Notas iniciais
Hello hello pessoal, como estão? Todos bem? Espero que sim. Galera, que loucura foi esse mês kkk pra quem não sabe, eu comecei a ter sintomas da dengue dia 02/05 e só fui melhorar dia 13. Ou seja, sem escrever esse tempo todo, eu tava a ponto de surtar. Mesmo postando os capítulos normalmente (porque eu sou uma pessoa muito responsável, e deixei caps adiantados), eu senti que tinha abandonado a fic e me senti muito mal kkk mas enfim. Ah, e vamos ignorar que aqui em Ausência, a Mari superou o trauma do Chat Blanc só alegando que estava ocupada demais? kkkk Insônia tá chorando no banho por causa disso, até hoje. Quem ta com saudades do Chat?? Eu sei, também tô. Pois se acostumem. Boa leitura!

Sometimes solutions aren't so simple

(Às vezes, soluções não são tão simples)

Sometimes goodbye's the only way

(Às vezes, o adeus é o único jeito)

Shadow of the Day

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Adrien, apesar de se sentir tão derrotado, estava se preparando para ir à aula naquela manhã.

Foi estranho acordar e, pela primeira vez em tanto tempo, se encontrar sozinho. A presença constante de Plagg havia se tornado algo normal em sua vida.

Mas agora estava, realmente, só.

Desceu para a cozinha, onde encontrou Nathalie fazendo seu café da manhã.

— Bom dia, Adrien. — Ela o cumprimentou com doçura, e estava prestes a respondê-la, até que ela se virou e viu. — Adrien, está se sentindo bem?

Abriu a boca para lhe confessar alguma mentira, mas a mulher já estava em cima de si, a mão em sua testa, conferindo seu bem-estar.

Adrien sentiu o coração se aquecendo um pouco.

— Bom dia, Nathalie. Estou bem, só não tive uma boa noite. — Disse, torcendo para que suas palavras fossem mais convincentes do que ele estava sentindo.

Nathalie ergueu uma sobrancelha, o analisando.

— Sabe que pode ficar aqui, se quiser. — Ofereceu com gentileza, voltando para o fogão para terminar os ovos pochê.

O garoto analisou aquela proposta.

— Obrigado, mas prefiro ir para escola. — Era o melhor. Ver seus amigos, se distrair.

Ver Marinette.

Melhor do que ficar em seu quarto sozinho, remoendo a noite passada, se perguntando se havia feito mesmo a coisa certa.

Mesmo que sentisse isso, bem no fundo de seu coração dolorido.

Nathalie apenas concordou em um aceno silencioso, e tomaram o café da manhã juntos, como faziam quase todos os dias.

Gorila o chamou poucos minutos depois para saírem.

— Tenha um bom dia, Adrien. — A mulher se despediu, com um beijo no topo de sua cabeça.

Adrien a envolveu em um abraço.

— Obrigado, tenha um bom dia também, Nathalie. — Ainda estava se acostumando com aquilo. Tanto carinho em seu dia a dia.

Ele não a abraçava com tanta frequência, mas a cada dia que passava, sentia que era mais estranho não fazer isso do que fazer. Nathalie vinha sendo extremamente fundamental em sua vida, e sentia que não era grato o suficiente.

— Obrigada, querido.

Então foi em direção ao carro, e assim que entrou, recebeu uma mensagem.

Minha Linda ♡

Bom dia! Tive um imprevisto e não vou

às aulas hoje. Então não precisa me buscar.

Bom dia, amor. Está tudo bem?

Sim, só uma situação que preciso resolver.

Tudo bem! Nos vemos mais tarde?

Claro! ❤️

❤️

Saber que Marinette não ia naquele dia, fez a proposta de Nathalie parecer ainda melhor. Mas todos os pontos negativos de ficar em casa, ainda estavam lá.

— Pode ir direto para a escola hoje, Gorila. Por favor.

Viu o homem concordar com a cabeça, e seguiram seu caminho.

Se sentia um pouco mal, por fazer parte das poucas pessoas, a usar um carro particular, em Paris. Até tentou, por um tempo, a usar os novos ônibus elétricos que a prefeita Bustier implementou ao longo da cidade, mas todos os dias, eram tantas pessoas o assediando, ou pelo seu passado como modelo, ou por reconhecê-lo como "garoto da Aliance" ou pior, para confortá-lo, por longos e constrangedores minutos, dizendo o quanto ele deveria ser forte após a perda do pai dele, e como seu pai havia sido um grande herói.

"Deve ter orgulho dele, Adrien."

"Que pai incrível o seu era!"

"Queria que meu pai fosse um herói, como o seu."

Tentou ignorar tudo isso por algumas semanas, mas Nathalie percebeu o quanto isso estava o afetando.

No dia seguinte, seu carro havia sido trocado por um elétrico. E apesar de ter controle manual, Gorila estava ali para dirigir para ele, todos os dias.

Marinette também não gostava muito de usar os ônibus agora, pois todos sabiam que ela era sua namorada, e acabavam a assediando pelos mesmos motivos. Com um adicional de ter garotas ciumentas por ele, às vezes, a tratando mal.

Por isso, devia ser algo urgente, o que quer que ela tenha ido resolver hoje.

Após a noite passada, o que ele mais queria, era se encontrar com a amada. Mesmo que não pudesse contar a ela seus problemas, só de estar com Marinette, Adrien sabia que se sentiria mais leve.

Soltou longos suspiros no trajeto. Estava mal. As lembranças dele e da Ladybug o estavam esmagando desde a noite anterior. Cada nova memória era um novo golpe em seu coração. Pensar que nunca mais fariam uma dupla novamente, era quase insuportável.

O único jeito de suportar era tentar pensar pelo lado positivo. Era por um bem maior.

Pelo bem de todos.

Pelo bem dela.

Manter isso em mente era o único jeito de sentir um pouco de alívio. Sentia que a estava protegendo bem mais agora. Mesmo que de uma forma completamente nova, sem sua máscara.

Agora que apenas Nathalie cuidava dele, sua agenda estava bem mais tranquila. Decidiu que usaria esse tempo, além de decidir sobre seu futuro, para se dedicar mais a Marinette e seus amigos.

Ainda mais agora que não precisaria mais sumir de repente, sempre que algum akumatizado aparecesse, sem dar explicações.

O pensamento causou mais uma fincada no coração.

Chegou à escola, cumprimentando os amigos que encontrou no caminho, até o local onde decidiu que seria sua primeira aula do dia, na biblioteca. O fato da escola não ter salas, ou grupos de classes separados, ainda era uma novidade. Mas na biblioteca, ele poderia pegar livros de várias áreas de estudo, e sempre havia tutores por perto para auxiliar os alunos.

E também, poderia ficar sozinho. Era o que ele mais queria hoje.

Chegando lá, viu um grupo de adolescentes, de diferentes idades, sentados em roda, envolta de ninguém menos, do que Alix. Ela estava com um grosso livro de história no colo, enquanto contava a eles vários relatos, que muito provavelmente, ela havia visto com os próprios olhos. É óbvio que muitas pessoas ficariam interessadas nela e em suas histórias, como a portadora do Miraculous do Coelho.

Adrien sabia que ela gostava da área de exatas, mas imaginou que, agora, ela ter uma afinidade por história era quase inevitável. Também já havia a encontrado na ala de artes, fazendo pinturas com tinta spray.

Ela o viu de longe e abanou a mão em um aceno, que ele prontamente retribuiu, antes de encontrar uma mesa para sentar e ler o livro de Economia que havia separado no setor de Matemática.

Ouviu a cadeira ao seu lado se arrastar e alguém sentar ao seu lado.

— Você é aquele menino que era modelo, não é? Adrien. — Virou o rosto e encontrou uma garota de cabelos escuros, curtos e com franja. Não a conhecia, mas sentia que ela era familiar. Talvez ele já tivesse visto ela em algum lugar da nova escola. — Eu conheci um pouco do seu trabalho, sabe? Mesmo sendo de fora de Paris.

— Ah, sou eu sim. — Respondeu um pouco sem graça. Sempre ficava assim quando era reconhecido por pessoas novas, principalmente as de outras cidades. Mesmo que sua carreira de modelo tivesse terminado, sabia que as repercussões e sua "fama" ainda continuariam por um bom tempo.

Adrien nunca quis ser famoso. Nunca viu nenhum benefício disso em sua vida, pelo contrário, só a tornava mais complicada. E estava mais do que feliz em deixar essa parte da sua história para trás.

Foi então que a garota lhe ofereceu a mão com um sorriso amigável.

— Sou a Isis, prazer. — Ele apertou a mão de volta, devolvendo o sorriso, tentando parecer tão simpático quanto ela.

Mas aquele não era um bom dia para ele. Por isso, logo que soltou a mão, estava pronto para voltar para seu livro, quando ela continuou.

— Hoje você não veio com aquela sua amiga, uma de cabelo escuro. — Retornou o olhar para ela, se perguntando como a garota nova havia reparado nisso. Bom, mas se ela o conhecia por ser modelo, poderia ser sua fã, e reparado nele sem que ele a notasse.

— Ah, o nome dela é Marinette. Ela é minha namorada. — Não que a colega tivesse perguntado, Adrien só queria deixar claro que não estava disponível.

— Ah, perdão pela confusão. — Ela sorriu sem graça, e depois voltou a ajeitar as próprias coisas.

— Tudo bem. — Disse simplesmente, voltando à sua leitura.

Viu então, Isis sair da mesa e depois retornar, com o mesmo livro de Economia que ele estava usando.

— Parece que temos gostos em comum! — Ela explicou, de repente, quando o pegou reparando no livro em sua mão.

Tentou não dar muita importância àquilo, afinal, todos estavam ali para aprender. No final, ele conseguiu aproveitar bastante a aula, principalmente quando um tutor chegou à mesa dos dois e Adrien tirou várias dúvidas, além de perceber que, definitivamente, essa área de exatas, não era para ele.

Encontrou Nino e Alya a caminho da cafeteria, após despistar a nova conhecida na saída da biblioteca. O amigo estava vindo da ala de tecnologia, aparentemente, Max estava criando uma nova câmera que integrava inteligência artificial na produção dos filmes. Nino havia comentado com ele o quanto estava empolgado.

Já Alya, vinha da parte de comunicação. Mas Adrien não sabia muito bem quais eram suas aulas, só que estavam ligadas à área de humanas e linguística, como aspirante à jornalista que era.

— Ué, cadê a Marinette? — Foi a primeira coisa que a ruiva disse quando o viu.

Adrien achou graça. Era bom, quando todos sempre queriam chegar mais perto dele, ver alguém preferir outra pessoa em seu lugar.

— Bom dia também, Alya. — Respondeu com bom humor. — A Marinette teve um imprevisto hoje e não pode vir.

Pensou que a ruiva fosse querer mais detalhes, traços de jornalista investigativa e tal, mas ela apenas deu de ombros, parecendo completamente bem com aquela resposta vaga.

— Então vamos comer logo. — Nino disse enquanto jogava o braço por cima dos seus ombros para cochichar em seu ouvido. — Está quase na hora da nossa primeira reunião da resistência do ano.

O loiro pensou que Nino abandonaria a ideia da Resistência após receber de volta o Miraculous da Tartaruga, mas estava completamente enganado. Na verdade, o amigo parecia mais obstinado do que nunca em continuar com aquilo. Mas o bom, é que todos os amigos da antiga escola também estavam comprometidos com a causa.

Ele não sabia se gostaria de ir. Mas percebe que, agora, essa era a única forma de ajudar a Ladybug sendo, apenas, o Adrien Agreste.

Lancharam os três juntos, antes de Nino chamar os outros amigos e guiar todos para, o que parecia ser, o porão da nova escola.

Nino, de alguma forma, havia conseguido transferir seu escritório da antiga escola. Ajudava também que o diretor Damocles fosse um entusiasta dessa ideia, e os permitisse continuar com aquilo, mesmo que em "segredo".

— Tá bom, galera, agora que estamos todos aqui, tenho alguns avisos para dar! — Nino, não, o Agente Ketchup, enunciou. — Agente Molho de Manteiga, e eu, estivemos analisando a luta dessa semana, e queremos avisar a todos para ficarem atentos! Não sabemos nada sobre esse novo vilão, além dele ter conseguido, de alguma forma, pegar o Miraculous da Borboleta antes que a Ladybug recuperasse ele.

Havia sido a mesma coisa que a Ladybug disse. E aquilo foi como tocar em uma ferida ainda aberta, para Adrien.

Então Alya deu um passo à frente e encarou a todos.

— Tive uma fonte confiável que me relatou que o novo vilão é uma mulher.

Bom, essa era uma afirmação que nem mesmo Adrien sabia. Ladybug e ele nem tiveram tempo para conversar antes que ele fugisse daquela luta. E agora, nunca mais conversariam dessa maneira. Como parceiros, lutando lado a lado.

Uma sensação ruim cruzou seu estômago, e precisou abraçar o próprio corpo. Ele mesmo sendo seu próprio consolo, já que havia tantas coisas acontecendo dentro de si, e não podia contar a ninguém.

Mal estava prestando atenção às conversas a sua volta. Precisou forçar esses sentimentos a sumirem, por enquanto. Se afogaria em autopiedade em outra hora.

— ... Seu estilo de ataque pode ser bem diferente de como o Hawk Moth fazia as coisas. Mas isso só vamos ser capazes de afirmar, com certeza, depois que houver mais ataques e coletarmos mais dados. — Max terminou o argumento, e Adrien concordou quando viu vários de seus outros amigos concordando junto.

— Essa vilã é diferente, não se apresentou ou nos disse o que quer, como o Hawk Moth fez em sua primeira vez. Ela é um completo mistério. — Mylene continuou.

— E também, precisamos proteger a Alix. — Zoe enfatizou, lançando um olhar para a garota em questão. — Sua identidade não é tão secreta assim, amiga.

Ter Zoe ali foi uma surpresa para o loiro.

Sabia que, após a partida de Chloé e sua família, a garota solicitou à mãe e ao pai, que permanecesse em Paris até terminar os estudos, e aparentemente, havia dado certo, ela continuava no hotel Le Grand Paris, com Armand cuidando dela.

O problema é que ela era um ano mais nova que eles, e por isso, continuava sendo uma aluna do Colégio Françoise Dupont, e não do ensino médio. Ela devia ter matado a aula do último período para participar da reunião, assim como Marc.

Conversaria com o Agente Ketchup sobre isso mais tarde. Não deviam permitir que os mais jovens fizessem isso sempre que houvesse uma reunião.

Então ouviu Alix apenas bufar, com um desdém divertido.

— Moleza, galera, a Alix do futuro tá sempre cobrindo a minha retaguarda. Jamais vou ser pega desprevenida. — Disse confiante, o que fez a maioria rir.

Já era um problema a menos para se preocupar.

— Então é isso pessoal. Vamos continuar a fazer nosso trabalho como aliados da Ladybug e do Chat Noir! — Nino, Agente Ketchup, finalizou a reunião com animação, seguido de aplausos e comemorações dos colegas.

Mas para Adrien, foi como tomar um soco no estômago.

"Ladybug e Chat Noir", essa dupla não existia mais.

— Nos vemos no Liberdade, galera! — Rose gritou antes de sair.

Enquanto todos se dispersavam, Nino o puxou para o canto.

— Ei, cara. Preciso que você e a Marinette fiquem bem alertas. — Ele disse com urgência, o que acendeu um alerta dentro da cabeça de Adrien.

— O quê? Mas por que, Nino?

O amigo apenas colocou as mãos na cintura e explicou, com tranquilidade.

— Eu contei, para vocês dois, a identidade secreta do Carapace e da Rena Rouge. Se vocês forem akumatizados, poderão nos revelar.

Adrien suspirou aliviado, era apenas isso.

— Ah sim, claro. Bem pensado. Vou falar com ela.

Então os dois começaram a ir em direção à saída da escola juntos.

— Ei, seria maneiro se você também tivesse um Miraculous. — Nino disse, como se estivesse apenas divagando alto. — Vou falar bem de você para Ladybug da próxima vez que eu a vir.

Adrien sentiu um tremor no peito só de imaginar a Ladybug oferecendo algum Miraculous para ele. Mas, pelo que sabia, todos já tinham portadores fixos agora.

— Não precisa, Nino. — Recusou como se não tivesse importância. Como se falar da Ladybug, naquele dia, não estivesse o estraçalhando por dentro. — Se ela não me escolheu até hoje, talvez eu não deva ser um herói.

Bom, a Ladybug havia o escolhido, duas vezes. Uma em que ele fracassou, completamente, e outra em que era o Félix em seu lugar, e tudo deu errado, de novo. Ele não sabia se ela o daria outra chance.

Talvez, esses deviam ter sido sinais, que ele não deveria portar Miraculous algum.

E também, não sabia se queria ser herói novamente tão cedo.

Imaginar outro portador usando seu Miraculous machucava. Não queria ter que testemunhar isso de perto.

— Então tá, cara. Mas, eu acho que você seria um super-herói da hora.

Adrien sentiu os olhos arderem, e precisou de toda sua força de vontade para não chorar ao ouvir aquilo.

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Naquela manhã, Marinette levantou, como se o mundo não tivesse desabado em seu interior. Despediu dos seus pais, contou-lhes mais uma mentira, pegou sua mini scooter e foi em direção ao Liberdade, ao invés de ir para a escola.

Estava matando aula. Algo que raramente fazia, a não ser que um ataque estivesse acontecendo.

No entanto, a dor que estava sentindo em seu peito, deveria ser considerada como ataque.

Além do mais, ela tinha motivos. Precisava falar com alguém.

Mal estacionou sua scooter e já entrou no barco, gritando por ele.

— Luka! Luka!

— Marinette? — Viu a cabeleira azul do garoto aparecer de dentro da cabine, enquanto ele ia para fora, recebê-la. — O que está fazendo aqui? Devia estar na escola.

Ela apenas correu e o abraçou. E então, não eram necessárias mais palavras.

— O que aconteceu? — Perguntou sem soltá-la. Na verdade, Luka pareceu abraçá-la ainda mais forte, e agradeceu internamente por isso.

— Luka, preciso da sua ajuda. — Se afastou para olhar nos olhos azuis dele. Mas quando estava prestes a falar, lembrou de um detalhe. — Sua mãe está?

Ela precisava de discrição com o assunto.

— Não, ela saiu. — Sentiu o olhar dele a vasculhando, reparando em seu rosto. Deve ter notado os olhos inchados, pois ele logo falou. — Você não parece bem.

Sentiu um nó crescer em sua garganta, antes de admitir.

— Não estou nada bem.

— Vem. — Então Luka a levou para dentro do barco, e sentaram-se na cama dele.

— O Chat Noir me deixou! — Despejou de uma vez, assim que estavam acomodados. Sentiu os olhos ficando úmidos novamente.

Luka era sua última esperança. Ele era o único, que ela tinha conhecimento, que sabia a identidade secreta do seu gatinho.

— Olá, minha guardiã. — O kwami da cobra apareceu, em seu jeito cortês de sempre.

Marinette freou seus pensamentos alguns segundos, enquanto Luka absorvia a informação, para cumprimentar o kwami e liberar Tikki e Plagg de sua bolsinha.

— Oi Sass, bom te ver — Havia ficado sem ver os Kwamis por tanto tempo, e sentia saudades, de todos eles. Mas sabia que estavam todos sendo bem tratados, havia dado permissão para irem procurá-la, caso o contrário acontecesse. E após semanas, nenhum havia feito isso.

— Sinto muito por esse infortúnio. Ser o portador do Miraculous do Gato é de grande responsabilidade. Não são todos que aguentam por muito tempo. — Sass continuou, sua sabedoria sendo sentida em cada palavra, antes dele se virar para Plagg. — Plagg, tem minhas condolências.

— Acontece com os melhores portadores. — Plagg respondeu com desdém, fazendo um movimento com sua mãozinha.

— Não com o meu Chat Noir! — Mari rebateu, antes de ver Tikki murmurar algo para Plagg e puxá-lo para o lado, dando a ela espaço para conversar com Luka.

E então contou a ele tudo o que havia acontecido. O pesadelo dele, sua ida ao futuro. Passou rapidamente por esse tópico. Porque, a verdade, é que ela não se permitia, ao menos pensar, em Chat Blanc. Ela o havia vencido, ponto final. Era um assunto acabado, finalizado.

Mas que havia dado um jeito de voltar para assombrá-la.

Então continuou, e contou como os dois discutiram na noite anterior. Lágrimas escorrendo sem freio pelos seus olhos.

Só não conseguiu admitir como foi horrível, quando ele a afastou de si tão asperamente, que ainda naquela manhã ela era capaz de sentir uma dor física pela mera lembrança. Que os braços dele, que antes a protegiam, a forçaram a soltá-lo.

E que receber aquele anel em seu quarto, foi como ter um pedaço do próprio coração arrancado.

Ela namorava Adrien, por Deus. Mas os sentimentos que tinha por Chat Noir eram tão fortes, que chegaram ao ponto de fazê-la sofrer daquela forma.

Para não ser injusta, sua relação com Chat era tão profunda quanto seu namoro. Ele conhecia partes dela que ninguém mais sabia, e eles nem ao menos sabiam o verdadeiro nome um do outro, era bizarro.

Mas era real.

— Ele estava tão assustado, Luka. — Continuou seu relato. Estava escorada na cama dele, abraçando os próprios joelhos. Seu choro já havia acalmado, mas não seu coração. — E tão determinado também. Ele nem ao menos me deu uma chance de tentar ajudá-lo.

Luka havia ficado calado, a ouvindo atentamente, durante todo o tempo. Ele já era um bom ouvinte, mas depois daquelas semanas treinando com o monge Su-Han, ele havia aperfeiçoado um novo tipo de escuta.

Não sabia explicar, mas era como se Luka agora pudesse resolver todos os mistérios do universo, se apenas os ouvisse, atentamente.

— Posso falar com ele, Marinette, se desejar. — Ele finalmente falou.

E ela mal pode controlar suas emoções, saltou na cama, agarrando suas mãos em súplica.

— Sim! Por favor!

Já podia sentir uma esperança brilhante crescendo em seu interior. Até notar o olhar de desânimo em Luka, e ouvir suas próximas palavras.

— Mas não posso garantir nada. — Foi a vez dele de pegar sua mão e a apertar, como se estivesse oferecendo um pequeno consolo. — Chat Noir tem suas razões. E boas. — Ele explicou com calma.

Mas ela estava cansada de explicações.

— Mas ele está me perdendo agora, por medo de me perder no futuro! — Enfatizou, não conseguindo mais se manter sentada.

Ela só queria ser ouvida, que Chat a ouvisse, e que a entendesse!

— Não é a mesma coisa, e tenho certeza que você sabe. — Luka levantou junto com ela. O rosto transbordando empatia, enquanto ele se aproximava.

— Perda é perda, Luka. — Expôs com tristeza. — Além do mais, o futuro é incerto. Posso atravessar uma rua hoje e ser atropelada e morrer! Não deveríamos viver com medo de UM futuro só porque o sabemos. E ele é apenas uma possibilidade, não uma certeza.

Mesmo que Chat Blanc fosse, de fato, um futuro terrivelmente assustador. Não ele, ela jamais teria medo dele, mas o que ele causou. A si próprio, e a tantas outras pessoas.

— Sei muito bem, Marinette. Herói da Segunda Chance, lembra? — Ele deu um pequeno sorriso triste e ergueu o braço, mostrando a pulseira, agora prateada em seu pulso. — E por saber disso, que vou me dispor a conversar com ele. Só não posso garantir suas decisões. O futuro do Chat Noir, depende apenas dele.

Ela sentiu a derrota a abater. Mas precisou respirar fundo antes de admitir isso.

— Eu sei. — Abaixou a cabeça, e desabou na cama. Era difícil ficar ereta quando sentia tanto peso em seus ombros.

Até sentir a grande mão dele pousar em seu ombro. "Mãos de guitarrista" ela pensou, antes de erguer o olhar para encará-lo.

— Posso usar o Miraculous da Destruição, por enquanto, se você desejar. — Ele ofereceu com carinho. — O que eu puder fazer para te ajudar.

Marinette analisou aquela proposta, mas levou menos de um segundo para saber que seria uma péssima ideia.

— Obrigada, Luka, mas já fez mais que o suficiente. — Ela tentou abrir um sorriso sincero, e sentiu que falhou. — Mas eu não poderia saber sua identidade, se você fosse o portador.

"E eu não quero ninguém mais além dele." Completou em pensamento.

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Luka estava em intensa reflexão, desde que ouvira toda a história de Marinette. Seu treinamento com Su-Han consistia em ensiná-lo a manter a calma, em situações diversas, auxiliando-o para sempre buscar o melhor caminho.

Mas, nunca havia se deparado com uma questão tão complexa quanto esse quadrado amoroso.

Pareciam estar sempre em desequilíbrio. Quando Marinette e Adrien não estavam bem, Ladybug e Chat Noir estavam. E agora, tudo havia se invertido.

Não deveria estar sendo fácil para Adrien, que além de perder o pai, ainda estava enfrentando esse medo há semanas. Ele devia estar contando agora, com a companhia de sua namorada para ajudá-lo a enfrentar todos esses problemas.

Mas como Marinette seria uma boa companhia, se ela estava sem sua outra metade?

Era de dar um nó na cabeça de qualquer um.

— Eu devia ir embora. — A garota disse, se levantando. Passando as mãos nos olhos para secá-los, pelo que deveria ser, a décima vez agora.

Nunca havia sentido sua melodia tão triste. E estava com o coração apertado por ela.

— Hoje é sexta, tem ensaio da banda mais tarde. — A lembrou. — Devia esperar por eles aqui.

— Nossa, é mesmo. Eu esqueci completamente! — Ela se desesperou, mexendo em seus bolsos com pressa, e de forma desajeitada. — Vou avisar o Adrien que o encontro aqui.

Luka quis rir com o jeito dela, mas a menção de Adrien matou qualquer sombra de sorriso que pudesse surgir.

Não que fosse, ou pudesse admitir para ela, mas estava admirando Adrien nesse momento. O garoto havia renunciado a uma das coisas mais preciosas que possuía, para proteger a menina que amava.

E ele nem ao menos sabia disso.

Deve ter sido muito difícil encontrar coragem para renunciar ao seu Miraculous, e Luka o respeitou por ter sido sucedido.

— E como estão, você e o Adrien, agora? — Perguntou à garota, enquanto caminhavam para a parte de cima do barco. Ele precisava começar a arrumar e ligar os instrumentos.

— Estamos bem. — O tom apático dela o fez desviar dos cabos e estreitar os olhos em sua direção, desconfiado. Marinette logo abanou as mãos e começou a se explicar. — Ai, não é nada de mais, não precisa se preocupar. Mas é que eu ser a Ladybug me fez descobrir coisas sobre ele. Segredos que eu não deveria saber. Sinto que estou sempre mentindo para alguém.

Sentiu o medo e a insegurança na voz dela.

— Sei que vai conseguir lidar com isso, Marinette. É a garota mais incrível que conheço. — Luka ainda não entendia, como ela ainda era capaz, de sentir qualquer tipo de insegurança. Genuinamente, a achava extraordinária.

— Obrigada, Luka. — Ela apertou os olhos, levemente asiáticos, sorrindo sem graça. — Sabe, eu fiquei com bastante medo há um tempo. — A ouviu confessar, enquanto sentava em um dos caixotes em frente ao palco. — Medo de acontecer com o Adrien o que aconteceu conosco. Eu e você estávamos juntos, mas você praticamente namorava sozinho. Eu sempre precisava te abandonar. — Ela então abriu um sorriso envergonhado. — Pelo menos agora, você sabe o motivo.

Demorou um pouco para respondê-la, terminando antes todos os instrumentos, para então, sentar no caixote ao lado dela. Esse era um dos assuntos mais sensíveis dele, e estava feliz por, finalmente, poder conversar abertamente a respeito disso.

— Às vezes, eu me questiono o que teria acontecido entre nós, se eu não tivesse te pressionado tanto para me contar a verdade. — Sentiu o coração apertar com as lembranças. Mas havia aprendido a lidar com elas, no entanto, viu o rosto temeroso de Marinette, e abriu um sorriso antes de continuar. — Eu sei hoje que você e o Adrien são feitos um pro outro, está tudo bem. Eu só gostaria de não ter feito aquilo com você.

Marinette encontrou a mão dele por cima da perna.

— Você tinha todo o direito, Luka. — A voz doce dela, o acalmando, era melhor que qualquer nota musical. — Eu estava fazendo você sofrer, te deixei tão sozinho. Não foi certo.

Tombou a cabeça em compadecimento. Jamais permitiria que ela carregasse essa culpa sozinha.

— Também não foi certo ser akumatizado por isso. Acho que nós dois tivemos nossa parcela de culpa.

— Sim, tivemos. — Então eles sorriram juntos, em cumplicidade.

E era essa amizade, tão especial, que Luka protegeria com todo seu ser.

Levantou, indo em direção à sua guitarra, para começar a se aquecer, quando lembrou de um detalhe.

— Mas acredito que você pode ficar tranquila, Marinette. Adrien é diferente de mim.

Viu o corpo dela retesar e as sobrancelhas franzir, em confusão.

— O que quer dizer?

Colocou a guitarra em seu colo, iniciando os acordes com algumas notas que estavam presas em sua mente.

— Quero dizer, que ele não vai cometer os mesmos erros que eu. — E podia afirmar isso com segurança.

Assistiu à postura dela relaxar, e os olhos suavizando com o alívio.

— Obrigada, Luka, por hoje. Por me ouvir, e por sempre se dispor a me ajudar. — Podia sentir uma gratidão verdadeira dela, em cada palavra.

Sentiu os lábios repuxarem em outro sorriso, enquanto a olhava com carinho.

— Sabe onde me encontrar, Marinette.

Notas finais
Primeiro POV(ponto de vista) do meu...ops, nosso Luka. *meme do pernalonga comunista* . Essa frase do Luka sempre me mataaaa!! Ai gente, sério, eu amo tanto esse menino! Seguinte, a Lila Rossi (nem sabemos o nome real dessa safada) teria duas opções: ou ela seria a Cerise Bianca, de cabelos curtos e olhos castanhos, ou Iris Verdi, cabelo preto curto, olhos azuis escuros e óculos. Não sei com qual das identidades ela vai entrar na escola, na 6ª temporada, então escolhi a que, acredito, ser a mais fácil para enganar os antigos colegas de turma. Apesar de achar (depois de ver um roteiro vazado muito suspeito), que ela vai entrar como Cerise, decidi manter a Isis aqui. "Pelo bem dela" - Em quem vocês acham que o Adrien estava pensando nessa hora? kkk fica aí o questionamento. Beijos doces! E até a próxima sexta!