Aurora: a Mestiça

25 CAPÍTULO 24: Desculpe pela confusão


Ali colocou sua mão tatuada na minha cintura e com a outra entrelaçou seus dedos nos meus. Ele me conduziu devagar, numa dança lenta e tranquila, sem perder o ritmo.

Méilie gritou. Ela pisou no próprio vestido e caiu nos braços de Chang. Fiquei em dúvida se ela não teria feito isso de propósito.

— Caiu de novo, Méilie? Por acaso tem pés de patos? — Mirela gritou.

— Foi o vestido, Mirela, eu juro! Não sou acostumada a vestidos de época.

Sem querer ouvir desculpas, Mirela apenas pediu que repetíssemos a cena. Na segunda vez, tudo ocorreu bem. Dançamos para atrás das cortinas, para que a cena pudesse seguir para Jamal, que planejava acabar com o baile, matando todos os vampiros. Ele foi até Mei Pasu, que vestia uma fantasia de árvore e tinha cara de poucos amigos. Foi impossível não rir, ela estava cômica demais!

— Por que eu tenho que ser uma árvore? — Mei perguntou, aborrecida.

— O seu papel é importante. Fique feliz! — Mirela a fuzilou com o olhar.

Jamal foi até Mei e ela lhe entregou uma estaca de madeira, engrossou a voz, disse que era uma árvore encantada, cuja sua madeira era capaz de matar vampiros. Assim, ele poderia salvar sua amada do maldito vampiro que a prendeu na mansão.

Entramos em cena novamente, girando de um lado para o outro. Jamal surge armado junto com Ítalo, que faz o papel de seu melhor amigo e fiel escudeiro. Todos no baile se assustam com suas presenças.

Ali e Jamal sacaram suas espadas, de mentira óbvio, e brigaram. Jamal acertou Ali com a estaca em seu peito, não antes de Ali acertá-lo com a espada. Os dois fizeram um grande drama ao cair no chão do palco. Tive que segurar o riso antes de correr em direção a Ali, fingi estar desesperada. Me ajoelhei diante dele e coloquei sua cabeça em meu colo, acariciei seu rosto e forcei um choro falso.

— Oh! Meu amado Aaron! O que fizeram contigo? Por que não está se curando? — Falei pondo drama na voz. Mirela pareceu satisfeita.

— Minha querida, Isabele. — Ali tossiu. — Eu mereço tudo o que estou sofrendo agora. — Seus dedos se aproximaram do meu rosto, colocando alguns fios de cabelos atrás da orelha. — Eu a maltratei, a feri e a deixei solitária. Hoje terá o que mais deseja, a sua liberdade.

— Não, Aaron! O que eu mais desejo é você! Eu te amo!

— Eu também te amo, minha doce e linda Isabele.

Ali fechou os olhos. Fingi um choro, tentando esconder o meu rosto da plateia, já que não conseguia derramar lágrimas de verdade. Não podia mais adiar, era a hora da cena que todos os alunos mais aguardavam: o beijo!

Aproximei o meu rosto do rosto imóvel de Ali, nossos lábios se encontraram para um rápido selinho. O Jad abriu seus olhos e comemoramos o milagre do amor verdadeiro. E assim, terminamos a peça.

— Muito bom! — Mirela disse. — Méilie, tente não tropeçar na próxima vez e Mei, quando estiver em cena, sorria! — Mirela demonstrou com um sorriso forçado nos lábios. — Os outros foram muito bem! Parabéns! Vamos arrasar nessa peça!

A semana de provas foi bem puxada. Temia ter sido reprovada em Habilidades Básicas, já que fui muito mal na prova prática. Com as minhas amigas, fomos pegar nossos boletins. Por sorte, passei raspando. Méilie ficou na média em todas as matérias. Aproveitamos para ver quem foram os melhores alunos, Tatsu foi o melhor aluno do primeiro ano, enquanto Kaila foi a melhor aluna Valaya do primeiro ano. Sério? Kaila?!

Chie se orgulhou do seu namorado, lhe deu um beijo na frente de todos, fazendo-o corar.

— Acho que vou passar a te cobrar mais aulas particulares — disse ela, o garoto ficou ainda mais vermelho.

Com o fim da semana de provas, significava que era a nossa última semana em Plenluno. A semana de mostrarmos o que fizemos nos nossos clubes e recebermos uma nota extra de acordo com nosso trabalho. Alguns alunos decidiram ir para casa mais cedo após verem suas notas altas, caso sua ausência não prejudicasse a nota dos outros alunos do clube, eram liberados sem uma nota extra.

O clube de jornalismo fez presença em todos os projetos dos clubes para poder filmar e fotografá-los para o jornal. Méilie me fez assistir aos jogos de esportes, ela suspirava e admirava os garotos, vimos futebol, basquete e até ping pong.

Após o deleite de assistir garotos correndo atrás de bolas, Chie nos mostrou a gravação do clube de dança e rimos ao ver que Oliver e Thomas eram os menos sincronizados, sendo o motivo de o clube não tirar a nota máxima. Bem-feito!

Por último, era a vez do clube de teatro. Achei que haveria poucas pessoas por ser a última apresentação, mas o local estava lotado, alguns pais vieram ver seus filhos. Méilie me mostrou do palco onde os seus pais se sentaram.

— Vou te apresentar a eles quando acabarmos — disse ela.

Ao ver todas aquelas pessoas, comecei a ficar nervosa, uma coisa era ensaiar entre amigos, outra era mostrar-se para várias pessoas desconhecidas e alunos com quem eu mal conversava e pior, me odiavam. Pude observar Oliver e Thomas rindo em um canto, provavelmente só esperando uma falha minha. Hunf! Eles nem deviam me julgar.

As luzes diminuíram., Mirela chamou nossa atenção Ellen mexia em nossas roupas e maquiagem constantemente, tudo tinha que estar perfeito. As cortinas logo se abriram para a primeira cena do pai roubando a rosa.

Ali e Kenichi atuaram bem. O garoto Musta não era mais o mesmo menino tímido dos ensaios, os dois pareciam atores profissionais. Depois era a minha vez, respirei fundo antes de entrar no palco. Minha primeira cena era com Jamal, que tentava me acalmar ao notar que eu tremia. Jamal foi quem tomou conta da maior parte da cena e quando me retirei, Mirela perguntou o que tinha acontecido, eu tinha atuado muito bem nos ensaios, só que de repente, travei na frente do palco.

— Estou nervosa — respondi a Mirela.

— Pois trate de acabar com esse nervosismo! Você é nossa protagonista e precisa estar perfeita! — Ela disse, furiosa. — Ou não vamos tirar a nota máxima por sua causa.

Não acho que sua fala tenha me ajudado a se sentir melhor. Era muita pressão sobre mim, já não estava mais tão contente por ser a protagonista. Esperei até a minha próxima cena, que era com Méilie.

Eu cheguei à mansão em busca do meu pai e fui levada até o porão, onde o encontrei. Foram colocadas barras de mentira para Kenichi fingir estar preso Atuar com Méilie foi mais fácil. Depois, Ali entrou e eu consegui dizer minha fala sem me atrapalhar. Novamente, ele me puxou e fingiu me morder no pescoço, o toque da sua mão em minha cintura me assustou junto com a sensação da sua respiração próxima a minha pele. Por um impulso tentei me soltar, mas ele me agarrou para mais perto até que fosse a hora de mudar de cena.

Ali e eu fomos para atrás das cortinas, ele pegou em minhas mãos trêmulas e perguntou o que tinha acontecido. A verdade é que o seu toque me desestabilizou porque pensei em Vítor, eu o tinha visto há poucos dias, desde então, sonhava todas as noites com ele ao meu lado, namorando como antigamente. Ser tocado por outro rapaz daquela forma era desconcertante. Ali percebeu o meu choro baixo, pegou um lenço da sua fantasia e me entregou.

— Não pode borrar sua maquiagem. O que houve? Está passando mal?

— Não é nada, eu só estou muito nervosa. — Enxuguei as minhas lágrimas com o lenço.

Achha! Então é isso? — Ali alargou um sorriso. — Eu também estou muito nervoso. Veja!

O rapaz voltou a apertar minhas mãos, consegui sentir a vibração da sua pele na minha, me surpreendi ao ver que ele também estava nervoso, quando ele atuava parecia tão natural! Como se tivesse nascido para isto.

— Mas eu tento penso que estou com amigos — disse ele. — Ninguém vai rir de mim e sei que se eu fizer algo errado, vão me ajudar. E digo o mesmo pra você, não precisa ficar nervosa, se você falhar em alguma coisa, eu vou te ajudar, thik? — Ele balançou a cabeça. — Ou você também pode imaginar todos com chapéus engraçados. — Deu uma piscadela.

— Se eu imaginar isso vou rir. — Respondi, rindo.

— Não quero você rindo nas nossas cenas, precisa estar séria, sexy e apaixonada. — Ali pôs a mão no queixo. — Quando estiver atuando comigo, imagine que sou seu namorado.

Aquilo me pegou de surpresa, eu pensava em Vítor naquele momento. Como ele podia saber? Oh! Então me lembrei que os Jads têm poderes de ler mente, o encarei, furiosa.

— Está lendo minha mente?

O sorriso malicioso brotou em seus lábios.

— Não é assim que se lê mentes, bobinha. Já imaginou o caos que seria se pudéssemos ler mentes sem controle? — Ele tocou em meu rosto. — Você já me disse que tinha um namorado. Fico imaginando que tipo de cara ele é.

Eu apenas lhe dei uma cotovelada de leve e fomos para as nossas cenas. Segui o conselho de Ali, quando tinha que atuar sozinha imaginava a plateia com algo engraçado na cabeça. Com Méilie, a atuação era mais tranquila. Quando chegava minhas cenas com Ali, eu imaginava Vítor em seu lugar, tudo acabou fluindo com mais naturalidade.