Autópsia
6 Capítulo 5-Liberdade
Liberdade. Não mais uma palavra, um feito. Quando ganhamos a liberdade, ganhamos coragem para continuar em frente. Mas a liberdade, só é aderida aqueles que realmente merecem, e aqueles que não merecem, tendem a viver confinados na escuridão que a vida lhes provém. Perdão, amor, franqueza e altruísmo são pontes para a liberdade. Pontes que subitamente podem ser quebradas ao meio.
***
–Certo, estou na frente do prédio de controle. Em alguns minutos vou entrar. Seus pais já sabem da situação. Lara, se eu não sair viva, quero que saiba apenas que eu tentei, e tentei por você. O.K, preciso ir. Tchau.
Amanda desliga o walkie-talkie e eu fico escondida atrás do tronco de uma árvore, de frente para o enorme muro de ferro. Eu mantenho o walkie-talkie ligado para prevenir qualquer situação.
Amanda passa minutos sem me responder, mas não devo criticá-la, está se arriscando por mim. Eu mordo meus lábios enquanto espero por ela. O céu está lotado de helicópteros e posso ouvir as sirenes da polícia mais ao longe, na cidade. Estão me procurando, mas em pouco tempo eu já estarei o mais longe que posso daqui.
–Estou no duto de ar, a ligação talvez fique falha, mas já vou descer. Estou embaixo da sala que controla o muro. Há um homem de aparência pouco sagaz mexendo num computador, na frente de vários botões. Relaxe, não vai ser um problema identificar o do muro. Enfim. Como previsto, ele saiu da sala. Agora, torça por mim, O'Connor.
Ouço o barulho dela arrancando a tela e pulando no chão. Se tudo seguir como previsto, Amanda vai demorar pelo menos cinco minutos lá na sala. E vai conseguir sair viva.
–Tranquei a porta. Agora, só preciso mexer nos botões. Acho que é esse. Vou apertar-se passa um momento de silêncio até que ela reprime um grito-Ops. Esse era o botão de ativar o alarme de segurança. Ah, droga.
–Use sua inteligência, Amanda. Não pode apertar qualquer botão de vez. Analise cada um!
–Certo... ah, acho que... Acho que é esse. Não, não é. Ah, já sei. Vou usar os quadros. Talvez eles me ajudem. Certo, preciso que me diga o botão que desativa a segurança do muro. Agora. O.K, eles estão analisando... Lara, achei. Mas terei que fazer uma série de coisas. Tanto faz. É claro, porque não pensei nisso! O botão era o mais protegido, estava revestido por uma placa de plástico, É um enorme botão vermelho. Certo, apertei ele. Agora, está aparecendo no monitor que terei de empurrar a alavanca para cima. Aqui, achei. Bem... sim, só há essa alavanca então deve ser essa. O.K, alavanca puxada. Agora... bem, agora as coisas estão difíceis. Eles pedem para mim digitar uma senha de números no monitor. E isso meus quadros não conseguem responder.
Mas os meus conseguem. Aprendi nas aulas de ciências tecnológicas que os quadros de rebeldes com amor no sangue maiores de dez anos acercam mais dados. Então se eu perguntar qualquer coisa sobre o sistema, que só Cassandra e o pessoal do controle sabem, eu terei a resposta.
Materializo um quadro azul na minha frente.
–Pode deixar comigo, Amanda. Muito bem, preciso que me diga a senha para ativar o muro de ferro.
A senha aparece na minha frente. Esboço um sorriso por saber que tenho várias informações.
–Amanda, a senha é três, quatro, dois, zero, zero, zero, dois, oito, nove, nove, seis.
–Confuso, mas consegui captar tudo. Certo. Lara... você está de frente para seu destino. Apertei o último botão, e segundo o monitor, o muro já está se abrindo.
Minha boca fica entreaberta quando vejo o muro a minha frente deslizando para o outro lado. Ele está praticamente caindo, mas não pro meu lado, pro outro lado. Isso não importa. O muro de ferro termina de cair, e a minha felicidade-ou talvez o meu desespero-acaba quando ouço sirenes próximas a mim.
–Você tem quinze segundos até que ele se feche de novo-Amanda me alerta.
Vejo os carros pretos arrastando os pneus em minha direção. Eu não hesito em começar a correr.
Minhas pernas aceleram pela plataforma de aço, que antes era o muro de aço levantado, e agora é o muro de aço caído. Corro por ele o mais rápido que posso. Mesmo correndo, ele é praticamente interminável. Minhas pernas não param até que eu tropece em mim mesma e caia, ralando meu joelho. O sangue começa a cair a medida que eu corro o mais rápido que posso. Há três veículos da polícia, um deles ainda não alcançou o muro, mas está perto. As outras duas estão longe.
–O.K, quinze minutos fechados. O muro vai começar a se levantar e preciso sair daqui, estão batendo na porta. Te dou mais notícias depois, tchau.
O walkie-talkie de Amanda desliga e eu pulo da plataforma antes que ela se mexa. Já o veículo da polícia está correndo pelo muro enquanto ele se levanta. Ele consegue se safar antes que o muro termine os noventa graus. O carro salta do muro que estava bem perto de fechar.
O momento, eu gravei em câmera lenta. Tudo ocorreu tão de repente. Eu já estava do outro lado do muro, enquanto o carro estava voando, pronto para cair no chão, o policial descer e me levar de volta pra lá. Mas não foi isso o que aconteceu, foi bem diferente. O carro não estava em posição de cair, ele estava todo de frente para o solo. Eu cubro minha boca antes de a tragédia acontecer. A frente do carro se choca contra a terra e vai esmagando-o, em câmera lenta, sob minha perspectiva. O carro é destruído a medida que vai se encontrando com o chão, até que seus destroços começam a voar.
Um pedaço de vidro voa em direção ao meu ombro e grito o mais alto que posso. Mas o pior não é esse. As sirenes não acabam e logo percebo que o muro também não completou totalmente os noventa graus. Mas quando completa, ouço o barulho de destroços. Primeiro, houve a primeira batida, depois, houve a segunda. As outras duas sirenes se chocaram contra o muro. O ocorrido é tão medíocre que ignoro a dor de meu ombro e o sangue que já está atingindo o chão. Eu tento esquecer a viatura destruída a minha frente e o sangue em meu joelho e em meu ombro e me volto para o mundo a minha frente.
Estou livre, eles não conseguem me pegar.
Eu sou uma mistura de caos e liberdade. Meu coração é cheio de amor, e não conseguiria viver sem ele.
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