Aurora Azul

24 Capítulo 23- Quatro homens e uma mulher


Notas iniciais
Hello boys and girls!

Superar uma dor nas costas era fácil, satisfatório e até chegava a ser um alívio. Porém, um peso nas costas causado por um turbilhão de problemas, era outra coisa. Eu já estava com problemas suficientes para apenas uma vida, não saberia como encaixar outros para o monte, e a única coisa de que me lembrava e que me fazia bem, era escrever. Era um sonho perdido, um que poucos sabiam, mas que talvez era isso o que eu queria fazer, talvez eu apenas quisesse isso para mim. Talvez fora isso o que me levou para a velha cabana.

Eu sentia a falta do ar fresco, sentia falta do cheiro de madeira velha e do cheiro da água da chuva, que escorria por toda a natureza em volta. Sentia falta também, de passar as tardes e as noites fugindo de um universo paralelo. A paz que reinava por entre o balanço da natureza era inaudito.

Quando um carro desconhecido virou a última esquina da rua de Peter, parei alguns metros antes, para que não me ligassem ao carro, caso o descobrissem. Era o terceiro roubo que havia cometido em um ano, já fizera alguns antes, mas nada sério. O ar que cheirei ao sair do carro, era menos denso, mais acoselhável de se respirar e menos venenoso. Andei pelas mesmas fileiras de casas que conhecia, algumas tinham aspectos de casas assombradas, com um formato triangular no teto, outras eram mais aplausíveis, a casa em que estava indo, era normal.

No meio caminho, senti uma pontada de culpa e de arrependimento por estar tomando esse rumo, e quis dar a volta. Mas era o mínimo que eu podia fazer, já que havia quebrado uma promessa. Mais um problema para encaixar, porém podia transformar esse problema para fora do meu monte. Quis dar meia-volta quando pensei mais uma vez sobre Zachary e George. ''Ao invés de estar passando para dar uma visitinha, você podia estar pensando em como resolver certos problemas, você não pode fugir para sempre Danna Walker, seu sobrenome sempre irá te perseguir, assim como o destino'' Era isso o que a minha mente estava me dizendo no momento. Mas eu estava decidida, um problema de cada vez.

Caminhei por mais alguns gramados mal cortados até conseguir avistar a casa de Peter, no outro lado da rua. Mas algo estava errado. Dois jeeps commanders estavam estacionados em frente à casa dele, com mais alguns homens armados. Recuei para atrás de uma casa de textura áspera e meu coração começou a sair pela boca. Alguma coisa estava acontecendo e se alguém estivesse ferido por minha causa... expulsei mais um pensamento da minha cabeça e busquei por alguma explicação e ajuda nos meus neurônios.

De repente, um soldado, como todos os outros, de capacete, colete e bota pesada, saiu da casa segurando o braço de alguém. E era o que eu mais temia. Peter estava sendo levado para algum lugar e logo foi empurrado para dentro do commander preto. Isso era arte de algum miserável, dos dois suspeitos, eu descarto um, o que ficou foi o próprio Robert. Eu sabia de alguma forma, que era ele quem estava fazendo aquilo. Ver aquela cena me deixou bastante irritada, Peter não expressava nada mais do que surpresa e fez questão de não tentar fugir. A casa estava cercada.

Eu não entendo... era para me provocar? Por que envolver um inocente? Porque Peter? As coisas estavam saindo totalmente do controle.

Ninguém mais saiu da casa, quando o último soldado entrou no jeep, não pensei duas vezes para correr até o carro roubado. Dirigi lentamente até estar a cerca de cinquenta metros do último jeep. Eles sairam da pequena rua entre as casas e se movimentavem para outras estradas visinhas.

O Jeep em que Peter estava, começou a reduzir a velocidade e eles se separaram entre dois caminhos. As ruas estavam movimentadas, logo o jeep estava á mais de cinquenta metros de mim e pisei com mais força no acelerador e desviando dos carros ao mesmo tempo. As lojas comerciais estavam se preparando para fechar e tomei uma rápida decisão, antes que fosse tarde demais. Quando os carros abriram caminho, pisei fundo no acelerador até bater na traseira do jeep.

Duas cabeças surgiram das janelas de cada lado e ergueram as suas armas para atirar. Mergulhei o carro novamente até o para choque e não reduzi a velocidade até os outros carros serem atingidos. Era arriscado, mas era um risco que iria desafiar, quem for a pessoa por trás disso, não iria conseguir pegá-lo.

Uma bala atravessou o vidro, vindo em minha direção, porém me abaixei a tempo de desviar. E mais uma vez, atirei o carro contra o jeep. Irritados, os homens atiraram mais vezes contra o carro e tive que reduzir a velocidade para não dar tempo á eles. Ao olhar para os lados, percebi que estávamos em uma ponte, a St.Banrely. Eles estavam indo para o sul, para fora de Phoenix. O crepúsculo que pendurava no horizonte, era representado por uma pequena linha lilás, as estrelas apareciam no céu para torná-la mais bela e para guiar as pessoas perdidas.

Mudei para a faixa ao lado e acelerei com mais força até o painel marcar duzentos km/h, eu não podia falhar, não podia falhar com a pessoa que estava dentro do jeep, e eu não iria falhar, se falhasse iria me odiar para sempre. Quando ficamos paralelos, empurrei o carro contra o jeep, o fazendo ficar encurralado. Ele tinha que parar, em algum momento, tinha que parar, se não, eu o faria parar.

As gotas de suor indicavam que a adrenalina subia cada vez mais, o som dos pneus enviava ondas de pânico para o meu coração, que acelerava, e o jeep, estava quase pulando os limites. Quando o motorista do carro percebeu que não haviam mais saídas, a não ser parar, sai do carro e corri agachada até o traseiro todo danificado do jeep. Estava sem armas, no entanto, era boa o bastante na luta física para tirar eles do caminho.

O primeiro homem veio com as mãos esticadas segurando uma arma, soquei seu queixo e o idiota disparou a arma, dando vários tiros no ar e acertando o vidro traseiro. Dei-lhe um segundo soco no rosto e o joguei para fora da ponte.

O segundo disparou a sua arma e um tiro perfurou o meu braço. Conseguia sentir o osso queimando, a bala estava perto e só havia parado por causa do meu osso. O vermelho do sangue fluiu para fora e manchou toda a extensão do meu braço. Corri em sua direção com raiva e o joguei no chão, esmagando-o com todo o meu peso e pegando a arma de sua mão para lhe atingir.

-Tome cuidado, ela é perigosa! — gritou um para o outro, restavam apenas dois. O soldado baixinho me observou e atirou, mas me escondi atrás do Honda. Os estilhaços cortavam a minha mão e pequenas tiras de sangue começaram a aparecer. Quando o barulho parou, pulei para cima do carro e joguei os estihaços que havia recolhido no chão. Disparei um único tiro certeiro nele e, caiu.

Olhei ao redor me preparando para o último. A pessoa que estava por trás disso, realmente não sabia que era preciso mais de quatro homens para me parar.

Corri para olhar dentro do jeep, e Peter não estava lá.

-Largue a arma. — a voz soava rouca e logo me virei para encará-lo. O soldado usava Peter como escudo e mantinha uma arma apontada pra a sua cabeça. — Largue a arma, ou eu vou estourar os miolos dele. — disse amargamente. Peter estava me encarando sem reação. Olhei para ele, mas logo desviei para me concentrar. Com a arma levantada, mirei na cabeça do idiota. Eu tinha um plano. Quando me aproximava, ele se movia paralelamente á mim e deixei-o bem na beira da ponte. — Você me ouviu? Eu vou estourar cada pedacinho de seu cérebro. — ameaçou mais ferozmente e pressionou a arma com mais força.

-Tudo bem, eu vou largar — segurei-a em apenas uma mão, suspendendo a arma no ar. — Está vendo? — disse para chamar a atenção dele para ela — Eu vou largá-la.

Soltei a arma e seus olhos a acompanharam, porém quando ela estava quase tocando o chão, a peguei e atirei na direção da sua cabeça. Quaisquer fossem os riscos, estava disposta a pagar, a bala acertou a sua garganta. O soldado largou a arma e tropeçou para trás, arrastando Peter com ele.

Joguei a minha arma no chão e estiquei as mãos antes mesmo de chegar até lá. Tudo aconteceu em um fração de segundos, a mão de Peter estava suada e escorregava na minha. Apertei com mais força e usei a minha outra mão para puxá-lo. Eu conseguia ver o medo em seus olhos, sua mão, mesmo suada, estava desesperada na minha.

-Eu não vou deixar você cair — encaixei os meus pés no chão, contra a barreira de concreto, meu braço falhou por um segundo, depois de sentir uma pontada de dor neles. Peter soltou um grito de desespero — Isso vai doer um pouco. — murmurei.

Concentrei a minha força nos meus braços e joguei Peter para cima. O corpo dele voou no ar batendo contra o concreto. Para a nossa sorte, não havia passado nenhum carro desdo primeiro momento. Apertei a minha ferida com a palma da minha outra mão, mas as minhas pernas acabaram falhando, causando o meu encontro com o chão. Gemi com a dor que pulsava cada vez mais forte, e de repente comecei a sentir uma onda de frio passar pelo meu corpo.

~Peter~

-Au! — gemi depois que caí de cabeça no chão. O ar parecia sufocante naquela hora, minhas pernas estavam dormentes e meu coração pulsava para fora do meu peito.

Eu estava completamente aterrorizado com o que acabara de acontecer, e pelo o que acabara de ver. A garota do meu colégio chutara o traseiro de quatro homens extremamente armados com artilharias pesadas. Estava surpreso e aliviado ao mesmo tempo, ainda tentava processar o motivo pelo o qual eles haviam invadido a minha casa e me arrancado de um momento constrangedor. Com os meus olhos embaraçados, consegui enxergar duas botas pretas caminhando em minha direção e, depois se abaixando de joelhos perto de mim.

-Você está bem? — perguntou. Meu primeiro reflexo foi me afastar, recuar para o mais longe possível. Chutei o chão com os meus pés para fugir.

Ergui meus olhos para vê-la. Dianna parecia preocupada e a mesma garota que conhecia ao mesmo tempo. Mas quando olhei ao meu redor, tive o vislumbre de alguns homens caídos no asfalto, mortos.

-O que... o que você fez? — Minha voz tremia — Me diga!

Ela não me respondeu, estava apertando o seu braço ensanguentado e apenas murmurou palavras que demoraram a ser formar na minha cabeça. Estava começando a suar frio.

-Precisamos ir — Dianna se aproximou e novamente, recuei- Por favor, mais deles estão á caminho, nós temos que sair daqui agora. — Sua voz era reconfortante, soava familiar, passava uma certa tranquilidade para você, mas eu ainda não confiava nela. Espiei mais uma vez os homens mortos ao meu lado.

-Você... — meu coração estava acelerando, eu não queria dizer aquelas palavras, era muito surreal para acreditar nelas, porém eu não era maluco — Você matou eles! — soltei o ar que prendia dentro de mim e meus batimentos caíram.

-Por favor — disse novamente — eu não vou te machucar. — Dianna estendeu a sua mão para mim, mas não a peguei.

-Como posso saber disso? — no segundo seguinte, me arrependi de ter dito aquilo. Eu não sabia da onde ela havia saído, não fazia ideia do que estava acontecendo, mas ainda assim, tínhamos algo. Eu a tinha beijado na última vez que a vira. E ela havia retribuído. E então ela desaparecera outra vez. Eu a liguei, diversas vezes. Ela não havia retornado nenhum. No fundo, eu ainda via a garota por quem eu estava apaixonado, parecia insano, mas meu coração batia forte toda vez que a via.

-Eu nunca, na minha vida, machucaria você, Peter. — meu nome saiu como um brisa — Por favor.

Foram essas palavras que me convenceram. Ela sacudiu a sua mão, me olhando com as sombrancelhas juntas, parecia estar sofrendo, e dessa vez, agarrei-a para ver se sua expressão mudava. E funcionou. Dianna tinha os olhos fixamente nos meus e o único sentimento que eles emitiam, era o carinho. Com meu corpo todo dolorido, ela teve que apertar o meu antebraço para conseguir me levantar. Dianna era forte. Talvez, até mais do que eu.

-Para onde estamos indo? — perguntei, precisava de algumas respostas.

-Para a minha casa, — ela subiu no carro cinza com a frente amassada e abri a porta traseira, eu não queria sentar ao seu lado, era demais para mim. — Vamos pegar algumas coisas e dar entrada em um hotel. Talvez fora do estado ou...

-O quê!? — perguntei histérico — Eu preciso voltar para casa, preciso de respostas também... mas preciso voltar pra casa primeiro, a minha mãe deve estar voltando do trabalho e tenho que ter certeza de que ela está bem!

-Olha, — ela se virou para trás e pela primeira vez, estava com medo de encará-la — eu sei que você quer respostas, eu quero dá-las à você, mas é muito complicado. Eu não sou quem você pensa que eu sou.

-Eu meio que percebi isso...

-Então por favor, não é só pra você que devo algumas respostas, tem algo muito mais perigoso envolvido nisso. A pessoa que mandou aqueles homens até a sua casa, foi o meu avô. Eu não tenho certeza, mas a única pessoa capaz de fazer uma coisa dessas é ele e tudo isso, foi para conseguir chegar até a mim. Estive ocupada esses dias, eu sinto muito por não ter ligado, mas o que você viu aqui hoje, não é nada em comparação á minha vida. Minha família teve alguns inimigos que acabei herdando, eles pensam que eu estou morta, mas não estou... e eles estão aqui... em Phoenix... entende? — ela ficou sem fôlego.

Arregalei os olhos para ela. O que Dianna estava me dizendo? Se aquele momento não se comparava com a vida dela, então... a minha cabeça deu mil voltas. Alguém estava atrás dela, para matá-la. Assenti com a cabeça e ela automaticamente se dispertou para dar ré e sair dali, dirigindo para fora da ponte, em direção ao centro.

-Dianna eu... — não sabia o que falar.

-Me desculpe, sinto muito por ter envolvido você nisso, eu não tinha esse direito. Agora a sua vida está em jogo também. — eu sentia a sua dor interior, olhei pela espelho retrovisor a sua expressão amarga.

-Não sinta... — tinham duas coisas que eu não entendia, como essas pessoas pensavam que ela estava morta e o por quê de ter entrado no Arcadia. Tinham outras coisas que eu não entendia também.

-Se irmos para a sua casa, eles nos pegarão. Vamos para a minha pegar algumas coisas e colocar você em segurança.

-Olha, eu não preciso de segurança, eu só quero voltar pra casa e fin...

-Fingir que tudo isso não aconteceu — ela disse antes que eu pudesse terminar. Dianna parecia magoada, mas estava satisfeita ao mesmo tempo. -Estou feliz que consiga fingir, mas tenho certeza que você precisará de uma identidade falsa, Peter.

Identidade falsa, ela era o quê? Gangster da máfia chinesa? Era por isso que conseguia carros bonitos, ou talvez ela traficava drogas, e essas pessoas estavam atrás dela para matá-la.

-Você mentiu para mim — foi tarde demais quando percebi que havia transmitido meu pensamento para as palavras reais. Arregalei os olhos e murmurei outra coisa para disfarçar — você não veio dos Hamptons, veio?

Senti o seu olhar no espelho.

-Não, eu morava no Brooklyn. — disse e voltou a dirigir. Estávamos fora da linha para a cidade, pegamos a estrada principal e entramos numa subida que eu desconhecia. Talvez porque era uma zona de pessoas ricas, a maioria dos caras que tinham uma conta obesa no banco, moravam acima de nós. Para se sentir superior, talvez? Estava faminto por respostas e tinha as minhas perguntas na ponta da língua.

Quando Dianna parou em frente á uma casa branca, meus olhos se arregalaram ainda mais. Era uma bela casa.

-Fique aqui, eu já volto. — sua voz era de um tom do tipo ''Não faça nenhuma merda, fique aí ou fique aí ou fique aí''. Mas eu não dei atenção à ela e saí. Phoenix parecia uma bela cidade na vista daquela altura. O sol desaparecera no extremo do horizonte, o azul estava prestes a passar o reinado para o preto.

Quando Dianna entrou, eu a segui para dentro. Estava curioso.

-Eu disse para ficar dentro do carro. — ela olhou para mim e perdi o fôlego, não parecia chateada, apenas cansada. Por dentro, a casa era ainda mais extraordiária. Um cômodo era do valor da minha casa, a sala de estar por exemplo, o sofá num formato de C ocupava uma parte da parede e na outra, havia uma televisão grande. Tudo foi escolhido exatamente para combinar, fora os quadros, as cores eram suaves. Eu nunca tinha entrado em uma casa dessas. Estava tão desatento com a sala que não havia visto Dianna sumir. Dois minutos depois, ela desceu a escada lateral com uma bolsa esportiva preta — Estamos com sorte, meu avô não está aqui, mas duvido que não saiba onde estou. Vamos. — Ordenou.

Antes de sairmos, percebi um som baixo de tic-toc, de relógio com ponteiros, parei em frente á porta e olhei em volta para desvendar da onde era. Dianna também parou e pareceu também perceber o barulho. Não haviam relógios de ponteiros.

Em alguns milésimos, ela empurrou a porta e nos jogou para fora, caímos de cara para a grama e depois, houve o barulho.

Uma explosão.

Notas finais
Desculpe a demora, eu tive um daqueles ataques de perfeição, quando escrevi esse capítulo pela primeira vez, achei que estava uma merda, depois eu apaguei, escrevi de novo, me desanimei e só depois que vi o erro.

O próximo vai chegar ainda em setembro, I promise.