Alcanço seus mamilos com a mão livre e, mordendo sua orelha, enfio a mão em sua bermuda, arranhando de leve seu membro já escorrendo o pré-gozo.
–Quando ficou assim, Eren? – pergunto baixo ao pé do ouvido. A reposta dele foi um baixo gemido de alivio quando envolvo os dedos e inicio os movimentos levemente.
Eren já respirava cansado quando me beijou – pelo menos isso ele fazia direito agora -, tomando meu tempo enquanto envolvia suas pernas em minha cintura. Acelero o ritmo quando sinto-o pulsar em meus dedos, mordendo os lábios para não gemer ele se segura em meus braços.
–Rivaille...
Mordo a pele de seu pescoço, Eren estava cada vez mais úmido. Pingando.
Deslizo a mãos livre por seu peito e alcanço seus testículos, beliscando a pele suavemente. Aquilo o excitava de maneiras que ainda não conseguia entender.
–Hum... Rivaille? – gemeu erguendo minha cabeça, os olhos brilhando inocentes na penumbra.
–O que foi? – pergunto diminuindo o ritmo.
–Por favor... – ele engoliu em seco, apertando suavemente minhas orelhas – use a boca.
Sorrio pervertido para ele, que cora violentamente quando sente a bermuda deixando o corpo até a altura dos joelhos. Deslizo os dedos por sua cintura, me inclinando lentamente sobre seu peito, passo a língua em torno de seus mamilos, descendo por suas costelas, roçando os dentes no baixo ventre, suspirando pesado contra sua glande quando larguei seu membro. Subo a língua desde a base, circulando a glande antes de chupá-la devagar, engolindo logo depois. Eren puxa meu cabelo, gemendo alto. Manhoso. Mantenho um ritmo gradual, não indo muito fundo, o suficiente para vê-lo se contorcendo na cama; passava a maior parte do tempo apenas chupando a glande, levando membro todo quando me dava vontade se sentir o peso dele sobre minha língua. Era tão quente...
–Ah, Rivaille! – as unhas passaram a arranharem meus ombros sobre o tecido da blusa. Acomodo todo o membro de Eren em minha boca, indo e vindo cada vez mais rápido. – Rivai...ah!
Eren se desfaz em minha boca, mas eu, ao contrario do que ele fazia comigo, não engulo. Seguro seu queixo com uma das mãos, mantendo a boca dele aberta, deixando seu gozo escorrer por minha língua até cair na dele; que engole tudo obedientemente. Ainda com um pouco de seu esperma em minha língua eu o beijo até que o ar nos falte. As mãos de Eren percorrem minhas costas, parando pouco antes de alcançarem minha bunda, subindo e enrolando os dedos em meu cabelo.
Depois de acalmar a respiração, Eren se encolheu em meu peito, dormindo finalmente.
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Hanji : o que esta fazendo?
A mensagem veio no meio de uma aula, fazendo quase toda a sala olhar em minha direção quando tirei o celular do bolso.
–Perderam alguma coisa? – falei.
O som das lapiseiras riscando os cadernos voltaram, baixas conversas sobre qualquer coisa no fundo da sala e o tipico som do teclado do celular.
Rivaille: dando aula, e você devia estar trabalhando.
Hanji: É meu dia de folga!
Ela me mandou uma carinha sorrindo, tirando uma com a minha cara.
Rivaille: o que quer?
Hanji: o que vai fazer hoje a noite?
Corrigir 47 provas das quais já até sei o resultado.
Rivaille: trabalho.
Hanji : sério? Poxa, tava pensando em sair hoje. Sabe, eu, você, Mob ♥ Mike. Erwin disse que não podia ir então... Por isso te chamei, evitar atrito.
Ver Mike significava ter notícias de Erwin, Erwin significava lágrimas antes de dormir. Só parecia que eu estava bem, mas na verdade, quando Eren não ia me ver, eu passava horas vendo as fotos que guardei dentro de uma caixa. Sorria vendo algumas, chorava vendo outras, e tinha vontade de morrer ao ler o verso de quase todas. Semanas depois daquele dia, eu ligava para Erwin de um número desconhecido apenas para ouvir o som de sua voz. As vezes a saudade era tanta que nem todos os abraços de Eren eram o suficiente para acalmarem meu coração. Eu não o via desde aquele dia. Sem falar de Mike, que querendo ou não me mandava mensagens dizendo como Erwin estava.
Rivaille : Hanji, vamos marcar pra outro dia. É final de bimestre, tenho trabalhos até o pescoço.
Hanji: posso passar na escola amanhã? Eu te dou carona até sua casa.
Rivaille: Certo. Me ligue antes de aparecer.
O dia passou rápido, antes que me desse conta minha última aula deu o fim do meu expediente. Agradeci silenciosamente a qualquer entidade sagrada que estivesse me ouvindo.
Estaria sozinho em casa hoje, aproveite para arrumar a casa já que Eren não viria hoje, segundo ele, seu pai havia ganhado uma promoção no trabalho e sairiam para comemorar. Melhor assim. Precisava ficar sozinho um tempo.
Queria que o resto do meu dia tivesse passado com um música animada enquanto eu lavava a roupa, varria a casa, trocava a roupa de cama, tirava os cabelos do ralo da banheiro, limpava a gordura dos azulejos da cozinha, tirava o pó dos móveis e, de joelhos, passava a cera no piso. No final do dia verifiquei minha caixa de correio, paguei todas as minhas contas enquanto a cera secava. Quando voltei só precisei de um banho para voltar a corrigir as provas dos meus alunos; terminei tudo antes do jantar. Procuro algo para comer, mas não havia nada na geladeira ou nos armários. Por quanto tempo me deixei levar pelos fast foods de Eren? Procuro algum dinheiro na carteira e, após trocar de roupa, sigo até a garagem.
E lá estava ele, brilhando em carmim na vaga 47. Eu quase nunca dirigia meu carro. Não gostava do som do motor. Destravo as portas e o ligo, enquanto esperava o motor esquentar, arrumo os espelhos e o banco, a última pessoa que o dirigiu foi Erwin. Ainda tinha o cheiro dele.
Sigo pela via expressa e entro na avenida que levava ao centro, não havia muito movimento a essa hora da noite, então até chegar ao mercado que costumava ir gastei uns vinte minutos. Lembro quando fiz compras com Erwin pela primeira vez, ele nem sabia pra que servia os pods.
–Bolhas de sabão. – falei rindo sozinho e pegando um carrinho – Idiota.
Compro o suficiente pro mês e algumas pocarias, como salgadinhos, comida congelada e sorvete. Particularmente a culpa era de Eren, me acostumando com esse tipo de alimento. Minha dieta não era mais a mesma a um bom tempo; meus jeans com as pernas mais apertadas estavam guardados há três meses. Tinha que voltar a salada e chá gelado. Sigo para o corredor dos alimentos frescos e pego tudo que pudesse ser usado como salada, volto ao de comida congelada e devolvo a maior parte das coisas, menos o soverte; passei a gostar daquilo depois de Eren ter chupado quando caiu um pouco em minha roupa, o garoto tinha fôlego. Dou a volta pelo corredor e entro no que mais gostava. O cheiro de desinfetante era como uma droga para mim.
De todas as coisas que coloquei no carrinho, metade eram produtos de limpeza. Em meio as compras confiro cada coisa, somando mentalmente o preço de cada uma, vendo se não comprei de mais ou de menos; foi numa dessas que lembrei que meu caderno de anotações estava no final.
–Onde fica aquele corredor? – me perguntei em meio a musica ambiente.
Virando a esquerda ou a direita?
Busco por uma daquelas placas nos corredores, mas não encontro nenhuma, o jeito foi passar por cada corredor novamente; procurando um único espaço para a papelaria. Quando finalmente o encontro esqueço o que tinha que comprar. Então simplesmente fiquei ali, vendo os preços até lembrar o que era.
Brinco com as canetas e olho ao redor. Por um momento minha mente viaja até um passado não muito distante; onde eu e Erwin ainda conseguíamos ficar no mesmo lugar sem arremessar coisas num no outro, onde minhas lágrimas não eram a única maneira de fazer as brigas acabarem, onde ainda nos amávamos.
Mas eu nunca deixei e amá-lo. Erwin foi a única pessoa que realmente amei em toda minha vida, o único que viu verdadeiramente meus sentimentos. Nunca neguei que sentia falta dele, do seu cheiro, dos seus braços, das mãos, do corpo quente ao meu lado todas as noites, do sexo... Ah, e que sexo! Mas não era só isso, havia aquele sorriso, o som de sua voz, a cor de seus olhos, o cabelo, seus abraços... Tudo.
–Porra Erwin. – falo esticando o braço, finalmente havia lembrado o que vinha pegar; mas a merda do caderno estava em um lugar alto de mais. – Porra de prateleira.
Foi quando eu a vi.
Aquela larga mão se colocando a centímetros da minha, pegando o que eu queria, sorrindo torto ao ver que havia corado intensamente.
–Oi. – falou com a voz calma, segura de si.
–Oi. – já eu, eu parecia um babaca.
Mas que merda! O que ele... Por que agora? Porra Erwin!
–Seu caderno. — seguro o caderno sem tirar os olhos dele.
Erwin usava calças escuras, um daqueles tênis de trilha, camiseta branca e uma jaqueta que havia lhe dado no último aniversário.
–Obrigado.
Ficamos um tempo em silêncio, apenas nos olhando e quando os olhos se cruzavam, desviávamos com risinho tipico de adolescente. Mas que merda eu estava fazendo?!
–Como tem passado? – perguntou.
Lembrando de você nos últimos dias...
–Bem, e você?
–Indo.
Indo?
–Rivaille, tem um tempo livre? – a quanto tempo eu não o ouvia dizer meu nome com aquela voz?
–Tempo... – limpo a garganta, o que eu ia dizer mesmo? – Tempo livre?
–É. Se quiser, te ajudo com as compras. Depois podíamos conver...
–Ah, não. Obrigado.
Ele se aproximou, perto de mais! Meus olhos se arregalam quando ele tira uma mecha de cabelo de meus olhos, levando-a para trás da orelha. Ele sorri de leve ao ver minhas reações, e o fato de ter ficado ainda mais vermelho quando deslizou a ponta dos dedos por meu rosto.
–Seu cabelo cresceu.
–É o que acontece quando não se corta. – Que?
Ele riu. Deus, aquele sorriso. Engulo em seco quando suas mãos pousam em meus ombros.
–Quem sabe um outro dia então? – pergunta baixo.
Ah, puta merda!
–É, pode ser. – minha voz estava nervosa. Saia trêmula como um garotinha que saia com o namorado pela primeira vez.
Pouso os olhos em seu peito, ele estava usando o colar. O encaro por um tempo, vendo que ele fazia o mesmo, com a mão ainda em meu ombro apertando levemente; deixando a região com uma familiar sensação morna.
–Nós precisamos conversar, Rivaille.
–Mesmo?
–É.
–Sobre o que?
–Sobre nós dois.
Largo o caderno no carrinho e desvio o olhar, da última vez que ouvi a frase “precisamos conversar” chorei por vários dias. Eu não queria reviver aquelas dores.
–Erwin, olha – começo, guiando o carrinho para longe – eu não quero viver tudo aquilo de novo.
–Certo, eu... – ele suspirou pesado, pensando no que dizer – Eu só quero voltar a falar com você.
Podia ter feito isso antes.
–Então, quer marcar um encontro? – zombei.
–Exatamente.
–Olha, eu... – onde tem um buraco? Tenho que enfiar a cara nele. – O que?
–Saia comigo, Rivaille.
Onde diabos essa porra foi parar?
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