Ausência
8 Instável
Notas iniciais
Loving you forever can't be wrong
(Amar você para sempre não pode ser errado)
Even though you're not here, won't move on
(Mesmo que você não esteja aqui, não vou seguir em frente)
Dark Paradise — Lana del Rey
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Adrien entrou pelas portas da mansão, agradecendo Gorila pelo dia e se despedindo dele. Foi em direção à cozinha, só querendo fazer um lanche rápido para comer, antes de dormir. Mas chegando lá, viu Nathalie, com sacolas de seu restaurante favorito.
— Nathalie, já chegou em casa. — Estava relativamente cedo, comparado ao horário que ela, geralmente, chegava.
— Oi, Adrien. Vamos jantar juntos? — Ela ofereceu com um sorriso.
Ele sentou, enquanto ela terminava de ajeitar a refeição nos pratos.
— A senhorita Dupain-Cheng foi embora? — Ela perguntou ao se sentar.
— Sim, eu e Gorila acabamos de deixá-la em casa. — Sorriu ao dar a primeira garfada. Amava o macarrão do Passionné, apesar de que, agora, todas as comidas que levam queijo o deixasse meio triste. — Obrigado por deixá-la vir, Nathalie.
— Adrien, essa casa é sua, não precisa da minha permissão para isso. Só preciso saber que os pais dela estão cientes quando ela vier, só para não termos confusão.
— Claro, ela avisou Sabine e Tom antes de vir. — Respondeu, antes de erguer o olhar para fitá-la, antes de dizer. — E essa casa também é sua, Nathalie.
Viu os olhos dela se arregalaram em surpresa, antes de um pequeno sorriso surgir em seu rosto.
— Agradeço sua gentileza, Adrien.
Continuaram a comer, em um silêncio agradável, até Nathalie mudar para seu lado “mãe”.
— Como foi seu dia?
Adrien sorriu para ela, gostava quando Nathalie começava a agir assim.
— Foi bom. Na verdade, a manhã foi um pouco turbulenta. — Contou, lembrando daquela ligação, completamente, caótica, que recebeu. — Marinette caiu em casa e precisou ir ao hospital.
A mulher largou o garfo, assustada, o encarando.
— Ela está bem?
— Sim, está, apenas machucou o tornozelo. — Respondeu rápido, para que não acontecesse o mesmo que houve com ele. — E depois das aulas viemos para cá, como te avisei na mensagem.
Ao lembrar da tarde, também recordou como ela terminou.
— Você está bem? — Ergueu os olhos e viu Nathalie o encarando, com os olhos franzidos. Aparentemente, as emoções de seu rosto eram completamente visíveis.
— Marinette parece meio triste ainda. — Comentou de uma vez. Já havia conversado com Nathalie antes sobre isso, em busca de conselhos.
— O sábado com seus amigos aqui, não funcionou? — Ela perguntou, e ele lembrou dos planos que haviam feito para o fim de semana.
— Não, e eu ainda não sei o motivo dela estar assim. — Não conseguia deixar de pensar nela, e ficar frustrado com a situação.
Sentiu uma mão sobre a sua, que estava apertada em um punho tenso, e nem ao menos percebeu.
— Adrien, sei que gosta muito dela e fica preocupado, mas o que quer que ela esteja passando, não é obrigação sua resolver. — Ela disse séria, em sua direção.
Adrien soltou um suspiro, derrotado.
— Mas eu quero ser um bom namorado. — Ele queria, sim, ajudar Marinette, com o que quer que fosse que ela estava passando.
— Você é, Adrien. Só, não coloque o bem-estar do outro acima do seu, ok?
Sua guardiã tinha esse medo, que Adrien acabasse esquecendo dele próprio em função do namoro. Ele sabia bem que existiam pessoas que agiam assim, que faziam tudo pelo outro, e acabavam machucando elas mesmas.
Mas não era esse o caso. Apesar de ser imensamente apaixonado por Marinette, e querer fazer tudo por ela, seu “tudo” tinha limites.
Mas isso não era algo muito romântico de se dizer.
— Eu sei, Nathalie. Obrigado, não estou fazendo isso. — Então voltou a mexer em seu macarrão, já perdendo o apetite. — É só que me sinto impotente. Queria ajudá-la.
— Tenho certeza que já está fazendo isso. Apenas continue sendo você, Adrien.
Lembrou quando a namorada disse, quase as mesmas palavras para ele, quando estava preocupado com a saúde de Nathalie.
Que, às vezes, só ter a presença de quem amamos, já os ajudava.
Foi como se acendesse uma lâmpada em sua mente.
— É isso! — Concluiu com um sorriso. — Obrigado, Nathalie.
— Sabe que não precisa agradecer, querido.
Então terminaram sua refeição, e Adrien foi para o quarto tomar seu banho e se preparar para dormir.
Deitou na cama, e ligou para Marinette, quando deu o horário de sempre. Mas, ela não atendeu o celular,
Ligou de novo e nada.
Ela devia estar ocupada. Resolveu mexer em suas redes sociais enquanto esperava pelo retorno dela.
Mas após alguns minutos, um alerta akuma piscou em seu celular.
Adrien sentiu o coração acelerar, como sempre acontecia ao receber esse alerta. Afastou seu cobertor e correu para ligar sua TV, no canal de notícias. Clara já estava iniciando o voo do helicóptero.
—... Enquanto aguardamos mais notícias. Só o que sabemos, é que o akumatizado está no Jardim do Trocadéro.
Adrien entrelaçou as mãos em frente ao rosto. Estava ficando cada vez mais difícil se sentir relaxado ao ver essas lutas. E o pior, nunca saber quando iria encontrar outro portador do Miraculous da Destruição em seu lugar.
Ainda não havia decidido se preferia ver alguém com ele, ou não ver ninguém.
Pegou o celular, para tentar ligar para Marinette novamente, apenas para certificar que ela estava bem.
Mas a ligação foi, novamente, não atendida. E sentiu uma inquietação aumentar. Sua perna balançando, ouvindo a voz da namorada, na caixa postal.
— Esperem! Já conseguimos localizar os nossos heróis! — A câmera apontou para o grupo correndo nos telhados, e Adrien voltou a atenção para a imagem na TV, largando o celular no sofá. — Ladybug hoje está acompanhada de Carapace, Rena Rouge, Purple Tigress e Caprikid. Novamente, não temos a presença do nosso amado Chat Noir.
Adrien tentou ignorar essa parte, se concentrando agora no akumatizado que apareceu na tela. Seu corpo todo estava coberto por um traje preto, tão escuro, que era como se absorvesse toda a luz. Ele tinha um objeto na mão, não conseguiu identificar o que era, mas pareceu irritado ao ver a luz do helicóptero sobre ele.
— Ladybug está partindo para o confronto hoje. — Clara continuou a narrar, e Adrien viu os heróis atacando, quando o akumatizado fez um movimento com seu objeto.
Então a transmissão caiu. E o coração de Adrien deu um pulo, enquanto encarava a tela de “sem sinal” da televisão, mas que logo foi minimizada, mostrando Nadja Chamack, no estúdio.
— Pedimos desculpas, mas parece que aconteceram alguns problemas técnicos, com os nossos repórteres locais, logo…
Ouviu um e estrondo, a televisão se apagando de repente, quando tudo ficou preto.
Se ergueu do sofá, e com um olhar para a janela, viu como toda a cidade estava escura.
Esse akumatizado roubou toda a luz de Paris.
— Adrien! — Nathalie gritou, se aproximando de seu quarto.
— Estou aqui, Nathalie, estou bem. — O quarto estava um completo breu. Tateou o sofá em busca de seu celular. O encontrou, mas ao apertar em seus botões, descobriu que o aparelho não acendia mais a tela. — Droga.
Aparentemente, não havia roubado apenas a luz e eletricidade, mas a energia de todos os eletrônicos.
— Adrien. — A mulher entrou em seu quarto, e estava segurando uma vela. O único ponto de iluminação em todo o ambiente. — Acredito que vamos dormir no escuro hoje.
— É. — Respondeu chateado.
Não tinha medo do escuro, mas temia não saber o que estava acontecendo na luta.
— Sei que gosta de acompanhar a Ladybug. — Nathalie falou, reparando em sua chateação apenas pelo tom de voz, enquanto ela depositava a vela com um suporte perto de sua cama. — Mas daqui a pouco ela vai resolver tudo. Não adianta ficar se preocupando, não podemos fazer nada. — A frase pareceu cortar seu estômago, em pedaços.
Sim, ele não podia mesmo, fazer mais nada.
Ela então, se aproximou, e fez um carinho em seus cabelos.
— E está tarde, você precisa dormir para a aula amanhã.
— Eu sei. Obrigado Nathalie. — Respondeu com um suspiro, deitando infeliz, debaixo de seu cobertor.
— Boa noite, Adrien.
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Percebeu, rapidamente, que a dor no tornozelo não sumiu ao todo, quando se transformou mais cedo. Não doía tanto, mas sentia um formigamento desagradável no local.
E ainda bem por isso, pois a luta durou horas.
Tigresa era a única, além do Chat, que tinha visão noturna. E todos ficaram dependentes dela essa noite, precisando de suas instruções para agir. Até Caprikid conseguir desenhar, no completo escuro, óculos viáveis de visão noturna para todos.
Mas conseguiram, eventualmente. O mais difícil, foi novamente, ter de inventar desculpas, pela ausência de Chat Noir. Seu prazo para manter esse segredo estava apertado. Não queria, mas teria que revelar a eles, em breve.
Já que a notícia havia chegado até mesmo em Adrien.
Era madrugada já, quando chegou em casa. O tornozelo voltou a doer imediatamente, ao se destransformar em sua cama.
Bufou ao atingir o colchão. Estava exausta. O dia havia sido cheio de altos e baixos, mesmo com Adrien, não conseguiu impedir que a tristeza a invadisse em alguns momentos.
Falar do Chat Noir com ele foi, além de embaraçoso, doloroso.
Era como falar de alguém que não existia mais. Mesmo sabendo que ele ainda estava por aí, mas se não o via, como seu cérebro aceitaria esse fato?
Não que fosse admitir, mas parecia estar de luto. Se sentia passando por todos os estágios: negação, raiva, barganha, tristeza.
Com a diferença que jamais entraria no estágio da aceitação. Não mesmo.
Apertou os olhos com força, querendo sair de seus próprios pensamentos. Ergueu o tronco, usando o pouco da energia que tinha, para descer as escadas e pegar os analgésicos em sua mesa, antes de dormir.
Estava descendo com cuidado, quando percebeu Plagg lá, perto de seu celular.
— Seu namorado ligou. Várias vezes. — Ele informou, sem muita emoção.
Mas ela sentiu, todas as emoções possíveis, se embaralhando dentro dela.
— Adrien! Meu Deus, perdi a hora, e com o ataque, ele deve estar querendo saber se estou bem! — Explicou aflita, ligando o aparelho e vendo cinco ligações perdidas do Adrien. — Meu Deus, ele deve estar tão preocupado.
Falou em direção à sua kwami, até notar Tikki pousada na mesa, indicando Plagg com a cabeça, enquanto comia seu macaron.
O pequeno kwami preto estava sentado de costas para elas.
— Tá tudo bem, Plagg? — Perguntou com cautela,
Então se deu conta: mais uma luta havia acontecido, e ele ficou em casa, sozinho. De novo.
— Tudo ótimo. Por que não estaria?
Kwamis não tinham sentimentos humanos, e ainda assim, Plagg conseguia ser bem temperamental.
Ela se abaixou, até ficar com a cabeça à altura da mesa, isso fez o kwami voltar os olhos verdes em direção a ela.
— Não vou desistir dele, Plagg, sabe disso. — Então levou o punho até a frente dele. Em um gesto de fé. — Vamos conseguir trazê-lo de volta.
Plagg a analisou por alguns segundos, antes de balançar a cabeça, como se dando por vencido.
— Confio em você, guardiã. — Levou a patinha à sua mão, completando um singelo “zerou”.
Sorriu satisfeita, pegando o aparelho e caminhando, bem lentamente e com dificuldade, até sua cama.
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Adrien acordou, sentindo o celular vibrar. Já estava dormindo, mas sentiu o sono indo embora aos poucos ao ver que era Marinette ligando.
— Desculpa, meu lindo. Eu tomei um remédio para dor, e acabei dormindo. Não vi você me ligar. — Ela começou a se explicar de forma rápida, mas o cérebro dele mal estava capturando as palavras.
Estava de olhos fechados. A voz dela invadindo seu ouvido sendo sentida por todo seu corpo.
Mas ele ouviu algo.
Algo que o fez abrir um largo sorriso.
— Adrien? Tá aí?
— Você me chamou de “meu lindo”. — Respondeu, afundando a cabeça em seu travesseiro e sentindo uma emoção maravilhosa inundar seu peito.
Quase não acreditando que Marinette havia aceitado, mesmo inconscientemente, o apelido carinhoso.
Ouviu apenas o silêncio, até ela soltar um arquejo.
— Ah não.
Isso o fez soltar uma risadinha enquanto respondia.
— Ah sim.
— Não acredito que isso aconteceu. Eu estou grogue de remédios, isso não conta! — Ela continuou a resmungar, porque sua namorada sabia bem que ele não a deixaria esquecer isso mais.
— Tudo bem, minha linda! — Provocou, e ouviu ela bufar do outro lado da linha.
— Você é terrível! Não sei por que eu namoro você.
Ela parecia melhor. Isso o fez se sentir um pouco mais aliviado. Talvez ela estivesse cansada no final da tarde, ou com dor, e não quis contá-lo.
Adrien ficaria de olho nos sinais, na próxima vez.
— Você namora comigo, porque eu sou lindo.
— Ai, tchau, Adrien. — Ela respondeu, mas foi notável que estava rindo do outro lado.
— Boa noite também. — Ele zombou.
Então a ligação ficou em silêncio novamente. Adrien quase achou mesmo que Marinette tivesse desligado em sua cara. Até que ela falou de forma rápida.
— Boa noite… meu lindo.
E aí ela desligou.
Adrien olhou para o celular, incrédulo. Sentiu as bochechas esquentarem, e o sorriso não largou seus lábios.
Se perguntou se conseguiria dormir agora, com o coração tão acelerado.
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Todos os alunos foram chamados para uma palestra na escola naquela manhã. E lá, descobriram que ela seria apresentada pela cientista Anne-Jeanne Théoxanne du Bocquale.
Já era sexta, quase o final da semana, e Marinette estava agradecida por não ter que usar muletas mais. A dor no tornozelo estava bem suportável para pisar, mesmo ainda mancando. O inchaço tinha passado, e a pele estava em tons de amarelo e verde, nas fases finais do hematoma.
— Bom dia, estudantes, quero que deem as boas-vindas, a Dra. Jeanne! — O diretor introduziu, e após as palmas, Jeanne começou.
— Obrigada por me receberem. — Ela iniciou a palestra. — Vamos, a partir dessa semana, iniciar um novo projeto aqui na escola, em parceria com os laboratórios Le Boulevard Saint-Martin. Como sabem, ninguém será obrigado a participar, mas acreditamos que será do interesse de todos. Ainda mais com um novo vilão à solta.
Então, ela apertou o controle do power point, e uma apresentação iniciou, com ela ainda explicando, no microfone.
— Com muita alegria, anuncio que estaremos inaugurando nossas aulas sobre controle emocional! Para não sermos mais vítimas das nossas próprias emoções, mas aprendermos a ouvi-las e lidar com elas, de uma boa forma. Não as repelindo, ou ignorando, mas as aceitando. Assim, vamos também entender a razão e origem de nossos sentimentos. — Os alunos começaram a aplaudir, extasiados com a notícia, enquanto ela explicava o funcionamento do projeto.
Os slides mostravam imagens das novas instalações: salas com terapeutas, instrutores de meditação, exercícios para relaxamento. Além de gráficos, com o mapa do cérebro, indicando as áreas emocionais.
— Muito obrigado, Dra. Jeanne. — O diretor Damocles apareceu ao seu lado, quando ela finalizou. — A nossa escola também gostaria de comunicar que, além das aulas de controle emocional, teremos para nossos alunos, terapeutas disponíveis para atendê-los aqui no ambiente escolar. Todos terão um lugar completamente seguro, para poder discutir suas questões pessoais com profissionais super qualificados.
Ouviram-se mais aplausos. E a Dra. Jeanne voltou à frente.
— O povo de Paris está a muito tempo vivendo com medo de sentir as suas próprias emoções! Tive o prazer de contactar um monge do Miraculous, que se voluntariou também a nos dar algumas aulas, e nos auxiliar com esse novo projeto.
Ela anunciou com alegria, e o diretor continuou.
— Assim, estaremos fazendo nossa parte e ajudando a Ladybug e sua equipe. Não seremos mais alvos tão fáceis!
A palestra encerrou com gritos e aplausos, em comemoração.
Marinette se juntou a eles. Sentindo-se extremamente feliz com essa novidade. Mesmo que ela mesma não pudesse ir à terapia, sem ser completamente honesta. Esse projeto, com certeza, facilitaria seu trabalho.
Bom, ela tinha o próprio aprendiz de monge, com quem podia conversar e ser completamente verdadeira. Ficaria mais à vontade conversando apenas com Luka, como estava fazendo todos os dias.
— Acho que essas aulas vão ser incríveis! — Alya comemorou na saída do auditório.
— Vai ser demais! Deveríamos incentivar todos da Resistência a participar. — Nino continuou.
Já ia responder aos amigos, quando um pensamento veio à sua mente.
“Se o Chat Noir fizesse essas aulas, não teria mais medo de ser akumatizado, aí ele vai poder voltar!”
Era o plano perfeito! Agora, só precisava conversar com Luka, para que o amigo pudesse convencer o antigo parceiro.
Não! Antigo não, Chat ainda era seu parceiro, não importava que não tivesse mais usando o Miraculous. Ainda pertencia a ele. E somente a ele.
Esse novo projeto na escola podia ser sua salvação.
A ideia estava borbulhando em sua mente, quando sentiu Adrien apertar sua mão.
— E você, minha linda, o que achou?
Precisou se recapitular onde estava, antes de responder.
— Ah, muito legal esse projeto, meu Deus, mal posso esperar para contar para todo mundo, eu preciso fazer uma ligação! — Estava ansiosa demais, então deu um breve beijo em sua bochecha e acenou para os amigos, se afastando, mesmo com seu andar ainda difícil. — Nos vemos no final da aula! Até!
Saiu rápido, antes que qualquer um deles pudesse falar alguma coisa. Estava procurando um local vazio, perto da Ala das aulas de Artes e Criatividade, para poder ligar para Luka, quando um alerta akuma soou.
Marinette correu para o banheiro mais perto.
— Outro, tão rápido? — Reclamou com Tikki, frustrada por ter que adiar sua ligação.
— Essa nova portadora do Miraculous da Borboleta não está para brincadeira. — Era verdade, teve de concordar com a kwami.
Mas então se deu conta, poderia invocar Luka para a luta e conversar com ele pessoalmente. Isso a animou novamente.
— Tikki, transformar!
Mandou mensagem, do ioiô para o celular de Luka, pedindo para encontrá-la na luta, como Viperion. E já estava saindo do banheiro pela janela, quando Plagg a deteve.
— Ei! E eu? — Perguntou bravo, flutuando perto de seu rosto.
— Plagg, fica escondido no meu armário, por favor. E se comporte!
O kwami preto bufou alto e saiu resmungando.
— Eu sempre me comporto, que absurdo! — E sumiu na parede, em direção aos armários.
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O akumatizado se autonomeou “Dominante”. Seu poder? Para a infeliz sorte de Ladybug, era de exercer grandes ondas de dominância, o que deixou todos eles indefesos. Não conseguiam se aproximar, sem se dobrar ao chão, involuntariamente, e sentir muita dor ao tentar ir contra as ondas.
Ela já havia convocado oito heróis, mas parecia que nada que ela tentava, estava adiantando.
— Pegasus! Tente capturar o akuma! — Pegasus se teletransportou, para tentar alcançá-lo, mas as ondas o atingiram assim que saiu do portal, fazendo ele cair no chão, abraçando o próprio corpo.
Ouviu Viperion dizer “Segunda chance”, ao seu lado.
— Use outro herói! — Viperion falou para ela, antes mesmo que ela tivesse chamado o Pegasus, que era quem tinha em mente.
Pediu a Ryuko, para virar o dragão de vento novamente e atacá-lo, antes de ouvir Viperion gritar “Segunda Chance”.
— Ele precisa ser imobilizado depois de ser atacado pelo vento! — Viperion alertou.
— Vesperia, tente golpeá-lo quando a Ryuko o distrair! — Mudou o plano, enquanto corriam ao redor do akumatizando, delimitando o perímetro.
A loira acenou, em concordância. Mas seu ataque também não funcionou, pois mesmo com o vento de Ryuko ao redor, as ondas continuavam a emanar através dele, e logo viu as duas heroínas ao chão, e o akumatizado indo atrás de seus Miraculous.
“Segunda chance.”
— Monkey King! Acerta ele! — O herói do macaco avançou em direção ao akumatizado, mas o homem era rápido demais, e não se deixou ser acertado pelo poder do macaco.
“Segunda chance.”
— Ladybug, precisamos de uma distração.
Então ela chamou a Polymouse, que se multiplicou e tentou atacá-lo em várias direções, mesmo todas caindo aos pés dele ao sentir o poder das ondas.
“Segunda chance”
— Ataque-o antes da Polymouse o distrair.
Ladybug já estava esgotando suas opções, só havia uma pessoa em mente.
— Purple Tigress, é com você!
Viu a tigresa, então, usar o seu poder da Colisão. E quando o Dominante foi atingido, Ladybug conseguiu amarrá-lo com seu ioiô por tempo suficiente, mesmo sentindo dor com algumas ondas, para Pigella usar o poder do júbilo.
Foi quando, finalmente, conseguiram pegar o objeto dele e libertar o akuma.
— Zerou! — As nove mãos se juntaram, no gesto coletivo.
Pegasus foi em direção ao garoto akumatizado, ficando responsável por ampará-lo. Enquanto os outros heróis se despediram e se separaram para poder se transformar de volta e alimentar seus kwamis.
Foi o momento que Ladybug alcançou Viperion.
— Preciso conversar com você. — O herói apenas acenou para que ela o seguisse.
Os dois entraram para o bueiro mais próximo, e quando estavam sozinhos lá embaixo nos túneis, Luka se destransformou.
— É sobre a luta de hoje? — Ele questionou, já alimentando Sass.
Ladybug estava com seu assunto na ponta da língua, mas a pergunta dele a deteve no último segundo.
— O quê? O que houve na luta de hoje? — Ela havia percebido que estava usando cada vez mais parceiros nas lutas. Ou elas estavam ficando mais difíceis, ou a nova vilã sabia mesmo fazer akumatizados piores que Monarch.
— Estou precisando usar cada vez mais chances, para não sermos derrotados.
Isso a pegou de surpresa. Não tinha ideia se os outros também poderiam perceber isso, mas com Luka era diferente. Ele presenciava todos os fracassos dela, antes dele mesmo apagá-los.
E essa confirmação fez um alerta se acender em sua cabeça. Algo que, talvez, ela já tivesse ignorado por tempo demais.
— Fico preocupada com sua idade, Luka. — Exclamou. Um fardo, que o portador da Segunda Chance possuía, era de continuar a viver, enquanto o tempo de todos os outros era resetado. — Não volte tanto, a não ser que não tenha outra escolha.
— Não se preocupe, Marinette. — Ainda era um pouco estranho, quando ele a chamava pelo nome, com ela ainda transformada. — Já sou alguns meses mais velho do que devia, mas não vou deixar você na mão por medo disso.
Apenas outro peso em suas costas para carregar. Talvez, tivesse errado em dar ao Luka a posse permanente do Miraculous. Não queria que, no futuro, ele se arrependesse das escolhas que fez, quando sentisse os anos a mais pesarem sobre seu corpo.
Mas, esse poder era grande demais, e importante demais, para não ser usado. Ela não confiava em ninguém, além de Luka, com ele.
— Obrigada, Luka. Eu sei que posso contar com você. — Poderia encontrar uma forma de Viperion lutar, sem que usasse tanto seu poder. Pensaria nisso em outra hora. — Mas enfim, não era sobre isso que eu queria conversar. É sobre o Chat Noir.
— Quer mais notícias sobre ele? — Ela sentiu o rosto corar.
Era isso que os dois vinham conversando durante a semana, após a ligação que ela fez no domingo. Ela sentiu que iria perder a cabeça se continuasse a imaginar como a vida do parceiro estava indo. E mesmo que não fosse “notícias” o que estava recebendo, e sim apenas respostas vagas, elas serviam para acalentar seu coração inquieto.
“Ele está melhor” — Luka dizia nas mensagens. — “Vi ele com a namorada pela cidade, eles pareciam felizes”.
“Eu o vi com alguns amigos, ele parece bem”.
Não sabia, e nem podia saber, quando Luka o encontrava, mas ficava grata, por cada atualização.
“Ele está feliz, Luka?”
“Sim.”
Havia sido sua última pergunta. E ainda não sabia se voltaria a repeti-las. Não se sentia pronta para mais respostas como essa.
— Não, não é sobre isso, hoje. — Respondeu sem jeito. Definitivamente, não queria pensar sobre isso.
Então, contou ao amigo sobre sua ideia.
— Você mesmo, Luka, começou a treinar com Su-Han para que pudesse voltar à Paris, voltar a ficar conosco e não ser mais uma vítima do Monarch.
Luka estava em silêncio ainda, refletindo, com ambas as mãos na cintura, antes de soltar um longo suspiro e olhar em seus olhos.
— Sim, eu concordo que fiz isso, Marinette, mas o Chat Noir não tem medo apenas das próprias emoções, como eu tinha. Ele teme o próprio poder.
— O poder dele akumatizado. — Enfatizou.
O viu expirar em desistência.
— Sim, concordo. — O garoto colocou uma mão sobre o queixo de forma pensativa. — Acho que será válido contar a ele. Mas como vou fazer para ele assistir às aulas?
— Droga, eu não tinha pensado sobre isso. — Bateu com a mão sobre a própria testa.
Ela tinha quase certeza que o Chat Noir era da sua idade, mas a verdade é que não sabia, de fato. Não sabia, também, onde ele estudava, se ao menos ia para sua escola, ou alguma outra.
Se fosse da sua escola, eles se esbarraram com frequência no dia a dia? Já tinham assistido alguma aula juntos? Ou os interesses dela eram completamente diferentes dos seus?
Ele também poderia ser mais novo, como a Zoe, e nem ter entrado no ensino médio ainda.
Isso explicaria muita coisa.
Colocou ambas as mãos sobre sua cabeça, quase arrancando os cabelos, tentando parar as especulações. Argh! Por isso não gostava de tentar descobrir quem ele era. Ladybug, com certeza, surtaria.
— Ei, não se preocupe. — Luka pousou uma mão sobre a sua, a acalmando. — Não esperava que pudesse responder isso. — Explicou com um sorrisinho no rosto. Ele, de fato, parecia sempre achar graça em vê-la surtando. Ela fez um beicinho irritado em sua direção. — Eu vou dar um jeito nisso. Mas não posso garantir…
— Que ele vá mudar de ideia, sei disso. — Então ela se aproximou do azulado e lhe deu um beijo na bochecha. — Mas mesmo assim, obrigada Luka, por toda ajuda.
— Sabe que não precisa agradecer, Marinette. — Então ele olhou seu próprio telefone. — E você precisa ir, suas aulas já devem ter acabado, e daqui a pouco, o ensaio da banda vai começar.
Ladybug então sentiu seu sangue congelar em suas veias.
— Ai não, as aulas, a escola, Adrien! — Ficou tão focada em conversar com Luka, sobre a esperança de ter Chat Noir de volta, que havia esquecido completamente do tempo. Bom, do tempo e de basicamente, todo o resto. — Eu preciso ir, te vejo no barco!
Viu Luka lançar uma careta risonha em sua direção, antes de acenar em despedida.
Então sacou seu ioiô e começou a voltar para a escola, já passando em sua cabeça alguma explicação para dar à Adrien sobre seu sumiço.
Pelo menos estava com seu celular quando se transformou, estão poderia usá-lo quando se transformasse de volta.
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Adrien estava preocupado. Algo novo dessa escola, é que as salas se fechavam completamente ao alerta de akuma, para dar proteção aos alunos durante os ataques.
O ruim? Como havia se separado de Marinette, não sabia onde ela estava, e se estava segura.
— Pode relaxar, Adrien, ela deve estar bem. — Alya tentou acalmá-lo, pela quinta vez.
— O problema é que ela não tá atendendo o celular. — Rebateu, novamente.
Ele e a ruiva acabaram ficando presos juntos no ataque, já que Adrien havia decidido participar de algumas aulas de humanas naquele dia.
— Tenho certeza que tá tudo bem. Deve ter acabado a bateria ou algo do tipo. — Sabia que a garota só estava calma, porque havia conseguido falar com Nino.
Já Marinette, não havia nenhum sinal. O que era mais estranho ainda, é que todos eles viram quando ela saiu com o celular na mão. E ela, de fato, havia ficado bem estranha após a palestra.
Adrien ainda não sabia o que ela tinha, só que não havia resolvido nada ainda. Talvez, algo na palestra despertou algum gatilho, ou a fez pensar em algo para resolver, pois ela saiu de perto deles, e parecia bem decidida.
Só restou a Adrien torcer para que essas aulas fossem boas para ela. Se Marinette não se sentia segura para conversar com ele, então ter um terapeuta à disposição, parecia ser uma excelente ideia.
Estavam seguindo à luta pelo celular de Alya, e viram quando tudo terminou.
Mais uma luta sem nenhum portador do Miraculous da Destruição por perto. Isso continuava a causar uma inquietação em seu peito.
Um alarme soou, e só então, as portas e janelas foram liberadas.
— Finalmente. — Adrien saiu da sala que estava preso com Alya e outros alunos, deixando a amiga para trás, e foi em direção à ala dela. Mas chegando lá, não encontrou Marinette em lugar algum.
Continuou tentando ligar no celular dela. E na terceira tentativa, a namorada atendeu.
— Adrien? — Só de ouvir a voz dela do outro lado, o fez sentir uma onda de alívio.
— Minha linda, ainda bem. — Agradeceu internamente. — Onde você está? Estou te ligando, e você não atendeu durante o ataque.
— Eu esqueci meu celular na mesa enquanto a luta estava acontecendo! Me desculpa, amor. Mas eu estou bem. — Ela se explicou, parecendo culpada.
Adrien se sentiu mal. Marinette não era obrigada a atender sempre que ele ligava. Ele só precisava saber que ele estava bem.
Tentaria não ser tão insistente no futuro. Talvez, estivesse jogando sua frustração de não proteger a Ladybug em cima da namorada, e estava começando a ser protetor demais.
— Estou na sua ala, onde você tá? — Continuou a conversa, olhando para os lados e a procurando. Viu vários dos colegas dela, mas nada de sua azulada.
— O quê? Na minha ala? — Marinette soltou um arquejo assustado. — Ai, nossa, eu acabei de sair da escola, esqueci de te falar.
Adrien ergueu uma sobrancelha em confusão.
— O que houve amor?
— Fiz uns acessórios extras para a banda e esqueci em casa, vou ter que passar lá para pegar. — Ela explicou rapidamente, mas Adrien continuou sem entender como isso o impediria de encontrá-la.
— Tudo bem, a gente busca no caminho. Onde você está? Eu te encontro. — Reforçou.
Depois desse ataque, ele só queria vê-la. Verificar, com os próprios olhos, que ela estava bem.
— Não Adrien, a minha casa fica do outro lado, e você vai ficar atrasado pro ensaio. Eu vou buscar, já estou a caminho. — Ela havia saído da escola? — Vou com minha scooter pro ensaio.
— Tem certeza? — Aquilo era estranho.
Marinette ainda estava com o pé um pouco machucado. Por que ela havia saído da escola sozinha nesse estado? Os acessórios deveriam ser muito importantes para isso. E ela provavelmente, deveria pegar um ônibus elétrico para chegar até lá, era a única explicação.
E Marinette não gostava de usá-los.
— Sim, estou até com saudades de pilotar ela.
Então ele se deu por vencido. Se fosse a vontade dela, não iria insistir contra.
— Tudo bem.
Estava prestes a se despedir, quando a voz dela invadiu seus ouvidos novamente.
— Você busca a minha mochila no armário? Por favor? Na correria eu acabei esquecendo.
Cada vez mais distraída. Ele soltou um suspiro.
— Pego, sim, minha linda. Nos encontramos lá. — Então ele se lembrou de um detalhe. — Pilote com cuidado. — Avisou, e recebeu uma risadinha como resposta.
— Claro, até lá! Beijinhos.
Ele então desligou o telefone, indo em direção aos armários da escola.
— Nossa, que akumatizado forte foi esse. — Levou um susto, nem ao mesmo havia percebido o quão perto a menina estava dele, caminhando ao seu lado.
— Ah, Isis, oi. — Ele cumprimentou, ainda tentando acalmar as batidas de seu coração. — É, nem me fale. — Adrien havia ficado com a atenção dividida durante aquele ataque, mas ainda assim, sentiu o medo em seu peito por Ladybug, principalmente, quando a via sendo atingida por aquelas ondas de dominância.
Ainda estava se acostumando a não ser aquele que a salvava mais.
Não era um costume fácil de largar. Ainda sentia muita vontade de ir até ela para protegê-la.
— Você e sua namorada estão bem? — A colega continuou. — Sinto muito, acabei ouvindo a sua conversa.
Ok. Isso não era algo muito educado de se fazer, mas Adrien não diria isso para ela.
— Ela está bem, sim, só teve que sair. Precisava buscar algo em casa.
— Sem você? Que estranho. — A garota divagou, mas ele não deu muito ouvidos, decidindo ignorá-la. Não entendia ainda o porquê, mas Isis lhe passava uma sensação estranha.
Ela parecia ser uma daquelas fãs que tentavam a todo custo chamar a atenção de Adrien, mas de forma discreta.
Isis geralmente estava na maioria de suas aulas, e isso já era algo suspeito demais, pois Adrien trocava de aulas, assim como as modelos trocam de roupa em desfiles.
Chegando aos armários, Adrien procurou o da namorada, rapidamente o localizando e pegando a mochila dela. Se perguntou como ela havia esquecido a própria mochila, mas ela estava tão avoada esses dias, que não era nenhuma surpresa.
— Ela ainda deixou a mochila? — Nem notou a colega ali, ainda perto dele. — Sabe, eu tive um namorado uma vez que sempre sumia, e arrumava umas desculpas esfarrapadas. É claro que não deu certo. No final, descobri que ele havia voltado com a ex dele e me traído. — Adrien deve ter fechado o armário com mais força do que pretendia, pois a menina logo começou a se explicar. — Não que eu esteja dizendo que isso vai acontecer com você, jamais. Só estou desabafando.
Não sabia aonde Isis queria chegar, só sabia que sentiu seu sangue ferver ao ouvir alguém falar mal de sua Marinette, mesmo que fosse insinuação.
— A Marinette não é esse tipo de pessoa, Isis.
— Não, claro que não! Imagino que ela seja sempre honesta com você. Então, não precisa se preocupar. — Então ela lançou um sorriso em sua direção, antes de acenar com a mão e sair. — Tchau, Adrien.
Saiu da sala dos armários, ainda irritado com aquela conversa.
Marinette não era assim. E mesmo ela ainda sendo bem próxima do Luka, eles eram só amigos.
Ele então se encontrou com os amigos na saída, e avisou que Marinette encontraria com eles no barco. Então, os três entraram no carro.
Chegaram ao Liberdade em poucos minutos e Luka os saudou na entrada, já os aguardando junto com o resto da banda. Adrien foi até eles, o teclado já estava ajustando e logo, começaram a praticar.
Estavam no meio do ensaio da primeira música, quando viu a mini scooter de Marinette se aproximando pela rua.
Sentiu o coração se acalmar apenas por vê-la.
Até algo acontecer.
Um gato preto atravessou a rua, bem à frente dela. Parecia estar vendo em câmera lenta, Marinette tentar desviar dele, perder o controle da scooter, e então cair no chão com tudo, a motocicleta indo junto e derrapando com ela.
— Marinette! — Gritou, largando o teclado e saindo correndo até ela.
Isso, claro, chamou a atenção dos outros, que acabaram percebendo o acidente também.
— Ai meu Deus, amiga! — Ouviu Alya, e mais exclamações de seus amigos, mas ela já estavam ficando para trás, enquanto Adrien saiu correndo do barco, se aproximando da namorada.
Marinette estava caída de lado, mas já tentando se levantar, com a scooter caída ao seu lado.
— Droga! — Ouviu que ela estava resmungando, ao agachar ao seu lado, verificando os próprios cotovelos, agora arranhados.
De onde estava, também pode ver um arranhão em seu joelho esquerdo. Mas poderia haver lesões piores.
— Não se mexa! Vou ligar para a ambulância. — Tateou os bolsos sem sentir nada, e começou a se desesperar. Rapidamente, percebeu que na correria de chegar até ela, esqueceu o celular no barco.
— Eu ligo! — Luka anunciou, já ao lado dos dois, assim como os outros amigos estavam.
Ivan e Kim estavam levantando a scooter dela, enquanto as meninas também agacharam em um círculo ao redor dela.
— Marinette, você tá bem? — Rose exclamou, assustada.
— Alguém pega gelo para ela! — Zoe pediu, e Adrien viu Alix correr de volta para o barco para pegar.
— Deitam ela, senão ela pode desmaiar. — Sabrina complementou.
— Gente, relaxem! Estou bem, foi só um susto e eu me desequilibrei. — Marinette tentou acalmá-los, mas o estado em que ela estava não contribuiu em nada, na sua declaração. Suas mãos estavam tremendo, e a respiração estava acelerada. — Só me ajudem a levantar.
Adrien não concordou com isso, mas viu ela teimosamente, limpar as mãos sujas de asfalto nas calças, e segurar as mãos nas de Alya, que a puxou para cima, com cuidado.
Mas antes que conseguisse ficar de pé, Marinette soltou um grito de dor, assustando a todos, enquanto ela se curvava para frente segurando a lateral do corpo. Todos paralisaram, preocupados.
Menos Adrien, que a amparou, imediatamente.
— Fique quietinha, meu amor. — Informou, ajudando-a a se sentar de novo no asfalto, com o máximo de cuidado que pode em seu atual estado.
Já podia sentir o frio na ponta de seus dedos devido ao medo.
Marinette ergueu os olhos para ele, e Adrien pode ver o quanto ela estava assustada. Ou talvez, fosse apenas o reflexo de seus próprios sentimentos, no olhar dela.
— Ambulância já está a caminho. — Luka anunciou por fim.
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