Autópsia
3 Capítulo 2-Gênesis
A teoria de uma gênese, só pode ser provada, a partir do momento em que o mundo começa a ruir. A gênesis, é o que marca o início de uma era, ninguém acredita nela, até que tudo esteja desabando. O mundo é como um prédio. O primeiro bloco usado para construí-lo foi a gênesis, e o último bloco, foi o fim do mundo. O prédio resiste por algum tempo, mas tempo depois ele começa a ruir, a se degradar. Assim é a nossa vida. Um prédio que construímos a cada dia, e a cada dia é destruído.
***
–Antes de mais nada, gostaria de começar a aula de hoje falando sobre um assunto que poucos de vocês sabem, e sempre é comentado nas turmas no dia de mudar de cidade. O assunto não é nada mais nada menos que o início de Nova Aliança-a professora Tammes prende o coque dela com uma fita-Nova Aliança, alunos, não é nada mais nada menos que a consequência de um problema inacabado: o amor. Mas afinal de contas, o que é o amor? O amor, é uma droga. Uma droga que faz mal para nós, humanos. No passado, consumiam muito essa droga sem nenhum remorso, as pessoas tolas, que adoravam se aproveitar do amor, mal sabiam do efeito até que essa droga começou a ruí-los. Pessoas cometiam crimes por amor, se suicidavam por amor... eles amavam isso. Mas depois de uma revolução acontecida no passado, em que a filha de um rei de um país no sul do mundo, estava se apaixonando por um príncipe que morava no norte do mundo. Naquela época, a tecnologia existia, então eles se contatavam secretamente dia e noite. E o mais interessante disso é que eles não poderia dizer a seus pais que estavam namorando com uma pessoa que morava do outro lado do mundo, pois o pai da bela princesa, iria iniciar uma guerra com o povo do norte. E num dia horrível, o príncipe falou para a princesa ''Oh, minha amada. Se me amas, farás coisas horríveis por mim, certo?'' e ela lhe respondeu ''Sim, meu amado. Quer que eu faça algo que esteja a meu alcance?'' e o que ele queria, era o improvável para ela. ''Minha queria, se quiser impedir uma guerra, mate seu pai para mim, lhe peço''. A garota hesitava por dias, mas prometera ao seu amado que faria o que ele pediu. Até que ele ameaçou-a dizendo que iria cortar o relacionamento com ela se ela não fizesse isso até a meia-noite do dia. Ela, hesitante, chegou até o quarto do pai. ''Papai, você me ama?'' ela perguntou. ''Amo, minha querida. Por quê a pergunta?'', ela não iria lhe contar, iria matá-lo com o segredo apodrecendo dentro de si mesma. Ela, apertou a faca cuja iria matá-lo e estava escondida em seu vestido com mais força ainda. ''Papai, você sabe que para amar, temos de fazer o inesperado, certo?''. Ele assentiu e ela, sem hesitar, encravou a faca em sua barriga. Pelo menos tentou. Ele havia segurado o punhal com mais força do que ela. ''Querida, se queria me matar, bastava pedir. Mas agora é tarde demais, e a ruína que você desejou para mim, será a ruína de seu amado do norte''. Ele espancou-a até que ela estivesse retalhada. Ele tomou a faca de sua mão e mandou prendê-la no mais profundo subterrâneo do palácio. E assim fez... Já na guerra, tempos depois, o príncipe olhou na face do rei e lhe falou ''Minha amada não merecia um destino como o que você traçou para ela. Vingarei sua morte por amor.'' Mas foi inútil, pois várias lanças foram encravadas em seu peito, pois o rei tinha mais soldados que o príncipe. E, óbvio, o rei venceu a guerra. Mas anos mais tarde, o que aconteceu com ele, não foi nada mais lógico do que uma vingança do destino. Ele foi visitar sua filha no subterrâneo do castelo, e quando chegou lá, um grupo de rebeldes do norte invadiu o palácio e explodiu bombas em vários lugares. Rochas começaram a cair sobre eles, e a última coisa que sua filha disse para o pai foi: ''Morreremos aqui, juntos. Porém, iremos para lugares diferentes'' e o pai, foi mais inteligente. ''Ah, minha querida. Se pensa que vamos para lugares diferentes, não deveria ter encravado a faca em mim. Não me matou, mas a intenção era. Nos vemos no inferno.''. E ambos morreram.
A sala permanece em silêncio absoluto até que a professora continua:
–E isso prova o que o amor faz. O amor fez com que a princesa fosse matar o pai. Fez com que o pai criasse ódio da filha e matou o príncipe. E é por isso que devem sair de Nova Aliança se estão começando a se apaixonarem. Bem, alunos, estão dispensados. A sala de testes vocês já sabem qual é. Boa sorte.
Ela sai da sala e a turma vira uma bagunça, tomada pelo pandemônio. Amanda começa a correr pela sala, enquanto Noah, o garoto que gostei antes de completar dez anos de idade, começa a rabiscar impurezas no quadro. Bem, não era para isso acontecer, já que ordem é um dos princípios de Nova Aliança, mas todos entendem a adolescência e respeitam isso.
Outro garoto que gostei foi Cyrus. Sempre tivemos muito em comum e sempre fomos ótimos amigos. Ele tem um passado triste, que por acaso foi exposto aqui na cidade. A mãe fora morta pelo pai, e ele também estaria morto, mas o próprio pai foi em seu lugar.
Ele vem até mim. Seus cabelos cacheados e seus olhos de cor caramelo me penetram. Ele nunca tem muito assunto, mas sempre que começa algum, temos sempre por onde puxar.
–Oi. Bem, os testes começarão em menos de quinze minutos. Não posso perguntar sua escolha, mas seria uma grande perda se você saísse. Assim como outros.
–Cyrus, acho que você sabe minha escolha-sorrio para ele-A minha escolha é quase a de todo mundo. Acho que talvez até a sua.
–Bem, é segredo-ele ri. Eu forço um sorriso para não desapontá-lo-Bem, boa sorte.
Ele já estava saindo quando recuou e comentou:
–Mas mesmo que sua decisão seja outra, saiba que vou estar aqui pra te apoiar-seu sorriso me consome. E pela primeira vez, eu sinto alguma coisa dentro de mim. Primeiro, eu sorrio para ele. Depois, faço uma careta.
Algo cresceu dentro de mim. Um ímpeto de emoção surgiu em mim. É como uma adrenalina que não sinto há anos. Sei o que é isso. Mas finjo que não sei. Finjo que não sei para que não me pegue pensando nisso. Não pode ser.
***
Quando nos liberam para ir até as outras salas para fazermos nossas escolhas, formamos uma fila. Eu fico na frente de Amanda. Nós apertamos nossas mãos secretamente. Cyrus está sozinho, ansioso, olhando para a porta.
Nós caminhamos pelos corredores da escola até que eles nos dividem. Mandam Amanda para a sala B(eu sussurro um ''boa sorte'' para ela antes de ela partir), me mandam para a sala D junto a Cyrus. Noah, Patrick e Diana vão para a sala A.
A sala é um cubo sem janelas, qualquer um com claustrofobia morreria aqui dentro. As instruções são de que nos sentemos nas cadeiras e aguardemos até começarem os testes.
Eu sento na cadeira da frente da segunda fila e depois todos repetem o ato, até que não esteja ninguém em pé.
E isso foi o básico para que o inesperado acontecesse. Quando nos sentamos em nossas cadeiras, um tubo de metal nos revestiu. Foi subitamente. O cilindro cresceu ao meu redor e não pude ver a luz, pois o metal cobriu tudo.
No centro da mesa, um quadro de toque cresce, como os quadros normais que usamos no nosso dia a dia. A luz azul do quadro ilumina o tubo, deixando-o brilhando.
No quadro, aparece a frase:
''Defina sua vida. Escolha um: Prosseguir sua vida em Nova Aliança.
Partir para Velho Desastre.''
Cliquei, sem hesitação, na primeira opção. Mas mesmo depois da minha resposta, o tubo não desceu. Comecei a tateá-lo, sentindo o ar ficar rarefeito. Eu bati forte no tubo. Comecei a gritar por socorro, mesmo sabendo que ninguém me ouviria. Eles querem me matar?
Eu bato mais forte e o tubo desce. Mas não porque bati, mas porque todos já responderam. E quando o tubo desce, a sala não está mais cheia como antes. A sala está mais vazia.
E seu o motivo. Alguns escolheram Velho Desastre.
Incluindo Cyrus.
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