Autor do Crime
3 Pequena Coincidência
John, cansado do seu looongo dia e de ter que esperar mais alguma coisa, comeu as pizzas sem o maldito refri. Quando este terminara sua janta, resolveu fazer o que devia ter feito desde quando sua barriga deu a primeira roncada: Ir embora.
A barriga de John crescera um pouco devido as pizzas mas ele não se importou. Tirou o paletó, afrouxou a gravata um pouco e descera escada abaixo. Seu escritório era em cima de uma pequena livraria (aquelas livrarias que se parecem com a Three Lives & Company), e ele sempre comprava algum livro quando tinha a chance, mas seu dinheiro fora usado para matar a sua fome. A loja estava vazia, só restando ele e uma velhinha de 64 anos.
— John! Que bom que saiu da toca, John! Achei que tinha morrido! -- Brincou a carismática velhinha atrás do balcão de madeira escuro.
— Quase, sra. Mudson... Quase morri.
— Ora, mas por quê?
— Fome, sra. Mudson, fome. O entregador de pizza demorarou UMA HORA E NÃO SEI QUANTOS MINUTOS PARA TRAZER DUAS BENDITAS PIZZAS! -- Apertou as mãos.
— Aquele jovem da pizza saiu bem assustado... Que bom que não havia muitos clientes quando você começou a reclamar com ele...
— Desculpe-me, Mudson... Eu estava muito nervoso...mas já vou pra casa agora acalmar meus nervos e esvaziar a barriga.
— Percebi que sua barriga cresceu um pouquinho. -- Riram.
— Pois é, sra. Mudson, mas ela não fica assim... Haha... Apesar de eu ser gordinho não engordo mais. Só se eu fosse um completo sedentário...
Riram.
— Desculpe te segurar aqui, John. Vejo que está cansado...
John foi em direção a porta e a abriu.
— Sinto muito por não ficar aqui... Recebi um novo caso e tenho que me preparar para ele... Se precisar de mim para levar as caixas de livros é só me ligar... Até, sra. Mudson.
— Até.
O detetive saiu e assim que fechou a porta respirou profundamente o ar fresco. Como seu escritório estava abafado, foi bom ele dar uma saída.
Ele caminhou lentamente com o paletó preto pendurado no braço esquerdo cantarolando Nuvole Bianche de Ludovico Einaudi, só fazendo os toquinhos mesmo. O céu estava ficando nublado e no meio do caminho John viu um jovem com cabelos loiros correndo em sua direção e parou um pouco a frente de Califórnia.
— Mizzan! Mas o que está fazendo?
Mizzan Jan era o nome do jovem de 26 de cabelos loiros.
— S-Sr. C-Califórnia...
— Respire, Mizzan!
O jovem respirou profundamente e disse com as mãos nos joelhos:
— Q-Querem que eu assuma o caso do... -- Respirou fundo -- Do Christopher Reffsjey...
— Que bom! Você enfim ganhou um caso!
— Mas... Eu preciso de sua ajuda.
— Vamos andando e você me fala. -- Começaram a andar novamente.
Mizzan que agora estava com as mãos no bolso olhando para o céu escuro voltou a dizer:
— Ficou sabendo dos roubos que vem acontecendo e que os culpados diziam que não sabiam de nada no fim?
— Sei.
— Querem que eu seja o advogado do Christopher, um dos culpados...
— Nossa... Quanto que foi roubado do banco mesmo?
— Trezentos e sessenta mil.
— Nossa!
— O Bardaraht roubou de uma loja de roupas quatro mil...
— Hum. Não saia comentando por aí mas a polícia quer que eu os ajude com a investigação... Disseram que o Bardaraht e esse tal Christopher não sabiam onde estavam e o que estavam fazendo naquele lugar... Teremos que trabalhar duro...
— Concordo, mas eu ia te pedir isso mesmo... Que me ajudasse a investigar esse caso...Mas eu ainda não sei se o aceito...
— Esse é o seu primeiro, não é?
— Sim.
— Aceite-o... Eu te ajudarei com o que puder.
O jovem sorriu. Por dentro ele estava animadíssimo com a resposta.
— Mas eu acho estranho o Bardaraht ter sido preso assim tão rápido... Ele é do tipo que encara os policiais de frente e é um custo pra segurar. Além do mais, não é de ficar dizendo que ele não sabia o que estava fazendo e coisas do tipo. -- John refletiu um pouco.
— Ele parece um viking com aquela barbona grande e aquele cabelo tipo do Ragnar Lothbrok da série Vikings.
— Hahaha!! Essa é boa, mas tem razão. -- John suspirou e disse -- Sinto que esse caso vai nos surpreender...
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