Aurora Goldwin and The Rise of Night
6 Eu Reenceno Fúria de Titãs
Nico segurava fortemente meu pulso, me impulsionando a correr pela florestas. Ele parecia conhecer aquele caminho, muito provavelmente explorava bastante aquele lugar. Estava escuro; apesar do sol já estar alto no céu, quase nenhuma luz passava pelas folhas das árvores... que pareciam muito, muito antigas.
Avançamos o suficiente para que eu não pudesse mais ver a entrada dela, quando Nico finalmente soltou meu pulso.
– Por que me puxou com tanta pressa? — resfoleguei.
– Porque não queria que nos víssemos e viessem atrás de nós. — ele me olhou por cima do ombro — Me siga.
Corremos mais um pouco pela floresta, até Nico parar de repente e me fazer quase colidir com ele. Estávamos de frente para uma grande árvore, um carvalho se não me engano, mas era muito antigo e muito grande. Mas uma parte da árvore, eu notei, era uma junção de galhos que parecia muito bem feito para ser natural. Ergui minhas sobrancelhas.
– Você é muito observadora, — Nico sorriu para mim — isso te ajudará como uma meio-sangue.
– Obrigada. — agradeci, mas de um jeito pouco paciente.
– Eu fiz isso alguns meses atrás, assim seria mais fácil de me transportar para o palácio de meu pai. — ele se virou e tocou na junção dos galhos.
A principio nada aconteceu, mas então outros galhos se dissolveram para o nada, formando um vão negro, que parecia ser feito de sombras. Eu caberia ali, pelo tamanho, e eu era alta.
– Quando eu estiver com meu pai, você pode usar isso para vir me visitar. — ele disse. Seus olhos brilhavam com orgulho, o que me fez pensar em quanta energia ele gastou para fazer esta entrada para o mundo inferior.
– Então você quer que eu intencionalmente caia na toca do coelho? — perguntei, com ar risonho.
– Sim. — ele respondeu.
– Bem, e como eu fecho isso? — perguntei.
– Fecha automaticamente atrás de você.
– E como sairei?
– Terá uma pedra no chão ao lado da entrada do outro lado, basta pisar nela e a parede irá abrir.
– E como fechamos agora? — olhei novamente para o vão.
– Apertando a junção novamente. — ele tocou no nó de galhos e o vão se fechou.
***
– Então, o que mais podemos fazer por aqui? — perguntei a Nico quando já havíamos saído da floresta.
– Muitas coisas. Você já tem uma arma?
– Nós podemos escolher nossas armas? — o encarei animada.
– É, acho que você ainda não tem uma arma... — ele murmurou.
– Não. — falei.
– Então vamos até o arsenal.
Quando entramos no arsenal, apenas uma pessoa estava lá. Uma garotinha, que parecia ter uns dez ou onze anos; tinha os cabelos espessos e loiros escuros. Ela segurava alguns girassóis recém colhidos nas mãos.
– Cloe? — chamou Nico.
A garota teve um sobressalto e se virou para nos olhar. Ela olhou Nico de forma receosa e pressionou as flores contra seu corpo, como se para protege-las de Nico. Aquela cena quase me fez rir. Mas ela olhou para mim e relaxou a postura, sorrindo.
– O que você está fazendo aqui? — perguntou Nico.
– Estava procurando a nova campista. — ela se aproximou de mim timidamente, mas sorrindo ainda — Queria entregar isso como boas vindas. — ela estendeu os girassóis para mim.
Sorri para a garotinha; girassóis não eram minha flor favorita, mas aqueles eram tão lindos...
– Seu pai é Apolo. — Cloe continuou, antes que eu pudesse agradecer — Então achei que seria melhor girassóis, aí os fiz crescer e colhi para você.
Sorri outra vez para Cloe e beijei sua testa.
– Obrigada, mas... você é filha de quem? — perguntei, curiosa.
– De Demeter. — ela sorriu.
– Sua mãe gosta muito de cereais... — ouvi Nico murmurar. Um trovão soou ao longe, e ele ergueu os braços em derrota.
– Você conheceu minha mãe? — Cloe se virou para ele.
– Sim, ela foi visitar o mundo inferior quando eu estava lá. — disse Nico — Mas, mudando de assunto, você deveria estar no arco e flecha com o Chalé de Afrodite.
Cloe fez uma expressão emburrada, mas me abraçou e saiu do arsenal.
– Então... — Nico pôs as mãos nos bolsos de seu casaco — Que tipo de arma você preferiria? Espadas? Lanças? Adagas?
– Por que não facas? — perguntei, passando meus dedos por três facas idênticas, que pareciam estar escondidas ali a muito tempo. Estavam empoeiradas, mas eram douradas.
Tirei a poeira o melhor que pude com meus dedos. Olhei para a parede do arsenal, onde um escudo mediano era segurado por dois fios. Mirei, segurando a faca pela lâmina e lancei. Atingiu certeiramente o fio e o escudo caiu.
– Puxa, você é boa! — Nico sorriu.
Eu ri, e peguei a bainha com as três facas e prendi em minha cintura.
– Vou ficar com elas.
***
– E agora? — perguntou Nico, enquanto caminhávamos pela grama perto do lago.
– Podemos ir nadar! — sorri, quando paramos perto da água.
– Não vai trocar de roupa? — Nico ergueu uma sobrancelha.
– Não. — tirei meus tênis. Eu estava de shorts e a camisa do Acampamento.
Nico tirou as botas e a camisa. Deixamos nossas coisas na grama e entramos na água. O lago era mesmo muito grande!
– Vamos apostar quem chega primeiro naquela boia! — apontei para uma boia laranja, que ficava alguns metros de distancia.
Nico olhou para mim como se não houvesse me entendido, mas logo avançou nadando. Me pus a segui-lo... eu adorava nadar, Richard que havia me ensinado quando eu tinha seis ou sete anos.
Chegamos na boia lado a lado, mas ele tocou nela primeiro. Me apoiei na boia, recuperando o folego. Vi que havia algo escrito em tinta preta ali.
NO APIT DSETE PNOT. KEN K ADMCDI
Eu não conseguia ler bem, devido a dislexia, mas não quis me preocupar com o que dizia ali.
– Revanche! — afundei Nico na água e nós dois rimos — Solte meu pé. — falei para Nico, sentindo algo roçar em meu pé.
– Não segurei seu pé... — ele pareceu confuso. Não me importei.
Me lancei na água em direção a terra, nadando bem depressa. Faltava alguns metros para eu chegar na margem, mas a água começou a tremer e a ondular. Alguns campistas que estavam no lago saíram e se afastaram da margem, gritavam por lanças e arcos...
Subitamente virei para olhar Nico, ele estava á cinco metros de distancia de mim e me olhava com um olhar que dizia: "Saia do lago. AGORA!" E se erguendo do fundo do lago, estava uma enorme criatura com longos tentáculos... como aquela criatura que tinha aparecido em Piratas do Caribe e em Fúria de Titãs.
Então eu entendi o que estava escrito na boia:
NÃO NADE APARTIR DESTE PONTO. KRAKEN ADOMERCIDO.
Mas Krakens não eram nórdicos?
Oh, não.
O Kraken jogava os tentáculos para todos os lados, derrubando construções de pedras próximas do lago e lançando os campistas longe.
Eu ainda estava tentando assimilar tudo aquilo, quando Nico se lançou sobre mim me puxando em direção da margem, mas paramos onde estávamos quando a agua do lago se ergueu, formando uma barreira entre o Kraken e os campistas.
– Percy!
– Estamos salvos!
Os campistas gritavam, mas quem era Percy?
Então eu notei um garoto vindo voando e caindo na agua em frente a mim e Nico. Ele parecia desorientado. E a barreira de água se desfez.
Ele era muito bonito. Tinha cabelos negros e olhos verdes como o oceano. Era bronzeado e aparentava ter uns dezessete anos.
Ele me olhou.
– Quem é você? — ele me perguntou.
– Aurora. Nova campista. Filha de Apolo com benção de Morfeu. — respondi.
– Benção de Morfeu? — ele franziu as sobrancelhas.
– Podemos nos concentrar no problema em pauta? — Nico nos cortou — Temos um Kraken que acabou de despertar aqui!
– Sou Percy Jackson. — o garoto se pôs de pé rapidamente — Então, seu pai é o deus da música, não é?
– Sim... — respondi.
– E você tem a benção do deus dos sonhos?
– Exato. — eu queria saber aonde ele ia chegar.
– Se preparem. — ele disse para mim e Nico.
E então ele levantou nós três em uma plataforma de água, até estarmos frente a frente com o Kraken.
– O que está fazendo? — perguntei, assustada.
– Ele é grande demais para matar. — disse Percy — Precisamos pô-lo para dormir então... e acho que você pode fazer isso. Cante para ele uma canção de ninar!
– O que? — eu quase ri.
– Acho que pode funcionar. — disse Nico.
Automaticamente, me veio na cabeça a canção Good Night.
Cantei, a principio com a voz tremula, mas em seguida mais confiante. Me concentrei na canção... e antes que eu terminasse de cantar, o Kraken afundou... adormecido.
Fale com o autor