Autocontrole

8 Capítulo 7: Mudança


Ultrapassei o planejamento, queria ter passado a tarde com Enzo, não a noite. Porém a sensação de prazer de acordar ao seu lado não mudou, sorri olhando-o dormir. Enzo virou o corpo para o lado, assim, eu não podia vê-lo. Ora que teimosia!
–Ei. Enzo, acorde e venha falar comigo, por favor.-disse rindo. Enzo estava se levantando, vestindo a calça bofante da Adidas e continuou sério e até sério.-Ei.-toquei em seu ombro, insistindo. Enzo não se importou, levantou-se da cama com os tênis na mão. Caminhou até a porta do quarto e disse:
–Chloe, não sei se você lembra, mas havia chances de eu fazer uma tournê pela América, se meu show naquele dia desse certo. Bom, deu certo. Eu parto amanhã. Por favor, pegue suas coisas e saia quando quiser, eu vou correr pelo quarteirão.-ele deixou o quarto após essas palavras frias que congelaram minha alma. Permaneci calada, analisando a provável piada e a talvez verdade mais dura que poderia ter ouvido. Não sei de que maneira doeria mais, dessa forma, fria e sem sentimento, ou se ele chorasse para não me deixar. Acho que a primeira, pois me senti uma garota fraca e de fácil acesso, cujo qualquer um pode passar a noite quando quiser. Foi assim, que Enzo me deixou. Rápido.

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Esta cidade não tinha tanta cor como antes, novamente eu estava vunerável, sem saber bem o que fazer. Mas eu não poderia assumir isto. Então eu tinha "TPM" todos os dias do mês. A faculdade havia começado há uma semana. Sara estava super super estressada com os estudos. Eu não via Lucca há alguns dias, muito menos sua irmã.
Bom, é um novo dia na Montanno University. Entrei no campus engramado com uma mochila nas costas e, roupas de "universitária", no entanto não muito careta. A grama era enfestada de estudantes, rindo, conversando, trocando mensagem e até comendo. Sara estava do meu lado. Segunda era o único dia que eu ia para a faculdade de dia. Sua entrada era assustadoramente grande, e velha, talvez velha não fosse a palavra correta para descrever o edifício. Parecia algo que participou da colonização ou algo assim.
Eu amava o professor de bioestatística, explica tudo tão bem. E tinha um jeito especial de falar com os alunos. Sua falecida esposa deixara diversas pesquisas, era centista assim como minha mãe. Em sua aula também, eu percebia uma garota especial, tinha um olhar triste, mas era um verdeadeiro gênio, de cabelos extremamente lisos, de um castanho dourado, usava óculos Stella McCartney, de aro de tartaruga, e pele muito branca. Durante a aula do professor Christopher, de bioestatítica, solicitou que formássemos duplas para estudar textos e um possível seminário. Sara estava com um garoto esquisitão, eu escolhi, assim, a tal garota de olhar triste que sempre observava nas aulas. Megan Vittoreli era seu nome.
–Então, somos companheiras nisso aqui?
–Acho que sim.-assentiu tímida.
–Poderíamos nos juntar depois das 04:00?
–Está bem.
Então, depois de passar em casa, e dormir, nos encontramos na maior biblioteca da cidade. Eram muitas pessoas ali, conosco, porém se alguém passasse mal, a velha do balcão reclamaria do baulho da queda no chão e talvez até do baulho da parada de seu coração. Era o silêncio que importava.
–Pode verificar isto?
–Claro, onde está?-disse sem expressões na língua. Mostrei-lhe o caderno." Número de classes (K) Se n <= 25 : K = 5".-Sim, muito bem, próxima icógnita.-disse num tom acadêmico.
–Nós estamos fazendo isso há tempo, talvez devêssemos relaxar, sair um pouco desse ambiente sufocante.
–Tem razão. Vamos caminhar na calçada principal.
Em New Heaven, havia alguns pontos turísticos, o calçadão era um deles, tinha fontes de água, crianças que admiravam-nas, desenhos no chão e seus artistas sujos pondo a obra na calçada ou nos muros.
–Eu não quero parecer um pessoa solitária. Tive poucos amigos. As pessoas me julgam com os olhos e eu acabo ficando sem amigos. Mas, tudo bem.
–Lamento. Mesmo.
–Eu diria: todos lamentam, mas não é verdade. Obrigada, então.
Sentamos num banquinho rosa no meio às flores.
–Eu não devia te contar essas coisas sobre minha vida.
–Não, conte-me o que quiser, está guardado comigo. Quero que se sinta melhor.
–Eu não tenho ido às consultas.
–Você frequentava o psicólogo por causa da ausência de amigos?
Aos poucos Megan contou-me e desabafou.
Quando tinha 12 anos, sua mãe foi hospitalizada, num hospício, profissionais diziam que ela sofria de esquizofrenia, mas quando Maggie amadureceu, aceitou a teoria de que, na verdade, sua mãe, procurava respostas para mitos e teorias não comprovadas e teria feito de tudo para conseguir provar, tomou medidas que levaram as pessoas a acreditar que ela estava passando pela loucura."Ela me feria, mas eu entendo ela, sabe?" as pessoas solicitaram que Meagan fosse para um psicólogo, porque era "louca como a mãe".

–Te feria?-perguntei.

–Sim, ainda guardo as marcas, mas não deixo ninguém ver as cicatrizes.
–Entendo.-a confortei.
–Eu também tenho um irmão, ele não mora na cidade.-confessou.
No momento em que o silêncio se instalou, o meu telefone tocou. Era Lucca. Atendi o telefone. Oi, sim, pode falar. Não, está tudo bem, eu posso te ver, mas você vem me buscar?
Virei-me para Megan e disse:
–Eu tenho que ir. Vou te deixar em casa.
–Está bem.
No caminho, niguém conversou. Megan estava no banco de trás, observando analisando a sociedade americana. O silêncio se quebrou quando:
–Ei!! Pare aqui! Vou descer, neste ponto, gosto de andar até minha casa.
Lucca respondeu:
–Se você prefere assim, tudo bem. Tchau, Megan.
No estalo da porta do carro eu disse:
–Mal-educado! Você não a conhece e fica sendo ignorante.
–Nossa, eu só dei tchau.-estranhou Lucca.-Desculpa, criança, eu não queria te chatear.-continuou rindo e tocando no meu queixo para me "animar". Relutei.
–Vou treinar hoje?
–Claro, já estava mais que na hora.

Notas finais
Este captulo é um dos mais vagos, minha intenção foi deixá-lo como uma "passagem" para o próximo capítulo. Aceito sugestão de melhorias nos comentários.