Aurora Azul

28 Capítulo 27 - Um corredor sem fim


Notas iniciais
Eu vou fazer uma coisa, vocês devem ter notado que eu não fiz mais sugestão de músicas, e na verdade, não há músicas para certas situações, então vou recomendar um livro para vocês lerem. O primeiro vai ser Ecos Da Morte de Kimberly Derting, já que eu acabei de ler ele. Não é um dos meus preferidos, mas é tem os seus pontos positivos.

Chegamos no hotel ás duas e quarenta da madrugada.

Não haviam muitos carros na rua, apenas alguns festeiros. Eu estava atrás do volante do Toyota de Will e não saímos do carro, só permanecemos em silêncio. Ele não olhava para mim, assim como eu não olhava para ele. Havia tanto para se falar que o silêncio era o melhor começo que conseguiríamos. Olhei para baixo e vi as manchas vermelhas estampadas no meu vestido. Pelo retrovisor, meus cabelos estavam bagunçados. Os fios loiros estavam abafados pelo suor, assim como a minha maquiagem, que se desfez pelas gotas de suor.

Eu queria que Will me abraçasse, como ele faria antes. Eu queria que ele me reconfortasse e que dissesse coisas bonitas e acolhedoras para que eu me relaxasse e também tinha o desejo de fazer o mesmo com ele. Queria abraçá-lo e encaixar a minha cabeça no seu ombro para inalar o seu cheiro e sentir o seu coração desacelerando. Como sempre. Mas as coisas mudaram de regras, as coisas simplesmente mudaram... Eu não sabia se Will sentia a mesma coisa por mim como antes. Nós dois estávamos tão diferentes, tratamos um ao outro como estranhos e eu não gostava disso.

Seria tudo mais fácil se ainda estivéssemos em Nova Iorque, pensei. Mas eu estava enganada. Meu pesadelo estava só começando e eu não tinha certeza se compartilho o mesmo com ele. Continuar com a minha vingança significa matar seu pai e mesmo assim ele não contradizia ou me impedia de tomar certa atitude. Eu queria matar o seu pai. E ele deixava. Eu não o entendia. Nunca me perguntei o por quê, mas agora estou pensando num motivo convencedor de que ele não estava do lado dele.

Mas é claro que ele não estava.

O tiroteio foi uma surpresa para a noite. Não esperava que ele tomasse certas decisões assim, na frente de todo mundo. Porém era a minha bagunça, não dele. Estava com raiva, mais do que eu estava acumulando.

Eu queria subir e voltar para os nossos amigos, mas era difícil, senti que Will também achava. Ele não os via faz um tempo, antes mesmo de ir para Phoenix, ele me contara que estava treinando em tempo integral e não tinha tempo para voltar para o apartamento. Aquele que eu desconhecia. Pensara que George concedera a A.A.S.S. toda para ele, por estar velho. Mas eu estava enganada, eu estava enganada em bastante coisas.

–Will... — comecei. Era mais difícil do que eu imaginava pois era uma conversa normal e seu nome saiu como um bolo misturado com todos os sentimentos. — como está a sua perna? — não era isso o que eu queria perguntar.

Ele demonstrou uma emoção depois de tanto tempo e olhou para mim. Seu olhar era sexy, mesmo tão cansado. Estava com saudades de pensar isso dele, como se os velhos tempos realmente tivessem voltado e junto, trouxe a velha Danna junto. Will estava sexy com o seu cabelo bagunçado e aposto que a sua pele estava melada pelo suor, como a minha. Isso me fez ter o desejo de colar os nossos corpos e não nos desgrudar mais.

–Não sinto mais dor, e o seu braço? — ele deu um de seus sorrisos discretos e foi breve. Bom.

–Esta sarando como sempre.

Levei a minha mão até a sua, que estava no seu colo. Apertei-a e ele entendeu o meu gesto. Ele a apertou também, me encarando com um sorriso bonito. Will estava surpreso pelo o que eu fiz, pois quem normalmente fazia aquilo, era ele. Mas hoje era a minha vez. Sua mão apertou ainda mais a minha e espalhei todos os pensamentos para longe. Nossos olhos se encontraram de novo e nos beijamos.

Minha boca se abriu primeiro, e lutei para enfiar a língua na sua. Seus lábios cederam e nossas línguas se chocaram em uma balança de fortes emoções. Segurei seu rosto para sustentar o beijo, já que os nossos corpos estavam virados e me aproximei mais para perto dele por causa da sua perna debilitada. O beijo ficou mais ardente e decorei cada movimento inteligente que a sua língua produzia na minha, a desafiando como num combate e eu fui mais fundo.

Girei a minha perna para o lado de modo que eu estava no seu colo. Tomava cuidado para não atingir nenhum nervo da perna. E suas mãos pousaram nas minhas costas, me puxando fortemente para si. Nosso beijo ficou mais rápido e não paramos de girar as nossas cabeças para o lado e senti que meu vestido havia feito um ruído de rasgo. Havia me esquecido que Will era como uma droga. Uma vez dentro de sua boca, eu não conseguia mais me desgrudar dele. Até que ele tomou a iniciativa. Fiquei desapontada. Tomei um pouco de fôlego antes de reclamar, mas ele foi mais rápido.

–Não posso continuar com isso Danna. — ele sussurrou a cinco centímetros da minha boca

–Do que você está falando?

–Tenho que saber se estamos juntos. Não posso continuar dando amassos com você sabendo que também tem pensamentos por outra pessoa. — me afastei para encará-lo. Eu ainda estava em cima do seu colo.

Ele nunca pareceu tão atraente como agora. Talvez seja porque ele não tem se jogado para cima de mim nos últimos tempos. Talvez seja porque ele me deu um tempo, mesmo não lhe pedindo isso, ele deu um tempo em mim. E eu estava sentindo a rejeição, só não tinha tempo para pensar sobre o assunto.

–Eu estou com você agora, não estou? — ele começou a acariciar a minha bochecha com o polegar — É isso o que importa.

–Então, — uma luz se acendeu nos seus olhos e ele me observou por mais um tempo — quer dizer que estamos juntos outra vez?

–Se eu voltei a ser a sua namorada e você o meu namorado? — mordi o lábio inferior sabendo exatamente a sua resposta. Ele balançou a cabeça assentindo e eu abracei o seu pescoço, me jogando contra o seu pescoço. — Não — respondi por fim.

–O que? — ele se espantou?

Larguei o seu pescoço, mas deixei um beijo no caminho antes de responder.

–Você não é nem um pouco romântico.

–Ah não? — ele arqueou uma sombrancelha, o deixando mais sexy ainda.

–Não, você não me pediu em namoro e nem fez um discurso dizendo o quanto me ama — contorci o nariz por causa de uma coceira.

–Achei que você não fosse desssas, pensei que fosse durona. — Entendo, queria lhe dizer, mas não disse. Depois de tudo que eu passei, ele tinha razão em me achar durona. Mas um ano não cobria meus dezoito anos de vida.

–Você me ama? — ele hesitou um pouco. Parecia procurar por uma resposta adequada para me responder. Uma resposta rápida demais causaria incerteza.

–Eu a amo. Não sei porque você ainda pergunta. — ele colocou os meus cabelos para trás — Eu a amo assim como amo o meu carro. — Riu. Quase me exaltei ao ouvir aquilo, mas depois percebi que era para me zuar. Dei um tapão no braço dele do mesmo jeito. — Au! Eu estava brincando com você.

–Eu sei. — rimos juntos. Depois de muito tempo, nossas risadas se encontraram novamente. O som virou algo uníssuo e meu coração bateu mais rápido. — Devemos subir.

–Há outras maneiras de dizer que quer fazer sexo comigo. — seu sorriso tinha más intenções e eu gostava.

–Eu não quis dizer isso — corei, não sabia o por quê. — Acho que devemos falar com nossos amigos.

–Eu sei. Não pode culpar um homem em tentar. — ele me deu um último beijo, tão rápido que não tive tempo de pensar, minha boca agiu por mim.

–Você está com a perna machucada.

–E desde quando uma perna machucada tira as minhas habilidades na cama? — ele traçou com o seu polegar a linha do meu queixo.

–Eu só não quero machucar você.

–Danna, você me machuca de maneiras que nem imagina, mas na cama? Eu não acho que isso seja possível. — Will não deixou de mostrar o seu sorriso mais bem trabalhado.

–Você não sabe. — retruquei alisando o seu smoking. — Já falei que você fica incrivelmente sexy nessa roupa?

–É mesmo? Quer tirar? — quase optei em dizer sim, seu sorriso e seus olhos me chamavam. Era tentador, mas Tereza e o resto do pessoal já devem estar preocupados com a gente.

–Desiste. — sorri aproximando a ponta do meu nariz com a dele. O seu humor mudou por um momento, seu sorriso desapareceu em um estalo e franziu o cenho pensativo. — O que foi?

Ele não olhou para mim. Por um momento, pensei no pior e quis retirar o que eu disse, mas já era tarde. Enfim ele me olhou.

–Lembra quando fomos pra casa de praia? — Will estava cauteloso demais. Depois relaxou.

–É claro que sim. Eu... tentei esquecer — mordi o lábio — mas tudo o que aconteceu foi o contrário. Os flashbacks chegavam nas horas erradas, em quase todo momento. Eu fiz de tudo, mas não consegui.

–Eu acho que você não queria, mas estava obrigando a si mesma. — olhei para baixo, para as minhas mãos e ele as pegou — A força de vontade age de acordo com as nossas vontades.

–Eu acho que você tem razão... Mas o que você quer dizer com isso? — eu não gostava de me lembrar sobre os fatos que aconteceram depois.

–Você me fez fazer uma promessa. Danna, eu prometi que nunca iria deixá-la. E eu levo as minhas promessas á sério. Eu não desisti de você e acho que nunca serei capaz de me fazer desistir. — Eu quero chorar, mas não consigo.

E as memórias voltam para a minha consciência como se tudo tivesse acontecido ontem.

''-Não preciso prometer porque eu nunca deixaria você, nunca — disse enquanto tocava seus lábios em minha clavícula
–Will — o interrompi — você promete?
Ele olhou em meus olhos e sorriu
–Danna, eu prometo nunca deixá-la — falou enquanto eu observara as duas órbitas que me observavam, elas eram perfeitas.''
Depois nos beijamos.

–Eu me recordo. E fico feliz que não tenha desistido. — mesmo me envolvendo com outra pessoa.- Obrigado.

Não podia ser aquela pessoa que havia me tornado, porque de uma forma ou de outra, eu machucava as pessoas. Eu era um animal sem sentimentos. Tudo por culpa de Robert. Agora eu queria socar a sua cara.

Abri a porta do passageiro e coloquei os meus pés para fora. Will levantou a sua perna esquerda manteve a sua direita esticada. Em alguns instantes, o elevador atingiu o nono andar. O porteiro do hotel nos encarou assustado, como se fosse normal aparecer duas pessoas feridas e manchadas de sangue no saguão de um hotel.

Enquanto caminhamos, nossos dedos estavam entrelaçados e bati na porta algumas vezes até Tereza aparecer com os olhos arregalados.

–Oh, ainda bem que você é real. — por um momento, eu pensei que ela estava calma — Aonde vocês estavam? Ficamos preocupados! — ela abriu caminho para entrarmos e encostados no sofá estavam Eric e Zoey. Nem Hayden ou Rogers estavam aqui.

–Estamos bem. — disse Will. Zoey que estava deitada na cama meio sonolenta, ergueu a cabeça para nos ver melhor.

–To vendo — disse encarando os nossos dedos. -Eu ainda não acredito que você está viva. Como pode? Você vai nos contar sobre o que aconteceu com você... — ela se levantou e se sentou na mesa em frente ao sofá, ao lado de Eric. Os móveis e o ambiente eram bem rústicos. — agora! — apontou para o sofá autoritária. Quando agia daquela forma, seus olhos se abriam um pouco mais. — O senhor também, pode se sentar porque você é seu cúmplice. — ela fez cara feia.

–Vocês parecem cansados, e a gente também está, porque não deixamos isso para amanhã? — eu estava tentando ajudar, mas parece que a minha sugestão não agradou eles.

–Já esperamos um ano por isso, caramelo — MEU APELIDO! ele me chamou pelo meu apelido! – e agora que estamos aqui, não acho que ninguém vai querer esperar até amanhã.

Encarei Will e nós nos sentamos no sofá, com os três nos cercando como se fosse um interrogatório.

–Eu acho melhor vocês se sentarem, porque a história não vai acabar antes do amanhecer. — O que estava perto.

Contei para eles desde o início. E eles não piscavam. Quando cheguei na parte da agência e de como fui treinada, eles fizeram caretas. Sim, esses são os meus amigos. Menos na parte da cadeira elétrica, onde comentei que fui testada até os limites para controlar as minhas emoções e a minha disciplina. Expliquei para eles qual era o objetivo do treinamento e sobre a minha primeira missão. Ainda estavam surpresos por algo assim existir, e ainda mais surpresos por saberem que, eu tinha poder sobre ele. Bem, ao menos tinha.

–Então você ficou milhionário da noite pro dia? Você nunca mais vai trabalhar? — ela choramingou.

–Eu não quero mais que você trabalhe lá. — comentei — posso te dar parte do meu dinheiro para começar com algum negócio ou alguma coisa que queira.

–Eu não quero o seu dinheiro, não preciso de caridades, aliás, tenho juntado dinheiro o suficiente para começar uma faculdade. Queria que você soubesse disso. Eu ia todo mês no seu túmulo para te contar sobre os meus dias — ela estava triste. Tereza nunca ficava triste.

Eu sabia e eu a ouvia.

A sala ficou em silêncio e voltei para a história, até que cheguei na parte de Dianna Banister.

–É perigoso demais andar por aí com um nome morto, então criei uma nova identidade.

–Eu quero uma identidade falsa! — Zoey levanta a mão com um sorriso no rosto.

–Dianna? Uau, você é muito criativa e foi trabalhoso não foi? Colocar um i no nome verdadeiro. — fiquei grata por eles estarem tratando isso de maneira bem-humarada. — E se o seu nome fosse Tereza? Que vogal colocaria no meio? Tiereza? Toereza? Taereza? Terezai?

Todos soltaram um riso abafado, até Will.

–Ta bom Terezai, deixe ela terminar de contar. — disse Eric, que levou um tapa nas costas.

Depois Will entrou em cena. Contei para eles o meu primeiro encontro com ele depois de tudo o que aconteceu e de como esfaqueei a sua perna e depois limpei a faca com os meus dedos.

–Como você deixou que ela te esfaquasse? — Eric parecia dar um sermão no Will, mas ele não ligou.

–Eu não deixei. Ela sempre foi experiente em me deixar vulnerável. — todos fizeram um som uníssuo de compreensão.

E continuei com a história, pulando a parte de Peter. E expliquei sobre George e Zachary. Era impressionante o quanto eles estavam pacientes e atentos.

–Agora eu entendo. Você fez isso para nos proteger... tá... Eu não consigo mais ficar com raiva de você. Só porque você está aqui agora. — ela se expremeu no sofá e me abraçou. — Você pode ter mudado, mas eu vou ser sempre a sua amiga. — aquelas palavras eram surpreendentemente reconfortantes e vários rostos felizes aparecem na minha mente.

–Seu avô... Robert Walker, aonde ele está agora? — Eric pergunta.

–Ele não quis me dizer. — eu contei á eles sobre o Protocolo D também e principalmente de Austin. — como eu disse, estou por minha conta.

–Você está com a gente. Eu sempre soube que o meu pai era um velho canalha e como você também já sabe, não gosto dos Hills, eles são estranhos.

–Eu não sei como vocês podem me apoiar nisso... eu quero matar George... o pai de vocês...

[n/a: Faz mt tempo né? haha então, a Danna vai ter um motivo lá pros próximos capitúlos em não matar George... tãm tãm tãm tãm... (:]

Will e Zoey se entreolharam.

–Nós temos motivos de não querer ele com a gente também. Você não sabe o quanto ele foi ausente e mau... ele matou essas pessoas todas e ainda matou o seu pai, por um chip, estou certa? — assenti — ele é um covarde, e se ele morrer, tudo isso acaba.

–Você sabe Danna, que ele não vale nada para nós. Nem o próprio sangue. — Will acariciou os meus braços.

Eu não sei se teria coragem de dizer isso se fosse com o meu pai. Talvez eu nunca vá saber porque meu pai nunca fez nada de ruim. Não que eu saiba, e ele já estava morto. Terminei a história e eles ainda tentavam processar.

–Estou admirada. Você tem o poder da super cura. Te odeio ainda mais por isso Danna Walker. Não é atoa que ficou milhionária, e pintou o cabelo de loiro — ela pegou no meu cabelo e analisou — e não tem pontas duplas, como assim?

O céu já estava claro.

–Amiga, você humilha a Paris Hilton... — ela está me chamando de amiga de novo. — E dou glória a Deus por ter ganho senso de moda... — Tereza olhou para o vestido — aulas de etiqueta né?

–Sim — sussurrei.

Meu braço começou a reclamar e me lembrei de que devia tirar a bala, assim como Will. O chip iria me curar, mas não se a bala estiver dentro do meu braço.

–Vou ter que tirar a bala — olhei para o braço. — preciso de uma pinça.

Tereza tinha uma. O tamanho não era muito grande, mas dava para retirar a bala. Fui até o balcão da cozinha e liguei a torneira. Três olhares estavam sobre mim enquanto eu retirava a bala na perna de Will. Parecia que eles não queriam de jeito nenhum nos deixar escapar. Assim que tirei a bala, Eric emprestou um short à ele para não encostar na ferida.

–Você também virou médica? — perguntou Tereza de olhos abertos. Naquele momento, notei que nenhum dos três tirou os seus trajes. — Pensei que enfermeiras de hospitais fossem gordinhas e preguiçosas.

–Foi só um curso de primeiros socorros. É importante saber sobre cuidados enquanto você estiver em uma batalha. — ela revirou os olhos.

–Você devia parar de se gabar. Pessoa que se gaba é mal amada.

–Will vive se gabando... — disse Zoey.

–Eu sou muito bem amado — ele olhou pra mim e sorri.

–Então, o que vai acontecer daqui pra frente? Vocês vão mesmo se jogar do precipício? — Eric não parecia contente, ele estava me olhando de maneira desconfiada. — Mesmo que custe a sua vida, Danna?

–Eu já estive morta uma vez...

–Não é assim! Você sabe que não é assim. Eu não vou deixar você morrer outra vez! — Todos pareciam apreensivos e me surpreendi com a reação de Eric. — Will, como pode deixar que ela faça essas coisas?

–Você conhece ela, quanto mais tentamos pará-la, mas teimosa ela fica. Eu já tentei e ela não vai parar, nem mesmo se for custar a própria vida. — ele abaixou a cabeça e depois segurou a minha mão. — Eu não quero que arrisque a sua vida, também não quero que morra. Se você decidir seguir na mesma direção, eu vou com você, para me certificar que você não morra, eu sei que você não vai parar com isso, e eu já tomei a minha decisão.

Will estava dizendo aquilo para me fazer ter certeza que ele não iria me abandonar. Eu estava feliz que ele entenda. Eu queria que ele entendesse, eu também não queria morrer, mas se fosse preciso, eu morreria. Para salvar a vida de todos.

–Eu não quero que você morra. — disse para ele — Não quero que nenhum de vocês se machuquem, por isso devem voltar para Nova Iorque hoje.

–De jeito nenhum! — os três protestaram ao mesmo tempo.

–Não cabe a você tomar essa decisão por nós. Desculpe, mas essa é uma questão nossa e nós decidimos. — Eric soou mais zangado ainda — Nós amamos você e não vamos deixar que morra.

–Mas e se vocês morrerem? Eu nunca, jamais me perdoaria!

–Danna, você está tentando se livrar da gente? De novo? — Tereza riu.

–É perigoso demais. Se vocês ficarem, eles vão usar cada um para tentar nos afetar. Zoey e eu sabemos como isso funciona — eles se encararam e ela assentiu.

–Eu não posso ir embora. Mamãe está aqui também.

–Ela está indo embora hoje, eu duvido que George deixe ela ficar aqui por mais tempo que isso. E você também está partindo, para o seu bem — ela fez cara feia pra ele.

–Eu não vou. Como vocês também estão brincando com suas vidas, também quero entrar no jogo. — Tereza não quis dizer aquilo. Ela não podia dizer aquilo. — eu quero saber segurar uma arma também, como vocês.

–Tereza, você não deve ficar. — Eric finalmente se pronunciou sobre o assunto com ela — Eu já tenho treinamento e estou preparado.

–Você está me insultando. Eu quero aprender e quero saber me defender. Isso vai acontecer por bem ou por mal.

–Eu protejo você — falei, interrompendo Eric que iria dizer a mesma coisa, mas seria menos doloroso se saisse de mim.

–Aham, sei — ela olhou para o meu braço.

–Faz parte — ela não estava convencida, a Tereza que eu conhecia, ia até o fim se alguma coisa entrasse na sua cabeça.

–Aham... to sabendo. Eu e o seu braço concordamos com isso. — Olhei para ele enquanto enfiava a pinça e puxava a bala com força. O metal pinicava nas paredes da carne e cada nervo estava reclamando por isso. Não doía, a cadeira elétrica era pior. Quando a bala estava totalmente fora, Tereza botou a língua pra fora em reação ao nojo.

–Eu só vou para terminar a semana de inverno — Zoey disse discontraída — Depois eu volto — ela ergueu o seu olhar para mim — Se todo mundo ficar, não há motivos para mim continuar na mesma em Nova Iorque.

Eu poderia armar alguma coisa para ela não voltar. E Will iria me ajudar, ele faria de tudo para proteger a irmã.

–Então eu acho que é isso, nós ficamos — Tereza saiu da bancada e foi até a geladeira para tirar um energético de dentro.

–Vocês não podem fazer isso comigo.

–E você podia nos enganar? Não.

Eu acho que fui derrotada. Eu fui tola em não perceber que Tereza era assim, que não iria desistir.

–Então... Quando começamos?

~Rogers~

O corredor parecia sem fim.

Quando recebi o convite para o evento organizado pelo filho de George Palmer, automaticamente o recusei. Não iria para aquele tipo de evento. Não suportava ver aquelas pessoas.

O outro corredor parecia longe demais.

Danna estava viva.

Ela não havia morrido como todos presumiram. Aquele acidente de carro fora forjado, mas por quem? George seria capaz de me trair desse jeito? Seria capaz de...

A porta se abriu. George fumava um charuto enquanto uma mão estava ocupada na maçaneta e a outra no cigarro. Não, ele não sabia e parecia um fantasma, sua cara estava pálida e seus olhos cansados. Me senti um pouco zonzo depois de inalar o ar daquele charuto. De alguma forma não normal, aquele charuto tinha substâncias enjoadas, mesmo já tendo inspirado todo o tipo de substâncias existentes.

George largou a porta para que eu pudesse entrar e um homem armado a trancou. Ele se sentou na poltrona em frente á fogueira e continuou a fumar. Estavam em uma mansão cuja a frente indicava ''Mansão Dark''.

–Presumo que esteja aqui pelo ocorrido — Não havia percebido outro bastardo ao seu lado com as pernas cruzadas.

–Vocês ordenaram aqueles homens para nos matar, estou certo?

–Presumo que sim. — disse — O problema vai ser eliminado em breve. — O problema era Danna e ela seria eliminada em breve. — Foi uma surpresa e tanta não acha? Você sabia, — fez uma pausa como se estivesse duvidando de mim — Rogers? Sabia que a sua ''docinho'' como a chama, estava viva?

–É claro que não. Se soubesse...

–Se soubesse o quê? Hã? — George se pronunciou quebrando o seu silêncio. — Você falhou com o nosso acordo. E agora ela está viva, o meu filho sabia e se aliou à ela. Você sabe o que pode acontecer se eles persistirem com essa aliança? Nós perdemos tudo! Agora, se soubesse o quê?

–Nosso acordo acabou de voltar á tona, e por isso, não vou deixar que matem ela. Não de novo. — minhas mãos suavam.

–Acha que matamos ela? — Zachary riu cinicamente — Você é um inútil mesmo.

Ele se levantou da cadeira, e sem que eu notasse, os seus homens prenderam o meu braço para trás e me colocaram de joelhos.

–Rogers Rogers Rogers, você desafia mesmo a morte não é mesmo? Já se perguntou o por quê das coisas serem tão complicadas para você? — Ele se pôs na minha frente. A sua cabeça branca e a ira em seus olhos, eram de arrepiar. Até para mim. Zachary não era igual a George. — Eu acho que você esqueceu do propósito do acordo. — alguém havia empurrado alguma coisa feito um bastão nas minhas costas e ouvi o zumbido. O choque atravessou as minhas veias e não pude segurar o grito. — Deixe-me te lembrar: Eles tem uma coisa que queremos. Eles tem poder, oque chamam de Protocolo D, você faz ideia de quem estamos falando? — o seu rosto estava próximo do meu e não pude deixar de sentir desgosto por aquilo. Zachary apertou o meu queixo e olhou em meus olhos — Você tem noção do que Robert Walker é capaz? Talvez não, você é apenas um miserável — ele riu.

Zachary se afastou e tirou a camisa. Várias listras grandes de feridas cruzavam as suas costas e quando se virou, me espantei com o que vi. Zachary não tinha os dois mamilos, no lugar, estavam duas peles mal cicatrizadas.

–Você não conhece a história, certamente, e não estou com paciência para dar uma de papai soneca. Tudo de ruim, está em mim, aquele homem não é um homem, é um demônio e é ele quem está controlando a sua preciosa docinho.– ele revirou os olhos — está vendo? Não somos nós que faremos mal à ela. Ele é o inimigo.

–Então não coloque ela em perigo.

Ele riu mais alto.

–Você é patético! A sua própria garota se põe em perigo ao tentar nos atacar, ou até no mínimo de envolvimento, ela está em perigo. Não seja tão protetor Rogers, você não é desse tipo, mostre-nos que você não é um tolo.

Então minha garganta fez som de deboche.

–Eu não vou ajudar vocês.

–Excelente! Não quer ajudar? Então não fique no caminho. — Mais um choque — Mas se tentar nos ferrar ou se intrometer nos nossos assuntos, você vai arcar com as consequências.

–Está com medo? Você não devia estar Zachary, você não é desse tipo, mostre-me que você não é um tolo. — repeti as suas palavras.

Ele se inclinou para mim furioso. E mais uma vez, choque.

Notas finais
A última parte acabou com toda a fantasia da primeira, mas até eu tenho medo desse cara kkkkkkk