Avalanche
1 01. Do you believe in magic?
Notas iniciais
Por Beatrice
Alguém invadiu meu quarto e abriu as pesadas cortinas. Olhei o relógio.
–São seis da manhã, Severo. — Resmunguei. — Tive aula de herbologia até tarde...
–Levante, se não quiser que eu te tire da cama com um belo balde de água gelada.
–Ótima maneira de acordar alguém que não tem uma noite inteira de sono há oito anos... — Sentei na cama e cruzei os braços. — Não quero encarar um treinamento físico em pleno sábado. — Bufei e saí de baixo das cobertas.
–Querer não é poder, Beatrice. — Snape disse, com um claro sarcasmo na voz. Caminhei até o banheiro, me despi e tomei um bom banho.
(...)
–Com mais vontade, Beatrice!
–Estou tentando, Max!
–Só cale a boca e soque o boneco. — Ele estava próximo o bastante para que eu pudesse virar e lhe dar um bom soco no estômago. E, adivinhe: Eu o fiz.
–Não me mande calar a boca! Se lembra da última vez? — Max riu.
–Você teve um ataque e, se não fosse o Snape, eu seria um homem morto. — Assenti, e voltei a socar o boneco.
–Dá próxima vez que me mandar calar a boca, vai ficar sem seus dentes. — Ele ergueu as duas mãos.
–Okay, miss educação-em-pessoa.
Depois de longos minutos, sentamos em um dos bancos do jardim. Max me ofereceu uma garrafa de água. Ele era meu instrutor de treinamento físico. Éramos muito próximos, mesmo nos conhecendo há apenas dois anos, quando eu tinha 14 e ele 18. Acabamos virando amigos.
Peguei a garrafa e tomei um gole. Max cutucou minha barriga. Ri baixo.
–O que houve? — Ele perguntou, me encarando.
–Hun...? — O encarei de volta.
–Você está diferente... Quieta demais, pensativa demais... — Encarei o teto.
–De fato, andei pensando. Quero encontrar um propósito para a minha vida. Fui treinada desde os oito anos, se passaram mais oito e eu ainda não sei o porque. Nunca convivi com muitas pessoas. A verdade é que... Eu sempre quis ser normal. — Ele me abraçou de lado.
–Sabe que eu estou aqui, não sabe? Sempre que precisar, vou estar aqui com por você. — Corei, e Max deu uma leve risada. Me aconcheguei em seu abraço.
Max — ás vezes — deixava bem claro que queria algo a mais que amizade, mas eu não podia. Ele era uma das poucas pessoas com quem eu me sentia realmente confortável, eu não podia acabar com isso.
(...)
Me joguei na cama e encarei o teto, enquanto tentava organizar meus pensamentos.
Eu realmente queria ser apenas amiga de Max?
A dúvida surgiu de repente em minha mente, mas a afastei e virei para o canto, tentando dormir. Já passava de uma da manhã e eu não queria que Severo me acordasse, novamente, ás seis da manhã.
Ouvi leves batidas na janela e me levantei. Olhei para fora e vi uma coruja com uma carta no bico. Abri a janela e peguei a carta, observando a coruja voar. Sentei-me na ponta da cama, depois de fechar a janela.
"Cara senhorita Ward,
Tenho o prazer de lhe informar, por meio dessa carta, que, mesmo sendo um caso especial, sua presença é solicitada no sétimo ano da Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts. Como seu tutor já lhe ensinou várias coisas, não será necessário que curse os outros anos."
Não tinha assinatura no final da carta, então a reli. Meus olhos se focaram em uma única palavra.
–Magia?!
–Sim, minha cara Beatrice. Magia. — Eu não havia percebido a presença de Snape. O encarei.
–Isso é algum tipo de brincadeira? — Coloquei uma mão na cintura. Ele se sentou na ponta da minha cama.
–Acho que te devo algumas explicações. Seus pais eram bruxos. Não morreram em um assalto. Foram mortos por comensais.
–O que são... — Ele me interrompeu.
–Me deixe terminar. Apesar de serem sonserinos, não concordavam com Voldemort. Agora ele está morto, mas, enfim. Você também é uma bruxa. Te ensinei muitas coisas, mas tenho que te ensinar feitiços e criaturas mágicas dentro de duas semanas. — Ele suspirou.
–Como... Como eu nunca suspeitei de nada anormal nas mandrágoras e nas poções polissuco? Meu Deus, estava na minha frente, todo esse tempo.
–Minerva é teimosa demais... Conseguiu te mandar a carta, mesmo com tantos feitiços protetores.
Repassei as palavras de Snape na minha mente. Muitas perguntas apareceram.
(...)
Uma semana depois, Max me levou ao Beco Diagonal para comprar meus materiais. Andamos por um bom tempo e compramos o necessário.
–Um gato, talvez? — Olhei em volta e vi um gato preto, com olhos cor-de-âmbar.
–Já sei. Vai se chamar Tyrion.
–Seu fanatismo por Game of Thrones chega a esse ponto? — Revirei os olhos. Compramos o gato e Max me deixou em uma cafeteria. — Fique aqui e seja uma boa menina. — Suspirei.
–Apenas vá, Max. — Ele sorriu e estalou um beijo em minha bochecha.
–Já volto. — Max saiu e eu olhei em volta. Pedi um capuccino ao barista e olhei em volta novamente. Avistei um garoto loiro, me encarando. Desviei o olhar, um pouco corada.
Por Zoe
–Uma bruxa... Max estava com ela, será a afilhada do Snape? — Falei baixo.
–Provavelmente... — Draco a encarou. Dei um tapa no braço dele.
–Pare de encarar a garota!
–Você pode até ser minha prima, mas é insuportável. — Ele fez uma careta e eu ri baixo.
–Porque a encara tanto, afinal? — Ele deu de ombros, mas não disse nada. Olhei em volta e vi a mesma garota, saindo da cafeteria com Max.
–Será que ela vai para Hogwarts esse ano?
–Porque o súbito interesse?
–Só perguntei por perguntar...
(...)
Por Beatrice
Mais um dia de treinamento, antes da ida para Hogwarts.
Quase gritei, quando Snape me disse isso. Mesmo com raiva, desci as escadas para treinar com Max.
–Está atrasada. — Ele riu e beijou minha bochecha.
Depois do treino, como de costume, nos sentamos no jardim. Ele me encarou por alguns instantes.
–O que foi, Max? — Ele se inclinou em minha direção e tomou meus lábios em um beijo calmo. Correspondi ao beijo, no início, mas me dei conta do que realmente estava acontecendo e me levantei. Max encarou o chão, ainda sentado.
–Me desculpe, Beah... Eu só... Me desculpe. — Saí dali, com passos rápidos, até começar a correr. Me tranquei em meu quarto e me joguei na cama. Enfiei meu rosto em um travesseiro.
–Merda, Max...
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