Autocontrole
7 Capítulo 6: Quando entrei em mais um transe
Novamente. Olhei para o banco e fui em sua direção ao banco. O senhor parecia não ter identidade, e se comportava como se fosse 10 anos mais velho, alimentava passarinhos que margeavam o banco. Toquei em seus ombros e virei. Procurei pelos olhos. Se olhos são a chave da alma, aquele senhor era oco.
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O cenário, mudou. Estava tudo muito escuro. Era como se eu tivesse voltado no tempo. Eu via a paisagem preto e branco entre seus tons. Eu queria poder chamar aquilo de paisagem, vi manchas obscuras no céu e um homem, aquele homem, creio. Seus braços deram origem a asas, que por sua vez tranformaram-se em asas imensas. Com elas, o sujeito se sacudiu uma vez e alcançou um nível muito alto no céu. Até uma nuvem, ele se tornou um homem gigante que me olhava, as nuvens eram seu trono e ele expressava autoridade de rei. Eu via marcas. Mais que tatuagens, cobria quase todo seu corpo do lado esquerdo, entre tantas marcas percebi uma, exatamente como a que tinha visto em mim, após o banho. Mais ou menos assim:
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O homem mateve-se me encarando, com olhar que gritava o quanto sou um inseto para ele. Estende a mão e...
Pá! Acorei desse transe insano. O homem... Que homem? O tal desapareceu num Puff!
Recuperei minha sanidade e encontrei Enzo sentado na grama me olhando rindo. Encabulada cheguei até ele:
–O que foi isso? Parecia um corpo sem alma.-indagou Enzo. Mas que coincidência, hein?!
–Não sei, é o sono. Depois de ontem dormi na rua.-respondi rindo.
–Incrível. Quando você vai parar de me surpreender? Ah, aliás, você está bem?-retrucou.
–Talvez nunca. Obrigada por perguntar, estou bem.
–Quero passear contigo, sabe? Nada de mais. Apenas sua compania.
–Claro.-assenti feliz.
Caminhamos por todo o parque. Deitei na grama na margem do pequeno lago. Contei o quanto amava as árvores do clima temperado. O jeito como caiam no outono e a que ganhavam, até mesmo quando estava mais quente e os raios solares ficavam visíveis entre o amontoado de galhos entre elas.
–Isso me encanta.-disse Enzo, calmamente.
–O quê? Árvores?
–Você e as árvores. Mas há uma diferença significante entre tais.
–Qual seria?-perguntei curiosa.
–Eu nunca parei para pensar na beleza das árvores mesmo que elas me causem harmonia na alma. Ao contrário de você, que não tiro da cabeça, seja lá o que esteja fazendo.
Sorri graciosamente e olhei novamente para o céu. Atravessamos a pontezinha que ficava colada às margens do lago e nos proporcionava sombra, era também muito pequenina e pedregosa, percebi que era antiga. Ele sugeriu que fôssemos para o carro dele, assim fiz:
–Então, faria a gentileza de me acompanhar num cafezinho?-perguntou Enzo.
–Hoje você é o guia. Leve-me para qualquer canto.-respondi.
Escolhi rosquinha com cobertura de morango e granulado colorido, e uma bebida especial do café. Gostei.
–Não vai querer nada?
–Não, obrigado.
–Ah, poxa. Não curto comer só.
–Vamos para minha casa, como algo de lá.-argumentou.
Assenti.
–--
Sua casa nada tinha mudado, um tom de larenja avermelhado idêntico às outras casas. A porta estava aberta e um homem, um pouco mais velho que Enzo transportava caixas empacotadas. Ele me viu, parou o trabalho e me analisou:
–Enzo.
–Gun.-apelido derivado do nome real "Gunther" e também graças ao amor que Gun tinha pela caça.
–Quem é a jovem que está sequestrando?-gozou.
–A mocinha é nova aqui, you d-bag!-brincou Enzo.
Observei ambos trocando comprimentos braçais. Gunther me comprimentou:
–Prazer.-respondi.
–Para que serve tudo isso, mano?
–Estou levando isso para um escola, são roupas antigas.
–Tranquilo, até mais.
Entramos antes de Gunther fechar a porta frontal.
–Pensei que você estava aqui para estudar.
–E estou, mas a faculdade começa mais tarde para novatos. Depois de amanhã.
–Ah, entendo. Então vai estar ocupada a partir de então.
–Pode se dizer que sim.-disse abrindo o pacote de embrulho com a rosquinha dentro.
Enzo preferiu beber apenas um shake. Entre mordidas, conversávamos:
–Olha só!-riu de mim.
–O quê?-respondi já envergonhada.
Enzo fez uma mímica para e que eu entendesse o que se passava, passou a mão na região da boca. E eu persebi que estava sujo. Que vergonha! Fiz o mesmo com o guardanapo mas não obtive êxito.
–Não, não. Aqui.
–Dê-me licença.-disse rápido.
–Espera!
–O quê?
Enzo fez o trabalho, divinamente, devo dizer. Beijou-me com intensidade e agora no lugar da cobertura, eu queria desfrutar mais de tudo aquilo. Sem abrir os olhos, e sem pausa longa, retribui o beijo, novamente, e de novo, e mais uma , duas vezes. Ele sorriu e também sem abrir os olhos pegou segurou meu pescoço com as duas mãos e graciosamente seubindo até orelhas. Fiz o mesmo, quando cheguei às orelhas me aproximei, coloquei meus lábios bem colados a elas e sussurrei:
–Lembra de quando nos conhecemos? Ah eu lembro... -Respirei fundo.- Eu enlouquecia só de ver seu corpo sob aquela camisa, imagina quando você a tirou. Nossa. Foi uma sensação muito... gostosa. Mas eu não sabia o que fazer, não sabia o que te agradava ou se fazia tud direitinho.
Enzo parecia curtir muito, muito. Da última vez não o flagrei com tais feições. Bom, ou mau sinal, continuei.
–Por favor, me diga do que você gosta.
Enzo gemeu entendi como um sim, já que eu conhecia expressões de pavor e dor. Era muito diferente daquilo que eu via.
–Você curte essa massagem?
Ele estava imóvel e tinha os dedos pressionados, como se quisesse controlar algo que não podia, extamente como o ápice. A tal parte da sua vida em que você não tem ligação com racionalidade, não há pensamentos, só sentimentos.
–E isso você acha legal?-continuei falando em seu ouvido.
–Talvez se eu fizesse mais embaixo?
–Por favor. Eu peço que...-disse ele.
Fiquei assustada no início até que ele completou:
–..Você não pare...
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