Aurora: a Mestiça
1 PRÓLOGO
A chuva dificultava a minha visão noturna, eu não era acostumada a andar descalça, então as pedrinhas do caminho machucavam os meus pés. Ouvi um rugido selvagem. Ele estava bem atrás de mim, parecia mesmo um animal feroz, mostrando seus dentes pontudos e seus dedos possuíam garras afiadas. Queria continuar correndo, mas minhas pernas endureceram, péssima hora para congelar.
Ele avançou sobre mim, derrubando-me no chão. O spray que carregava deslizou da minha mão e sumiu no meio das folhas secas que caiam sobre a terra. Tateava o chão em sua busca enquanto a criatura voltou a me agarrar. Consegui me soltar, deixando meu blazer em suas mãos e me levantei para continuar correndo.
Eu não iria ganhar deles em velocidade e o spray não me salvaria, precisava lutar, usar todo o conhecimento que consegui nas aulas práticas e teóricas. Quando ele vinha em minha direção novamente ainda mais furioso, estirei meus dedos e invoquei o meu poder sobre ele.
Havia um mix de emoção em meu peito, uma mistura de medo, angústia, solidão e raiva, entre outros mil sentimentos que eu não conseguia definir com clareza, só desejava que ele sumisse da minha vista, que ele desaparecesse e nunca mais ousasse a me atacar. Desejava que ele morresse e virasse pó!
Como uma dádiva divina, um clarão dourado surgiu. A criatura caiu no chão gritando de dor, um cheiro de queimado adentrou pelas minhas narinas e a pele clara dele rapaz ficou vermelha e cheia de bolhas. Por mais assustador que aquela cena pudesse parecer, ela me deu uma sensação de alívio e eu não conseguia parar. Para mim, ele tinha que sumir!
— Aurora!
Alguém me chamava, eu não me importei em ignorar ao seu chamado.
— Aurora! Para!
Meu único foco agora era transformar aquele maldito em poeira.
— Aurora!
A voz tornou-se mais forte e alguém apareceu em minha frente de maneira instantânea, me envolvendo em um abraço. Meus braços foram abaixados e o círculo com a luz dourada havia sumido. Comecei a me sentir tonta, minha visão estava turva e meus ouvidos zuniam, não conseguia identificar a voz ou o rosto de quem estava a minha frente, apenas lembro de senti um cheiro amadeirado e doce de âmbar.
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