Aurora
1 Capítulo 1.
Notas iniciais
O dia amanheceu ensolarado em Londres. Nem mesmo as cortinas vermelho-vinho conseguiam evitar que o sol iluminasse todo o quarto de Aurora. Os primeiros fleches de luz agora pairavam por seu rosto pálido, dando-lhe um ar mais vivo. A menina abriu os olhos devagar, se acostumando ainda com a claridade que se encontrava presente ali. A primeira coisa que a garota fez foi dar um grito estridente, completamente animada. Correu até seu guarda-roupas e pegou o primeiro vestido que viu pela frente. Foi até seu banheiro saltitando, sem se importar com o ruído que saía do piso.
Tomou um longo banho, ainda não acreditando que o dia que mais sonhara por toda a sua vida finalmente havia chegado. Secou-se como um flash e rapidamente vestiu sua roupa, penteando os cabelos logo depois. Os longos e lisos cabelos castanhos agora estavam presos em uma trança de lado, que dava a ela um toque feminino a mais. Aurora saiu de seu quarto correndo, e logo desceu as escadas sem diminuir o ritmo.
— Aurora? — ouviu uma voz clamar. Quando se virou, viu sua mãe, Julia, com um sorriso no rosto. — Eu ia lhe chamar agora mesmo.
— Pelo visto não precisa mais. — disse, sorridente.
— Então a minha pequena garota está preparada? — ouviu uma voz masculina, e logo seu pai estava ao seu lado, tão animado quanto ela.
— Sim! Até mais que nunca! — berrou, saltitando.
— Faltam apenas algumas horas para irmos. — disse Julia, com seu tom sério. — Arrume oque tiver de arrumar.
— Já está tudo pronto há uma semana! — a menina falou, feliz. — Tenho certeza que não esqueci de nada.
— Estou até bastante surpreso de ter arrumado tudo tão rápido. Nos mudamos para esta casa há um mês e nem terminamos tudo. — disse o homem, rindo. Julia revirou os olhos.
— Ela é uma menina organizada, Jason. — disse Julia, indo diretamente para a cozinha. O homem riu, concordando.
— Meu quarto já está completo, pai. — falou, sentando-se no sofá. — Não foi muito difícil colocar todas aquelas roupas na mala.
— Espero que não tenha usado feitiço algum. — disse Jason, esperançoso. — É contra as leis.
— Não se preocupe. Eu sei conjurar feitiços do quinto ano, acha que não sei que isso é contra as leis? — indagou a menina, um pouco esnobe.
— Inteligente igual ao pai. — Jason disse, e ouviu a mulher pigarrear da cozinha. — Ou igual à mãe.
A família Black havia se mudado para o Reino Unido há um mês, mas já haviam morado ali antigamente, antes de Aurora nascer. Afinal, Jason e Julia eram amigos de Harry, Hermione e Ronald, e seria difícil deixá-los por tanto tempo. Os dois decidiram que filha estudaria em Hogwarts, como eles. Aurora havia ficado feliz. Para ela, Hogwarts era a melhor rede de ensino de todo o mundo mágico, sem dúvidas. Ficara fascinada ao descobrir que seus pais eram amigos do famoso Harry Potter, e ainda mais fascinada ao saber que conheceria seus filhos, e talvez até ser amiga dos mesmos.
— Pai, vou até meu quarto. — a menina falou e saiu correndo, sem dar chances do pai responder. Chegou até o quarto e rolou os olhos por todo o ambiente. — Feitiços avançados, onde está você? — murmurou, enquanto procurava seu livro do quinto ano.
Quando o achou, sentou-se na cama e começou a ler. Adorava saber de tudo, a cada dia aprendia uma coisa nova. Conseguiu o livro do quinto ano com sua tia, que vivia no Brasil. Quando foram passar as férias lá, a mulher ensinou tudo oque sabia para a menina, que ficou ainda mais feliz. Porém, seu momento de leitura fora interrompido por alguém lhe chamando, ou melhor, sua mãe.
— Vamos, Aurora! Quer chegar atrasada? — a menina ficara confusa. Ainda restavam horas para que o trem chegasse na estação. Então, olhou seu relógio de pulso e se assustou com oque viu. Faltavam apenas uma hora. — Aurora!
— Já vou! — a menina berrou, pegando sua última maleta de mão e a gaiola de sua coruja negra, Linus. O resto, que não era muito, já estava no carro de seu pai. Desceu as escadas correndo, com a maleta em uma mão e o livro na outra.
— Por Merlin! — exclamou seu pai, vendo a filha descer as escadas como uma condenada. — Cuidado, quer quebrar uma perna? — a menina riu, mas negou com a cabeça, ainda ofegante. — Vamos.
— Vamos. — murmurou, ainda ofegante.
A viagem até a estação de trem King’s Cross não demorou muito. Entre um assunto e outro, chegaram sem que o trânsito lhes atrapalhasse. Jason e Julia pareciam ansiosos para reencontrar Harry, Ronald e Hermione depois de tanto tempo. Aurora ainda estava receosa, um pouco nervosa também. Após atravessarem a passagem que ficava na parede, Aurora pôde ver o grande trem vermelho. Várias crianças correndo para lá e para cá a todo momento, fazendo um pouco de magia. A menina estava boquiaberta, fascinada. Porém, sua linha de raciocínio fora interrompida quando sentiu algo se chocar contra sua mala.
— Me desculpe! — uma menina ruiva disse, praticamente se repreendendo.
— Sem problemas. — Aurora disse, com um sorriso amigável.
— Foi tudo culpa deste imbecil! — a ruiva berrou, olhando para um garoto que estava trás de si com um sorriso sapeca. Ele tinha cabelos negros e olhos verdes.
— Minha culpa? Oque posso fazer se você não olha pra onde anda? — perguntou o garoto, e Aurora pode ver que ele fazia um enorme esforço para não gargalhar ali mesmo.
— Olharia se você não tivesse me empurrado! — berrou a ruiva.
Aurora pigarreou, oque fez os dois finalmente notarem sua presença ali.
— Que indelicadeza a minha. Sou Rose Weasley. — disse a ruiva, estendendo a mão para que Aurora apertasse. No mesmo momento ela se lembrou de Ronald Weasley, o antigo amigo de seu pai. — Ele é meu primo, Alvo Potter.
— Meu Deus, que sorte encontrar vocês dois aqui! — Aurora exclamou. — Aurora Black. — e apertou a mão que Rose estendia. — Meus pais e os seus são amigos!
— Black? Neta de Sirius Black e filha de Jason e Julia Black? — perguntou Alvo, e a menina assentiu, sorrindo. — Meus pais me contaram sobre a sua família. E posso confirmar que estavam animados para rever seus pais de novo.
— É verdade! Minha mãe ficou tagarelando o verão inteiro! — Rose revirou os olhos, oque fez Aurora rir.
— E onde estão seus pais? — Alvo perguntou, e Aurora já ia responder quando se lembrou dos pais. Onde eles estariam? Rolou os olhos por todos os lugares, mas não os encontrou.
— Não sei. — deu ombros. — Meu pai estava com as minhas malas, só ficou esta. — apontou para a mala que estava no chão.
— Alvo! — ouviram alguém clamar.
— Aurora! — a menina ouviu a voz de sua mãe.
— Rose! — e então, viram ao fundo, quatro sombras adultas.
— Meu Deus. — Aurora murmurou, ao ver à sua frente, Harry Potter.
— Querida, onde se meteu? — disse Julia, chegando mais perto da filha.
— Vocês que sumiram. — deu ombros. — Mãe, olhe só quem encontrei.
A menina apontou para os dois novos amigos, que sorriram. Julia fora conhecer melhor as duas crianças ali presentes, enquanto Jason chamou Aurora. A menina tinha o coração disparado, só faltava saltar pela boca.
— Querida, quero que conheça algumas pessoas. — sorriu. — Estes são Harry Potter, Hermione Granger e Ronald Weasley. — a menina sorriu.
— Papai, agora Hermione é uma Weasley. — murmurou, fazendo os adultos rirem. — É um grande prazer conhecer vocês.
— Bem, obrigada. — Harry disse, sem graça. Já havia ouvido aquilo diversas vezes, mas nunca tão formalmente e de uma criança.
— Sra. Weasley? — perguntou Aurora, para Hermione.
— Me chame de Hermione. Ou tia. Sem problemas. — a mulher disse.
— Tudo bem, tia Hermione. — sorriu. — Bem, eu queria saber em que livros se baseou para saber tantas coisas sobre o mundo mágico. Bem, eu já li Hogwarts: Uma História nas duas versões e ali não falava muita coisa sobre isto. Se bem que já tenho meu livro do quinto ano. — disparou, sem respirar.
— Muito bem, Aurora. Vejo que é muito inteligente e dedicada. — Hermione deu uma pequena pausa e se lembrara do que a garota disse. — Livro do quinto ano? Mas nem entrou no primeiro ainda! — gargalhou.
Todos continuaram ali, conversando e se conhecendo, mas o trem apitou. Várias crianças correram lá para dentro, e outras ficaram para se despedir dos pais. Enquanto Rose e Alvo iam falar com os deles, Aurora encarou as duas figuras à sua frente. A mulher estava com os olhos marejados e vermelhos, ia chorar a qualquer momento. O homem tinha um semblante de orgulho.
— Preciso ir. — Aurora disse, abraçando o pai e logo depois a mãe. — Eu amo vocês. Vou sentir muitas saudades.
— Nós também, querida. Tome cuidado. — Julia disse, sorrindo.
— Minha pequena garota. — Jason sorriu.
— E se eu for para a Sonserina? — a menina perguntou, com um certo receio. — Digo, as histórias de lá não são muito boas. Dizem que só os bruxos maus foram para lá.
— Isso não é verdade. Tem muitos bruxos bons na Sonserina. Mas, se isso é tão importante para você, pense em qual casa quer ficar. O Chapéu Seletor escuta a sua decisão. — Jason disse, com uma lágrima escorrendo no canto do rosto.
— Agora vá. Boa sorte. — a mulher sorriu. — Ah, não esqueça a Linus. — completou, encarando a coruja negra que estava em uma gaiola ao seu lado.
Aurora sorriu e abraçou os pais pela última vez. Pegou sua maleta e a gaiola de sua coruja e partiu para o trem. Se encontrou com Rose e Alvo, e antes de irem procurar uma cabine, conseguiram avistar os pais. Quase todos, chorando. E com o orgulho estampado nos rostos.
Aquele seria o início de uma nova Hogwarts.
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